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os vampiros originais do brasil

Os Vampiros Originais do Brasil

Os Vampiros Originais do Brasil: Nós da Rede Vamp/Rede Vampyrica temos um apreço sem fim por nossa história e o que aconteceu na Terra Brasilis. Através dos anos exploramos muitas vezes em conteúdos exclusivos e até lançamos “trends” no underground e no ocultismo local com as histórias “malditas” e que passam desapercebidas do grande debate. Muitas vezes desvelamos novos “atores”e tudo isso enriquece sobre maneira a vertente da produção cultural e também a da cosmovisão.

Neste artigo de hoje compilamos as pesquisas do nosso nobre irmão Herman Assunção/ Elfo Lunar do IMT – Instituto Mãe Terra (aliás conheçam o trabalho deles neste link) que exploram seres encantados e outras expressões do folclore e da mística nativa brasileira – associadas aos vampiros. E temos certeza absoluta que enriquecerá a vida de todos vocês.

Aliás, assistam esta entrevista primeiro:

Este papo sobre o tema de vampiros originais no Brasil se iniciou há muito tempo atrás neste artigo sobre a figura dos morcegos e vampiros ameríndios da nossa colaboradora Shirlei Massapust. Uns anos depois Lord A e Frater Piarus (autor do livro Vampiros Rituais de Sangue) realizaram uma palestra bem extensa sobre o tema na Convenção de Bruxas e Magos de Paranapiacaba, nas dependências do Teatro Lira Serrano. Posteriormente abordamos os primeiros vampiros literários do Brasil, leia aqui. E o tempo nos levou a organizar dois blogs muito especiais: Mitos e folclores vampíricos e o mais recente e amplo Vampiros Negros

LEITURAS PARALELAS
OS PRIMEIROS VAMPIROS NA LITERATURA BRASILEIRA
172 ANOS DE VAMPIROS NO BRASIL: UMA TRAJETÓRIA AFETIVA
MORCEGO VAMPIRO NA ICONOGRAFIA AMERÍNDIA
UMA CURIOSA LENDA DOS INDIOS BRASILEIROS
VAMPIROS NEGROS UM BLOG EXCLUSIVO DA REDE VAMP

VAMPIROS? COMO ASSIM? VOCÊS TRATAM ISSO COMO SE EXISTISSE MESMO!

Olha a gente neste portal sabe que a maior parte de nossos leitores e leitoras tem a cognição necessária para entender que na vida como ela é vampiros, vampiras e vampirismo ou vampyrismo é algo que não existe ao pé da letra da cultura popular ou pop – ou a tal da maneira denotativa. Sabemos que tudo isso tem muito mais a ver com os efeitos de metáforas e alegorias que dialogam com o chamado “Mundus Imaginalis” – e este nunca teve nada a ver com alucinar ou delirar patológicamente – e sem cometer nenhum tipo de homicídio ou crimes bárbaros de nenhuma natureza.

Aqui na Rede Vamp a nossa linha editorial expressa aquilo que é atribuído ao vampirismo/Vampyrismo a uma raiz essencialmente xamânica de tons saturninos ou plutonianos; o que sempre remete a antigos ritos e guildas de arte e ofícios primevos geralmente pautadas no processo extático e no lado noturno praticados externamente ao urbano e o coletivo. Neste velho artigo oferecemos alguns exemplos desse xamanismo sombrio. E certamente nos livros de Lord A:. você pode aprofundar este tema como deve ser, veja aqui.

Logo o que por comodidade é retratado genericamente como vampírico a partir dos séculos XV-XVI em especial pelas religiões abraâmicas como “tipos vampíricos” normalmente são idealizações sobre estes antigos ritos através do mundo como Strigoi, Vurdolaks, Vrykloakas, Taltos, LoupGarou e muitos, muitos outros – extintos em sua maioria muito antes do século XII e que passaram a viver na fé paralela e no folclore de muitos povos. Interpretações e sistematizações do século XVII em diante são apenas máscaras para falarmos do mistério do vôo noturno e suas expressões urbanas agora nas sociedades discretas e ordens iniciáticas; ou no espiritismo popular organizado e codificado a partir dai.

Eu diria que é a carranca ou o bicho papão de todos eles.

Se as pessoas ainda hoje temem e se fascinam com tudo isso – e principalmente ainda vivem este diálogo e tráfico espiritual – é porque ai tem algo!

E há quase 5 décadas existe toda uma comunidade Vamp no hemisfério norte e há cerca de duas décadas aqui no Brasil – e esta plataforma digital é sobre tudo isso. Mas calma, isso não é ao pé da letra ou denotativo pertence ao denotativo, ao alegórico e ao símbolo – algo que dentro de uma realidade de analfabetos funcionais e pessoas imediatistas que acreditam poderem viver sem a angústia não é muito bem entendido ainda.

Mas a verdade é que eu já falei demais.

Agora deixo o meu nobre irmão de caminho e florestas o pesquisador Herman Assunção/ Elfo Lunar nos encantar e abrilhantar o momento que trouxe você até aqui em busca de saber mais sobre outras realidades. Se quiser conhece-lo mais, assista esta entrevista especial. E depois conheça alguns personagens interessantíssimos deste passado e imaginário xamânico e nativo nas terras brasileiras.

ENTREVISTAMOS HERMAN ASSUNÇÃO NA VOX VAMPYRICA

Entrevista no Spotify

A seguir oferecemos alguns personagens de natureza vampírica objetiva ou subjetiva do imaginário nativo e xamânico brasileiro, levantados pelo pesquisador Herman Assunção.

MANDEHA – DIVINDADES VAMPÍRICAS

O que acham de uma espécie de vampiros da América do Sul, incluindo o Brasil, que são tão antigos ao ponto de serem citados no Ramayana, que é um poema sânscrito hindu, que está entre os poemas mais antigos do mundo?
Nessa escritura sagrada é contada a história do Deus Rama em sua saga de resgate de sua amada Deusa Sita, das garras de Ravana, com a ajuda de seu exército de macacos. Nessa saga, há um capítulo inteiro onde Kishkindha Kanda descreve esses vampiros da América do Sul.

“Sugreeva, o Rei das Vanaras, descreve que depois de atravessar a enorme pirâmide de Garuda em Shalmali Dwipa (Pirâmide de Gympie, na Australia), é preciso viar sobre o Oceano Pacífico e então se encontra uma terra (América do Sul), onde demônios chamados de Mandeha, são encontrados. Eles possuem cor da ardósia e ficam de cabeça para baixo durante o dia (semelhantes a morcegos), enquanto sugam o sangue humano e de outros animais, durante a noite.”
Os Mandehas são descritos como horripilantes e impiedosos, podendo assumir diversas formas diferentes e “tamanhos semelhantes às montanhas”!

Esses Deuses Vampiros lutariam para impedir o sol de nascer todos os dias, pois esse os queima forçando-os a mergulharem nas águas, mas até hoje nunca tiveram sucesso. Se um dia conseguirem, colocariam o mundo em trevas absolutas, trazendo de volta seu reino.

Acredito que o próprio Deus Camazotz, da cultura asteca, seja um representante dessa antiga raça.

CÃOERA – Vampiros Metamorfos

Cãoera, também chamado de Caoéra, Canguerá, Kaagere ou Kângere, está entre os encantados mais temidos do Brasil, conforme nos contam as histórias dos povos indígenas conhecidos como Mura. Os Mura vivem em vastas regiões no complexo hídrico dos rios Madeira, Amazonas e Purus. Vivem tanto em Terras Indígenas, quanto nos centros urbanos regionais, como Manaus, Autazes e Borba. São descritos como um povo navegante, de ampla mobilidade territorial e exímio conhecimento dos caminhos por entre igarapés, furos, ilhas e lagos.

Mesmo tendo sofrido diversos estigmas, massacres e perdas demográficas, linguísticas e culturais, os Mura mantiveram sua resistência frente ao domínio da civilização portuguesa. Eles contam a respeito de Cãoera, um Vampiro Encantado com a forma de Morcego Gigante, que suga todo o sangue de suas vítimas enquanto dormem e, em seguida, a devoram. Sua fama é tamanha, nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, que ele é citado inclusive em músicas populares, como as do Boi Caprichoso:
“Na sombra dos vales as brumas vagueiam
O ente da gruta oculta
É a hora soturna de aterrorizar
É homem, é fera, é criatura das trevas
Com o machado de pedra pra guerra
Na espreita obscura vai te devorar”
(Cãoera, Caprichoso 2015)

Forte como os lendários Pássaros Roca, o Cãoera consegue carregar um boi adulto em suas garras facilmente, ou arrancar o telhado de uma casa, sem nenhuma dificuldade. Habitam cavernas profundas, saindo somente a noite para suas caças. Possuem o poder de encantar suas vítimas, induzindo-lhes a um sono profundo, a fim de não reagirem enquanto estão sendo atacadas. Alguns contos, dizem que escolhem suas vítimas através dos sonhos, antes mesmo de atacá-las fisicamente. Também, conseguem mudar de forma, se transformando em quaisquer animais, ou mesmo em seres humanos encantadores, homens ou mulheres.

Gostam também de atacar e matar outros seres Encantados e dizem que, nesses casos, acabam absorvendo os poderes de quem lhes serviu de alimento. Quando os Cãoera são assassinados, o seu terceiro filhote se torna seu sucessor, adquirindo resistência ao que matou seu pai ou sua mãe, desenvolvendo assim novas habilidades.

Sua forma de morcego é muito semelhante e espécie conhecida como Raposa-gigante-voadora, o Pteropus vampyrus, que é uma espécie de morcego gigante da família Pteropodidae. Possui uma cabeça semelhante a de um Lobo, pelos escuros que variam do marrom ao negro, com asas maiores, que chegam facilmente a uma envergadura de 2 a 5 metros.

Todos são completamente cegos, utilizando seus sentidos místicos para se localizarem e se locomoverem. A falta da visão, no entanto, não lhes limita em absolutamente nada, muito pelo contrário, pois seus sentidos captam coisas que nenhum olho conseguiria.


É possível invocar os Vampiros Cãoera, através de rituais complexos, realizados em florestas noturnas, que envolvem queima de pelos e penas de animais diversos, oferendas de misturas de carnes cruas nas matas e de espinhas de peixe nos rios, acompanhados de cânticos sagrados e gritos guturais. No entanto, não se deve atrair suas atenções, sem que você saiba como lidar com eles e como se proteger de seus poderes, pois caso contrário poderá se tornar sua próxima vítima.
Muito Axé a todas(os)

FONTES:
PEREIRA, Franz Kreüther. PAINEL DE LENDAS & MITOS DA AMAZÔNIA
pib . socioambiental . org
colecionadordesacis . com . br

JARARACA – VAMPIRAS REPTILIANAS

Apesar dos vampiros europeus terem ganho o imaginário do mundo inteiro e as pessoas acreditarem que só existam eles, a verdade é que seres vampíricos sempre estiveram entre presentes em todas as culturas do mundo.
A série de hoje vai trazer algumas informações sobre aqueles que são encontrados no Brasil e na África.
Uma das espécies de vampiros que existe no Brasil, há séculos, é conhecido como Jararaca.
Essa é uma espécie que se apresenta, normalmente, na forma feminina, apesar de existires relatos de indivíduos masculinos. Acredita-se que alguns mudem seu sexo biológico apenas para finalidade de reprodução, como encontramos em algumas espécies de repteis.

Conhecem a lenda da cobra que bebe leite direto do peito de mães?
São essas vampiras que foram as fomentadoras desses mitos!

Como metamorfos que se transformam em serpentes, geralmente negras e compridas, esses seres invadem cabanas e casas do interior brasileiro, atraídas pelas jovens mães lactantes.


Aproveitam enquanto as mulheres desprotegidas dormem e entram no recinto em sua forma de cobra, atacando seus seios. As lendas dizem que produzem uma secreção que, além de amortecerem o local da mordida, acabam levando a vítima a loucura.

Esse vampiro tem preferência pelo leite materno, mas se não conseguir, se alimentam de sangue mesmo. Caso encontre leite e goste, vai voltar outras noites.

Mesmo que a vítima acabe acordando durante o ataque, a toxina da vampira a entorpecerá e fará que não consiga se proteger. Não vai adiantar pedir ajuda, pois será desacreditada pela população, devido ao absurdo da história de uma cobra que bebe leite.

Se a vampira Jararaca se sentir ameaçada, ela pode usar sua toxina para se defender matando sua vítima rapidamente.
Não existe forma específica de se defender delas e por serem extremamente astutas, ninguém as conhece tanto para que consiga descobrir seus pontos fracos.

Dificilmente as Jararacas vivem em grandes cidades, preferindo morar em locais afastados da humanidade, em cavernas ou grutas, se aproximando de vilarejos ou aldeias apenas para se alimentarem.

AZEMAN – VAMPIRAS FEITICEIRAS

Os Azemans são citados em histórias locais principalmente do Suriname, mas também em outros locais da América do Sul, incluindo o Brasil.
Em uma primeira impressão, pode-se pensar que são vampiros iguais aos europeus, sendo pessoas que tem a capacidade de se transformar em vários animais, principalmente em morcego e lobo, atacando a noite suas vítimas, das quais bebem seu sangue.

Mas quando analisados mais profundamente, encontramos algumas diferenças.
Os Azemans não dormem durante o dia, mas sim reassumem sua forma humana, geralmente feminina, através da qual conseguem ter uma vida normal na sociedade.
Sua existência não está relacionada com algum tipo de maldição, pois na verdade eles são uma espécie específica, assim como vemos em relação as vampiras Jararacas. Talvez por isso, símbolos como cruz e outras ferramentas religiosas, não os afete em nada.

A maioria se apresenta com sua forma humana feminina, o que talvez tenha uma relação com a demonização da mulher, aspecto muito comum em várias culturas. Muitos mitos relacionados a bruxas e seres metamórficos, tanto da América do Sul quanto da África, estão relacionados apenas às mulheres.

Geralmente caçam suas vítimas e bebem seu sangue, estando em sua forma animal, que assumem quando a noite cai.

A única fraqueza de alguns Azeman, é que possuem uma compulsão incontrolável em contar o que estiver a sua frente. Então para se defender contra seu ataque é só colocar uma vassoura de ponta cabeça atrás das entradas da casa, pois eles ficarão contando as piaçavas (talvez seja a origem dessa prática), ou jogar qualquer quantidade de grãos a sua frente, pois eles se sentirão obrigados a contar.
Em algumas regiões do norte do Brasil, os Azemans são considerados como Bruxas e em outras localidades como híbridos Vampiros e Lobisomens.

Obviamente faltam fontes sérias que consigam trazer elementos mais profundos e fidedignos sobre essa espécie, ficando a critério de cada um a crença ou não em sua existência. Mas eu não duvidaria que que eles estão entre nós e manteria uma vassoura de piaçava atrás da porta… apenas por via das dúvidas.
Muito Axé a todas(os)

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