Orbes de Luz e Vampiros, uma força sinistra (de Lord A:.)

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Orbes de Luz e Vampiros, uma força sinistra (de Lord A:.)

*Embora Lord A:. desconfie (para não dizer que duvida) da autenticidade do video acima há uma questão pouco ou quase inexplorada no contexto VAMP contemporâneo que remete a tais ocorrências de orbes e corpos astrais. O artigo a seguir explora tal questão passando longe dos lugares-comuns do “Xavierismo” brasileiro e devolvendo o tom universal desta temática xamânica a sabedoria perene e o pensar pré-moderno de onde vem.

Aparentemente uma das menos conhecidas expressões de vampiros do folclore e da espiritualidade mundial ressurgem vindas de profundas raízes xamânicas como visíveis orbes de luz. Basicamente o vampiro em questão deixava a carne em seu corpo de luz, variando desde uma esfera iluminada as formas de um pequeno cometa quando se deslocava pelos céus noturnos em busca de sangue ou energia vital. Talvez por isso que a visão de cometas nos céus, eternos peregrinos cósmicos, fosse tão mal afamada e indigesta para os antigos. Ela remetia a este sucinto pesadelo de épocas tribais que antecediam grandes impérios. O fenômeno  é tão antigo – e global – que naturalmente precede aos esforços acadêmicos e escolástico dos séculos XVI e XVII para homogeneizar antigos ritos de fertilidade da terra pautados no processo extático e nos mitos da caçada selvagem, ou ainda da ação de guildas de profissões marginais. Tudo que se enquadrasse como um espírito vingativo que retornava para furtar a vitalidade de uma comunidade, ou ainda relatos de pessoas revividas após a morte que buscavam o cônjuge ou a família foram generalizados como vampiros.

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UBER ERA UM VAMPIRO QUE CAÇAVA COMO UM ORBE DE LUZ?

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Interessante pontuarmos que termos como Ubour (Bulgária), Uber (isso lhe faz pensar no serviço de motoristas por aplicativo?) ou ainda Ouber ao norte da Turquia são variações do célebre Uppyr. Outras denominações comuns também associadas ao corpo de luz de um magista no transe semelhante a morte vem como Upior dos polácos, Opyr dos ruthenianos e Upir dos Tchecos – em geral usados para designar o que temos como Bruxa e que os mesmos termos também convergiram ou ainda derivaram no Vampyr e Wampyr que entrou em circulação no século XVIII na Inglaterra. Particularmente simpatizo com o Vamp como abreviação de Avant do francês mediano, que designava o que ia a frente – em termos de feitiçaria o que seguia o “intento” ou o corpo astral.
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O historiador Carlos Ginzbourg em sua obra seminal “História Noturna” e posteriormente em “Andarilhos do Bem” apresenta relatos sobre verdadeiros embates destes orbes de luz na região da Turquia e da Ásia Menor. Registros legados por militares e pessoas da corte nos tempos da renascença e posteriormente que associavam tais ações aos embates nos céus entre vampiros vivos ou mortos; feiticeiros brancos x negros ou ainda clãs de bruxos diversos. Tais ocorrências encontram ressonâncias com as chamadas “hostes furiosas” ou ainda “exércitos dos mortos” ou o “bando de Hellequin” – mas basicamente remetem aos extratos associados a “Caçada Selvagem”. A primeira imagem deste mito remete ao deus Odin e seu cortejo caçando as almas perdidas através das 12 ou 14 noites sagradas do final do ano. Na Europa nórdica ou germânica era comum um deus liderar tal procissão, nos países de influência celta-ibero era uma deusa (as vezes triplíce) que assumia a liderança ou que ao menos acolhia o tal cortejo ao final do seu trajeto em seu domínio aquoso, celeste ou ainda subterrâneo. Muitas vezes era o próprio deus galhudo quem liderava o cortejo, mas isso variava de região para região.

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A PROCISSÃO DOS MORTOS EM SÃO PAULO

Outra variação da “caçada selvagem” já posterior em alguns séculos foi a da procissão dos mortos que partiam de um cemitério e rumavam até uma igreja em especial ou por vezes trilhavam um caminho que contornasse sete igrejas – o que recordará alguns da maldição do lobisomem neste quesito. O mito era comum se a igreja ficasse na mesma linha reta na rua do cemitério. Ele persistiu até na São Paulo da primeira metade do século XX, moradores idosos da região do Cambucy relatavam o temor de encontrarem tal procissão ao passarem perto do cemitério da Vila Mariana na última sexta-feira de cada mês. Durante o passeio cultural São Paulo Maldita soubemos de outros relatos de procissões similares em outras partes da cidade.

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OBEAH: ORBES DE LUZ E VAMPIROS DO CARIBE

Na América Central o orbe de luz do vampiro ou xamã que partia de seu corpo era conhecido nos relatos do Loopgaroo, Ligaroo ou Logaroo – presente onde houve colonização francesa nas américas – tal relato nos é interessante porque foi preservado nas práticas da chamada “Obeah” através do Caribe – infelizmente relatos históricos sobre os procedimentos de tais práticas de cunho mais apurados na Turquia ou ainda em outros países europeus são mais escassos. Esta tradição ainda vive na América Central!

No Caribe tais orbes surgem para trazer a morte seduzindo e levando os incautos a se perderem nas florestas, principalmente aqueles que perpetuavam o mal a natureza, as mulheres ou as pequenas comunidades. Podem ser o espírito do vampiro ou xamã durante um transe semelhante a morte, bem como espíritos evocados ou criados por eles para tais fins. Interessante ressaltar que o Obeah é uma espiritualidade completa e não realiza apenas feitiços nefastos mas também diversas artes de cura importantes para as comunidades ao seu redor. Para conhecer melhor tal espiritualidade o livro “Obeah: A Sorcerous Ossuary” de Nicholaj De Mattos Frisvold (Hadean Press) é uma excelente leitura; escute nossa entrevista com ele no VOX VAMPYRICA!

 

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A FORÇA SINISTRA

Os relatos das orbes de luz como formas espirituais de vampiros atrás da força vital dos vivos é o tema do clássico da ficção “Life Force” de 1985. Criado para se aproveitar do hype midiático promovido pela passagem do cometa Halley. Basicamente uma nave alienígena de vampiros energéticos vagava oculta na cauda do cometa, eles criavam corpos de acordo o tipo de população do planeta que desejavam invadir e consumir. Na sua forma mais comum pareciam demônios ou morcegos gigantes. Além da nudez escultural da atriz francesa Mathilda May, que interpretou a líder destes vampiros cósmicos a trama gira ao redor de uma colheita promovida por eles na Inglaterra dos anos 80. Eles são trazidos ao planeta Terra por astronautas que exploravam o tal cometa. Logo instalam uma epidemia roubando a força vital do povo, que logo se transformam em algo semelhante a zumbis ávidos para drenarem a força de outro ser vivo. O caos é instaurado na cidade. Enquanto isso os vampiros originais se alimentam das forças roubadas pelos servos e a transmitem para o espaço para alimentarem sua civilização na macabra espaçonave que orbitava o planeta. Apesar do final feliz e do roteiro insosso é interessante notar a influência e inspiração das formas astrais dos vampiros como orbes de luz que remetem ao tema deste ensaio.

A FORÇA SINISTRA

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