A Lança, o Graal, as Runas e a Cosmovisão Vampyrica

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A Lança, o Graal, as Runas e a Cosmovisão Vampyrica

“A serpente, o dragão, Lucipherus, Abraxas e Baphomet são guardiões do conhecimento e tesouros do âmago da terra. Ctônicos, associados erroneamente ao mal, são iniciadores na Gnose e avessos a domesticação através dos dogmas. Desafiam a ordem vigente e rejeitam a inclusão em rebanhos. Por isso se tornaram ícones a serem combatidos. Simbolicamente cumprem o papel de psicopompos e rasgadores do véu (Paroketh). Questionam o sistema e suas fraquezas. Inspiram ao hedonismo e o poder individual, que são suas virtudes.” Giancarlo Kind Schimdt [clique na imagem e escute nossa entrevista com o tarólogo e simbologista]

[UM TEXTO DE LORD A] Sempre haverá quem pensa e dialoga consigo através de palavras, verbos e sentenças. Mas existem outros que o pensamento e o diálogo consigo se dá através de um alinhamento sedutor de imagens, na musicalidade e nas sensações provocadas por elas através de certas posturas.

Hábeis no delinear e no caminhar através de diferentes universos sem mesmo sair do lugar onde se encontram, aqueles que ao dormirem apenas caminham na outra terra ou navegam através das marés no luar (falamos disso aqui).

Aqueles que tem um olho no outro lado, além do véu e que simultaneamente vêem e atuam neste mesmo selvagem jardim.

Este artigo é para cada uma destas pessoas. Para quem sabe que certos astros errantes se desvelam em plenitude como marcações, medidas e sussurros para quem procura nos fluxos e refluxos dos vórtices e nos redemoinhos do próprio poder imaginário e criativo – onde dialogam com aquele ou aquela que os confronta para testar e provar a integridade e substância de cada um.

Também somos o povo do forcado que simplesmente sabe o porque de uma letra “Y” em nosso “Cosmovisão Vampyrica” ou ainda o que vem aliado a uma runa chamada “Kyn”, lá da velha Suécia (já falamos disso, aqui). Hábeis para reinarem sobre si e expandirem seu domínio e maestria através de toda a árvore da vida.

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Cosmovisão Vampyrica não é para supersticiosos de nenhum tipo, não é para quem acredita no literal ou no denotativo daquilo que vivemos, destina-se aos hábeis em nossa arte invisível e ofício sem nome.

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No contexto do oculto Cosmovisão Vampyrica a letra “Y” já foi associada a Deusa Hécate e inexiste uma verdade absoluta sobre isso.

Cosmovisão Vampyrica não é para supersticiosos de nenhum tipo, não é para quem acredita no literal ou no denotativo daquilo que vivemos, destina-se aos hábeis em nossa arte invisível e ofício sem nome. Quem precisa acreditar tolamente ou ainda refutar o que somos, o que fazemos e representamos não sobreviveria aos abismos que escalamos ou sobrevoamos através das estações e estâncias que percorremos com nossa “Arte”. Quem se abala ou se deixa ofender com brincadeiras e preconceitos diante disso tudo quer apenas ser convencido de que estaria no caminho de possuir uma verdade e ter um passatempo para fazer algo a sua imagem e semelhança. O que investigaremos neste artigo se preocupa com a natureza arquetípica, a inspiração e ao que influencia e traz como consequência na prática “mágicka” pura e simplesmente.

De todas as armas que podem nos ferir creio que o intento, o nosso espírito e a nossa mente, sempre volátil, elétrica e relampejante seja o que há de mais perigoso e ameaçador. Onde estacionamos nossas ideias também é outra parte desta delicada equação.Quantas vezes você não se deixou ou se permitiu ser ferido pelo teor de emoções ou juízos que reconheceu ou aceitou vindo de outros? A mente ou o espírito podem ser uma temida e afiada lança ou estaca, cujo a ferida arde e sangra e vem a se somatizar no próprio corpo. Ao mesmo tempo e em outra estância ou estação elas são o próprio graal capaz de curar toda e qualquer ferida.
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A mente ou o espírito podem ser uma temida e afiada lança ou estaca, cujo a ferida arde e sangra e vem a se somatizar no próprio corpo. Ao mesmo tempo e em outra estância ou estação elas são o próprio graal capaz de curar toda e qualquer ferida.

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Representações do Axis Mundi, eixo do mundo – também uma metáfora para a ponta da lança ou ainda da roca das tecelãs.

A lança do destino e o santo graal aparecem juntos através do ciclo Arturiano (inspirado pelos escritos e o tantra ocidental da Rainha Eleanor de Aquitânia), na mítica de Wolfram von Eschenbach, acabam sendo acolhidos na base formativa dos mistérios da Rosa e da Cruz – e mais especialmente na ópera Parsifal do alemão Richard Wagner. Deixando a moral datada e o regional para explicar, veremos que a lança (um eixo vertical ou relâmpago) e a taça (ou ainda uma dama, um caldeirão, a pedra filosofal, um livro ou uma tábua de esmeralda com instruções especiais – ou simplesmente o presente e a terra sob nossos pés) figuram nos mistérios do imaginário humano de incontáveis aeons. A união ou melhor dizendo a integração dos opostos enquanto representações de polaridades (Masculino X Feminino; Luz X Sombra; Fogo X Gelo) é o poder expresso na metáfora que alterna entre a lança e a taça…

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A Távola Redonda tem muitas representações

E neste momento da trilha isso é verdadeiramente importante, pois fala de uma vivência direta e não de meros dogmas ou ideologias. Também fala de um risco inerente, que envolve trazer para si e viver sem manuais de instrução ou regras alheias. Então é preciso saber como se cuidar, quando é hora de espetar ou de curar.

“Pedras cadentes” e os símbolos de suas faces indicam operações alquímicas, inicialmente as 3 faces desveladas ilustram a transmutação cíclica do Sal para Enxofre (Sulhphur) e então mercúrio. Nascimento, iniciação e a maestria na alquimia.Santo Graal ou Pedra Filosofal são formas de se cristalizar sonhos ou transmutar vivências.

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Gungnir era a lança mágicka do Deus Odin, feita da madeira da árvore da vida dizem que sua haste paralisava ou iniciava guerras. Sempre que arremessada voltava ao seu dono. Na Cosmovisão Vampyrica e outras vias de perene sabedoria representam o eixo vertical que aponta para a constelação circumpolar do Draco;

Para o que nos interessa neste artigo a lança ou a taça são apenas estâncias e representações de uma mesma lição ou poder para transmutar e focalizar aquilo que carregamos em nossa jornada de vida. No simbolismo mais primitivo a lança é o relâmpago flamejante e refulgente que vem do alto, arma de dragões como a arcaica Tiamat de onde veio toda a forma do mundo, uma arma posteriormente tomada por seu neto Marduk ou ainda Zeus ou Thor em outros tempos e reinos.

A invencível lança “Gugnir” figura no mito de Odin dos povos Nórdicos, onde ele se deixou trespassado nela por nove dias e noites para conquistar o poder das misteriosas runas, marcas, mantras, sussurros e posturas mágickas – após conquistar e reclamar para si tamanho poder ele veio a se regenerar e tomou o reinado dos nove mundos. Isso não o isentou dos compromissos com a Caçada Selvagem e com a deusa Hel velada como sua parceira neste mito e no rito que inspira o contexto Vamp (assim como em todas suas expressões e manifestações sob diversas máscaras no velho mundo).

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Se você desenha sons ou apenas sabe ler e escrever com o alfabeto contemporâneo, você realiza magia ao contemplar um texto e aprender com ele como realizar algo que desconhecia, diante do olhar de um analfabeto.

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A Pedra Cadente de Johaness Bureus é uma das muitas representações influenciadas pela mítica do graal.

Podemos encarar a tudo isso como folclore ou pelo viés da superstição – ou pelo que insinuam, sibilam, inspiram e influenciam como uma seleta tecnologia espiritual para os hábeis que decifram e compreendem tais sussurros e suas mensurações pictográficas e simbolistas, vivenciando as pradarias das possibilidades. O que falamos aqui trata-se de runas revividas sob um enfoque alternativo ao Asatru e outros movimentos convergentes ou ainda revivalistas e afins.

Se você desenha sons ou apenas sabe ler e escrever com o alfabeto contemporâneo, você realiza magia ao contemplar um texto e aprender com ele como realizar algo que desconhecia, diante do olhar de um analfabeto. Da mesma forma que um músico hábil diante de uma partitura que rapidamente transforma em sons aqueles traços e marcações, quem não domina tal linguagem fica estarrecido e contemplando o resultado daquele ato. Quando falamos de Runas ou do alfabeto Hebráico (ou ainda do Enochiano ou do alfabeto do Desejo de Spare) temos um efeito parecido, mas acrescido de um aparato conceitual, são representações sencientes que englobam formas, histórias, mitos, musicalidades, numeração (eventualmente) e afins a conduzirem mente e espírito através do outro lado sem retirar o corpo do lugar.
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Da mesma forma que um músico hábil diante de uma partitura que rapidamente transforma em sons aqueles traços e marcações, quem não domina tal linguagem fica estarrecido e contemplando o resultado daquele ato. Quando falamos de Runas ou do alfabeto Hebráico (ou ainda do Enochiano ou do alfabeto do Desejo de Spare) temos um efeito parecido

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Ainda na obra de Bureus temos a Cruz Rúnica que marca estâncias alquímicas do humano retomando a deidade análogo ao eixo vertical e lidando com os ciclos e os espelhamentos do eixo horizontal.

Além de servirem como mediadores (e graduações) espirituais no constante tráfico entre o etéreo e o selvagem jardim, entre o sol e a lua e por vezes até um calendário lunar. Pense agora no que precisa fazer para cristalizar um sonho ou ainda para transmutar em vivência ou sabedoria própria algo que viveu no dia a dia. Nosso graal ou pedra filosofal está aí, seu néctar e o que flui dele são endereçados nestes peculiares “glifos”.

Se no mediterrâneo musas e harpias sibilam suas canções, ao norte da Europa as Valquírias desempenham a mesma função trazendo o frenesi e o elixir vermelho da inspiração. Cada alfabeto senciente é dotado de camadas de como o percebemos desde uma mais explícita (material, midgard, maaiah ou selvagem jardim) e outras mais elaboradas que chegam até uma realidade espiritual (pense em termos terra, ar, água e fogo, aliás analisei os elementos como os circuitos da consciência nesta palestra no evento Taromakia) e trazem de lá possibilidades e uma visão mais clara e adamantina para a escuridão ou o desterro na sombra bem-amada da criação. ( a matéria, o tempo e a forma, água, o telúrico e a escuridão representam símbolos essencialmente ligados ao feminino, falamos disso aqui)
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Cada alfabeto senciente é dotado de camadas de como o percebemos desde uma mais explícita (material, midgard, maaiah ou selvagem jardim) e outras mais elaboradas que chegam até uma realidade espiritual

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Parsifal, agora iniciado e hábil nos poderes da lança cura o rei pescador com o santo graal ofertado pela donzela

O Parsifal da opera de Richard Wagner nos é especialmente caro neste sentido, ele vive toda a história na mesma região onde cresceu e a cada passagem de sua jornada espiritual desvela um novo sentido e altera sua percepção sobre o lugar. Ele inicia a história como um jovem tolo e desregrado ainda que casto e bondoso, mas comete alguns erros crassos. O que poderia ser uma maldição se desvela como lição numa segunda parte da história onde ele se torna hábil para aprender e compreender seus atos, durante o embate com o antagonista.

No terceiro ato ele torna-se santificado ou iniciado nos mistérios da lança e com o poder de a utilizar para criar o bom caminho na fatídica sexta-feira santa, de escuridão e morte. Venerando a lança ele trilha o bom caminho e se vê no Templo do Graal, unindo a lança e a taça, curando seu bom rei de uma ferida que não se fechava e redimindo o vilão e antagonista responsável por todos os desafios e males que o acometeram na jornada – derrotando a própria morte. Uma analogia pronta é o caminho do pilar celeste, chamado de ponta da lança ou de eixo da roca na Cosmovisão Vampyrica. Vale pontuar que na tradição ocidental Parsifal é o Aleph e o Arcano do “Tolo” ou do “Louco” nos Tarôs.

O omphalos, centro ou umbigo do mundo é onde você se coloca.

Se você irá se ferir ou ferir terceiros bem como se regenerar ou ajudar outros com tal medicina é uma escolha pessoal e intransferível de sua pessoa, de como proclama o poder do teu signo solar, assim como as consequências. A “Lança” ou “Santo Graal” você escolhe mediante a estância ou estação que vive.

Estamos sempre no centro e no cerne de onde escolhemos nos posicionar – o que muda é nossa percepção e como saboreamos o frenesi e o néctar da inspiração oferecido pela musa de cada um. (lembra que falamos de graus ou graduações, agora pouco?

Pense em uma roda horizontal ao redor de tal eixo) O mesmo eixo vertical é onde ascende o dragão (sua cabeça aponta o norte e para onde ruma nossa Magia; a cauda marca a fonte, raiz e usina de energia que move você). Você pode contemplar a tal roda horizontal pelas oitavas mais baixas, reagindo mecanicamente as situações da vida ou de uma postura mais refinada, aí voltamos a falar sobre a letra “Y” e a runa “Kyn”, na vida você pode ser a caça ou o caçador. Desperte o leão negro da meia-noite!

A apreciação deste contexto será mais ampla com a leitura do artigo Astrologia e Cosmovisão Vampyrica.


Para finalizarmos este artigo não o contexto, vale ressaltar que a mítica de Parsifal, da alquimia e do movimento pré Rosacruz alcançaram o mar Báltico e suas runas na figura mítica de Johanness Bureus e suas Nobre Runas (Adulrunas) que reviveu o contexto rúnico da Suécia no século XVII após um hiato onde o imaginário deles foi tomado pela cultura clássica e o cristianismo. O contexto de Bureus, das Adulrunas, do hermetismo e seu rico esplendor mágicko serão abordados por Lord A:. na 1,a Conferência Brasileira de Runas depois de mais de uma década de práticas e estudos no Círculo Strigoi inspirada pelas obras e estudos de Thomas Kalrson, Susan Akerman, Edred Thorson (Dr.Stephen Flowers), Guido Von Lizt e muitos outros.

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