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O Diabo Me Fez Fazer Isso (Parte I)

Quem nunca ouviu um caso onde alguém tentou escapar de ser punido alegando que não estava no controle de suas ações quando efetuou algum ato impensado, quando perdeu o controle no calor do momento e disse ou fez algo que normalmente não faria? Quantas vezes não ouvimos esse tipo de comentário, esse tipo de desculpa? Claro que em boa parte das vezes realmente não passam de invenções de alguém que não está pronto para arcar com as consequências do seus atos. Mas, hoje trago para vocês a primeira parte de um extenso caso que aconteceu na década de 80 em Connecticut, nos Estados Unidos com a família Glatzel que após mudar-se para uma nova casa na cidade Brookfield, começou a observar uma série de acontecimentos estranhos que marcaram o início de um pesadelo que a atormentaria até que chegasse ao seu trágico fim.

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Não fazia muito mais do que um mês que havia se mudado para aquela casa com a sua família, quando a Sra. Judy Glatzel presenciou David, seu filho mais novo de apenas 11 anos, cair repentinamente sobre uma cama, como se tivesse sido empurrado com força por algo invisível. Passado o susto inicial, quando foi questionado sobre o acontecido, David disse à mãe que tinha sido empurrado por um senhor que aparentava ter a pele queimada, que tinha apontado um dedo em sua direção, rosnado a palavra “Cuidado!” e em seguida o atirado contra a cama. Como era de se esperar, ninguém acreditou no que ele havia dito, ainda que ele fosse do tipo de garoto honesto, quieto, que não arranjava problemas.

Após este episódio, David não demorou em começar a acordar no meio da madrugada chorando e soluçando incontrolavelmente, dizendo que estava sendo visitado por aquele senhor que tinha olhos escuros e desalmados, traços animalescos, dentes afiados, orelhas pontudas e cascos no lugar de pés. Ele afirmava que este senhor queria que eles deixassem a casa o quanto antes ou então ele sofreria as consequências de terem permanecido. Achando que se tratava apenas de pesadelos, o casal Glatzel não viu nenhum motivo para levarem aquelas ameaças a sério e permaneceram na casa recém-adquirida.

Pobre família! Se ao menos tivessem levado a sério aquele primeiro aviso.

Os ataques de terror noturno continuaram e certa vez, acordado e em prantos, David afirmou que aquele senhor de pele queimada tinha assumido a aparência de um senhor idoso de barba branca que vestia calça jeans e uma camisa de flanela; também dizia que às vezes este senhor às vezes grunhia em alguma língua desconhecida e ameaçava roubar sua alma. Mas, apesar da riqueza de detalhes, os pais de David não conseguiam acreditar que aquilo não passasse de pesadelos típicos de um garoto com imaginação fértil. Até que as visitações assustadoras também começaram a ser acompanhadas do som de passos por toda a casa, portas batendo e vozes desconhecidas que podiam ser ouvidos por toda a família, até mesmo durante o dia. Ainda assim, a família procurava por explicações plausíveis para o que ouviam e viam acontecer a sua volta.

Como tudo isso não parecia o bastante para os assustar, não levou muito tempo mais até que o garoto começasse a aparecer com estranhos arranhões, cortes e hematomas por todo o corpo sem nenhuma justificativa, enquanto suas crises de terror noturno pioravam ao ponto do garoto acordar gritando em total desespero de hora em hora, todas as noites. E foi numa destas noites que a Sra. Glatzel correu ao quarto do seu filho para acudi-lo, como sempre fazia, e o encontrou se debatendo na cama como se fosse uma boneca de pano, enquanto algo parecia tentar o asfixiar com mãos invisíveis, apertando seu pescoço e sua cabeça contra o travesseiro.

Levando em conta todos estes acontecimentos inexplicáveis, aparentemente paranormais, os Glatzel se convenceram de que não era um simples caso de uma criança que não havia se adaptado à nova vizinhança ou que não queria ir à escola. Procuraram, então, a ajuda de um padre local que executou um ritual de purificação na casa – o qual não surtiu nenhum efeito, uma vez que os fenômenos continuaram a acontecer após o rito.

ed-lorraine-warren-investigadores-demonologistasA família Glatzel, agora completamente crédula de que o garoto era vítima de uma força maligna, suplicou pela ajuda da Igreja que encaminhou a ela um casal de especialistas em casos envolvendo atividades paranormais, os famosos Ed e Lorraine Warren. A chegada deles pareceu apenas piorar o comportamento de David, que começou a ter convulsões repentinas e ataques e tremores cada vez mais violentos, seguido de rosnados, silvos ou cusparada nas pessoas que estivessem por perto. A situação chegou a um ponto em que alguém tinha que ficar velando o sono de David enquanto ele dormia, para que ele não se machucasse num desses acessos de raiva ou durante suas convulsões.

Porém, os eventos não aconteciam mais somente enquanto ele dormia.

Quando desperto, David repentinamente começava a citar passagens da Bíblia Sagrada ou do Paraíso Perdido de John Milton, com uma voz que não era dele. Ás vezes, ele dizia algumas coisas em Latim, idioma com qual ele nunca havia tido contato. Mesmo consciente o garoto continuava afirmando que era empurrado, atingido e sufocado por mãos invisíveis.

Somando tudo o que viram e sentiram durante a sua estadia na casa, os Warren chegaram à conclusão que o problema não estava na casa, mas sim no garoto que era alvo de possessão não por “apenas” um espírito maligno, mas provavelmente por uma legião.

No meio tempo em que os Warren solicitavam a ajuda da Igreja para livrar o garoto das garras de tais entidades malignas, Deborah “Debbie” Glatzel, a irmã mais velha de David, convencia seu noivo, Arne Cheyenne Johnson, a se mudar para a sua casa para que assim se sentissem mais seguros. Logo após a mudança dele para a casa, David passou por três pequenos exorcismos que envolveram nada menos do que quatro padres católicos e o casal Warren – que relatariam que durante as sessões o garoto deixava de respirar por longos períodos, fazia séries de abdominais muito rápidas para quem estava mais do que 20 quilos acima do seu peso ideal, contorcia-se e chegava até mesmo a levitar, sem contar as características típicas já relatadas em outros casos de possessão, como os rosnados, os chutes, os xingamentos, as unhadas e mordidas em quem tentasse o conter. Nenhum dos três exorcismos obteve qualquer resultado para melhorar a condição de David.

Como se não bastasse tudo isso, o garoto que até então era tido como uma criança tranquila, agora falava sobre assassinatos e esfaqueamentos que alarmaram tanto a família quanto os Warren. A família chegou a contatar a polícia de Brookfield em outubro de 1980, relatando que a situação estava se tornando muito perigosa e que o garoto representava uma ameaça potencial.

Mas o aviso foi ignorado, como era de se esperar. Afinal, quem acreditaria?

Arne Johnson, o noivo da irmã de David, chegou ao seu limite de paciência e compreensão de toda aquela situação. Exausto, começou a confrontar ele mesmo os espíritos malignos que atormentavam David, gritando com eles e os desafiando a tomarem seu corpo e deixarem o menino em paz. Parece que Arne não tinha muita fé no que estava acontecendo, por isso ficou aterrorizado quando viu as entidades com que estava lidando e até mesmo fez contato visual com elas quando olhou nos olhos de David – ao que tinha sido alertado a jamais, em hipótese alguma, fazer. Pouco tempo após este episódio, Arne bateu seu carro em uma árvore e apesar de ter saído ileso do acidente, ele alegou que tinha perdido o controle sobre a direção do carro.

Em novembro de 1980, Judy e Carl Glatzel, já não sabendo mais no que acreditar, levaram David para um consulta com um psiquiatra para ver se havia alguma coisa que poderia ser feita para ajudar o seu filho que parecia ficar cada vez mais perturbado ou se ao menos havia alguma resposta científica para a sua condição. Após alguns exames e testes, o psiquiatra informou à família que David era um menino normal, exceto por um pequeno deficit de aprendizagem, algo que não explicava de forma alguma seu comportamento cada vez mais estranho. De qualquer forma, eles matricularam David numa escola para crianças com distúrbios de aprendizagem, com uma vaga esperança de que desta forma talvez encontrassem uma cura para ele, uma vez que todo o resto havia falhado.

Nesse meio tempo, Deborah Glatzel e Arne Johnson se mudaram para um apartamento mais próximo ao Brookfield Pet Motel, um hotel para animais de estimação, onde Deborah tinha conseguido um emprego como pet groomer. O gerente e proprietário do hotel para animais de estimação, Alan Bono, também era o dono do apartamento adquirido por Deborah e Arne. Logo os três se tornaram bons amigos e era comum se encontrarem em pequenas confraternizações e festas da vizinhança.

Nova casa, novos amigos, novos vizinhos, nova vida.

Poderia ter sido assim, mas as afrontas de Arne Cheyenne Johnson não haviam sido esquecidas. Seus calorosos pedidos feitos no momento da raiva, estavam prestes a serem atendidos e seus sonhos de paz e tranquilidade ao lado de sua noiva e de sua família dariam lugar a um novo e ainda mais terrível pesadelo que ganharia a atenção de todo o país e o qual eu contarei para vocês em minha próxima postagem, programada para a próxima terça-feira (12/7). Fiquem ligados e acompanhem as atualizações na página do Via Escarlate no facebook.

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