Assassin’s Creed, Vampiros Assamitas, Ordem dos Assassinos e Cultura Pop

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Assassin’s Creed, Vampiros Assamitas, Ordem dos Assassinos e Cultura Pop

Hoje foi desvelado o trailer do filme Assassins Creed, a trama é inédita em relação aos games da franquia e aos livros já publicados – e extremamente promissora ao menos visualmente.Michael Fassbender interpreta Callum Lynch, um descendente do assassino espanhol Aguilar, que viveu na Espanha no século XV. Particularmente eu torcia para que a trama fosse ambientada entre os séculos VIII e IX quando a penisula ibérica marcou o encontro dos árabes e dos europeus, bem como o nascimento do tarô e o intercâmbio da arte real, astrologia, alquimia, cabala e muitas outras (falamos muito disso no Vox Vampyrica de março e abril). Enfim, não muito diferente dos games, Lynch vai descobrir nos dias de hoje que é descendente da sociedade dos assassinos e vai aprender as técnicas do clã por meio das memórias genéticas de seu ancestral. Assassin’s Creed chega aos cinemas no dia 21 de dezembro nos EUA e em 19 de janeiro de 2017 no Brasil.

ASSASSINOS NA CULTURA POP:

AssamiteA célebre “Ordem dos Assasinos” é um pesadelo cultural do ocidente desde os tempos das cruzadas.Na década corrente muitos conhecem esta sociedade através da franquia multimídia “Assassin´s Creed” da empresa francesa Ubisoft.Na década de noventa a associação mais comum a eles vinha do RPG Vampiro A Máscara no grupo chamado “Assamites” um dos 13 clãs originas do jogo. Eles seguiam um vampiro ancestral nomeado como velho da montanha e como o nome já diz agiam como mercenários a serviço dos outros clãs do universo de The Masquerade.Eles era conhecidos por assassinarem e tomarem o sangue dos seus inimigos – e as vezes até aliados.Seus mais conhecidos oponentes eram os diabólicos Baali. Na mesma editora notamos uma sutíl influência das crenças postuladas pela ordem dos assassinos na tradição dos magos que ficou conhecida como Ahl-i-Batin e sua busca pela unidade.

Sem dúvida o jogo de videogame glamourizou bastante a “Ordem dos Assassinos” mas não é o destino de todas as agremiações e personas históricas esperarem algum artista do futuro imortalizarem seus feitos na arte?O que seria da pobre Circe sem Homero no final das contas…certamente os Assassinos ganharam um retrato mais soturno e bruxesco no filme “Prince of Persia:Sands of Time”. A DC Comics também se inspirou nesta ordem ao criar a sua Liga das Sombras ou dos Assassinos que já rivalizaram o Batman (nos filmes do Nowlan) e o Arqueiro Verde (no seriado Arrow) sempre comandada pelo implacável Ras-Al-Ghul.

ATRAVÉS DA HISTÓRIA:

Os Hashashin foram parte importante da cultura e do folclore medieval, foram os bodes-expiatórios e os demônios da produção cultural daqueles tempos.Eram os Cavaleiros-Negros que se abatíam contra os cruzados e os templários, foram os arqui-inimigos quintessenciais e a face da vilania.Muitas vezes foram retratados como a face negra e oposta do nobre cavaleiro, a sombra a ser confrontada e integrada.O cruzado e o templário carregavam na mítica a imagem da nobreza, da honra e do valor cristão e o Assassino era o cruel degolador selvagem de gargantas sedento de sangue (que coisa mais vampiresca!) e muçulmano (quem pensou no Vlad tepes e também no personagem Dracula de Bram Stocker…não viajou tanto assim nas idéias, ambos tiveram experiências de vida bem trágicas com os turcos e muçulmanos).

Embora na vida como ela é, o perigoso “Assassino” vivia em uma região em alguns trechos culturalmente e tecnológicamente bem melhor desenvolvida que seu oponente europeu.No século XIII a palavra Assasino e suas variantes significavam em toda a Europa um matador profissional contratado por alguém que pudesse pagar por seus serviços.Algo bem diferente da nobre e heróica familia Auditore de Florença da franquia Assasin´s Creed, focalizada em seu universo ficcional e não tanto em história.Os Assasinos então figuram até mesmo na Divina Comédia de Dante Aligheri, em algum momento da passagem no Inferno.

No século XIX existiu um cabaré na bela París chamado “Cabaret des Assasins”, devido a um curioso assasinato de seu propietário, alguns dizem que ocultava um esconderijo de consuimidores de haxixe e os guias turísticos e o comediante norte-americano Steven Martin contam que lá foi um grande palco do livre pensar e dos agnósticos daqueles tempos. Os Assasinos são exaltados e aclamados naquele mesmo século pelo filósofo Friedrich Nietzsche que enxergava neles um símbolo de antiascetismo e espíritos-livres distantes da crença em dogmas e ideologias. Para o filósofo a irmandade dos Assasinos encarnava um rico simbolismo de transcender culpas, políticas, psicologias e éticas judaico-cristãs ocidentais de ressentimento, rancor e de culpa. Nietchze comparava sua imagem de espíritos livres com a dos Assassinos daquela augusta irmandade. Afinal quando as terras dos Assasinos foram invadidas pelos cruzados eles prontamente se defenderam, quem sabe entoando que nada é verdadeiro e tudo é permitido, assim a liberdade do espírito se inicia quando se renuncia a crenças, achismos e dogmas estagnados preocupados apenas em amputar e deformar nosso espírito indomável. Especulações e rumores, fumaça e espelhos, claro.

E sobre o jogo?

Este artigo foi originalmente desenvolvido em 2013 e rendeu 2 podcasts (você pode encontra-los no site do Vox Vampyrica, mas aviso que a gravação ficou péssima!). Posteriormente o assunto retornou nas edições do Vox Vampyrica intituladas como “Utopias Piratas”. Teorias mais atuais apontam que o termo original em árabe usado para Assassino designa Guardião. O que é interessante no contexto dos games da UBISOFT onde há uma disputa ideológica antiga entre Cavaleiros Templários e Assassinos pela posse dos pedaços do Éden, máquinas avançadas de uma civilização ancestral capazes de feitos comparáveis a deídade. Os templários querem usar tais artefatos para moldarem o mundo a sua visão (controlando mentes) e os Assassinos para que ninguém os utilize e assim as pessoas mantenham sua liberdade. Acredita-se que nos momentos que a saga se passe no presente tais artefatos possam salvar o mundo de uma catástrofe solar.Ao longo dos games e dos livros os protagonistas são auxiliados ou atrapalhados por importantes personagens históricos, bem contextualizados pela pena hábil do autor Oliver Bowden. Naturalmente os jogos de video-game e computador ainda exploram questões como memória genética, poderes extra-sensoriais, civilizações perdidas, teorias da conspiração, eram os deuses astronautas e outras coisas igualmente divertidas – sem falarmos na jogabilidade em terceira pessoa fantástica e cenários e movimentação primorosa é díficil não se envolver e se tornar fã da saga Assasin´s Creed. Vamos ver o que o primeiro filme da franquia nos reserva.

DANTE ALIGHERI E OS ASSASSINOS NA ALEMANHA

[Atualizado em 26.04.2018] Os templários não só adotaram uma série de preceitos e regulamentos tomados emprestados da Ordem dos Assassinos, como também fizeram suas as cores deles: o branco e o vermelho. Tão próximas foram estas relações que até Luís IX, rei da França, certa vez enviou uma missão diplomática a visitar o castelo de Jebel Nosairi, ocupado por um chefe local da Ordem dos Assassinos.

Frederico II, o Barbarossa, o imperador alemão que participou das cruzadas convidou vários ismaelitas para que o acompanhassem de volta à Europa, dando-lhes copa franca na sua corte.

A atração por sociedades secretas seduziu também aos poetas italianos do Dolce stil nuovo, como Guido Cavalcanti e Dante Alighieri, que, inspirando-se num livro da mística xiita intitulado “Jardim dos Fiéis do Amor” criaram a sua própria irmandade secreta, a dos Fedeli d´Amore.

Portanto, o gosto de muitos europeus por congregarem-se ao redor de lojas esotéricas, com rígidos rituais de iniciação e um ar secretíssimo, hábito tomado na época das cruzadas, provavelmente lhes foi instilado pelos feitos da Ordem dos Assassinos.

Protegidos por uma fortaleza tida como inexpugnável, que nenhuma força local poderia tomar de assalto, foi preciso esperar a invasão dos mongóis, no século XIII, para que finalmente o ninho da águia fosse destruído pelos poderosos invasores no ano de 1260, pondo fim a ameaça que a seita dos assassinos representava em todo o Oriente Médio. A legenda que deixaram foi difundida no Ocidente pelos cavaleiros cristãos e pelos monges escribas que os acompanharam, impressionados com a história terríveis a que os devotos estavam associados, símbolos vivos do que era possível fazer com um ser humano, tornado simples objeto maligno ao serviço do fanatismo. [Atualização de Marcelo Del Debbio]

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