#VampirosNegros: uma jornada através de Angola e da África

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#VampirosNegros: uma jornada através de Angola e da África

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Nesta terceira parte (que na verdade é a quarta) deste artigo viajaremos rumo a Africa para encontrarmos os Vamps e sua pluralidade nas noites de hoje. Este artigo se iniciou com uma edição do nosso programa de rádio em Portugal, quando falamos dos vampiros no imaginário africano e caribenho (escute a partir da segunda hora:

Logo que o programa e sua versão podcast foram ao ar, recebemos muitas visitas e notável apreciação dos nossos leitores e leitoras em diversas regiões pedindo por um pouco mais sobre os #vampirosnegros e vieram os seguintes artigos:

#VAMPIROSNEGROS não são algo que começou agora, lá fora já está rolando há algumas décadas! Mas aparentemente no Brasil as pessoas parecem terem preguiça de pesquisarem e de produzirem conteúdo mais abrangentes. Honestamente, parece que as pessoas preferem a gratificação de ficarem repetindo “chavões completamente furados” , tais como:

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VAMPS DE ANGOLA

Vamps de Angola
A moderna cidade de Luanda, capital de Angola na África, onde a comunidade Vamp começa a se organizar

Angola e sua capital Luanda na África tem uma intensa postura cosmopolita e uma produção cultural ainda pouco conhecida entre os apreciadores da literatura gótica e principalmente vampírica. Artistas criativos das ruas aos grandes prédios comerciais estão por lá em toda parte e já a algum tempo começaram a aparecer em nossos silenciosos radares nas redes sociais.

Já existem focos de Vamps e de uma comunidade despontando por lá. E Vamps são Vamps não importam a sua nacionalidade, todos pertencem a lei da noite em todo o globo terrestre. Existindo o que nomeamos como um diálogo com a vasta e poderosa “Arché” – ou o que por comodidade nomeamos como arquétipo vampiro – lá estaremos. É bem verdade que tal diálogo passa longe daquilo que as pessoas tomam ao pé da letra e de maneira fantasiosa como o que leram no folclore ou viram na cultura pop. Discorro amplamente sobre isso na introdução do meu livro DEUS É UM DRAGÃO (PENUMBRA LIVROS, 2019, disponível aqui).

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Mais um detalhe da capital de Angola, considerada a segunda cidade mais cara da África!

Seja na África ou em qualquer outra parte do mundo, quando pessoas tentam viver o vampiro ao pé da letra sempre temos incidentes; as vezes mais brandos, como os dos rapazes de Angola que apareceram na mídia globalmente alegando se tornarem vampiros diante das câmeras por uns trocados. Falaremos deles neste artigo. Outras vezes algo mais complicado que pode se tornar em caso de polícia, como por exemplo, este ocorrido em 2015 nas escolas de Angola. E sem dúvida há outros que são crimes inenarráveis, como o massacre que aconteceu no Malawi, um país próximo, onde pessoas foram acusadas de vampirismo e espancadas até a morte.

Sabemos de focos da Comunidade Vamp ao Norte da África e também na África do Sul neste momento. Os cronistas católicos metidos a “vampirólogos” catalogaram lendas, ritos e cultos do continente e associaram a sua visão particular de vampirismo. Eles também repetiram este mesmo processo em incontáveis outras terras entre os séculos 15 e 17. As falácias e enganos da “Vampirologia” são amplamente discutidas neste artigo (inclusive assista ao vídeo dele, aqui) para entender melhor o contexto.

VAMPIROS ANGOLANOS NA LITERATURA

VAMPIROS ANGOLANOS NA LITERATURA
VAMPIROS ANGOLANOS NA LITERATURA

A primeira e mais interessante expressão de Vampiros Angolanos se dá na literatura. É claro que teremos o passado tribal, a espiritualidade e o folclore africano cheio de narrativas e relatos verdadeiramente fantásticos neste segmento e que muito apreciamos.

A primeira referência de calibre é a obra “O SEGREDO DA MORTA”, publicado ainda em 1934, pelo romancista Antônio de Assis Júnior. Sua importância é notória pois é reconhecido como um dos primeiros da literatura angolana impregnado com um teor e visíveis traços do romantismo gótico. Deliciosamente macabro é ambientado na cidade de Luanda de 1890. Ele conta a vingança de uma bruxa que morre por conta de uma doença do sono sobre todos os vivos que roubaram os seus pertences durante o seu falecimento. O romance se inspira na tradição e contos orais das tribos Ovimbundu e Ambundu, do grupo étnico Bantu, espalhados no centro-sul da África. Sobrenatural e melancólico como uma grande obra deste gênero deve ser! Infelizmente a obra só teve uma reedição por uma editora portuguesa, mas que já se encontra esgotada desde 1979. O pessoal da Editora Legatus recentemente expressou o interesse de publicar esta obra no Brasil com todo requinte e elegância que lhes são caros. Saiba mais aqui.

A literatura em Angola seguiu, durante muito tempo, os mesmos padrões de escrita de Portugal. O escritor Oscar Ribas ajudou a mudar isso em 1951. Folclorista e estudioso das tradições angolanas, Ribas escreveu livros de ficção e não-ficção sobre as tradições profundas de Angola e sobre a língua tribal Kimbundu, falada por cerca de 3 milhões de pessoas no país. Esta língua também contribuiu com o português brasileiro com palavras como “moleque”, “cafuné”, “bunda” e tantas outras.

Oscar ficou cego aos 20 e poucos anos, mas permaneceu um ativo pesquisador de sua terra. Em Uanga (Feitiço), de 1951, Ribas incorporou muitos elementos das crenças Kimbundu em bruxaria e feitiçaria, centralizando o enredo na magia negra e nas consequências de sua aplicação nas pessoas. Os elementos de horror sobrenatural estão fortemente presentes na obra. O horror que ele transmite é de tipo folclórico, falando principalmente sobre o que acontece com pessoas que são vítimas de magia negra e de feitiços tribais. Oscar Ribas e Antonio de Assis Junior são, portanto, os dois principais escritores da literatura de horror sobrenatural de Angola e devem ser promovidos no mundo lusofalante. Nossa editora, mesmo sendo brasileira, está empenhada em resgatar o gótico escrito em língua portuguesa, para que essas obras possam ser mais lidas, entendidas e discutidas. [Saiba mais aqui]

O TERROR NA LITERATURA AFRICANA

O TERROR NA LITERATURA AFRICANA

Algumas coisas que nós não sabíamos sobre a literatura de terror na África e que a escritora nigeriana Nuzo Onoh nos mostrou. O Terror Africano não é um escape simbólico para tratar de problemas sociais da região. Ele é um gênero literário propriamente dito, já estabelecido no continente desde, pelo menos, o início do século XX.

O TERROR NA LITERATURA AFRICANA

O Terror Africano engloba diversos subgêneros como o horror sobrenatural, o horror psicológico, o horror demoníaco/ocultista, a ficção científica (esta popularizada por Nnedi Okoroafor), o slasher/gore e os romances paranormais. Assim como a tradição japonesa, as histórias de Terror Africano são geograficamente localizadas, e geralmente exploram tradições, crenças e superstições de vilarejos e tribos muito contextualizadas. O Terror Africano geralmente está imerso nos valores morais de tribos específicas, e a maioria dessas histórias reforça esses valores ao mostrar as terríveis consequências quando se ignora ou se abandona essas tradições. O Terror Africano está fortemente presente em Nollywood, a indústria cinematográfica da Nigéria que produz dramas populares, representando eventos sobrenaturais no contexto étnico do povo Igbo.

O TERROR NA LITERATURA AFRICANA

O escritor nigeriano Amos Tutuola (1920-1997) é considerado um dos pais da literatura de terror na África. Os africanos reverenciam e temem muitos os chamados curandeiros, cujas ações, boas ou más, sempre impactam a vida cotidiana de seu povo. Nenhuma história de terror africano é completa sem uma referência a esses poderosos e controversos homens da medicina étnica. As histórias de terror africano não são relatos folclóricos, ao contrário do que muitos pensam. Hoje em dia, a literatura de horror no continente é escrita em prosa e se assemelha ao horror convencional, apenas mantém características próprias.

A Legatus Editora já menciona o termo: “Gótico Negro” para obras de terror e do fantástico que também pode ser encontrado em narrativas haitianas sobre o Vodu, norte-americanas sobre o Vodu da Louisiana e o Hoodoo e também no Brasil, através das histórias supersticiosas da Umbanda, Candomblé e Tambor de Mina. A lista é grande, e certamente não acaba aqui. Aliás, é interessante mencionarmos como Portugal e o Brasil estão largamente inseridos na literatura e produção cultural gótica e principalmente vampírica.

No Brasil, a REDE VAMP já catalogou bem mais de 170 anos deste conteúdo, da produção cultural vamp, neste interessante artigo (sempre copiado de rodo e sem ter sua fonte e autoria citados, nos blogs da vida).

VAMPIROS NA MÚSICA ANGOLANA

Outra referência indispensável, agora na música local é Zeca Afonso, poeta, compositor e cantor português, em 1963, escreveu, musicou e interpretou “Os Vampiros”, denúncia e alerta sobre a ferocidade dos “todo-poderosos”. Na realidade apontou como o poder local só trocava de abutres, há quase sessenta anos atrás. Para o jornalista Luciano Rocha o trecho mais memorável da obra de Zeca é: “Eles comem tudo/ Eles comem tudo e não deixam nada”. Foi o que os marimbondos fizeram e fazem, apesar do cerco que se aperta, cada vez mais, à volta deles. Todos os outros versos são no mesmo tom. Os dois primeiros diz que vampiros surgem “no céu cinzento sob o astro mundo/ batendo as asas pela noite calada”.

Noutra passagem do poema, feito cantiga de aviso, Zeca lembra que “a toda a parte chegam os vampiros/poisam nos prédios, poisam nas calçadas/ trazem no ventre despojos antigos/mas nada os prende às vidas acabadas”. e adverte que “são os mordomos do universo todo/ senhores à força, mandadores sem lei/(que) enchem as tulhas, bebem vinho novo/dançam a roda no pinhal do rei”/ e conclui que “no chão do medo tombam os vencidos/ouvem-se os gritos na noite abafada/ jazem nos fossos vítimas de um credo/ e não se esgota o sangue da manada”.

Os marimbondos, tal qual os vampiros do Zeca, também comeram tudo – e continuam a comer – o que era do povo, menos as estrelas cantadas pelos “meninos do Huambo”, do Manuel Rui, mas pouco faltou. E se não cerrarmos firmemente fileiras… “eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada”. Aqui temos aquela imagem típica do período como o vampiro na forma de um monstro bastante raso e associado a políticos sangue-sugas – o que é bem diferente do que apreciamos e vivemos na Comunidade Vamp.

DE VOLTA A LITERATURA ANGOLANA COM VAMPIROS

Falando em Angola temos outros grandes nomes de autores que merecem ao menos uma menção neste artigo sobre Vampiros Angolanos, são eles: Ana Paula Tavares, Gonçalo M. Tavares e José Eduardo Agualusa. Eles foram reunidos na coletânea portuguesa “CONTOS DE VAMPIROS” publicada pela Porto Editora em 2009, com a organização de Pedro Lino e reuniu nobres refulgentes da Lusitânia e de Angola. Vamos falar agora deles (descobri estas preciosidades, neste link):


“O MISTÉRIO DA RUA DAS MISSÕES” de Ana Paula Tavares,

Publicado em 2009, é inteiramente ambientado na África e suas primeiras linhas são belas e evocativas: “Diziam as mães que quem subia a Rua das Missões devia tomar algumas precauções: baixar o cesto, usar pano bem traçado, não ter um bubu molhado, tirar a criança das costas e ter ao pescoço, pela ordem certa, os três cordões de missangas, vermelho, branco e azul. As mulheres grávidas eram aconselhadas pelas mais velhas a desviar-se dessa rua, especialmente de uma certa travessa”. Narrativa de tons animistas e telúricos, com os vampiros como aqueles que não descansam e roubam os vivos para o seu mundo e a sede pelo sangue. A tal rua é um lugar impreciso e uma encruzilhada entre mundos com um apelo ao surrealismo e uma espiritualidade ancestral imprópria para estes tempos pós-modernos. Camotim e a avó Faninha são personagens que merecem ser conhecidos pelos apreciadores da literatura Vamp.


“M DE MÁLARIA” de José Eduardo Agualusa?

Também de 2009 se inicia no Rio de Janeiro e se encaminha para Luanda em Angola. É sobre um médico que comprou seu diploma no Brasil e mudou-se para a África para trabalhar em uma clínica e que está ciente do seu crime.

A história se inicia com o personagem relatando que há menos de uma década era taxista e ao atender um cliente negro, este foi morto a bala dentro do seu carro e faleceu agarrado a uma misteriosa pasta de couro. O tal conteúdo permitiu que o protagonista buscasse o anonimato e uma nova vida agora na paisagem africana e vivendo como um novo rico numa casa de luxo na praia de Mussulo.

Tudo ia bem, até ele encontrar outro brasileiro que parecia lhe conhecer. Logo, na clínica onde ele atende será visitado por um estrangeiro (alemão), a início parecia este parece ser uma vítima de Malária mas que irá se anunciar como um Vampiro – e melhor, como um Vampiro Prânico – evocando até mesmo menções ao místico Emmanuel Swendenborg da Suécia :Os vampiros prânicos alimentam-se de energia dos outros. Infiltram-se em casamentos e aniversários, em concertos de música popular, nas turbas radiantes que enchem as praias ou as avenidas. Servem-lhe melhor ainda as cidades nervosas, […] em cujas ruas se concentram multidões desvairadas, às gargalhadas, aos gritos, aos insultos, aprisionadas em meio ao trânsito e ao calor. Um vampiro prânico aprende a controlar e servir-se positivamente da própria energia, podendo utilizá-la em benefício de terceiro.“ o trecho em itálico me chamou bastante a atenção pois o termo vampiro prânico foi bastante corrente na Comunidade Vamp em meados dos primeiros anos do século 21 e depois caiu em desuso.

O diálogo insólito entre o médico fajuto e o seu paciente prossegue em torno de anjos caídos, luciferianismo de almanaque, o hálito imortal do amor e mais tarde o tal vampiro prânico realmente morre de malária cerebral. Há um velório e mais tipos incomuns e suspeitos entram na história. E o médico farsesco é desmascarado por um deles e somos apresentados a uma sociedade ficcional de seres fantásticos que partilham a mesma condição do vampiro alemão. E sabe o rapaz que morre logo no começo do conto? Adivinha de quem e do que ele fugia. Hipocondria como uma maneira de inventar uma doença para se curar? Enfim, uma sociedade de vampiros na caótica Luanda, a se alimentar de sua efervescência energética é muitíssimo mais interessante…

A FOTOGRAFIA (A História do Vampiro de Belgrado), de Gonçalo M. Tavares

É mais sublime e trata sobre a vida de Vujik, surdo-mudo e um incorrigível devorador da beleza alheia. Na sua própria linguagem ele afirma gostar do sangue, sangue do século XXI! Um esteta colecionador de imagens sublimes de beleza e perfeição, que come como tinta e alimento para a sua insaciabilidade. Fotografias e mais fotografias. Um vampiro voraz que devora imagens. Gonçalo é um autor bastante celebrado em Angola e Portugal, ganhando menção até mesmo pelo célebre Umberto Eco e teve esta obra adaptada para o teatro nos tempos do lançamento da coletânea “Contos de Vampiros” integrada pelos outros autores de Angola e Portugal. As menções a descrição do ato sexual e o prazer exótico deste breve conto envolveram e deixaram muitos comentadores boquiabertos até os dias de hoje.

Ainda em 2020 um outro autor angolano, António Quino, publicou ‘República do vírus’ narra as estratégias que líderes autoritários estabelecem para se manter no poder. Nesta ficção com tons satíricos temos a história de Zuão Xipululu, conhecido como “Introcável”, alto dirigente político, membro do partido governista PIM-PAM-PUM, homem seduzido pelo poder e pela lógica da corrupção, algo que dialoga frontalmente com os tempos atuais, seja em referência ao Brasil, seja no resto do mundo. Ao ambientar o personagem na fictícia Mulumba, o escritor angolano António Quino desenvolve uma trama que percorre os meandros da política de um estado autoritário e repressor, corrupto e sequioso por manter-se no poder a qualquer preço.

Em uma sociedade altamente oprimida e subserviente aos desmandos das autoridades, eis que surge uma peste que apavora e passa a adoecer e dizimar a população. Para combater a queda crescente de popularidade, os dirigentes políticos usam o letal vírus como arma de defesa nacional, sob o argumento de que nações poderosas querem se apoderar de uma propriedade do povo mulumbeiro, afinal o vírus foi criado lá. Como publicado aqui. A alegoria ou a metáfora presente nessas palavras são extremamente evocativas no ano de 2020 diante da pandemia ocasionada pela Covid-19.

VAMPS ANGOLANOS NAS RUAS

É claro que só na REDE VAMP que você irá encontrar uma abordagem mais estruturada e cuja a visão abarca a pluralidade e a contemporaneidade nestes assuntos sobre Vamps e suas expressões ao redor do mundo. No restante da internet quando o assunto são vampiros angolanos você irá encontrar apenas histórias mais sensacionalistas – que merecem uma visão mais detalhada para desfazermos alguns enganos e visões tortas que podem e já ocasionaram.

A mídia tanto em Angola quanto no Brasil, partilham uma notória similaridade o desprezo pela produção cultural e um viés estético mais requintado. Há grandes autores, há pesquisadores e sempre há pessoas com o que dizer e o que desvelar e realmente transmitir quando o contexto é de alguma maneira altero. Lá como cá, sempre enfocam o “clickbait” da vez e tentam dar um viés negativo ou descaracterizado, removendo do contexto ou oferecendo um “causo” assombroso para ganharem “likes” e “visualizações” – lá como cá a mídia de fato vive disso, não é mesmo? Quando digitamos vampiros angolanos no Google, por exemplo, somos massivamente dirigidos para estes dois casos:

 VAVÁ, O VAMPIRO: A história já é de 2017 seu nome é Manuel Ribeiro, um Jovem negro, anda pela região da chamada Nova Marginal, em Luanda. Depois de alguma performance, com o rosto sempre contrário a câmera, se agachando, subitamente ergue a cabeça e mostra seus dentes subitamente alongados enquanto seu corpo emite um estranho apito como descrevem os jornalistas locais. Aparentemente ele ganha sua vida como artista de rua sempre elencando um séquito de seguidores ao seu redor – bastante empolgados.  Inclusive há até um vídeo sobre isso e vou comentar sobre este caso adiante neste artigo. Vamos a uma variação anterior de um relato parecido.

O MENINO VAMPIRO DE CAZENGA: Um pouco mais antigo (2014) o caso chegou inclusive até o site da CNN e aparentemente é o mesmo rapaz da história anterior. Ele é conhecido como João Vampiro, nas ruas – mas segundo consta no jornal “O Mensageiro” de Novembro/2014:

(…)Manuel Ribeiro Francisco João de 15 anos, que garante que consegue fazer sobressair “naturalmente” os seus dentes caninos superiores, tal como os vampiros das histórias medievais, lendas e filmes de terror, no que seria um fenómeno aparentemente inexplicável à primeira. O adolescente encontra-se detido desde a passada quarta-feira sob a acusação de ter perturbado a ordem pública no Rangel, na famosa rua do México, onde encontrava de visita a uma tia, já que ele vive no Cazenga, com o pai e dois irmãos menores. “João vampiro”, como também é conhecido, diz que é inocente, tendo sido detido por “engano” dos policiais, já que quem na verdade estava a fazer arruaças Adolescente angolano de 15 anos “vira vampiro” para sobreviver eram outros miúdos.


Regressando ao assunto da hipotética capacidade de “se transformar em vampiro”, o jovem contou para o SA que é obrigado muitas vezes a dar espectáculos a vários interessados em observar a “proeza”, a troco de uns tostões, que já dão um jeito lá em casa quando os dias não estão bons (entenda-se quando não há dinheiro). “João vampiro” revela que foi obrigado a deixar de estudar numa escola do seu bairro, por expulsão na sequência de uma briga com um colega que estaria alegadamente a gozar da sua alegada condição especial de “lobisomem” ou “dracula”. Fala-se que essa seria uma “maldição” herdada do seu avô, que era um bruxo de primeira. Segundo o SA, ainda não foi consultado nenhum especialista para comentar sobre a capacidade sobrenatural de “João vampiro”, uma vez que o assunto lhes foi proporcionado pela Chefia da sexta esquadra do comando distrital do Rangel da Policia Nacional onde o rapaz encontrava-se detido desde a quarta-feira passada.(…) Segundo o site da publicação.

Nada tenho contra artistas de ruas e elegantes atentados terroristas poéticos, que visam suprimir a crença ou a realidade e fazerem pessoas acreditarem no impossível por alguns instantes. Mas sejamos brandos e gentis com o tal João Vampiro e qual o problema de um artista de rua se dizer vampiro ou fazer o seu show e ganhar seus tostões? É verdade que não dá para levar a sério o tom de cor daquelas presas e a performance do rapaz (supondo que seja o mesmo nas duas histórias, ele ainda precisa melhorar bastante a apresentação e o truque). Que aliás, não tem segredo algum e pode ser facilmente emulado por qualquer um, só jogar no google “Dentes de Vampiros Falsos” ou melhor “Dentes de Vampiros Retrácteis” inclusive segue o link o produto já circula amplamente por ai e foi bastante popular no auge do seriado True Blood, da HBO.

Já ví algumas variações mais e menos sofisticadas deste produto do link circulando por ai e é bem fácil de comprar ou até de ganhar tal aparato. Só mesmo jornalista ligado ao ramo do sensacionalismo aparentemente desconhece tal brinquedinho. E é isso.  Uma variação mais sofisticada do mesmo truque pode ser feita com próteses removíveis, seja com fangs ou por dentes vampirescos feitos por um reles protético, ocultos sob a língua e alguma agilidade com a mesma. Não é um feito extraordinário. Agora se os personagens de ambos os relatos enunciados acima descendem ou não de uma linhagem ou família de feiticeiros, aí é outra história – e todo meu respeito se esta parte da história for verídica e mais lhes desejo sorte porque nos países próximos ainda se queimam pessoas acusadas de bruxaria ou vampirismo, como vemos no que aconteceu em Malawi.

Na época que essas duas histórias eram populares, recebi muitas perguntas sobre o ocorrido e aquilo que disse no parágrafo anterior sempre foi a minha resposta. Claro, sempre vai haver aquela pessoa preconceituosa (e cretina) que solta a frase: “Aiiin mas lá na África não ia ter esse produto não… Lord A você tá enganado e…” aos quais sempre respondi pontualmente: “A cidade de Luanda é a capital de Angola, um dos mais importantes portos e centro econômico de lá; é a sétima e mais populosa cidade lusófona do mundo, só perdendo para cidades Brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro. Tem um amplo parque industrial e um perfil notoriamente cosmopolita. Tem desigualdade social, tem sim como em qualquer lugar, mas acho o cumulo você imaginar tal lugar como atrasado ou inacessível para o Ethos e a práxis Vamp! Vai me dizer que você acha que apenas brancos ou asiáticos podem ser Vamps?”

Essa última parte da minha fala sempre foi o suficiente para afastar da nossa comunidade pessoas intolerantes e impedir a naturalização da boçalidade. Deixe nos comentários como você afasta racistas, preconceituosos e afins da sua vida!

Ainda há muito mais para falarmos sobre Vamps na África, Vampiros Negros e mesmo sobre o diálogo com o arquétipo Vamp e o espírito caçador dentro destes contextos. Faltou abordarmos “Nollywood” na Nigéria, seus filmes e muitos outros tópicos. Isso será realizado em futuros conteúdos da Rede Vamp. Mas por hora, estabelecemos uma base bem fundamentada e extremamente sólida que certamente ramificará e há de prosperar.

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