Vampiros e Extraterrestres, eles estão por aí

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Vampiros e Extraterrestres, eles estão por aí

Outro dia durante uma entrevista para a televisão no programa da minha amiga Lucimara Parisi, ela me perguntou sobre uma possível relação entre extraterrestres e vampiros. Achei a pergunta no mínimo mínimo desafiante, pois é um assunto que nunca dei muita atenção ao longo destas duas décadas dedicadas ao contexto VAMP, tanto no fashionismo quanto na espiritualidade. Me vi refletindo sobre isso no dia seguinte e este artigo desenha e delineia um pouco do que penso sobre tal relação “Extraterrestres e Vampiros” no plano simbólico, na cultura pop e toca em algumas fontes associadas a espiritualidade e o ocultismo dispersas na internet brasileira.

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VAMOS AO BÁSICO

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Veja bem, acredito em vida fora da Terra e em objetos voadores não identificados, mas tenho dificuldades sérias para com a tal da Ufologia e teorias do tipo “Eram Deuses Astronautas”. Neste ponto falo por mim e respeito quem dedica sua vida a buscar contato com tais seres e acredita em tudo isso. Se isso os ajuda de alguma maneira a serem felizes e pessoas melhores é algo muito bom, prefiro pessoas que vivam algo fantástico do que aquelas que partem para o fanatismo ou o radicalismo político ou religioso que contaminam o Brasil. Carl Sagan já postulava que seria um desperdício a vida só existir aqui na Terra e cada vez mais até a própria ciência dá mais e mais crédito a este contexto. Quanto a vida inteligente tenho dúvidas sobre a proliferação em abundância por todo o cosmo ao tomar a maior parte dos terráqueos como exemplo.

Por outro lado, não concebo civilizações extraterrestres que vem de outros mundos até a Europa desenharem “mandalas” complexas nas plantações de trigo e de milho – e quando descem no sul do Brasil produzem “mandalas” com formas tão toscas por lá. Também não entendo porque extraterrestres são acusados de raptarem vacas e humanos para experiências bem estranhas e que em geral remetem a relatos semelhantes aos de abusadores sexuais que não mostram a cara para suas vítimas. Para mim coisas assim são humanos apelando para uma mitologia mais moderna, no caso dos extraterrestres, para obterem sentido ou forças para lidarem com o desconhecido e o descaso do ecossistema e das coisas da vida.

Outro ponto que sempre me vem a mente sobre extraterrestres que viajam pelo espaço vindos de tão longe é quanto a natureza destas viagens. Todas as grandes jornadas e explorações humanas foram desenvolvidas em nome do comércio e obtenção de riquezas. Se projeto isso na possibilidade de habitantes de outros mundos descerem a Terra – duvido que venham até aqui só para promulgarem a vida universal ou trazerem esperança. É natural que haja algum tipo de compensação para fazer a viagem valer a pena. Apesar dos pesares acho as ideias presentes no filme “Destino de Júpiter” perigosamente atraente neste quesito (falo sobre ele, bem aqui).

Mas note não é porque não acredito nessas coisas que vou negar a existência de tudo isso. Penso que seria hipócrita e desleal da minha parte dizer que acredito nisso tudo também.

ONDE COMEÇAMOS? QUAL A MELHOR POSSIBILIDADE PARA EXTRATERRESTRES E VAMPIROS?

A única possibilidade que antevejo nestes casos é que ambos (Vampiros e Extraterrestres – e outros seres fantásticos) representam símbolos de acesso ao limiar ou ainda do que chamamos de o “Outro Lado”. Particularmente artistas e pessoas sensíveis são as antenas da espécie humana e os mais aptos para sintonizarem estas delicadas frequências e transmutarem em resultados a natureza destes encontros incomuns. Lembrem que ao longo da minha obra pensar pré moderno e romantismo são temas bem sérios e que passam longe do senso comum, o imaginário expresso nos sonhos ou em nossos pensamentos é uma força poderosa sobre a realidade que compartilhamos.

Nestes casos enquanto símbolos (Extraterrestres, vampiros e outros seres fantásticos) nos conectam e nos permitem falar (ou atuar) sobre alteridade, o outro e oferecermos vislumbres de paradigmas e perspectivas dos cantos mais distantes de nosso imaginário. O que é algo muito bom, na Kabbalah Hermética há até uma Sefiróte chamada Hochmah (falamos dela no Codex Strigoi, Volume 3) para representar este limiar distante. Ali temos os mundos de ficção, o céu, a ilha dos eleitos, a montanha sagrada, o paraíso, utopias e distopias que concebemos em momentos criativos, o tal do como gostaríamos de ser quando crescermos e aquele pequeno recanto de entulho de tudo que é nosso mas insistimos que sempre está nos outros. Acredito que até aqui conseguimos manter um ponto no mínimo razoável e acessível para todos na melhor das hipóteses.

Enquanto Vamp e alguém que trilha esta via há 2 décadas estas são as minhas melhores apostas sobre a idílica associação entre o vampiro, a bruxa, as fadas e os extraterrestres. Símbolos do limiar ou ainda do “Outro Lado” que traduzem nossas aspirações e soluções para os dilemas mais remotos e distantes. Acho muito simplório e pouco sofisticado colocarmos a construção de pirâmides e obras ciclópicas da antiguidade na conta de extraterrestes e seus veículos fantásticos. Acredito que dentre seus parcos recursos nossos ancestrais humanos tinham sim condições práticas e recursos ainda que rudimentares para tais elaborações. Também havia muito tempo disponível e os registros da passagem do tempo ainda hoje são duvidosos. E tudo que eles desenvolveram acaba sendo a base e o alicerce do que temos hoje. Então é algo importante e indispensável em todos os sentidos, independentemente de como foi alcançado.

Agora se você me perguntar sobre influências e inspirações vindas de inteligências não-humanas para tais obras se passando por deidades clássicas humanas, aí eu acho muito mais interessante. Até mesmo ocultistas de renome como Aleister Crowley e Kenneth Grant tiveram experiências neste sentido, muito bem descritas nas obras Renascer da Magia e O Deus Oculto, disponíveis em nossa loja eletrônica. Basicamente toda a história da magia e da espiritualidade humana toca neste contexto – na forma de anjos, deuses e muitos outros aliados e inimigos. Mas dizer que são todos extraterrestres em naves reluzentes que foram interpretados dessa maneira pelos humanos mais primitivos é jogo duro. Quando ainda se apela para confederações interplanetárias e coisas assim como Ashtar Sheridan, novamente penso que isto é delegar o assunto para uma grande simplificação ou generalização. Eu prefiro ficar com minha ideia inicial deste artigo – símbolos que nos oferecem um acesso aos nossos aspectos pessoais mais transcendentes. Acho mais belo, bom e justo ficar por aqui. Se quiser se aventurar adiante disso não sou eu quem vou lhe deter ou censurar, mas o faça com seus próprios recursos.

NA CULTURA POP

O campo mais profícuo para vampiros e alienígenas como equivalentes acaba sendo a ficção e a cultura pop. Filmes como “Invasores de Corpos” (originalmente traduzido como Vampiros de Almas nos anos oitenta) ou ainda “Força Sinistra” (que utiliza os corpos de luz dos antagonistas como referências clássicas ao xamanismo afro caribenho, decorremos sobre isso aqui também) são verdadeiros clássicos do contexto. Já ví gente que compara os destroieres espaciais de Star Wars a caixões e os caça Tie Fighters a pequenos morcegos devido a participação dos atores Peter Cushing e Cristopher Lee. Há vampiros alienígenas até no seriado Buck Rogers no século 25, outra pérola oitentista. Nos quadrinhos da Marvel até o próprio Drácula já foi para o espaço duelar com o Surfista Prateado. Acho extremamente válidas e divertidas estas jornadas ficcionais que estabelecem encontros tão improváveis.

Na ficção temos a história “The Flowering of the Strange Orchid” do célebre H.G. Wells onde um alienígena se apossa de um ser humano para viver de sua energia vital. Outro exemplo é o alien do conto “Asylum” publicado na década de 40 por A.E. Vogt. Outras obras expressivas foram “Vampiros do Espaço” de Colin Wilson, “Eu Sou a Lenda” de Richard Matheson. Filmes como “The Blood Stone” de Tanith Lee, “Dracula Unbound” de Brian Aldiss e “McLennon´s Syndrome de Robert Frezza traduzem encontros imaginários entre vampiros e aliens na cultura pop. A obra mais recente acabou sendo “The Freaks of Nature” um grande pastiche sanguinolento de vampiros, zumbís e humanos contra uma invasão extraterrestre.

ENQUANTO ISSO NA VIDA COMO ELA É

Na vida como ela é tivemos o famoso caso do “Chupacabras” na América do Sul que foi comparado a um extraterrestre vampiresco e tocou o terror na população de Varginha em Minas Gerais. Rapidamente o apetite sanguinário atribuído ao tal ser o associou a um vampiro, para a turma do vampiro tem que existir de forma denotativa e exatamente ao pé da letra foi um prato cheio para afirmarem que era idêntico aos casos dos farsescos vampirólogos católicos de outros séculos. Teve até ocultista brasileiro que aproveitou a deixa para incluir isso em livro e vender mais exemplares de sua obra. Sem críticas a isso. Na internet a versão moderna da cultura de almanaque tivemos casos similares. A reação da turma do não existe nada disso e é tudo loucura de gente mal informada foi igualmente dantesca e o caso ficou para os ressentidos de sempre culparem as pessoas por sua descrença.

Há ainda uma raça alienígena que segundo os ufólogos foram os causadores das histerias vampirescas do século XVII na Áustria e seus arredores seu nome é Hav-Hannuae-Kondras e os tais foram os inspiradores das lendas de vampiros nos Balcãs. Há pouco tempo apareceu na internet um livro russo (tudo vem sempre de lá) que em suas páginas nos fala de uma raça alienígena consumidora de sangue e que teria sido a origem do folclore vampiresco com foco na Romênia por volta do ano 941 D.C e que sua última aparição se deu na Escócia em meados de 2006. Os tais vem dos Sextans, uma galáxia anã que só foi descoberta nos anos 90 por Mike Irwin, M.T. Bridgeland, P.S. Bunclark e R.G. McMahon sendo a oitava galáxia satélite da Via Láctea, e é chamada assim dignamente, pois está localizada na constelação de Sextans. Note que o tal livro secreto russo que apareceu há uns 2 ou 3 anos na internet alegadamente tem mais de cinquenta anos (farejo um tom farsesco no ar? Os russos já sabiam até de Galáxias que nem tinham sido descobertas ou nomeadas quando o tal foi publicado?)

Segundo o tal livro russo visitaram a Terra pela primeira vez no ano de 934 aC na região que agora pertence à Roménia. Muitas vezes eles raptam e matam seres humanos, para beberem o sangue humano e animal. Eles são responsáveis pelo mito dos vampiros segundo o livro dos russos e vários governos estão conscientes de suas ações, e alguns apoiá-los. Outra peculiaridade deles é não devolverem os corpos das vítimas. Fico imaginando suas asas murciélagas e o terror que teriam causado naqueles tempos. Tudo isso me parece bastante desafiante em diversos sentidos, bons exemplos de criatividade humana contemporânea projetadas no passado. Para não dizermos um agradável exercício de terrorismo poético para fazer as pessoas saírem da sua zona de conforto e por instantes crerem em um realismo mágico.

No campo da espiritualidade e do ocultismo dos anos 70 tivemos o charlatanesco Jean Paul Bourre (se mapearmos todo sensacionalismo e as grotescas falhas históricas de suas obras sobre o gênero vampiresco teríamos um artigo bem extenso a parte, não admira a Vampirologia ser uma piada de mau gosto por aqui, assista o video). Redator chefe da revista francesa “L´Autre Monde” publicou em 3 dos seus livros (no Brasil só foram traduzidos “O Culto do Vampiro” e também “O Vampiro”) seu encontro com uma seita vampiresca vindo do espaço (considerando casos como o de Jim Jones e outros fanáticos daquele tempo, não surpreende o lugar comum dos relatos de Jean). Sus cultistas os chamam de “Megamicres” tais aliens se parecem com a gente mas são carecas, hipnóticos e sedutores, os dentões para morder a vítima só aparece quando abrem a boca e emitem um silvo pavoroso, capaz de fazer seu alvo sangrar copiosamente. A esposa de um dos cultistas foi vítima e assim sangrou pela boca, orelhas e nariz em uma tigela para alimentar o faminto alienígena. Em seguida este retribuía oferecendo um leitinho energético e alucinógeno que vinha do seu mamilo as vítimas. Além disso as obras ainda falam de uma Ordem dedicada a combater tais seres e o uso da pedra de Helíotropo como aparente forma de medicina preventiva a tudo isso. Deixando de lado todo o tom excessivamente falacioso, sensacionalista o único grau de acerto do autor é que o segredo da imortalidade e dos vampiros é o combate a fadiga, o esgotamento e o coma que representa a morte. Mas até aí as fontes para tal conclusão já nos anos setenta estavam em domínio público e facilmente acessíveis.

Para uma visão mais geral dos anos setenta e o vampirismo eu sugiro uma olhadela na seção correspondente do meu livro MISTÉRIOS VAMPYRICOS A ARTE DO VAMPYRISMO CONTEMPORÂNEO (Madras Editora, 2014) disponível para venda em nossa loja.

Na minha vida espiritual já tive pelo menos duas situações na década anterior bastante delicadas que ufólogos iriam adorar situar ou contextualizar como algum tipo de contato com inteligências não-humanas ou ainda extraterrestres. Mas dentro do meu escopo e do que ficou das tais situações elas eram similares ao que encontrei em exercícios de invocação e diálogos com planos sublimes. Talvez se eu fosse um ufólogo eu interpretaria o quadro através do paradigma deles, mas a minha formação no ocultismo e no paganismo me oferece outra perspectiva e paradigma. Também me permitiu sair impune nos dois casos pois era detentor das investiduras necessárias para lidar com habilidade diante daqueles quadros. Como não perdi a consciência ou tive sequelas mentais ou alguma patologia de ambos os encontros, fico mais tranquilo e confiante no que desenvolvo. Mas falar disso é um tema mais reservado para certas palestras e audiências mais seletas e restritas.

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