Um Olhar Vampyrico:A atual febre Vampiresca

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Um Olhar Vampyrico:A atual febre Vampiresca

Artwork: Andrezza | Photo: Andre Olivetto
Artwork: Andrezza | Photo: Andre Olivetto

Vivemos um período interessantíssimo, anda praticamente impossível dizer a palavra “vamp…” que rapidamente você arranja assunto ou é indagado sobre as recentes produções do gênero nos cinemas e nas prateleiras das livrarias. Particularmente não via uma febre dessas desde a década de noventa.

VAMPIRISMO, REVIVAL, APROPRIAÇÃO X ARCAIZAÇÃO:

A atual febre vampiresca é um “revival” cíclico que acontece periódicamente a cada década.O próprio modelo mítico cultural do ocidente é um revival do padrão grego.De tempos em tempos, objetos são perdidos e reencontrados, supervalorizados, desvalorizados e revalorizados.Mas os clássicos sempre permanecem.Nossa cultura popular é simplesmente herdeira do modelo do classicismo.

O substituto sintético pós-modernista para “revival” é apropriação, pura e simples, significa quase sempre artista de talento limitado a misturar sem inspiração ou insight, referências irônicas a grandes obras do passado.Isto é algo bem desprezível pois a Subcultura Vampyrica tem como característica a admiração as grandes e expressivas obras de arte e arquitetura do passado romântico.

Apropriação, bricolagem, pastiche e variantes são noções imprópriamente concebidas e promovidas pelos mandachuvas sociais, desprovidos de um sentido de história.Concordo com a autora Camile Paglia (Vamps and Tramps,2004) quando afirma que pertencemos a uma idade Alexandrina de sincretismo, onde alusões multiculturais se fundem para produzirem novas totalidades excêntricas.Vivemos em um tempo decadente, um modo histórico complexo, uma fase posterior vibrante e sensacionalista da cultura dominada por temas de sexo e violência – mesmo que velados pelo ensolarado Rosseaunismo dominante.

Em tempos de decadência, o maior “revival” é o do primitivo justaposto com o supersofisticado.Aliás dois elementos tipicamente “Vamps” no mais estrito sentido que atribuímos a palavra.O Vamp inerentemente lida com a difícil arte da “sofisticação” sem perder de foco o Ecossistema.No “Vamp” tecemos referência ao presente através de toda e qualquer interpretação do passado…Penso que toda a popularidade e maior aceitação de elementos de estética “desviante”, parafernália e vestimenta fetichista, BDS&M, tattoo, bodyart, piercings, aesthesics e até mesmo Fangz – diluídas e mais aceitas na cultura dominante são as grandes representações destes tempos modernos de decadentismo.

Atualmente empresto o termo “arcaizar” da história da arte, ao invés de fazer o uso da insalúbre “apropriação” (que atualmente me soa como algo falsificado, competitivo e destrutivo) oríunda dos “malas” das ciências sociais (muito em voga quando o assunto é qualquer tipo de Subcultura).

Quando falamos em “arcaízar”, costuramos o presente ao passado.Oferecemos a toda criação artística a linearidade cronológica ao qual ela está inserida, sua descêndencia criativa e resgatamos as grandes obras do passado distante.No melhor sentido literal do termo “vamping”, onde também localizamos o termo vampiro: Tomamos aquilo que é antigo, remendamos com partes novas e modernas, sem descaracterizar o original e trazemos uma nova expressão artística, audaciosa e arrojada ao ecossistema.

Ao arcaízar nos mostramos reverentes ao passado cultural.Ao considerarmos a influência e a tradição remetemos ao “canône” – o corpo do trabalho que outros artistas consideram a pedra de toque da sua criação e inovação.Neste momento de “revival” da febre vampiresca, ao arcaízarmos reconhecemos um elemento intemporal em obras que antes pareciam datadas, confinadas ou limitadas a um período particular.Este atual revival é mais um grande momento crucial para o processo de definição da grandeza na produção artística que envolve o vampírico.Uma responsabilidade infelizmente negligenciada pelas “sumidades” da cena vampyrica atual.


AS SUPERPRODUÇÕES VAMPIRESCAS:

Há muito interesse das pessoas pelo que vem sendo mostrado na ficção de forma diluída e com prioridade no romance entre uma mortal e um vampiro na saga Crepúsculo.Mas a estética vampírica é muito mais ampla e heterogênea do que aquilo que está sendo mostrado.Desde os tempos de Christabel do Samuel Taylor Coleridge (ainda na metade do século XVII) o gênero vampiresco lida com os comportamentos tabús de cada sociedade, a imprevisibilidade e até mesmo a vingança de um ecossistema indiferente para com suas crias…um completo jardim selvagem.

Abaixo selecionei algumas matérias que apreciei sobre o olhar da cultura dominante em torno da atual febre vampiresca promovida pela série Crepúsculo e muitas outras produções do gênero.

Como você sabe, minha bandeira em relação ao vampírico consiste no resgatar e atualizar elementos de diversos elementos dos multiversos vampirescos ficcionais – revelando sua dignidade, histórica, contexto social e como estes símbolos podem servir como portões para um vasto jardim selvagem, onde podemos debater, expressar e trocar impressões sobre os tabús que assombram a cultura dominante.E neste processo despertarmos o interesse nas pessoas para aprenderem história da arte, história geral, geografia , literatura, artes e muito mais…

O vampiro nas artes fornece uma das melhores ferramentas de conexão de interesse para com as grandes obras de arte do gênero e também para com toda história da arte que reconheço na atualidade. O personagem vampírico bem constituído e “arcaízado” simplesmente conecta em sua história e perspectiva a grande arte, complexa e elusiva que assombram geração após geração.Artes plásticas, literatura, arquitetura, música e tantas outras que assombraram geração após geração, irradiando uma aura misteriosa além do bem e do mal, repleta de ambiguídade.Quando nos expomos a ela, só conheceremos seus efeitos mais profundos após anos ou decadas…

Recentemente escreví um pouco sobre esta febre e os filmes crepúsculo e lua nova neste texto!

Os textos abaixo não expressam na totalidade minha opinião, aprovação, concordância ou deste site. São apenas referências para pensarmos e inspirarmos novas questões a serem desenvolvidas por todos nós que apreciamos a temática vampiresca na cultura.

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Cena de “Lua Nova”

Há alguns meses, duas leitoras se queixavam na seção de cartas do “Guia da Folha” sobre a publicidade do filme sueco “Deixa Ela Entrar”. Uma delas dizia que, numa sessão no Espaço Unibanco Pompeia, cerca de dez pessoas levantaram; um casal resmungou: “Que lixo”. Segundo ela, a propaganda vendia gato por lebre, algo na linha: “Se você gostou de ‘Crepúsculo’, vai gostar desse”.

Nada mais justo que as leitoras e o público que foi “enganado” tenham se revoltado. Ainda que abordem vampiros adolescentes, “Deixa Ela Entrar” e a saga Crepúsculo caminham em direções opostas.

Não são apenas nos números: “Lua Nova”, o segundo episódio da saga, estreou em 142 salas, em São Paulo. “Deixa Ela Entrar”, em dez. À parte as questões mercadológicas, essa diferença é simbólica.


Cena de “Deixa Ela Entrar”

Os vampiros de “Lua Nova” são conciliadores, seguem uma lógica confortadora para o público educado em narrativas de telenovelas. A vampira de “Deixa Ela Entrar” e as questões que giram em torno dela são desagradáveis, desafiadoras, deixam o espectador com uma sensação desagradável ao sair do cinema. Ou seja, quem quer apenas se refugiar dos problemas do mundo e sonhar um pouco dentro da sala escura, se dará melhor com “Lua Nova”.

Para desfrutar plenamente a saga Crepúsculo é necessário ser adolescente, ou ao menos ter uma mente adolescente. É tudo uma questão de geração. Os filmes (não li os livros de Stephenie Meyer) têm relação direta com a geração emo e o romantismo exacerbado, a sensibilidade e o gosto por rostos pálidos.

Significados não faltam em Crepúsculo. O drama que move a saga dá a dica. Garota se apaixona por um vampiro. Ela quer ser mordida por ele, para viver eternamente ao seu lado. Ele, apesar de amá-la, titubeia. Não quer tirar sua alma, ou algo do tipo.

Em “Lua Nova”, surgem aos montes questões com as quais os adolescentes conseguirão se identificar. O pé na bunda que a moça leva, entre frases na linha “O problema não é você, sou eu”. A ideia de um amor eterno, em que os dois lados nunca envelhecerão. A sugestão de um amor “superior”, tão intenso que dispensa os “meros” prazeres carnais do sexo.

Se, por um lado, são os vampiros mais frouxos da história do cinema, não há como negar que são os vampiros mais transgressores, justamente por deixarem o apelo sexual de lado. Tome como exemplo os vampiros do cinema dos anos 80, época dos “pais” dos emos, os góticos.


Cena de “Fome de Viver”

“Fome de Viver” servia como metáfora para a Aids, e Catherine Deneuve era a vampira que colecionava e descartava amantes ao longo dos séculos. Ela escolhia um parceiro e lhe prometia uma falsa vida eterna.


Cena de “Os Garotos Perdidos”

Ou, então, “Os Garotos Perdidos” e seus vampiros adolescentes, que eram como estrelas do rock, amantes da desordem, da noite e do sexo. Não por acaso, o cantor Jim Morrison é referência no filme.

Não que Crepúsculo não tenha seus méritos. O público gosta de sonhar, e não foi essa série que inventou os príncipes encantados. Mas assistir a “Deixa Ela Entrar” é como encarar a outra face da moeda. É lembrar o quanto esse amor eterno pode ser cruel e pervertido. É imaginar que viver ao lado de uma pessoa pode ser uma prisão e um inferno. Coisas, enfim, que preferimos nem pensar e deixar de lado.


Diego e Harry, os criadores dos vampiros de “Abraços Partidos”

Levando em conta que “Lua Nova” é a segunda maior abertura da década no Brasil, atrás apenas de “Homem-Aranha 3”, vale retomar o assunto.

No post anterior eu falava sobre os castos vampiros de “Lua Nova” e os comparava a outros similares do gênero. Esqueci de falar que, no mesmo final de semana que assisti à segunda parte da saga Crepúsculo, “vi” o melhor filme sobre os sanguessugas dos últimos tempos (digo isso porque ainda não tive a chance de conferir a série “True Blood”, que fontes confiáveis dizem ser sensacional).

“Vi” entre aspas porque “Doe Sangue” não existe, ele é um filme dentro do filme “Abraços Partidos”, o mais recente de Pedro Almodóvar, que, assim como “Bastardos Inglórios”, de Quentin Tarantino, é uma homenagem ao cinema.

Posso estar sugestionado e enganado, mas, para mim, soou como uma alfinetada de Almodóvar à saga Crepúsculo (aliás, uma das reclamações que mais tenho ouvido é sobre esse clima de “liberou geral” nas tradições vampirescas. Que história é essa de vampiro sair passeando em plena luz do dia?).

“Doe Sangue” não aparece em imagens dentro de “Abraços Partidos”. Ele é um roteiro em processo de criação feito por Diego (o filho da produtora) e Harry (o diretor cego); apenas ouvimos o diálogo entre os dois narrando a trama.

A história do filme imaginário é sobre um grupo de vampiros que trabalha num hospital onde pessoas vão doar sangue. Vou transcrever uns pedaços, baseado no que achei aqui:

DIEGO

Os vampiros seriam como um grupo étnico, completamente assimilados dentro da sociedade espanhola (…) Há vampiros que ocupam importantes cargos, mantendo segredo (como a Opus Dei). Mesmo vivendo nas sombras, eles conseguiram grande influência social e poder econômico.

HARRY

Eles controlam várias indústrias. Como a responsável pelos óculos escuros, por exemplo.(…)

HARRY

Protegidos por filtro solar, eles podem trabalhar durante o dia. A loção tem que ser tão densa quanto uma armadura.

DIEGO

(empolgado) A história poderia começar assim: uma mulher deslumbrante, totalmente pelada, passando o filtro solar no corpo antes de ir trabalhar no hospital.

HARRY

Que ótimo começo! Também precisamos de uma história de amor.

DIEGO

Uma história de amor híbrido, entre uma vampira e um cara normal.

HARRY

Como em “Cat People” , uma história de amor entre seres de diferentes espécies…

DIEGO

Ela trabalha em um desses laboratórios onde o sangue é doado e eles mesmo consomem. O cara vai fazer uma doação. Eles se gostam de imediato. Após a primeira picada de agulha em sua veia, ela fica completamente excitada. Então eles começam a namorar. Mas ela não quer transformá-lo num vampiro (…)

HARRY

Mas eles gostam de sexo, certo?

DIEGO

É claro. Este é um dos problemas, o casal se deseja desesperadamente. Mas, quando chega a hora do sexo, ela fica pudica.

HARRY

Por quê?

DIEGO

Porque ela tem medo de perder o controle ao ficar excitada e dar uma mordida na jugular dele. (…) Quando eles estão excitados, ela deixa ele fazer de tudo: pela frente, por trás, tudo que ele quiser, menos na boca

HARRY

E os peitos dela?

DIEGO

Também. Mas aí é um território de alto risco. Quando ele chupa os peitos dela, ela tem que proteger a boca com um travesseiro, que ela acaba retalhando com seus caninos.

*****

Bem, daí para frente eles descrevem como é o sexo oral, e como ela acaba usando uma focinheira nessas horas….

Travesseiros, focinheiras….Seria essa a solução para o drama de Bella e Edward?

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O crepúsculo de Drácula – Stephanie Meyer

Depois de inspirar obras-primas da literatura e do cinema, os vampiros são transformados em vegetarianos insossos pela escritora Stephanie Meyer, dando início à triste decadência da espécie

Klaus Kinski morde o pescoço de Isabelle Adjani na obra-prima Nosferatu (1979). O fotograma lembra um quadro expressionista Foto: Divulgação ( 						0)
Klaus Kinski morde o pescoço de Isabelle Adjani na obra-prima Nosferatu (1979). O fotograma lembra um quadro expressionista

Cada época tem o Drácula que merece. As histórias de vampiro se incluem naquela categoria de mitos duradouros que, recontados de forma diferente em cada era, dizem muito sobre o espírito de seu tempo. Seguindo essa linha de pensamento, como interpretar o sucesso da saga literária Crepúsculo, da autora americana Stephanie Meyer – cujo subproduto mais recente, o filme Lua Nova, está em cartaz nos cinemas brasileiros? O que vampiros vegetarianos, que usam seus caninos afiados para perfurar alface e rúcula, têm a dizer sobre os tempos atuais? Para responder a essas perguntas, é necessário ir às origens do mito. Os primeiros relatos sobre as criaturas que um dia seriam conhecidas pelo nome de “vampiros” surgiram por volta do século 12. Durante mais de 200 anos, a superstição sobre o homem morto que volta à vida após o pôr do sol se disseminou pela Europa. A lenda começou a virar objeto de interesse cultural apenas no começo do século 19, quando o ítalo-britânico John Polidori escreveu o conto The Vampyre para a publicação inglesa New Monthly em 1819. O nobre errante que atraía mulheres inocentes para se alimentar de seu sangue foi inspirado em um companheiro de viagens chamado George Gordon Byron. Sim, ele mesmo, Lord Byron, o poeta que escreveu a mais arrebatadora versão do Don Juan (outro mito que atravessa eras) – e que se tornou popstar em sua época tanto pelos versos quanto pela vida aventurosa. De onde se depreende que a figura literária do vampiro é, na origem, romântica.

Em sua primeira encarnação literária importante, no entanto, o vampiro nada tinha de sedutor. Cada época, já se disse, tem o vampiro que merece, e o da era vitoriana é o Drácula, protagonista do romance de Bram Stoker escrito em 1897. Para confrontar a moral puritana daquele tempo, o autor criou um personagem que tinha mau hálito, pelos nas palmas das mãos e bigodinho branco. Todas essas características foram atenuadas na primeira versão cinematográfica do livro. O Drácula interpretado por Bela Lugosi no cinema, em 1931, tinha aspecto elegante, sotaque estrangeiro charmoso e modos formais. Apesar de ter formado a figura icônica do vampiro-mor, Bela Lugosi o interpretou desprovido de sexualidade. Essa pegada casta tem a ver com o fato de esse vampiro representar outra época, a da Grande Depressão. O filme não podia correr riscos financeiros em um mundo abalado pela crise de 1929.

O Drácula como conhecemos, de caninos afiados e mordidas no pescoço de belas mulheres, só ganhou esse aspecto no final da década de 50, quando foi encarnado no cinema por Christopher Lee. A força sexual do conde vampiro era evidente. Numa época em que o sexo era controlado por pensamentos autoritários, Lee mostrou suas presas antes de se debruçar no corpo entregue de sua amada, Mina Murray. Era a figura do libertino que a estudiosa Carol Fry, autora do artigo Fictional Conventions and Sexuality in Dracula (“Convenções Ficcionais e Sexualidade em Drácula”), publicado em 1972, dizia ser representada pelo homem que deixava marcas na mulher e a infectava a ponto de a vítima se tornar uma pária social. Mas o significado mais óbvio era o retrato do sexo enrustido da década de 50, um sexo reprimido sob a luz do dia, mas solto e tórrido no escuro do quarto.

Passado o período da revolução sexual, nos anos 60, esses seres românticos e calientes puderam finalmente se expressar livremente – e a figura do vampiro chegou a seu auge artístico em duas grandes obras-primas do cinema. A primeira é Nosferatu, O Fantasma da Noite, de Werner Herzog, de 1979. Poucas imagens são mais eróticas do que o corpo arfante de Isabelle Adjani no momento em que o vampiro de Klaus Kinski aproxima as presas da carne branquíssima de seu pescoço, num fotograma que lembra um quadro expressionista. “Não poder envelhecer é terrível. A morte não é o pior. Imagine durar séculos, vivendo a cada dia a mesma futilidade”, diz o personagem em sua fala mais famosa.

O outro é o Drácula de Francis Ford Coppola, de 1992. Com o fim da era Reagan, o cineasta decidiu equilibrar a sedução do elegante conde vampírico, agora na pele charmosa de Gary Oldman, com sequências sexuais picantes. Provocou o Jonathan Harker de Keanu Reeves com três voluptuosas vampiras ? uma delas, a atriz Monica Bellucci, no começo da carreira -, criou uma cena de bestialismo entre o Drácula semitransformado e a garota Lucy Westenra (Sadie Frost) e até chegou ao ponto de imaginar Mina (Winona Ryder) seduzindo Van Helsing (Anthony Hopkins). Apesar do apelo sexual, Drácula era um vampiro com o sentimento humano em busca do amor eterno. Era o reflexo da juventude que abraçou o Nirvana, principal banda do movimento roqueiro grunge – um ritmo cru em sua forma, mas extremamente romântico em sua natureza e letras.

De certa forma, a autora Stephanie Meyer captou o espírito dos adolescentes do nosso tempo quando lançou o primeiro capítulo da tetralogia literária Crepúsculo. O romantismo do Drácula de Gary Oldman agora ganhava uma versão assexuada na adaptação do fenômeno para as telas em 2008. Edward (Robert Pattinson), o grande amor proibido da humana Bella (Kristen Stewart), não morde pescocinhos e tem o corpo brilhante como diamante ao se expor ao sol. Vampiros ecológicos, politicamente corretos e vegetarianos. Você consegue imaginar algo melhor para representar a adolescência emo, que procura respostas para a depressão pós-moderna em príncipes encantados que mudarão suas vidas chatas? OK, cada época tem o vampiro que merece, e os livros e filmes da série Crepúsculo até têm um ou outro momento divertido. Parafraseando Nosferatu, no entanto, pior do que morrer no auge é enfrentar uma longa e lenta decadência. Como essa dos vampiros que, privados de seu alimento vital – romantismo, sexo e sangue – parecem condenados a viver um eterno e tedioso crepúsculo.

Rodrigo Salem é jornalista, editor da revista Contigo!.

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Novo filme sobre ‘Drácula’ não abordará tema do vampirismo

Reprodução
Pintura com o suposto rosto de Vlad Tepes
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Desde que o cinema é conhecido como cinema, a história do príncipe romeno Vlad Tepes (1431-1476) sempre foi encarada como um caso típico de vampirismo. Mas, agora não. A produtora Summit Entertainment, a mesma de Crepúsculo, planeja lançar uma versão dessa história da forma mais real possível.

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O roteirista Charlie Hunnam disse em entrevista ao Entertainment Weekly que durante as filmagens de Cold Mountain, entrou em contato com a lenda de Vlad Tepes e ficou fascinado. Para ele, é possível contar a origem do mito dos vampiros, sem fazer com o que o personagem principal saia bebendo sangue.

Hunnam pretende fazer um filme muito mais histórico do que fictício e quer beber na fonte dessas lendas, sem deixar de lado, também, inspirações tiradas do livro de Bram Stoker, responsável direto pela lenda de Conde Drácula do jeito que a conhecemos hoje. Até o momento, nenhum nome do elenco foi divulgado. O filme ainda não tem previsão de estreia.

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Filme sobre Drácula da produtora de Crepúsculo não terá vampiros?

Charlie Hunnam explica como contará a história do mito em Vlad

11/12/2009Marcelo Hessel

No começo desta semana, a produtora de Crepúsculo, a Summit Entertainment, anunciou uma adaptação ao cinema da história do Conde Drácula, o filme de ação intitulado Vlad. As primeiras informações sobre a trama começam a sair – e aparentemente não tem nada a ver com vampirismo.

Foi o que disse o autor do roteiro, Charlie Hunnam, de 29 anos (ator conhecido pela telessérie Sons of Anarchy), em entrevista à EW. “Na versão atual do roteiro não tocamos no tema do vampirismo. Foi a única coisa que fiz questão quando desenvolvemos a ideia, e felizmente ninguém veio sugerir que entrássemos no tema. Mas dá pra ver claramente as coisas que Bram Stoker pegou… Vlad era um homem brutal, e o desafio é criar uma empatia entre ele e o público”, disse Hunnam.

O príncipe romeno Vlad Tepes (1431-1476), o empalador, serviu de inspiração para o clássico livro de Stoker, originalmente publicado em 1897, que definiu os alicerces do mito do Conde Drácula. Hunnam diz que passou cinco meses viajando pela Romênia durante as filmagens de Cold Mountain e foi então que entrou em contato com a lenda local.

“Minha ideia era fazer uma história mais para Coração Valente do que para 300, e acho que o texto evoluiu dessa forma, então temos uma boa mistura de ambos. Acho que desenvolvi mais a história do que 300. O que me interessa é a história real desse cara que se torna um mito, e por causa do comportamento dele é muito fácil mitificá-lo. A maior parte do filme enfoca Vlad como um jovem assumindo seu papel como príncipe, e cobrimos a vida inteira dele”, diz.

Hunnam relata o que se conhece da história clássica: o império otomano invade o território que inclui a Romênia (dividida em três principados, um deles a Transilvânia) e derrota o pai de Vlad, Vlad Dracul – em tradução literal, “Vlad, o dragão”. “Ao invadir, os otomanos oferecem ao rei a opção de continuar no poder, permitir que o catolicismo local florecesse, mas também permitir que os otomanos, muçulmanos, vivessem na região como iguais. O sultão otomano também queria os dois filho mais novos de Vlad, criá-los sozinho e torná-los devotos muçulmanos, para depois devolvê-los ao trono. Vão Vlad, que tinha 12 anos e um certo senso do que acontecia, e seu irmão, Radu, de sete. No fim das contas, na cabeça de Vlad, Radu é corrompido, tratado como um príncipe pelos otomanos, enquanto Vlad é trancado como um escravo. Oito anos depois o pai deles é assassinado e Vlad decide escapar, vingar o pai e assumir o trono – mas seu irmão se recusa a acompanhá-lo. Aí começa uma guerra de 17 anos entre irmãos, entre cristãos e islâmicos”, narra o roteirista.

Segundo Hunnam, todo esse trecho é o primeiro ato do filme. Em futuras versões do texto tudo isso pode ser limado, mas a ideia é que a introdução termine com Vlad e Radu entrando na vida adulta. O roteirista diz que servirá de produtor-executivo no projeto. “E quando a seleção de elenco começar, vou colocar meu nome ali no meio. Adoraria fazer qualquer papel. O do irmão de Vlad me parece bom…”, insinuou.

Novamente o caso do vampirismo: “Vlad fazia o que achava certo. Era ele que estava sendo invadido, e cuja crença religiosa estava sendo apagada. A brutalidade dele vinha de necessidade militar – táticas de choque e de medo para dar uma vantagem. A pólvora tinha acabado de ser inventada, e Vlad estava lutando com espadas e flechas, enquanto os otomanos tinham armas de fogo. Mas Vlad lutava em casa e conhecia o terreno, então podia lutar à noite. Ele colocou seus homens para agir só à noite… Existem várias formas de mostrar a origem do mito do vampiro sem que ele saia por aí bebendo sangue”.

O fotógrafo e diretor de videoclipes Anthony Mandler, outro estreante, dirigirá o filme. A produtora de Brad Pitt, Plan B, cuida do projeto.

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Quem desejar deixar algumas impressões e idéias sobre estes textos é muito bem vindo!

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