Um pouco mais sobre a cruz (simbologia)

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Um pouco mais sobre a cruz (simbologia)

Já há algum tempo que eu notava a ausência de ao menos algum comentário relevante a simbologia da cruz e seus muito significados em nosso blog sobre folclore e até mesmo naquele dedicado a Cosmovisão Vampyrica. No imaginário popular uma cruz pode afastar e banir os vampiros folhetinescos se quem a empunhar demonstrar certa fé e sabedoria. “Do contrário é apenas geometria” como disse ao humorista Fernando Muylaerte durante uma entrevista em 2014 na porta do evento CARMILLA. (Aliás tal video pode ser assistido aqui).

Agora vamos falar sério, neste artigo do meu irmão e editor Wagner Veneziani Costa, vamos poder conhecer um pouco mais da simbologia atribuída a cruz e os mais hábeis serão recompensado de maneira régia e apropriada com tal sabedoria. Próspera caçada!

A cruz constitui um capítulo à parte da simbologia gráfica. Símbolo extremamente antigo e de caráter universal, a cruz pode ser encontrada em um número muito grande de variações sobre seu tema. Mas o modelo básico é sempre a interseção de dois segmentos retos, um vertical e o outro horizontal.
O significado arquetipal do símbolo da cruz é sempre o da conjunção dos opostos: o eixo vertical (masculino) com o eixo horizontal (feminino); o positivo com o negativo; o homem com a mulher; o superior com o inferior; o tempo com o espaço; o ativo com o passivo; o Sol com a Lua; a vida com a morte; Espírito e matéria, etc.

A união dos opostos é a ideia central contida na simbologia da crucificação de Cristo, e a razão pela qual a cruz foi escolhida como emblema magno do cristianismo. O sentido básico da crucificação é o de experienciar a essência do antagonismo, uma ideia que reside na própria raiz da existência, já que tudo no universo (e no homem) nasce e se desenvolve a partir do choque doloroso de forças antagônicas.
A cruz tem um significado religioso e esotérico para povos tão distintos e tão distantes como os fenícios, persas, etruscos, romanos, egípcios, celtas, peruanos, mexicanos e os indígenas da América Central e do Norte.

A teosofia explica o sentido místico da cruz como sendo originário do dualismo andrógino presente em todas as manifestações da natureza. A cruz significa, assim, a ideia do homem regenerado, aquele que conseguiu integrar harmoniosamente as suas duas partes e que, “crucificado” como mortal, como homem de carne com suas paixões, renasce como imortal.

Na simbologia rosa-cruz, cruz ocupa posição proeminente. Aqui ela simboliza os quatro reinos da natureza. O reino mineral anima a todas as substâncias químicas, de maneira que a cruz feita de qualquer material é símbolo desse reino. O madeiro inferior da cruz representa o reino vegetal, porque, esotericamente, as correntes dos espíritos-grupos que dão vida às plantas provêm do centro da Terra. O madeiro superior simboliza o homem, porque as correntes vitais que animam o ser humano descem do Sol e impregnam o planeta Terra. O madeiro horizontal simboliza o reino animal, que se encontra entre os reinos vegetal e humano, com a sua coluna vertebral na posição horizontal.

O estudioso Cirlot, uma das maiores autoridades mundiais em símbolos, explica também que a cruz, como o símbolo da “Árvore da Vida”, funciona como emblema do “eixo do mundo”. Situada no centro ou coração místico do cosmos, a cruz transforma-se, simbolicamente, na ponte ou escada através da qual a alma pode chegar a Deus. A cruz afirma assim a relação básica entre o mundo celestial e o terreno. Em outras palavras, é através da experiência da crucificação (o conhecimento vivenciado dos opostos) que se chega ao centro de si mesmo (a iluminação).

Carl Jung comenta também que, em algumas tradições, a cruz é símbolo do fogo e dos sofrimentos da vida. Tal concepção parece ter origem no fato de que os dois eixos da cruz estão associados com os dois bastões de madeira que o homem primitivo usava para produzir o fogo, esfregando um no outro até produzir combustão. Um dos bastões era considerado masculino, e o outro, feminino.
Nas regiões celtas da Irlanda e da Bretanha são encontradas muitas cruzes com este formato, especialmente a partir do século VII. Algumas dessas cruzes célticas continham inscrições, com letras rúnicas. Algumas cruzes ainda existem na Cornualha e em Gales, nas ilhas Iona e Hébridas, como também em muitos outros lugares da Irlanda.

220px-Perelachaise-croixCeltique-p1000394Cruzes assim, feitas de pedra, são achadas ao sul da Escócia e na Cumbria, mas estas foram feitas já sob influência anglo-saxã. As cruzes célticas mais famosas são a Cruz de Kells, em Meath County e as cruzes no Monasterboice, em County Louth.

Existem numerosas representações da cruz combinada com um círculo, ao longo da história da cristandade. A chamada Cruz do Sol, que tem sua origem no paganismo do Noroeste Europeu – que simbolizava o deus nórdico Odin – e ainda nos Pireneus e na Península Ibérica – sem que haja uma origem comum entre estas e a cruz cristã.

Note-se que antigamente a palavra “cruz” no Inglês antigo/Anglo-saxão, significava “rood” (cruz de Cristo ou crucifixo). A palavra “cruz” em Inglês tem origem indireta do Latim crux, crucis, passando para kross através do Nórdico primitivo. Linguisticamente é surpreendente a forma como os invasores pagãos nórdicos/escandinavos (“Vikings”) devem ter adoptado a palavra deles para “cruz” nos anglo-saxónicos que se tornaram Cristãos.

Sabemos que os celtas foram convertidos ao cristianismo pela mensagem redentora de Cristo levada por José de Arimateia, e também por escravos fugidos por volta do ano 77 d. C., sendo criada a Igreja Celta. Devido a isso, evangélicos carismáticos, ou afins, alegam que a cruz céltica, no sentido cristão, é um símbolo pagão.

Assim como a sarça ardente, é um dos grandes símbolos do presbiterianismo. É um tradicional símbolo presbiteriano, representa o nascimento, morte e ressurreição de Jesus Cristo, o plano da ação redentora de Cristo determinado pelo Pai, além da presença dEle na Igreja e o seu plano desde a Criação . O círculo dá uma ideia de continuidade, podendo ser parafraseado com o lema: “Ecclesia Reformanda semper reformata est (Igreja Reformada: sempre reformando!)“. 2 3

Os celtas são um grande exemplo de espiritualidade. “O cristianismo conhecido como “celta” floresceu na Irlanda, na Escócia, no País de Gales e mesmo em partes da Inglaterra, grosso modo, do quarto ao décimo séculos”. São conhecidos os nomes de missionários celtas como Patrício, Columba e Columbano, que evangelizaram o norte das Ilhas Britânicas e vastas partes do continente europeu. Mas o cristianismo celta floresceu, humanamente falando, não apenas devido ao trabalho dos missionários mais conhecidos, mas também devido ao esforço de incontáveis anônimos, pessoas sinceras em sua fé, que viviam o cristianismo com “alegria e singeleza de coração”. Foi um cristianismo que desenvolveu características próprias, que o tornavam distinto do cristianismo de inspiração romana que florescia na Europa continental no mesmo período. O cristianismo celta tinha muitas características notáveis. Entre tantas, destaca-se aqui apenas a que interessa diretamente aos propósitos desta breve reflexão: um modelo de espiritualidade centrado na criação.

Os celtas desenvolveram uma teologia que enfatizava uma visão de Deus como Senhor da criação. Ainda que não haja nada de original nesta perspectiva — os cristãos celtas não foram os inventores desta teologia —, não se pode deixar de mencionar que há diversas implicações práticas dessa visão. Uma dessas consequências é exatamente ter uma atitude constante de júbilo e regozijo na criação, que revela Deus. “Como os celtas eram um povo com forte inclinação à poesia, produziram muitas poesias comoventes, louvando a Deus pela obra da criação.” Rev. Carlos Caldas (é pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil. Leciona na Escola Superior de Teologia e no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo). Revista Ultimato, Edição 294.
A cruz celta é amplamente utilizada pelas igrejas de tradição reformada, como os presbiterianos, batistas reformados e anglicanos reformados . Isso porque essas igrejas tiveram origem na Escócia. Há também uma ala da igreja romana que a utilizam, mas são casos bem remotos.

Broken_crossed_circle.svgAs associações culturais da cruz céltica e a cruz do sol, da qual derivou – com conotações da cristandade, Westernness, e as tradições antigas Arianas – têm desde os anos 1960, encorajado a co-opção de uma forma estilizada como o emblema de vários grupos da extrema direita, particularmente em França, incluindo o significativamente denominado Occident (Ocidente) e o GUD (Grupe Union Droit or Groupe Union Défense).Este símbolo é uma derivação da Cruz Solar e aparece por toda a Europa desde o terceiro milénio a.C. (Idade do Bronze), tendo sido utilizado sobretudo pelos povos Celtas (Celtiberos, Gauleses e Gaélicos) mas também pelos povos nórdicos. Também é chamada “Cruz de Iona”, “Cruz de Odin” e “Roda de Taranis”, sendo estes dois últimos nomes derivados da sua versão mais antiga, a já mencionada Cruz Solar. Apesar de muitas vezes ser confundido com um símbolo da Cristandade, a Cruz Celta é muito anterior, com algumas representações datadas de 5000 a.C. As suas origens são desconhecidas mas é de consenso geral que se trata de um símbolo solar, cujas semelhanças com a Suástica e com o Ankh egípcio não podem deixar de ser notadas. Tal como estes, apresenta o eixo horizontal, Feminino, receptivo, Yin e o eixo vertical, Masculino, criativo, Yang, representando tanto o Eixo do Mundo, como os Quatro Elementos e a Chave da Vida.

Com a conversão da Europa ao Cristianismo, o símbolo foi rapidamente absorvido pela nova ordem social e transformado numa cruz cristã. É muitas vezes chamada “Cruz de São Columbano”, devido a uma lenda irlandesa que conta que foi trazida para a Irlanda por este Santo. O mosteiro de São Columbano, na ilha de Iona, deu origem às denominações “Cruz de Iona” ou “Cruz Iónica”. Graças à sua antiguidade e origem europeia, a Cruz Celta, bem como a Cruz Solar e a Suástica – todas elas símbolos solares – foram adaptadas por grupos políticos radicais e o seu significado antigo foi deturpado, tendo sido substituído pelo do fascismo e da intolerância. Hoje em dia, a imagem de um destes símbolos, na maioria dos casos, já só evoca os mais recentes acontecimentos do Nazismo, do fanatismo político e da violência, tendo-se perdido assim toda a sua riqueza e significado originais.

Apesar disto, o significado tradicional está a ser, lentamente, recuperado pelas comunidades neo-pagãs, bem como por seguidores e estudiosos das antigas tradições europeias. A Cruz Celta continua a ser usada como amuleto de proteção, é associada ao heroísmo e à coragem, servindo como talismã ajuda a superar obstáculos e conquistar vitórias. Como símbolo solar também é usado para prosperidade e fertilidade. A Cruz Celta é frequentemente gravada ou esculpida em pedra, para bênção das terras envolventes. O símbolo evoca o equilíbrio e a harmonia, bem como a proteção dos Ancestrais.

2000px-Crossed_circle.svgNas décadas mais recentes, o símbolo foi adaptado pelo movimento White Nationalist, como um símbolo para a representação de todas as pessoas caucasianas europeias. Quando se utiliza este meio, às vezes chamado de “sun wheel” (roda do sol). O símbolo às vezes, também pode ser identificado com os nacionalistas radicais da Third Position (Terceira Posição) ou da persuasiva Catholic nationalist (Nacionalistas Católicos).Este novo simbolismo eclipsou bastante o tradicional em França, Itália e muitos outros países Europeus.As cruzes célticas também estão associadas a grupos políticos que defendem uma maior independência ou outras medidas relacionadas com as minorias célticas (cf Breton nationalism (Nacionalismo Bretão)).

Lógico que, além disso, tem as cores que o Premoli colocou na Cruz, que são significativas, o Vermelho no centro e o preto contornando… Mas isso vai ficar para um próximo texto… Imaginem o significado da Cruz vermelha…?

Obrigado Irmão Premoli pelo presente maravilhoso…
Wagner Veneziani Costa

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