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Sob a fraternidade do luar (Lord A:.)

Neste Artigo Lord A:. explora uma das possíveis origens das lendas vampirescas através do norte europeu, menos conhecida e mais arquetípica oferece uma boa jornada aos mais hábeis e com sede de mais.

Uma curiosidade sempre relevante é que para os povos latinos a lua é representada por uma deidade essencialmente feminina e o sol por uma masculina. Para os povos germânicos e do norte acontece o inverso, a lua por vigiar contra ameaças, definir regras, medidas em suas fases é aceita como masculina e o sol como feminina. Isso é importante ao pontuarmos a questão do vampiro ou o lobisomen como expressão dos ritos e cultos secretos dos guerreiros legados pelos Indo Europeus.

 

Interessante pontuarmos que o luar era a deidade lunar responsável pelo nascimento na terra do cogumelo (de onde era extraído o psylocibe, enteógeno poderoso nas beberagens de tais ritos arcaicos) para os chamados povos indo europeus. O orvalho tão caro aos adeptos dos florais e práticas de pranayama também provinham dele, este se transmutava em mel quando era levado pelas abelhas.

Na Kabbalah Hermética (herdeira de uma visão italiana) a lua também é representada por um belo jovem desnudo, forte e viril entre os Kerubim sob o governo do anjo Gabriel – lá na séfira de Yesod que também tem uma ampla representação feminina. Interessante notar que o psicanalista Carl Jung nomeava tal estação de sincronicidade.

O xamã era conhecido como aquele que via no escuro lá no gélido norte europeu. Mani, o luar era um deus responsável pelos calendários, marés e fases lunares – tinha por consorte Bil uma garota que salvou, se tornou mulher e elevada como sua esposa por Ordin. Ele conciliava intuição lunar com o pensamento linear e o raciocínio lógico (qualidades solares). Na visão teutônica a lua era associada a razão e ao ato de medir, não tanto as emoções ou subconsciente, tal povo usava o calendário lunar.  Para nós o Deus Mani guarda atribuições que influenciam o arquétipo vampiresco até os dias de hoje, ainda que presentes de formas veladas e que ressurgem através dos romances e da produção cultural – ainda que inconsciente de seus autores e autoras.

Em certas lendas Mani era um deus que consolava as mulheres, inclusive as que eram maltratadas pelos maridos – vinha como um amante misterioso, invisível em noites de lua cheia. Ele também velava os ritos de oferta do sangue menstrual a terra realizada pelas mulheres ou práticas de feitiçaria, consagração de oráculos e outros processos extáticos. Não seria difícil imaginar como para um observador cristão daquele tempo este “amante misterioso” vinha pelo sangue e a luxúria com a mulher que se dava a tal prática. Para os leitores e leitoras mais “jungianos” tal “amante lunar misterioso” é interpretado como o alinhamento do animus a porção masculina da alma com a anima da mulher. Um casamento alquímico interior em outros termos.

Também são consagradas ao deus Mani as práticas de regressão de memória, os plenilúnios, projeção astral e o chamado resgate de alma. O Desconhecido era sua morada, os homens se encontravam nas chamadas fraternidades lunares que levavam o nome deste deus obviamente ligadas aos contextos já abordados na influência dos Indo Europeus sobre o que chamamos hoje de licantropia e vampirismo como os mais hábeis podem imaginar.

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