O Vermelho, O Negro e O Branco influências templárias na Cosmovisão Vampyrica

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O Vermelho, O Negro e O Branco influências templárias na Cosmovisão Vampyrica

Não é segredo algum que a Cosmovisão Vampyrica herda incontáveis influências da tradição esotérica ocidental, aliás qualquer espiritualidade verdadeiramente séria encontra ressonâncias na chamada sabedoria perene (a verdadeira tradição em todo o seu esplendor). Da mesma maneira que as escalas Celsius e Fahrenait dialogam e as temperaturas podem ser convertidas de uma a outra de acordo o costume ou necessidade, procuramos expressar em alguns artigos postados aqui um pouco destas  singulares encruzilhadas. Novamente apresentamos um artigo de Wagner Veneziani Costa, da Madras Editora e também o editor responsável pela obra Mistérios Vampyricos. As cores negras, vermelha e branca também são caras a Cosmovisão Vampyrica e a Bruxaria Tradicional. Vamos conhecer um pouco dos seus significados na visão Templária.

“Como a fênix que renasce de suas cinzas, o espírito encarna em um corpo negro, branco e vermelho.” Santo Alberto Magno

(Assim expressou-se o santo filósofo cristão que viveu na Baixa Idade Média [1200-1280], difusor da doutrina escolástica nas universidades de Paris, Pádua, Estrasburgo e Colônia, em clara referência à Ordem do Templo.)

Foram três, portanto, as tonalidades usadas pelo Templo: negro, branco e vermelho; em representação da morte, da ressurreição e do triunfo, respectivamente. Do mesmo modo, os dois primeiros correspondem às cores iniciática fundamentais, enquanto o vermelho é o símbolo da vida eterna que, por sua vez, outorga o conhecimento de todo o sagrado e secreto. Porém, falemos da importância de cada uma dessas cores em seguida e de seu vínculo estreito com os Templários. O estandarte negro e branco – o Baussant – dos Templários está inspirado nos pilares de acesso aos templos do Egito Antigo, que representam os diferentes deuses. Joana D’Arc, 117 anos depois da morte de Jacqhes B. de Molay na fogueira, em Paris, não vacilou em hasteá-la ao vento, para animar aos franceses durante a Guerra dos Cem Anos (1327-1453) contra os ingleses.

O preto

O preto, como tonalidade, representa o valor simbólico do absoluto. Para a psicologia profunda é a cor do inconsciente completo, do aprofundamento no obscuro, das trevas, do luto (o luto negro é, poderíamos dizer, a dor sem esperança), para as concepções ocidentais do mundo medieval. Para Hans Biedermann, na alquimia, o enegrecimento (nigredo) da matéria primária que se transforma na pedra filosofal constitui o requisito prévio para a ascensão futura. O negro, simbolicamente, é geralmente entendido em seu aspecto frio, negativo, associado às trevas primordiais, à diferenciação original. Cor de condenação, o negro se converte também na cor da renúncia à futilidade deste mundo, razão de os mantos negros constituírem uma proclamação de fé tanto no Cristianismo como no Islamismo. O mesmo simbolismo se reflete no famoso verso do Cântico dos Cânticos: “Sou negra e, contudo, formosa, filhas de Jerusalém”. No arcano XIII do tarô aparece uma Morte orgulhosa de seu destino; trata-se de uma morte iniciática que prenuncia um nascimento verdadeiro. Com uma foice vermelha, está disposta a ceifar uma paisagem pintada de negro; com isso, depois de ceifar o nada, abre caminho para uma vida mais real que a anterior, porque o número 13 é a renovação. Não é por acaso, portanto, que as virgens negras evocaram as grandes deusas da fertilidade em virtude de suas origens tectônicas, porque essas virgens negras medievais substituem a Ísis, Demeter, Cibele, aos Aton, e às Afrodites negras. O negro está relacionado com a noite, entrar na noite é voltar ao indeterminado, onde se mesclam pesadelos e monstros, as ideias negras. Na concepção céltica do tempo, a noite é o início da jornada.

O negro, tonalidade que transmite peso, ao mesmo tempo, é um signo de limitação, melancolia, decomposição. É a cor de Saturno que se move nas trevas. Anúbis, conselheiro de Ísis e filho de Osíris, a divindade egípcia com cabeça de “cachorro” e corpo de homem, porta um caduceu em sua mão esquerda. Em sua promessa de luz, é portador da chave que transmite todas as tonalidades, para acabar vencendo as trevas, depois de 40 dias de obscuridade. “O templário dorme entre as dobras de seu hábito de lã grosseira negra, recostado sobre o eixo norte-sul, e sonha com um Oriente vigiado pelo cão de Deus, o cinocéfalo, que vigia quando todo mundo dorme e cochila depois de saudar a luz”, ressalta René Lachaud.

O branco

O branco, por outro lado, é o inverso da sombra. A cor branca constitui a união completa de todas as cores do espectro da luz; símbolo da inocência, ainda não influenciado pelo pecado ou, como objetivo final da pessoa purificada na qual se restabeleceu esse estado. Recordemos que os cristãos primitivos portavam vestidos brancos – candidus – no momento do batismo por imersão. Dessa mesma tonalidade surgem representadas as almas dos perdoados depois do Juízo Final. Como valor-limite, na linha do horizonte, na coloração dos pontos cardinais, o leste e o oeste são representados pela cor branca; os dois pontos extremos e misteriosos, onde o astro rei nasce e morre a cada dia. O branco atua sobre nossa alma como o silêncio absoluto; porém, não se trata de um silêncio morto, mas rico de possibilidades vivas, porque, em todo pensamento simbólico, a morte é a antessala da vida, já que todo nascimento é um renascimento. Como símbolo do nascimento, devemos considerar o branco como uma tonalidade de morte, a cor do sudário, a ausência de cor… Para Mircea Eliade, nos ritos de iniciação, o branco é a cor da primeira fase, a da luta contra a morte. Em sua acepção diurna, como cor iniciadora, o branco se converte na tonalidade da graça, da revelação, da transfiguração que deslumbra. É a cor da teofania, daí a auréola de luz branca que circunda a cabeça de todos aqueles que conheceram a Deus. Também, entre os antigos celtas, o branco era a cor reservada à casta sacerdotal. Apenas os druidas, os outros sacerdotes e os reis podiam vestir-se de branco, a cor mais elevada para contatar as divindades.

Na alquimia, o branco (albedo) é a representação que vem em seguida ao negro (nigredo); porque a matéria-prima se encontra no caminho que leva à pedra filosofal. Para René Guénon, enquanto ars regia o branco corresponde à primeira fase iniciática, ou seja, seria uma linguagem própria da iniciação cavalheiresca e a ela encaminhada.

O branco é, portanto, a cor dos seres sobrenaturais, que se purificam nas chamas do espírito. É a tonalidade do astro mutante, da lua brilhante, cujo reflexo de luz transmite sabedoria, recompensa e relaxamento. Por isso, o templário venerava a tonalidade do branco heráldico, evocadora de um cristo banhado em luz zenital.

O vermelho

Tonalidade que representa o fogo e o sangue, o vermelho é, para muitos povos, a cor primária, ao estar mais ligada à vida. O homem pré-histórico já soube obtê-lo em forma de óxido de ferro (almagre), e, em forma de substância corante, pintava o rosto dos mortos, para devolver-lhes a cor cálida do sangue e da vida. Também é a cor da ciência, do conhecimento esotérico, aquele que está vedado aos não iniciados e que os sábios ocultam sob seu manto. O vermelho transmite a ideia de vida eterna que outorga o conhecimento das coisas secretas. Trata-se de um vermelho matricial, por não ser licitamente visível senão no decurso da morte iniciática onde adquire um valor sacramental. O sangue e o segredo são suficientes para estabelecer e delimitar o campo do vermelho. O cavaleiro templário vertia sobre a terra seu sangue vermelho no combate contra os infiéis, tendo acesso, desse modo, à realeza iniciática. “E obras no final como no começo. A morte é a causa da vida e o começo e o final, veja negro, veja branco, veja vermelho. É tudo. Pois esta morte é a vida eterna, depois da morte gloriosa e pefeita.” (La nueva assamblea de los filósofos alquimistas, de Claude d’Ygé).

Para os primeiros cristãos, o vermelho era a cor do sangue do sacrifício de Cristo, e também dos mártires, o das chamas do Espírito Santo no Pentecostes e do amor fervoroso, como se depreende ao ver a vestimenta de João, o discípulo predileto de Jesus. Precisamente, no Apocalípse de João, destacamos vários fragmentos de interesse: “Vem e te mostrarei a grande prostituta que está sentada sobre as grandes águas” (17,1); “Levou-me ao deserto e vi uma mulher sentada sobre uma besta vermelha, cheia de nomes de blasfêmia, a qual tinha sete cabeças e sete chifres” (17,3). Tratava-se, sem dúvida, de uma hidra horripilante (monstro de sete cabeças, animal surgido do inferno de cor vermelho-escarlate cheio de blasfêmias). Daqui é fácil deduzir que o vermelho também se relacione tanto com o inferno como com o Diabo.

Na alquimia, segundo Hans Biedermann, o vermelho está relacionado com o branco; ambos mesclados dão lugar ao um sistema dual, simbolizando o principio material enxofre, o que queima. Ambos os tons, branco e vermelho, simbolizam a criação, segundo a antiga teoria da procriação, ou seja, a obtenção de vida a partir do sangue, o vermelho (menstruação) e o branco (esperma). No Rito Escocês da Maçonaria, o vermelho estabelece o sistema de altos graus, em oposição ao azul da Maçonaria de São João, caracterizada por seus três graus (Aprendiz, Oficial e Mestre).

Essa virtude da cor vermelha, exposta à luz, inverte a polaridade do símbolo que, de fêmea e noturna, converte-se em macho e solar, concordam Jean Chevalier e Alain Gheerbrant. A partir disso, surge uma nova tonalidade de vermelho, consequência da união do branco com o dourado que nos leva ao símbolo essencial da força vital, que encarna o ardor e a beleza, a força impulsiva e generosa, o eros livre e triunfante. Na Roma antiga, o vermelho era a cor dos generais, da nobreza e dos patrícios. Os imperadores bizantinos, por exemplo, vestiam-se só de vermelho, inclusive chegaram a ditar leis que proibiam as classes populares de vestir vermelho. Essa cor havia se convertido no símbolo da cor suprema.

Mais tarde, já na Idade Média, o vermelho e o branco foram às cores consagradas a Jeová, como Deus do amor e da sabedoria, recorda Fréderic Portal.

Tampouco a alquimia se livra do vermelho, posto que esta fosse a cor da pedra filosofal, cujo nome significa “a pedra que leva o signo do sol”. O fogo celestial abrasa o coração e purifica; da mesma forma, a pedra dos filósofos é pura, posto que esteja composta dos raios concentrados do sol.

Em algumas construções templárias (Caravaca, Múrcia) e também em outros edifícios que estiveram de algum modo, vinculados aos Templários (catedral de Tortosa, Tarragona), o leitor descobrirá um curioso vitral em forma de óculo – conhecido pelos historiadores como janela da Aparição –, o qual está relacionado com o mítico yin-yang da filosofia oriental ou, o que é o mesmo, o poder dos contrários.

Fraternalmente e em Nome de NSJC, Eu vos Saúdo…
Wagner Veneziani Costa
GRÃO-MESTRE past DO GRANDE PRIORADO DO BRASIL – Das ordens Unidas, Militares, Religiosas, Maçônicas do Templo de São João, de Jerusalém, Palestina Rodes e Malta

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