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O Vampiro de Croglin

O Vampiro Croglin

O Vampiro Croglin: Já se passaram quase 200 anos desde que esse arquétipo Romântico / Byrônico para um vampiro surgiu – mas o que sabemos sobre a crença inglesa em vampiros fora da ficção? Uma nova pesquisa na Universidade de Hertfordshire descobriu e reavaliou uma série de mitos sobre vampiros – e nem todos estão confinados ao reino da ficção.

O Vampiro Croglin supostamente apareceu pela primeira vez em Cumberland para uma Srta. Fisher na década de 1750. Sua história é recontada pelo Dr. Augustus Hare.

No conto escrito por Augustus Hare, vários episódios ocorreram entre 1875 e 1876. Uma velha casa é alugada para uma mulher e dois irmãos, Amelia, Edward e Michael Cranswell. Um verão, Amelia estava tentando adormecer quando de repente uma criatura estranha apareceu em sua janela e começou a conduzir com unhas compridas ao redor de um pedaço de vidro da janela, antes de remover a unha e alcançar a abertura resultante para destravar a trava da porta da janela e entrar.

É descrito como tendo um rosto escuro e olhos vermelhos ardentes.

O vampiro mordeu sua garganta.

Quando seus irmãos entraram na sala, o monstro havia sumido. Enquanto um irmão tenta ajudar a irmã, o outro vai atrás da criatura. Depois de uma viagem à Suíça, o trio retornou à Fazenda Croglin e a criatura voltou. O irmão atirou na perna dele e conseguiu rastreá-lo até um cofre em um cemitério local. Eles esperaram até o dia seguinte para entrar no cofre, onde encontraram o corpo do vampiro, com feridas recentes nas pernas, deitado em um caixão. Então eles o queimaram.

Podemos resumir assim o relato da obra Story of My Life por Augustus Hare que foi escrito na década de 1890. Poucos anos antes do Drácula de Stoker ser publicado. Já em 1924 o pesquisador Charles G. Harper contestou o livro de Hare. Durante sua exploração em Cumberland ele não conseguiu localizar evidências da tal Croglin Grange. Ainda assim, ele encontrou duas construções parecidas o Croglin High Hall e o Croglin Low Hall.

Ambas as construções eram bem diferentes daquele descrito no livro e o Croglin Low Hall era o mais similar ao do livro de Hare. A tal capela da história nunca foi encontrada. Um pouco depois Montague Summers passou pela região e como sempre quis fazer bonito e taxou o conto de Hare como plágio do primeiro capitulo de Varney The Vampyre e descartou ambos como superstição barata.

Em outro lugar de Cumberland, hoje chamada de Cumbria, os nativos de Renwick já foram conhecidos como “morcegos”. Isso é devido à uma monstruosa criatura de forma murciélaga que eles alegam ter saído do porão de uma igreja que havia sido reconstruída por e lá em 1733 e que saiu voando por ai noite á dentro. Ela foi batizada de “Cockatrice”. Uma quimera sem igual. Era composta de cabeça e cauda de serpente e pés e asas de galo como descrita nos relatos preservados pela Cumbrian County History. Embora, fosse um prodígio hermético, dado a febre vampiresca dos 1700´s foi o mito do morcego vampiro que prevaleceu nas aldeias vizinhas e que ficaram registrados em conversas, em arquivos e jornais locais.

A existência de morcegos vampiros, que sugavam sangue, nunca foi confirmada na região até 1832 , quando Charles Darwin esboçou um se alimentando de um cavalo durante sua viagem rumo à América do Sul a bordo do navio Beagle.

Sobre morcegos vampiros e a Cockatrice lá na Cumbria, dizem que foram abatidas com um galho de sorveira-brava. Isso parece bastante simples. Em relação ao tamanho dos morcegos no Reino Unido, talvez a melhor pergunta seja o quão assustador pode ser um morcego para moradores do Reino Unido?

A demolição de uma igreja é exatamente o tipo de coisa que deixaria nossos amigos quirópteros de mau humor. Existe uma história bastante assustadora de morcego albino em Berkshire, que você pode ler aqui. Eu acho que perto o suficiente de uma besta sobrenatural no que diz respeito àquela época de Croglin. Um simples morcego albino voando contra a escuridão noturna era motivo para arrepios.

Segundo consta, o maior morcego nativo do Reino Unido é o Noctule, ele mede cerca de uma palma cheia se você for corajoso o suficiente para segurar um. Parece muito assustador, acho que depois de alguns litros de álcool eu o chamaria de Cockatrice.

Pesquisando a respeito de morcegos realmente grandes descobrimos alguns como os das espécies frugívoras africanas, mas seriam estranhos se aparecessem em Cumbria. Ainda assim, nos tempos da expansão da Grã-Bretanha na África Ocidental, no Caribe e no Oceano Índico haviam lugares com grandes morcegos frugívoros. O que nos faz pensar em dois possíveis acidentes da poderosa marinha britânica envolvessem a fuga de dois exemplares desses morcegos nas cidades e regiões mencionadas nos seus avistamentos? Pense comigo meu nobre amigo, minha nobre amiga alguns marinheiros ou cientistas, porque não comerciantes trouxeram um ou dois espécimes como curiosidade ou para estudos cientificos e os bichos escaparam no final das contas?

Os morcegos tropicais, se alcançassem a Inglaterra nos meses quentes, poderiam ter escapado e sido avistados logo depois, ou encontrado um microclima que lhes permitisse obter alimento e sobreviver por uma ou duas temporadas. De qualquer forma, um grande morcego frugívoro voando ao redor de uma igreja a noite ou na penumbra teria assustado os habitantes locais – como se fosse o próprio diabo. Algumas espécies são bem maiores do que corvos. Mas quem liga para isso num mundo onde todos querem se sentirem especiais vendo uma encarnação de satã com asas “murciélagas” tocando o terror, não é verdade?

“O morcego egípcio é ainda mais interessante! Sua envergadura média é de cerca de meio metro. A extensão na qual existem muitos deles é o que os torna interessantes. Estão lá, desde o terço inferior do vale do Nilo até o Levante e ao longo da costa sul da Anatólia. Curiosamente, também é nativo da ilha de Chipre, famosa por Afrodite.

Tais morcegos mencionados acima eram exóticos! Exatamente o tipo de estranheza para um comerciante inglês do Levante levar para casa para seu zoológico. Há uma tonelada de morcegos grandes das Índias Ocidentais e Orientais, mas as chances de um sobreviver à longa viagem nos dias de vela seriam pequenas. Alguns dos morcegos da Austrália e da Nova Guiné são enormes, mas novamente temos a longa viagem de volta para casa.

O comentário de Gibbon é interessante, visto que ele viveu quando espécimes biológicos de tais animais eram conhecidos e tinham ilustrações detalhadas dos mesmos. Os homens de James Cook teriam visto grandes morcegos frugívoros sendo caçados e comidos em quase todas as ilhas que visitavam no Pacífico tropical. Eles provavelmente os comeram também. Como diz o velho ditado, “Quando em Tonga …” O comentário de Gibbon é interessante, visto que ele viveu quando espécimes biológicos de tais animais eram conhecidos e eram ilustrações detalhadas dos mesmos.

Daniel Farson, Autor, Ator e Radialista Britânico

Que imagem surge então nesta história do vampiro inglês? O Vampiro Croglin nunca foi verificado ou encontrado – mas ele ganhou uma sobrevida aparecendo como O Vampiro Britânico em 1977 dentro de uma antologia de terror de Daniel Farson, que acabou por ser um dos sobrinhos-bisnetos de Bram Stoker.

Dele é a obra “O Homem que Escreveu Drácula” (1975) uma biografia de seu tio-avô, Bram Stoker. Enquanto morava na antiga casa de seu pai em North Devon. Ele foi um escritor e radialista britânico, fortemente identificado com os primeiros dias da televisão comercial no Reino Unido, quando seu estilo afiado e investigativo contrastava com a cultura mais respeitosa da BBC. Também foi um prolífico biógrafo e autobiógrafo, narrando a vida boêmia do Soho e suas próprias experiências de administrar um pub musical na Ilha dos Cães, no leste de Londres. Suas memórias foram intituladas Never a Normal Man.

Oferecer acesso e visões com fontes privilegiadas e muitas vezes exclusivas é uma rica tradição da REDE VAMP desde seu início em 2003. Nesta entrevista vocês poderão conhecer um pouco mais dos nossos nobres convidados dentro de um bate-papo fora da curva sobre muitos temas apreciados por vocês. Oferecer estes conteúdos para vocês é um prazer! Mas se vocês tem sede de ainda mais ou mesmo de legendas e traduções em nossos novíssimos conteúdos, apoiem nosso Campus Strigoi!

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