O Arquétipo Vamp: Uma Reflexão sobre Cosmovisão Vampyrica

Back to Blog

O Arquétipo Vamp: Uma Reflexão sobre Cosmovisão Vampyrica

Uma das qualidades mais louváveis do contexto Vamp é a presença de um olhar empírico, da consciência da própria Sede de Espírito e Fome de Alma que muitas vezes arruína a ilusão de se achar perfeito, bom e inteligente demais. Sabe que terá de se alimentar e balancear com aquilo que lhe substancia verdadeiramente. Isso é similar a filosofar através das chamas como propõe Heráclito. Claro, se você tiver aquele calor infernal no seu “Sangue”, algum fundamento e base espiritual mais sólida e enraizada ou que ainda ressoe mais próxima deste arquétipo imanente. Já deu para entender que este “calor” não é algo que se toma ou rouba de terceiros, ninguém pode lhe oferecer ou suprir neste sentido. E se você ainda não sabia disso enquanto Vamp não importa há quanto tempo perambule através do longo e aveludado manto negro D´Ela só posso concluir que ainda é um neófito. Talvez por isso se encontre sempre no mesmo ciclo repetitivo.

De qualquer forma, seja bem vindo ou bem vinda! Não é fácil e não é para todos ser um Vamp, o significado mais romântico do termo é beijo flamígero, você contará nos dedos de uma mão quantas pessoas capazes de um beijo desses você encontrou na sua vida. Entendeu o calor infernal? Outro significado que vem do francês medieval é Avant ou postura de vanguarda. Ambos demandam a virtude da coragem e um conhecimento básico de origens da tragédia grega, pois o que os cristãos revestiram ao nosso redor não faz justiça a potência e vigor do que carregamos. Não somos contrários a nenhuma religião mas o academismo e o secularismo do que foi mixado como vampírico do século XV ao XX e as pessoas que interpretam tudo isso ao pé da letra, aceitando cegamente, refutando fanaticamente ou ainda tentando reproduzir tudo isso nos parecem um tanto quanto perturbadas. Temos mais afinidade e naturalidade com pessoas que entendam o Vamp como um símbolo e seu potencial na arte e no ofício.

Outra coisa bacana é que o arquétipo Vamp também priva qualquer um da síndrome de escolhido ou ainda eleito e autoproclamado salvador do mundo –o u daquele besteirol vergonhoso de nascido índigo, quartzo ou alien – que só esconde mais e mais ressentimento e ainda desculpas para atitudes parasíticas. O Vamp também lhe impedirá de ter um ego muito inflado e de fazer do sagrado e do não-ordinário uma extensão pessoal dos seus recalques, rancores e ressentimentos para punir e colocar sob júri popular como um espetáculo quem não reconhece em você a pomba branca da paz (e sim o chiuaua rabioso que se expressa através de você pessoalmente e nas redes sociais). O “bonzinho” e o legal, é perigoso, neurótico e autômato. Não acumula vitalidade apenas poses e frases de efeito para evadir de sua condição. Já o VAMP ganha mais vitalidade e presença de espírito quando assume suas insuficiências, vícios e compulsões – ou pecados – fica mais humanizado e com maior capacidade para determinar sobre o que lhe determina. Fica mais perto do Eixo Vertical do Ankh que carrega no peito.

Provavelmente se chegou aqui você já estava cansado e cheio dos bonzinhos, inteligentinhos e legaizinhos na cultura solar. Você acha todos eles meio falsos, né? Aliás, visto que segundo a etimologia o próprio termo Vamp foi associado por mais de 1000 anos a pagãos, não merecedores da graça ou salvação segundo o poder secular da cultura solar. Sendo assim este lado feral e selvagem (ou morto para o mundo cotidiano como dizem os ortodoxos russos) felizmente nos impede de nos tornarmos criadores do mundo melhor segundo a gente mesmo – e também da narrativa partidária, dogmática e ideológica. Também nos salva de repetirmos os erros que já rolaram em associações Vamps do exterior (em inglês). Existe algo no atributo Vamp que mantêm uma atitude crítica e relevante aos excessos do progressismo do estilo castelo de areia a beira do mar ou palácio de cartas que o vento tomba tão barulhento e ruidosos como carroças vazias – pois o VAMP sabe e paga o preço da liberdade para manter seus direitos de construir o próprio universo de forma saudável.

Independentemente de qualquer viés cristão o pecador sabe dos seus limites, da sua insuficiência e incompletude e justamente por isso está mais próximo do eixo vertical e do caminho rumo a deidade, uma sacralidade ou teomorphosis. Isto pode lhe parecer estranho, então assista este e vídeo e leia este link. Sabe que caminha no abismo, na escuridão e que seu ego não é nem de perto a totalidade do ser. Segundo a filosofia há um tom moralista no Vamp enquanto questionador e sabedor dos próprios vícios que carrega em si e como muitas vezes sua vontade é humilhada por estas compulsões, hábitos ou rotinas; mas ele ainda faz algo a respeito erigindo a coragem (algo preparado e não meramente impulsivo e reativo) e outras virtudes perenes e silentes. O Vamp sabe que o mundo é um dragão caçando o que lhe substacia e lhe é afim na através da vastidão escura do cosmo, pois descansa e tem parte com tal ser fantástico. O Vamp tem parte com o Abismo e o Vazio pois sabe na prática que deve se esquecer de si para se alimentar e substanciar do que lhe provêm firmeza, vitalidade e atração. É preciso haver correspondência e reflexo espiritual ou essencial. Pois do contrário será apenas mais um espirito faminto tentando lhe tomar sua presença e o que é seu. Não há tempo ou espaço para idealizações e abstracionismos coletivos. Para um autêntico VAMP é muito mais prático estudar a análise de ressentimento proposta por filósofos como Nietzche (e se resguardar de efeitos nocivos da parasitagem) do que sua teoria sobre Ubbermensch (Super Homem) que iludiu e desviou do caminho tantos outros irmãos e irmãs da noite por evidente falta de fundamentação deles. Alguns princípios e virtudes são fundamentais e indispensáveis para se lidar com o que há na floresta negra.

Qualquer sinalizador de virtude, partidário de teoria de gabinete ou ressoador de narrativa partidária, geralmente é alguém que mascara seu ressentimento e rancor com teorias políticas, universistárias e afins só pelo prazer de ouvir a própria voz e ocupar um cargo para outro que pense diferente ou lhe seja altero não o faça. Neste ponto temos o comportamento “passivo-agressivo”, a “criança-flor” ou ainda o parasita psíquico, muito deste conteúdo foi distorcido como vampirismo psíquico por uma ampla gama de autores picaretas e de uma enxurrada de obras literárias questionáveis entre o final da década de noventa e começo da década anterior.

Muito dessa patifaria do “parasita psíquico” foi acrescida numa avalanche de sites vampirescos questionáveis e reescrito na forma de verdades secretas e reveladas de Houses e Ordos que afloraram no começo do século 21. O que já indica uma baita falta de fundamento, de eixo e de sabedoria ou vivência no contexto Vamp de quem agiu dessa maneira. E não adianta bater o pé e ir questionar escondido privando este autor do debate, vocês estão expostos não enquanto pessoas e sim pelo padrão de comportamento que evidencia o óbvio: Vocês não são Caçadores ou Predadores são apenas parasitas de si e entre si. E isso se enquadra no contexto de ressentidos. Na vida como ela é, tal prática também se chama ser o “Dono ou Dona da Verdade” isso leva a ideologia, dogma e metafísica barata – pois não há base ou fundamento vertical apenas socialidade e papo furado. E claro terrítorialismo e belicosidade nos seus atos e você servindo como bateria ou extensão daquilo que invariavelmente levará a presunção e tombos homéricos que já experimentou diversas vezes na vida e parece que sempre se repetem… independente da maldição ou da invocação poderosa que alega realizar contra seus oponentes.

Inexistindo correlação/correspondência espiritual temos mais uma “enrolação” ou ainda um censor psíquico sendo reforçado. Isso não leva a se provar nenhuma imanência ou transcendência apenas a incorporar o próprio ego e se alimentar (ou substanciar a si) de restos alheios. Parasitismo e parasitagem se evidenciam através dos excessos de narcisismo, carência de atenção, escapismo da própria vida e tal, muitas vezes rola uma neurose ou uma esquizofrenia nestes casos e isso seria digno de atenção psicológica ou psiquiátrica. Lembra que eu falei que era melhor prestar mais atenção em análise de ressentimento do que ser um super-homem? Tudo isso pode atrair a atenção de pessoas mais novas e com doses maiores de ressentimento, adolescentes que insistem terem alma de ancião, gente com alma colorida e são mais e melhores do que terceiros, principalmente gente que vê conspiração do mundo contra si o tempo todo. Tudo isso são evidências de ressentimento e isso vai consumir e preencher você impedindo a vinda de algo mais produtivo e pleno, tornando tudo mais maquinal e modorrento.

Ressentimento é parasitismo, intoxica a pessoa e a mantem exatamente na mesma, não importa o traje ou o template que vista, teremos mais um auto-sabotado ou nihilista preguiçoso que só fala que nada dará certo para segurar outros ouvindo suas comiserações. Sorry, assim não há nem espaço para se alcançar um eixo horizontal de postura. Um eixo vertical é ilusão. Só resta a boa e velha enganação. A consequência natural de se instituir uma mecânica dessas é que a “socialidade”, o “clubbing” e a necessidade de converter outros a tal crença acaba por criar uma nova seita. A falta de fundamento é grande aí. Nem guru estrangeiro salva. E o passo seguinte é o comportamento “passivo-agressivo” se expressando e se proclamando vítima de todos que não aceitam sua conduta parasítica e de “criança-flor” – geralmente vem em tons panfletários exageradamente conscientes, nomeando o contexto como “tolos”, “atrasados”, “lunáticos” mas aí quando vemos a produção contextual dos tais, constatamos que não há muita coisa ou relevância para se dar crédito. Eles também sabem isso, justamente por isso que só mordem pelas bordas e ficam histriônicos ou pesarosos em seus celulares ou em casa mesmo choramingando que não existe “cena” nenhuma para eles ao seu redor. Eu digo que não existe palco ou casa noturna porque a atuação dos mesmos é bem tosca. E muita cena e corte com potencial para ir ainda mais longe, desaba com pessoas assim ao redor. Então, meus irmãos e irmãs sejam fortes com as bases e fundamentos do arquétipo vamp, espreitem e cacem junto da imanência e prosperem. Que este calor infernal que lateja em vocês se tornem as chamas de uma estrela em meio a escuridão e cada um assim possa perceber até onde alcança as nuances e os degradês entre a luz e a escuridão cósmica.

Facebook Comments

Share this post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back to Blog