Assassin´s Creed: Espiritualidade e Liberdade de Pensamento

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Assassin´s Creed: Espiritualidade e Liberdade de Pensamento

 

[Texto de Lord A:.] Assassins Creed finalmente cumpriu seu destino cinematográfico, algo sempre evidenciado e presente nas franquias dos games e também nos livros e nos quadrinhos.

O filme centraliza sua trama inteiramente no conflito Templários X Assassinos. O primeiro grupo almeja domar a humanidade e deixar todos sobre o cabresto de sua regra, tal empreitada é endossada pelo contexto bíblico que antecede a fatídica expulsão de Adão e Eva do paradisíaco Jardim do Éden.

Já os Assassinos representam a sabedoria (filosofia) que emerge da lida com o imprevisível, a incerteza, a dúvida, o protesto e a obra aberta, aquela jamais concluída que é a criação que existe entre meios e entre mundos – no filme rasamente explicada como livre arbítrio. Liberdade de pensamento é o contexto onde Templários e Assassinos se tornam nossos procuradores explorando suas respectivas opiniões através da inquisição espanhola e dos tempos modernos. Aliás o filme é bastante auto explicativo neste sentido desde a abertura da história ambientada nos tempos da inquisição espanhola com o juramento de lealdade feito pelo protagonista interpretado por Michael Fassbender.

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“(…)Enquanto outros homens seguem cegamente a verdade: Nada é verdade!
Quando outros homens estão limitados pela moral ou a lei: Tudo está permitido!
Trabalhamos nas trevas para servir a luz,
Somos Assassinos!(…)”

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A história gira em torno de Cailum Lynch (Fassbender) condenado a morte por ter executado um cafetão e outros delitos, também um descendente da mítica linhagem dos Assassinos que ainda na infância testemunhou seu pai matar sua mãe. O cumprimento de sua sentença de morte pelo departamento de justiça norte-americano é secretamente forjado pela corporação Abstergo que o leva para sua sede em Madrid, na Espanha para servir como mais um rato de laboratório de sua máquina chamada Animus. O objetivo da corporação é extrair as memórias do DNA dos descendentes das diversas linhagens de Assassinos para localizarem um artefato mítico chamado de Maçã do Éden – que traz o código de DNA que instiga a violência ou a filosofia e faz o humano desviar das normas e regras dos detentores do poder. O filme dá a entender que vem utilizando esta máquina e tal procedimento há décadas em dezenas de pessoas mantidas em suas instalações contra suas vontades. Muitos deles estão injuriados e incapacitados fisicamente e até mentalmente, pois a exposição a máquina e o processo deve ser consentida e não imposta.

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(…)Assassinos vem de Hashashins, eram drogados, marginais e pilantras de rua desprezados pelos árabes; mas este era um truque deles para ocultarem sua organização, suas aspirações, planos, metas e um credo bastante singular – até o momento de colocá-lo em prática e ameaçar seus inimigos(…)

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Alguns acertos evidentes do filme acontecem nas partes que se passam nos tempos da inquisição espanhola e remetem bastante a estética e o visual da franquia de games, livros e quadrinhos. Já o tom sombrio e realista tanto nessas locações quanto as que se passam no presente sufocam bastante o agradável e extravagante clima que encontramos nas outras obras da franquia. Não que evidencie algum tipo de paradoxo ou experiência desabonadora para o filme, mas frustra a audiência pela expectativa. Faz sentido no clima e abordagem da produção – é executado com maestria e ampla perícia estética – mas não entrega aquele tom que deixa de se levar a sério e torna o jogo deliciosamente absurdo e divertido. Falta alguma coisa. Assim como nos dilemas morais ou dos temas de curar a violência ou do seu uso apropriado pela liberdade expresso nos diálogos entre Lynch e seus antagonistas Templários. Mas acho que o foco era exatamente o confronto de ambos os grupos e deixar a imagem falar mais alto do que qualquer texto. Sendo assim temos um bom filme no final das contas, acredito que as possíveis sequências tendam a aprimorar e oferecer mais densidade na apresentação deste universo ficcional.

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“(…)Teu sangue não pertence a você e sim ao Credo!(…)”

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Apreciadores do contexto de Assassins Creed irão gostar bastante deste livro já disponível em nossa loja!

Se você não assistiu ainda, pare sua leitura aqui! Diferentemente dos games e dos livros, talvez apenas em um tom mais claro e explícito o filme lidou muito bem com a questão dinástica do “credo” e do “sangue”; na obra os Assassinos integram uma linhagem espiritual transmitida pelo “sangue” dos seus descendentes que lhes permitem acessar vivências, habilidades e experiências deles através do espírito totêmico da águia. O filme também demonstra evidências de uma comunicação através de sussurros e insights transmitidos através desta egregora. Além de uma menção muito especial ao culto dos ancestrais que vivem no coração de cada um. Que inclusive vem a clarificar que a mãe do protagonista se suicidou para não cair na mão dos Templários no começo do filme e que ainda retornam para transmitir a chama da iniciação do protagonista próximo do final da obra é marcante!  Tal contexto de espiritualidade e sabedoria perene comparável aos antigos ritos baseados em processo extático e guildas de profissões marginais, homogenizadas como tipos de vampiros vem sendo explorado há mais de uma década ao longo da minha obra.

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 DANTE ALIGHERI E OS ASSASSINOS NA ALEMANHA

[Atualizado em 26.04.2018] Os templários não só adotaram uma série de preceitos e regulamentos tomados emprestados da Ordem dos Assassinos, como também fizeram suas as cores deles: o branco e o vermelho. Tão próximas foram estas relações que até Luís IX, rei da França, certa vez enviou uma missão diplomática a visitar o castelo de Jebel Nosairi, ocupado por um chefe local da Ordem dos Assassinos.

Frederico II, o Barbarossa (1122-1190), o imperador alemão que participou das cruzadas convidou vários ismaelitas para que o acompanhassem de volta à Europa, dando-lhes copa franca na sua corte.

A atração por sociedades secretas seduziu também aos poetas italianos do Dolce stil nuovo, como Guido Cavalcanti (1255-1300) e Dante Alighieri (1265-1321) que, inspirando-se num livro da mística xiita intitulado “Jardim dos Fiéis do Amor” criaram a sua própria irmandade secreta, a dos Fedeli d´Amore.

Portanto, o gosto de muitos europeus por congregarem-se ao redor de lojas esotéricas, com rígidos rituais de iniciação e um ar secretíssimo, hábito tomado na época das cruzadas, provavelmente lhes foi instilado pelos feitos da Ordem dos Assassinos.

Protegidos por uma fortaleza tida como inexpugnável, que nenhuma força local poderia tomar de assalto, foi preciso esperar a invasão dos mongóis, no século XIII, para que finalmente o ninho da águia fosse destruído pelos poderosos invasores no ano de 1260, pondo fim a ameaça que a seita dos assassinos representava em todo o Oriente Médio. A legenda que deixaram foi difundida no Ocidente pelos cavaleiros cristãos e pelos monges escribas que os acompanharam, impressionados com a história terríveis a que os devotos estavam associados, símbolos vivos do que era possível fazer com um ser humano, tornado simples objeto maligno ao serviço do fanatismo. [Atualização de Marcelo Del Debbio]

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Aliás, a seguir oferecemos links para você aprofundar seus conhecimentos sobre a parte histórica e espiritual dos chamados “Assassinos” e suas reverberações na Cultura Pop!


 

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