ÁLVARES DE AZEVEDO ERA MESMO VIRGEM?

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ÁLVARES DE AZEVEDO ERA MESMO VIRGEM?

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Mário de Andrade (justo ele!) foi um dos críticos literários que, de maneira mais veemente, questionou a sexualidade de Álvares de Azevedo. O escritor dedicou boa parte do ensaio Amor e Medo analisando poemas e cartas para evidenciar que Azevedo não somente tinha medo de amar como também hostilizava o ato sexual. Afirma Mário:

“Quanto a Álvares de Azevedo, sofreu como nenhum, apavoradamente, o prestígio romântico da mulher. […] O amor sexual lhe repugnava e, pelas obras que deixou, é difícil reconhecer que tivesse experiência dele. […] Na verdade, além da vagueza com que o rapaz trata do amor, a própria desarrazoada, irritada repugnância com que julga a parte sexual do amor parece determinar, nele, se não mais, pelo menos uma inexperiência enorme.”

Será?!

Vamos nos transportar para a São Paulo do século XIX: As mulheres não podiam sair de casa desacompanhadas e, caso o fizessem, suas vestes eram uma espécie de burca. No entanto, também era famosa a Rua da Palha, por abrigar uma grande concentração de moçoilas que exerciam a profissão mais antiga do mundo, ou seja, já havia prostituição na cidade. Como os rapazes eram enviados por suas famílias para estudar na Academia de Direito, eles estavam por aqui “livres, leves e soltos”. Não é preciso muita imaginação para pensar em como eles gastavam suas mesadas, não é mesmo?!

É Hildon Rocha, todavia, (no livro O Poeta e as Potências Abstratas) quem afirma que Álvares de Azevedo era tímido, sim, mas “não um tímido sem forças para vencer a própria timidez.” Enfatiza o autor:

“Devemos frisar que o ambiente onde passou o maior período de sua juventude não era o mais cândido nem o mais fechado às descobertas e aventuras do sexo. Aquela fase da vida paulistana, agitada continuamente pela convergência de estudantes vindos de todos os recantos do país, não era tão bisonha a ponto de ser celestial. A cidade, seguindo hábitos imemoriais, tinha os seus vícios ao lado de suas virtudes.”

Difícil chegar a uma conclusão e responder ao questionamento proposto no título, tendo se passado tanto tempo. Creio que a nós – mais do que discutir hábitos sexuais de Azevedo – cabe apreciar seu legado literário. Reconheçamos que, independentemente de suas preferências, é a poesia de seus versos que toca nossos corações. É a beleza de seus escritos que povoa nosso imaginário. Muito mais do que os mistérios sobre a virgindade ou a sexualidade do poeta, devemos apreciar sua obra! E finalizo este texto ecoando as palavras de Hildon Rocha…

“Foi a poesia a sua maior, a sua principal realidade. Conduzido por suas asas e por sua magia é que chegou ao conhecimento, à plenitude lírica do sentimento amoroso, que traduziu e experimentou à sua maneira, num plano de emoções inteiramente pessoal […] projetando a sua sombra na vida amorosa da nossa poesia, onde continuará isolado e único.”

 

Ah, e lembrem-se de que, no próximo dia 28 de janeiro, temos um encontro marcado para discutir tudo isso e muito mais no 1º Encontro da Academia Fantástica!

Nos vemos por lá 😉
Luciana Fátima

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