Vampirismo:Entendendo sua trajetória cultural no ocidente [Lord A:.]

Back to Blog

Vampirismo:Entendendo sua trajetória cultural no ocidente [Lord A:.]

O texto a seguir é de minha autoria ele não constitui de um texto específico sobre subcultura vampyrica.É um texto elaborado ao longo dos anos baseado em pesquisas nas obras de Mírcea Elíade, Carlos Ginzbourg, Umberto Eco, Robert Graves, Walter Friederish Otto, Gordon Melton e muitos outros autores.Penso que é um texto bem legal para estudarmos vampiros, história, geografia e coisas assim

Sem mais delongas, voltemos no tempo para o norte da Rússia, mais precisamente na cidade de Novgorod no século X da atual Era Vulgar. Segundo estudiosos de etimologia e história de algumas universidades da américa do norte e europa – o termo “Uppyr” designava cidadãos de segunda categoria, expressões como “não sou merecedor” e ainda “aqueles que vertem libações”.

E O LIVRO DOS SALMOS NO SÉCULO X: O uso deste termo e um sufixo foi encontrado em uma tradução do livro dos salmos da bíblica católica do alfabeto glagolítico para o círilico, realizada por um monge católico, para um príncipe católico de um reino católico – no caso Novgorod.

Esta parte da “origem” do termo Uppyr é abordada com mais detalhes neste video especialmente produzido por mim e com trilha sonora do Luna Nigra:

A CHEGADA DOS ESLAVOS: Já no século XII quando os Eslavos se estabeleceram oficialmente na região e arredóres – o termo adquiriu entre eles um sentido de designar habitantes do campo, ainda pagãos naquele tempo.Arriscando um viés mais audacioso, o termo referia-se a integrantes de antigos cultos da fertilidade da terra daquelas regiões.

AS DEUSAS NEGRAS: No século XI a Europa enfrentava a “fome”.E os antigos cultos de fertilidade da terra, tornaram-se procurados devido a adoração as chamadas deusas-negras. Eram negras, para simbolizarem o solo mais fértil que existia.E por receberem a todos em seu abraço, sem preconceitos.Eram selvagens, e disso falamos ao longo do livro.A igreja católica vê-se em cheque e decide instituir o culto a Virgem Maria/Nossa senhora, ou melhor tira-la do papél de uma deídade menor ou secundária.

Nos primeiros mil anos do catolicismo, ela tinha pouco destaque ou relevância. Com isso o cristianismo, rapidamente vestiu mantos azuis sobre as Deusas Negras em diversas regiões – e as rebatizaram como Nossa Senhora.

A EXTINÇÃO E O QUE SOBROU PRO FOLCLORE: Naturalmente, no século XII – mais ou menos duzentos anos depois do uso original – a maior parte destes agrupamentos já econtravam-se extintos ou sincretizados com menor conteúdo no catolicismo na imagem dos santos e de algumas heresias.A maior parte do que se especulava sobre tais agrupamentos, tornou-se folclore, em geral associado aos mitos da caça selvagem.E quem conta um conto, aumenta alguns pontinhos…

E VEM A IDADE MODERNA…NÃO DEU TEMPO DE EXISTIR VAMPIRO MEDIEVAL: No final do século XIV as igrejas católicas européias já haviam exterminado a maior parte dos seus inimigos e elementos deviantes tais como leprosos, judeus, catáros, heresias, templários e etcs. Isso foi realizado ao longo de alguns séculos e alí no comecinho da idade moderna, em algum momento encontraram o tal “livro dos salmos” que falamos alguns parágrafos atrás – e tiveram a brilhante idéia de inventarem o conceito de “vampiro” como viremos a conhecer nos dias de hoje.

VISÕES GREGAS…GENÉRICAS E ANACRÔNICAS…O SÉCULO XVII: Toda boa obra de arte leva tempo para ser fundamentada e construída. Só mesmo no século XVII que o “vampiro” se tornará um inimigo mais respeitável para os católicos que o inventaram, como sempre para usos políticos. Darvanzantti e sua turma lá na Grécia, como medida para se aproximar da igreja romana, utilizarão o significado inventado no século XV de forma genérica e anacrônica para denominarem todo tipo de personagem pagão – que jamais tiveram algo a ver com o conceito de vampiro.

OS ROMÂNTICOS DESCOBREM O VAMPIRO: Na segunda metade do século XVII os românticos encontraram nestes relatos um bom canal estético para debaterem o que era realmente viver, tabús, opção sexual, excessos e prazeres, valores estagnados da sociedade e muito mais.

ESPIRITOS, OCULTISTAS, ADJETIVOS E VAMPIROS: No século XVIII os espiritas franceses, vendo a receptividade do personagem vampirico nos romances, usarão de forma adjetiva o conceito para denominarem seus espirtos obsessores e afins.No século XIX os movimentos ocultistas como Golden Dawn e Teosofia farão algo parecido, em suas múltiplas tentativas de transformarem conteúdos do contexto pagão para um contexto monotéista e ilustrativo de seus discursos…E assim, o barco vai andando.

DRÁCULA, MINISAIAS, REVOLUÇÃO SEXUAL E SÉCULO XX: No final do século XIX, o escritor irlandês Bran Stocker virá a consolidar a imagem do vampiro com seu personagem do romance “Drácula” e definir a fórmula, padrão e modelo efetiva de todo um gênero de produção cultural ao longo do século XX – pelo menos até os tempos da revolução sexual no final da década de sessenta e o surgimento da cultura jovem… …Daí em diante teremos novas visões sobre o tema, pesquisas acadêmicas realmente embasadas e sérias sobre folclore, etimologia, história e muitos outros campos. Teremos também uma exploração do tema, empreendida por neopagãos e também por escritores láicos e ainda fashionistas…

(*) Note que esta é uma matéria introdutória ao tema, com o passar do tempo e os comments deixados pelas leitoras e leitores poderemos vir a expandir este conteúdo.
(**) Este texto é registrado na Biblioteca Nacional e se você for reproduzi-lo em outros lugares, deverá constar o nome do autor e o link de nosso site.

Facebook Comments

Share this post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back to Blog