Os Superiores Desconhecidos [Por Shirlei Massapust]

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Os Superiores Desconhecidos [Por Shirlei Massapust]

[O adepto teórico dirá]: Estou posicionado no oeste. Eu sou a escuridão. Meu traje é negro. Eu carrego a espada justiceira e minha bandeira é o crepúsculo.— Cipher Manuscript, folha IV.

Como até o momento não tivéssemos visto o corpo do nosso falecido pai, prudente e sábio, afastamos o olhar para um lado e ao erguermos a chapa de bronze, encontramos um corpo formoso e digno, em perfeito estado de conservação, tal qual uma contrafação viva do que aqui se encontra com todas as suas vestimentas.Fama Fraternitatis (Cassel, 1614).

Fantasmas sombrios apareceram ante mim: Hydras, Lamias e serpentes cercaram-me. A visão da espada em minha mão dispersou completamente a lasciva mesmo enquanto os primeiros raios da luz dissipavam os frágeis sonhos noturnos de criança.La Très Sainte Trinosopie, folha LII.[1]

A lenda (…) ensina a lei terrível que faz com que aquele que auxiliaste e instruíste se revolte contra vós e procure matar-vos, segundo a fórmula da besta humana: “O iniciado matará o iniciador”.Ritual do Grau de Mestre Maçon.[2]

Edward Alexander Crowley (1875-1947) publicou o opúsculo De Arte Mágica (1914) no mesmo ano em que foi proclamado chefe da sessão britânica da Ordo Templi Orientis (O.T.O.); anos após haver sido iniciado no Templo Ahathor da Ordem Hermética da Autora Dourada (G.D.). Foi para este novo público que ele descreveu com certo exagero, na qualidade de testemunha ocular, “um método de vampirismo comumente praticado” por cinco membros da antiga ordem. Samuel Liddell Mathers (1854-1918) e sua esposa Mina Bérgson (1865-1928), irmã do filósofo Henri Bergson (1859-1941), fundaram o Templo Ísis Urânia, sediado em Londres, em 1888, e o Templo Ahathor, na França, em 1893. O médico homeopata Edmund William Berridge (1843-1923), que testemunhou contra Crowley num processo, pertencia ao templo Isis-Urania. Os outros dois espiritualistas, Theodore e Frank Dutton Jackson (Mr. e Mrs Horos) atingiram grande prestígio no Ahathor.

It may not be altogether inappropriate to allude to a method of vampirism commonly practiced. The Vampire selects the victim, stout and vigorous as may be, and, with the magical intention of transferring all that strength to himself, exhausts the quarry by a suitable use of the body, most usually the mouth, without himself entering in any other way into the matter.  And this is thought by some to partake of the nature of Black Magic. The exhaustion should be complete; if the work be skillfully executed, a few minutes should suffice to produce a state resembling, and not far removed from, coma. Experts may push this practice to the point of the death of the victim, thus not merely obtaining the physical strength, but imprisoning and enslaving the soul. This soul then serves as a familiar spirit. The practice was held to be dangerous. (It was used by the late Oscar Wilde, and by Mr. and Mrs. “Horos”; also in a modified form by S.L. Mathers and his wife, and by E.W. Berridge. The ineptitude of the three latter saved them from the fate of the three former.)

Pode não ser totalmente inapropriado aludir a um método de vampirismo comumente praticado: O Vampiro deve selecionar uma vítima forte e vigorosa com a intenção mágica de transferir toda aquela força para si mesmo, exaurindo a presa pelo uso adequado do corpo, mais usualmente pela boca, sem que ele próprio penetre de qualquer outra forma dentro do útero.[3] Alguns pensam que esta prática partilha da natureza da Magia Negra. A exaustão pode ser completa; se o trabalho for executado com perícia, alguns minutos serão suficientes para produzir um estado semelhante, e não muito longe, do coma. Os mais experientes podem prosseguir nesta prática até o ponto da morte[4] da vítima, obtendo assim não apenas a força física, mas aprisionando e escravizando a alma. Esta alma então servirá como um espírito familiar. Esta prática é tida como perigosa. (Ela foi usada primeiro por Oscar Wide e por Mr. e Mrs. “Horos”; também em uma forma modificada por S.L. Mathers e sua esposa, e por E. W. Berridge. A inaptidão dos três últimos salvou da fatalidade os três primeiros).[5]

Certa vez Gerard Kelly (1879-1972), cunhado de Crowley, queixou-se da má sorte de uma amiga que havia hospedado “uma vampira feiticeira que estava esculpindo uma esfinge para um dia dar vida à coisa e fazê-la obedecer seus desejos malignos”.[6] Crowley quis ver a mulher imediatamente e foi assim que ele conheceu Mina Bérgson. Ela vivia hospedada na casa de “Mrs. M” que, salvo engano, era Violet Mary Firth Evans (1890-1946). Embora Kelly tenha lhe advertido sobre as armadilhas da Senhora Mina, o “mago branco” ficou encantado com a erudição da “maga negra” e sexualmente atraído por sua beleza. A estória do confronto de Crowley com Mina foi romanceada por John Frederick Charles Fuller (1878-1966) e depois compilada pelo protagonista em sua autobiografia.[7]O que realmente ocorreu neste dia é que Crowley foi convidado a ingressar na Ordem Hermética da Aurora Dourada. Ele detestava Samuel Liddell Mathers, esposo de Mina, mas tentava fazer tudo que o outro fazia. Certa vez Haweis lhe falou sobre a viagem de Mathers ao México, onde o mestre aprendeu sobre os deuses antigos sedentos de sangue. Crowley viajou para o longínquo continente, seguindo seus passos, e voltou de lá felicíssimo, com uma pilha de livros, pronunciando discursos que só causavam tédio aos ingleses. Depois ele tentou resumir o The book of the Sacred Magick of Abra-Melin the Mage, editado por Mathers, mesmo sabendo que não existiam superiores desconhecidos, que boa parte da doutrina secreta foi importada das Américas e que a cúpula da sociedade explorava a máxima omne ignotum pro magnifico. Apesar de todos os seus esforços e malogros, Crowley jamais conseguiu obter favores sexuais da Imperatrix Mina (provavelmente ele nunca tinha ouvido um “não” de uma ‘mulher escarlate’). Finalmente, ele se vingou roubando-lhe a amiga que patrocinava suas custas, digo, libertando a mocinha em perigo da influencia da feiticeira.

Mina Bérgson (1865-1928)

No De Arte Mágica (1914) Crowley afirma que o vampirismo não faz parte dos ritos da O.T.O. Porém Kenneth Grant (1924-2011) foi iniciado por ele na O.T.O. em 1944, salvo engano, e na Astrum Argentum em 1946. Seu livro mais famoso, “O Renascimento da Magia” (1972), contém um capítulo onde ele usa o termo “vampirismo” para descrever dois rituais da O.T.O. que envolvem ingestão de sangue humano. Um é a Missa da Fênix ou Liber XLIV, publicado primeiramente por Crowley, onde o mago “corta seu peito e absorve seu sangue oralmente” (nas palavras de Grant). O outro ritual não foi nomeado. Ele só informa que é ensinado no Soberano Santuário da O.T.O. e, neste, o mago “consome a hóstia embebida em sangue”.[8] (Deve ser o tal ‘bolo de luz’).O erudito pesquisador Colin Wilson escreveu que Crowley limou os dentes caninos, deixando-os bem pontiagudos, e quando encontrava mulheres costumava dar o “beijo da serpente”, mordendo-lhes o pulso ou a garganta com suas presas.[9] Eu sei lá de onde ele tirou essa informação, mas não deixa de ser tão interessante quando os outros casos compilados no livro de não ficção “O Oculto” (1971). Se você for procurar as obras de Colin Wilson aproveite e leia também o romance “Vampiros do Espaço” (1976).

Declarações dos acusados

Será que podemos confiar em Crowley? Em 1914 todos os “vampiros” supracitados eram seus inimigos pessoais, menos Oscar Wilde (1854-1900) que foi elogiado como um praticante mais competente do que os outros “em seus anos finais”! Isso é interessante porque, em 1878, aos vinte anos, Florence Balcombe (1858-1937) rompeu um noivado de três anos com Oscar Wilde para aceitar a proposta de casamento de Bram Stoker (1847-1912). Este último deixou anotações de próprio punho descrevendo pelo menos um pesadelo onde uma mulher vampiro com as características físicas de sua própria esposa lhe sugava o sangue. Foi daí que surgiu a déia de escrever o romance Drácula (1897); primeira obra impressa a sugerir que “um ramo de rosa silvestre” depositado sobre o esquife de um vampiro “o mantém preso e imobilizado”.[10] Daí a inevitabilidade do leitor rememorar a passagem da Fama Fraternitatis (1614) onde o cadáver de Christian Rosenkreuz se encontra miraculosamente preservado “em perfeito estado de conservação” selado numa tumba cofre decorada com símbolos rosa-cruzes.[11]A coincidência entre o nome de batismo de Mina Bérgson e o apelido da personagem Wilhelmina Murray Harker, vulgo Mina Harker, é um tanto curiosa. Em 1954 um informante de Louis Pauwlers e Jacques Bergier chegou a teorizar que Stoker foi um dos escritores filiados à Ordem Hermética da Aurora.[12] O autor do prefácio da edição brasileira de The Lair of the White Worm (1911) concorda com os franceses e afirma que Stoker chegou a escrever em notas particulares sobre seu encontro com “sugadores de sangue” e “vampires personalities” em Londres.[13] Mas não há provas documentadas de que ele sequer conhecesse tais pessoas.Em dado momento Samuel Liddell Mathers acrescentou o título de Conde de MacGregor ao seu nome e, em 29 de outubro de 1896, ele publicou um manifesto afirmando a existência de um terceiro nível na ordem:

Creio, no que me concerne, que eles são humanos e que vivem nesta terra. Mas possuem espantosos poderes sobre-humanos. Quando os encontro em lugares freqüentados, nada em suas aparências ou vestimentas os separa do homem comum, salvo a sensação de saúde transcendente e de vigor físico. Em outros termos, a aparência física que deve dar, segundo a tradição, a posse do elixir da longa vida. Ao contrário, quando os encontro em lugares inacessíveis ao exterior, trajam roupas simbólicas e as insígnias de suas ordens.[14]

Esta declaração indignou os veteranos da loja Isis-Urania e atraiu calouros para Ahathor cujas expectativas eram mais compatíveis com aquele universo de fantasia. Crowley foi enviado por Mathers para dirigir a facção londrina, em 1900, mas foi prontamente expulso de lá por Willian Butler Yeats (1865-1939). Em 1901 o casal Jackson foi condenado judicialmente por estelionato em concurso com um punhado de crimes bizarros.[15] Ainda assim Crowley e Gerald Kelly continuaram afirmando que uma renomada clarividente, de codinome Sibyl, lhes garantiu que o casal Jackson havia se transformado em dois “vampiros desencarnados” que incitavam impulsos de obsessão em seu dois conhecidos seus.[16] Mais tarde Yeats escreveu o poema Oil and Blood (1929), denunciando o paradoxo da miraculosa incorruptibilidade dos corpos de certos santos, exaltada pela mesma igreja católica que negava a existência de vampiros:

In tombs of gold and lapis lazuli
Bodies of holy men and women exude
Miraculous oil, odour of violet.
But under heavy loads of trampled clay
Lie bodies of the vampires full of blood;
Their shrouds are bloody and their lips are wet.

Em tumbas de ouro e lapis lazuli
Corpos de santos e santas suam
Óleo milagroso, com odor de violeta.
Mas sob grossas camadas de barro batido
Jazem corpos de vampiros cheios de sangue;
Suas mortalhas são sangrentas e seus lábios estão molhados.

Como a Ordem Hermética da Aurora Dourada frequentemente recebia palestrantes da Sociedade Teosófica e vice versa, pode ser importante conhecer o posicionamento de Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), Henry Steel Olcott (1875-1907), Franz Hartmann (1838-1912), Roso de Luna (1872-1931), Charles Webster Leadbeater (1847-1934) e outros teósofos que redefiniram o conceito de vampirismo no mundo modero. Para todos eles a prática mais comum ocorre entre vivos. Todo indivíduo possui um corpo físico, um corpo astral e um corpo etéreo. Quando nós dormimos o corpo astral pode projetar-se para fora do físico temporariamente e vagar pelo universo onírico sem romper o fio da vida formado pelo corpo etéreo. Assim, se acaso o viajante astral for um vampiro, ele poderá assombrar a casa alheia.“Algumas pessoas que não podem ver tais vampiros podem senti-los instintivamente e até fisicamente, como um vento, frio ou corrente elétrica que passa pelo corpo”.[17]Assim como o corpo físico exerce atividades através do movimento, o corpo astral age livremente por intermédio do desejo. E também quando todos os corpos se encontram conjugados, em estado de vigília, ainda é possível produzir vibrações no plano astral pelo ato de energia chamado desejo. As “vibrações de desejo” são capazes de induzir o estado hipnótico, normalmente usado para fins terapêuticos.[18] Mas “duplo é o poder da magia, e nada mais fácil que transformá-la em feitiçaria: Para isso basta um mau pensamento”. Vem daí o clássico exemplo do terapeuta alternativo que reparte com seu paciente um fluido vital saudável que “pode efetivamente curar, mas se usado em demasia certamente matará”.[20] Pior:“Um hipnotizador que, aproveitando-se dos seus poderes de sugestão, força um indivíduo a roubar ou matar é um mago negro”.[21] Dr. Franz Hartmann explica:

Um desejo trancafiado no coração alimenta-se da própria vida de quem o hospeda; a raiva armazenada sempre busca algum objeto sobre o qual lançar-se e as paixões nunca se satisfazem, clamam sempre por mais. As forças do plano astral são conscientes, embora possam não ser inteligentes. Elas recusam-se a ser destruídas; clamam pela vida e seguem as correntes de atração vitais. O corpo astral de um bêbado será atraído a outros ébrios; o espectro astral dos seres lascivos busca divertimentos nos bordéis por meio dos órgãos alheios; o fantasma do avarento vagueia na periferia de tesouros enterrados até que a força que o impeliu até lá se esgote. Existem incontáveis tipos de espectros, fantasmas, vampiros, íncubos, súcubos e elementais, todos sedentos de vida.

(…) Os desejos isolados não morrem, transformam-se em paixões. (…) A energia represada não se dissipa. (…) É inútil tentar resistir a uma paixão que não podemos controlar. Se a energia acumulada não for direcionada para outros canais, ela crescerá até tornar-se mais forte que a razão. (…) Os antigos diziam que na Natureza não existe vazio. Não podemos desintegrar ou aniquilar uma paixão. Quando despachamos uma paixão, uma nova paixão toma o seu lugar.[22]

O vampirismo entre vivos pode ser inconsciente ou consciente, benéfico ou maléfico, “como qualquer outra forma oculta na natureza”. Em todas as hipóteses existe a transmissão por osmose da substancia extraída do corpo etéreo do sujeito passivo para preencher a carência ou demanda do sujeito ativo. Quando o vampirismo é inconsciente, ele funciona como um processo mecânico “produzido sem o conhecimento nem daquele que absorve nem da parte vampirizada”. Somente no caso de “adeptos e bruxos treinados” o processo consciente funciona conforme as vibrações do desejo do operador.[23] Mas o simples fato de alguém praticar atos de vampirismo uma vez ou outra não significa que esta pessoa seja vampiro. Teoricamente, além dos corpos físico, astral e etéreo, o ser humano normal tem outros quatro corpos enfileirados que se perdem uns após os outros. O último dos sete corpos está ligado a uma mônada coletiva que o absorverá e, um dia, será dissolvida e absorvida por outra mônada coletiva e assim sucessivamente até chegar ao fim de uma estrutura inconcebível similar à dos novecentos e noventa e nove estados de impureza descritos por Hákin de Merv, concluindo que “aqui na vida padeceis num corpo; na morte e na retribuição, em inumeráveis”.[24]O vampiro perfeito possui somente os três primeiros corpos. Ele precisa se despojar do resto para atingir o máximo grau de perfeição, digo, de imperfeição, que lhe garante plenos poderes sobre a matéria. É por isso que virar um vampiro propriamente dito era algo extremamente difícil.[25] Blavatsky afirma que a “alma pessoal” (o quarto corpo) é aniquilada “no caso dos adeptos da magia negra ou de criminosos sem possibilidade de redenção, ou seja, aqueles que foram criminosos durante uma longa série de vidas”.[26] Leadbeater complementa:

É possível viver-se de maneira (…) que a mente inferior se encontre por completo encarcerada nos desejos. (…) Para atingir tão baixo nível no mal, a ponto de perder completamente a personalidade, seria necessário que um homem tivesse abafado até ao último estertor o seu altruísmo e espiritualidade, e não tivesse nem a mais pálida sombra de uma boa qualidade. (…) Se a entidade em questão pereceu de suicídio ou morte súbita, pode, em certas circunstâncias, especialmente se sabe alguma coisa da magia negra, escapar (…) servindo-se (…) da transfusão de sangue roubado a seres humanos pelo corpo astral parcialmente materializado. (…) Quando se procede à abertura do caixão, é vulgar encontrar-se o corpo fresco e sadio, mergulhado num lago de sangue.[27] ? Só em circunstâncias muito especiais é possível viver-se na fronteira dos dois mundos, e para isto necessário se faz concentrar os pensamentos e os desejos na parte mais grosseira da vida física.[28]

Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891) dedicou um capítulo do livro Isis Sem Véu (1877) aos casos famosos de vampirismo praticados pelos mortos contra os vivos, vindo a concluir que tal crença só se justifica quando apoiada em algumas premissas: A morte do corpo físico causa o rompimento do corpo etéreo e o destacamento do corpo astral, que normalmente se dissolve no prazo de três dias. Porém o sujeito treinado em técnicas de vampirismo sabe que deve primeiro sugar seu próprio cadáver para remendar o corpo etéreo danificado. A seguir ele passará a evitar a dissolução do corpo astral extraindo a substância nutritiva necessária à sua mantença das outras pessoas. Quando o vampiro é o fantasma de um morto, este fluido semi-substancial pode ser condensado até o ponto da materialização do corpo astral. Finalmente, quando o corpo astral retorna ao físico ele devolve o que tirou acrescido dos novos nutrientes. O problema é que a inversão permanente dos estados de sono e vigília só ocorre se o vampiro não estiver realmente morto, mas sim num estado cataléptico similar ao coma.[29]

Abordagem do problema pela
Ordem Hermética da Aurora Dourada

Lembram do texto do Dr. Franz Hartmann onde ele explica que “o corpo astral de um bêbado será atraído a outros ébrios; o espectro astral dos seres lascivos busca divertimentos nos bordéis por meio dos órgãos alheios”, etc?[30] O nome que as sociedades secredas dão a este fenômeno é “obssessão”. Willian Wynn Westcott (1848-1925) rascunhou três páginas sobre o mesmo tema antes de palestrar para os adeptos do Templo Ísis Urânia, afirmando que a coragem é essencial para o ocultista praticante vencer a obsessão, além de pedir aos novatos que não tenham medo do demônio da mitologia cristã, etc.

Sois voluntários na busca da Ciência Oculta (…) Vos expusestes a perigos que só raramente e em menor grau ameaçam as pessoas comuns, exceto em casos de doença, pois aquele que põe a mão no arado do campo do desconhecido pode provocar uma legião dos poderes do mal (…) que são os invólucros dos Espectros Astrais liberados pela morte corporal, e os invólucros dos maus tem maus propósitos que ainda não foram realizados. (…) Aprendei conosco sobre sua existência, moradias, qualidades, poderes, origem e fim. (…) Para ter sucesso na prática da magia. (…) Para controlar os poderes do invisível mundo dos espíritos. (…) Vosso conhecimento seria inútil sem a coragem que vos habilitasse a usá-lo na realização (…) de qualquer trabalho oculto, pois nesses momentos os poderes do mal atacam de fato e os horrores realmente assustam. (…) Os corpos astrais dos maus, e especialmente dos suicidas, são solos férteis para más sensações, más sugestões e loucura. (…) A obsessão é o pesadelo do ataque; toda uma série de misérias e terror pode afligir o ocultista (…) cujos objetivos sejam egoístas, cujos desejos sejam sensuais, cujos pensamentos sejam poluídos pelas poses materiais ou pela concupiscência do mundo, da carne e do demônio. (…) O estudante que avança nos Graus (…) está de fato exposto a ataques. E junto com o ataque, vem a providencial defesa. (…) Três vezes está armado o que entra numa disputa justa, e três vezes está armado aquele cuja coragem é inabalável e cujas aspirações são firmes, aquele que não permite que seu corpo físico arme laços para sua alma e a corrompa. (…) Não se deve condenar o corpo, mas deve-se usá-lo com discrição. (…) Não temamos os poderes do mal – é-vos dado lutar e vencer (…) com o poder da Alta Magia do Pentagrama em que a Ordem vos instrui.[31]

Francis Israel Regudy (1907-1985) teve acesso a outros documentos onde se afirma que a obsessão entra por uma brecha “entre a vontade superior e a inferior”. A primeira ação da força intrusa é estabelecer sua entrada na Esfera de Sensação anulando a vontade inferior e causando uma tensão no corpo etéreo (nephesh) que faz com que o corpo astral (ruach) fique “menos concentrado”. A desmaterialização do corpo astral enfraquece a vontade inferior, permitindo que ela seja dominada pelo invasor. Se esse processo for levado às últimas conseqüências a debilitação progressiva do corpo etéreo e do corpo astral causará a morte do corpo físico pela interrupção da capacidade de raciocinar. Porém “no adepto a morte só ocorre com o consentimento da vontade superior, e nisto se baseia todo o mistério do Elixir da Vida”.[32]

Óleo e sangue:

Talvez tenha um sigilo escondido nos versos do poema Oil and Blood (1929). Acaso existiam caixões de santos revestidos de lapis lazuli? Folheados a ouro, vá lá, mas lapis lazuli? Eu nunca vi nada parecido. Porém várias múmias egípcias repousavam em sarcófagos de ouro com jóias de lapis lazuli! No acervo particular da Ordem Hermética da Aurora Dourada havia um manuscrito em inglês, codificado numa adaptação do alfabeto alquímico de Johannes Tritheminus, ilustrado com numerosos desenhos inspirados na iconografia egípcia.[33] Por exemplo, na folha 49 do Cipher Manuscript existem cetros e um ?nkh estilizado:

Cópia do desenho de amuleto em forma de ?nkh.[34

Nesta época os hieróglifos não haviam sido competentemente decifrados e Frater A.M.A.G. escreveu que, para a Ordem Hermética da Aurora Dourada, o ?nkh era um Espelho de Vênus, símbolo da beleza feminina. (Eles também associavam o planeta Vênus a Lúcifer na forma de um arquétipo feminino).[35] No tempo da fundação do Templo Ísis Urânia, a narrativa da descoberta da tumba cofre de Christian Rosenkreuz foi extraída da Fama Fraternitatis (Cassel, 1614) e transformada por Mathers no ritual do grau Adeptus Minor. O morto incorrupto era representado por Mathers ou Willian Wynn Westcott (1848-1925).[36]

Como até o momento não tivéssemos visto o corpo do nosso falecido pai, prudente e sábio, afastamos o olhar para um lado e ao erguermos a chapa de bronze, encontramos um corpo formoso e digno, em perfeito estado de conservação, tal qual uma contrafação viva do que aqui se encontra com todas as suas vestimentas e atavios.[37]

Uma instrução assinada por Frater A.M.A.G. e compilada por Francis Israel Regudy (1907-1985) acresce que “ao final da Segunda parte da Cerimônia 5-6” revelar-se-iam os nomes e idades dos três chefes da Ordem Rosacruz: Franciscus, falecido aos 495 anos; Elman Zatar, que morreu aos 463; e Hugo Alverda com 576 anos. Antes deles houve somente Chiristian Rosenkreutz, morto aos 106 anos.

Se aceitarmos a hisstória em seu sentido litera, a extensa e incrível longevidade dos três chefes implicam que, sendo Adeptos, eles descobriram e empregaram o segredo do elixir da vida para prolongar o período de sua utilidade da Terra. E apesar de haverem morrido, isto é, descartado seus instrumentos puramente físicos, não há porque supor que hajam se retirado da nossa esfera de atividade; pois tal não é o posicionamento da arte oculta.

Excluindo a possibilidade de reencarnação voluntária neste plano para continuar obrando em favor da humanidade de uma forma particular e silenciosa, eles podem ter-se convertido no que se conhece no oriente como nir?ma?ak?ya (manifestação incessante).[38]

Existe um posicionamento oficial de Westcott sobre o que teria acontecido com o cadáver de Christian Rosencreutz. Para o mago que trabalhava como perito em necropsias encarregado de investigar crimes para a justiça londrina, o corpo descrito só pode ter permanecido incorrupto porque “houve esmero no cuidado carinhoso e no trabalho hábil de preservar os restos mortais”.[39] Ou seja, é certo que milagres não eram admitidos nem na ficção: O personagem foi embalsamado.Curiosamente o autor anônimo da Fama Fraternitatis também firmou um posicionamento oficioso ao descrever um livro de Teophrastus Paracelsus ab Hohenheim (1493-1541) entre as pertenças do morto.[40] O Vocabular não existe, mas, em suas obras reais, Paracelso comparou os “corpos embalsamados” a certo filtro grego “preparado com sangue” porque “o que cura verdadeiramente as feridas é a múmia; a própria essência do homem”.[41] Logo, presumimos que o protagonista do manifesto rosa-cruz tornou-se imputrescível, mumificado, através do dito filtro de sangue. (Ele imaginou isto cento e dezoito anos antes do cirurgião militar Johannes Fluchinger investigar a denúncia dos sérvios de Medve?a sobre “vampiros sugadores de sangue” cujos corpos ele próprio autopsiou e declarou permanecer “em perfeitas condições, sem nenhum sinal de decomposição”[42]).Em 1897 a polícia londrina intimou Westcott a escolher entre o emprego público de perito em necropsia ou sua permanência na sociedade, temendo que o homem ficasse “tentado a utilizar os cadáveres que são postos à sua disposição”.[43] Ele optou pelo emprego e se afastou da Aurora Dourada. O Dr. Robert Willian Felkin (1853-1926) não se contentou com a atuação teatral dos vivos. Ele estava a caminho do sul da Alemanha desejando encontrar a tumba cofre descrita no livro e no rito quando estourou a Primeira Guerra Mundial.[44] Mathers viveu o suficiente para ver a vitória dos aliados no outono de 1918, mas morreu em seu apartamento na Rue Rivera em 20 de novembro daquele ano. Yeats chegou a sugerir que ele sucumbiu às poderosas correntes mágicas que emanavam de Crowley.[45]

Notas:
[1] HALL, Manly P. (org) The Most Holy Trinosophia of the Comte de St.-Germain. Los Angels, The Philosophical Research Society, 1983, p. LII.[2] GRANDE LOJA DE MINAS GERAIS. Ritual do Grau de Mestre-Maçon (GR .’. 3). Belo Horizonte, Littera Maciel, 1976, p. 9.[3] O assunto favorito de Edward Alexander Crowley (1875-1947) era a magia sexual, que ele chama de “magick”. Emendei um provável trocadilho entre “matter” (assunto) e “matrix” (matriz, útero), pois noutros textos do mesmo autor o mago utiliza o sangue uterino produzido pelo ciclo menstrual da mulher.[4] Talvez a referência à morte da vítima não deva ser levada muito a sério, pois noutros textos ilustrados a “morte” é uma simples metáfora para o orgasmo porque depois dele o pênis ereto afrouxa e a parceira satisfeita adormece.[5] Este texto foi traduzido por mim em 1998 a partir do original inglês. Existe outra tradução integral gratuita, em e-book, disponibilizada pela O.T.O. Também consultei as seguintes versões impressas: CROWLEY, Aleister. De Arte Magica, Los Secretos de la Magia Sexual. Barcelona, Editorial Humanitas, 1991, p 63-64; CROWLEY, Aleister. A Arte Mágica e o Testamento de Madame Blair. Trd. A. C. Godoy. São Paulo, 1996. Madras, p 38; GRANT, Kenneth. Renascer da Magia. São Paulo, Madras, 1999, p 156.[6] “She was a vampire and a sorceress who was modeling a sphinx with the intention of one day endowing it with life so that it might carry out her evil wishes”. (Confessions, p 334).[7] CROWLEY, Edward Alexander Crowley. The Confessions of Aleister Crowley, p 335-336. Em: The Hermetic Library. Acessado em 21/11/2011 as 12h. URL: http://hermetic.com/crowley/confessions/chapter42.html[8] GRANT, Kenneth. Renascer da Magia. São Paulo, 1999, Madras, p 153-166.[9] WILSON, Colin. O Oculto. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, vol 2, p 44.[10] STOKER, Bram. Drácula. Trd. Vera M. Rernoldi. São Paulo, Nova Cultural, 2002, p. 236-237.[11] YATES, Frances Amelia. O Iluminismo Rosa-Crux. Trd. Syomara Cajado. São Paulo, Pensamento, 1983, p 306.[12] PAUWELS, Louis e BERGIER, Jacques. O Despertar dos Mágicos. Trd. Gina de Freitas. São Paulo, Difel, 1974, p 241.[13] STOKER, Bram. O Monstro Branco. Trd. João Evangelista Franco. São Paulo, Global, p 7-12.[14] BERGIER, Jacques. Os Livros Malditos. Trd. Rachel de Andrade. São Paulo, Hemus, p 93.[15] BERGIER, Jacques. Os Livros Malditos. Trd. Rachel de Andrade. São Paulo, Hemus, p 87.[16] CROWLEY, Edward Alexander Crowley. The Confessions of Aleister Crowley, p 336-337. Em: The Hermetic Library. Acessado em 21/11/2011 as 12h. URL: http://hermetic.com/crowley/confessions/chapter42.html[17] BLAVATSKY, Helena Petrovna. Glossário Teosófico. Trd. Silvia Sarzana. São Paulo, Ground, 1998, p 730.[18] BLAVATSK, H. P. A Doutrina Oculta. Trd. Eudaliza Daré Rabello. Villa Rica, Mandala, 2001, p 46.[19] BLAVATSK, H. P. A Doutrina Secreta. Trd. Raimundo Mendes Sobral. 6 vol. São Paulo, Pensamento, 1997, p 76.[20] BLAVATSK, H. P. A Doutrina Oculta. Belo Horizonte, 2001. Mandala, p 46.[21] BLAVATSK, H. P. A Chave da Teosofia. Trd. Ana Mafalda Telo. Lisboa, Edições 70, 1972, p 198.[22] HARTMANN, Dr. Franz. Magia Branca e Magia Negra ou A Ciência da Vida Finita e Infinita. Trd. Dalton Medeiros de Alencar. São Paulo, Pensamento, 2003, p 102-103. [23] BLAVATSKY, Helena Petrovna. Hypnotism, and Its relations to other modes of fascination (1890). Em: BLAVATSK, H. P. A Doutrina Oculta. Trd. Eudaliza Daré Rabello. Villa Rica, Mandala, 2001, p 45-46.[24] BORGES, Jorge Luis. História Universal da Infâmia. Trd. Flávio José Cardozo. Rio de Janeiro, Globo, 1988, p 40.[25] Naquela época somente Leadbeater definia os vampiros como descendentes de “raças primitivas” dotadas de um instinto residual hereditário e exclusivo. (LEADBEATER, Charles Webster. O Plano Astral. Trd. Mário de Alemquer. São Paulo, Pensamento, p 66). Annie Besant (1847-1933) sustentava a teoria do psiquismo hereditário, afirmando que “a natureza física se herda dos pais, e a sensibilidade das impressões psíquicas é propriedade do corpo físico”. Como prova disto ela conta que seu pai morreu em 05/10/1852, vítima de “uma tísica galopante”. Guilherme Wood foi enterrado no cemitério de Kensal Green, na Inglaterra e logo após seu filho mais novo, Alfeu, caiu doente. A viúva, Emília, teve visões do morto: “Outra prova de sua capacidade suprafísica no-la deu uma noite, poucos meses depois, tendo seu filhinho nos braços, o qual se definhava por falta do ‘papá’. Na manhã seguinte disse à sua irmã: ‘Alfeu morrerá’. O menino não tinha enfermidade alguma, além do seu definhamento crescente, dizendo-lhe, por isso, sua irmã que, com o retorno da primavera, seu filho recuperaria a saúde perdida no inverno. Mas minha mãe lhe respondeu: ‘Não; ele estava dormindo em meus braços na última noite e Guilherme (o seu marido) chegou e me disse que ele necessitava de Alfeu consigo e que eu poderia ficar com os outros dois’. Em vão lhe asseguraram que ela sonhava (…) e que sua inquietação pelo menino havia provocado aquele sonho. Nada a persuadiu de que não havia visto meu pai e de que não era verdadeira a sua informação. Assim não a surpreendeu que, no mês seguinte, março, seus braços não pudessem já estreitar o menino e que seu lívido cadáver jazesse no berço”. (BESANT, Annie. Autobiografia. Trd. Gervásio Figueiredo. São Paulo, Pensamento, 1948, p 21-22).[26] BLAVATSK, H. P. A Chave da Teosofia. Trd. Ana Mafalda Telo. Lisboa, Edições 70, 1972, p 89.[27] LEADBEATER, Charles Webster. O Plano Astral. Trd. Mário de Alemquer. São Paulo, Pensamento, p 67.[28] LEADBEATER, Charles Webster. O Que há Além da Morte. Trd. Cinira Riedel de Figueiredo. SP, Pensamento, 1994, p 256.[29] BLAVATSKY, Helena Petrovna. Isis Sem Véu: Vol. II. Trd. Mario Muniz Ferreira & Carlos Alberto Feltre. São Paulo, Pensamento, 1991, p 149.[30] HARTMANN, Dr. Franz. Magia Branca e Magia Negra ou A Ciência da Vida Finita e Infinita. Trd. Dalton Medeiros de Alencar. São Paulo, Pensamento, 2003, p 102-103. [31] GILBERT, R. A. (org). Maçonaria e Magia: Antologia de Escritos Rosa-cruzes, Cabalísticos e Maçônicos de W. Wynn Westcott. Trd. Joaquim Palácios. São Paulo, Pensamento, 1996, p 55-57.[32] REGARDIE, Israel. La Aurora Dorada. Trd. Luis Cárcamo. Madrid, Luis Cárcamo, libro 1, p 211.[33] Embora o papel onde o Cipher Manuscript foi redigido contenha uma marca d’água datando-o de 1809, acredita-se que isto tenha sido escrito pelo perito judicial Willian Wynn Westcott (1848-1925) em 1888.[34] Desde que a Antiga e Mística Sociedade Rosacruz (AMORC) adotou o ?nkh como símbolo principal, a ser posto no altar, este símbolo egípcio que não tem absolutamente nenhuma relação com a cruz cristã passou a ser chamado por muitos de “cruz rosa-cruz”. Porém antes da AMORC ser fundada por Harvey Spencer Lewis (1883-1939), em 1925, existiram outras sociedades rosa-cruzes e em todas elas a cruz rosa-cruz era uma cruz normal decorada com a rosa de Maria no centro (iconografia padrão) e vários motivos herméticos mutáveis ao gosto do copista (iconografia variável). O Cipher Manuscript, da Ordem Hermética da Aurora Dourada, representa uma cruz rosa-cruz chamada de Adept’s Jewel (jóia do adepto) na folha 48 e uma estilização do ?nkh egípcio na folha 49. Muitos leram a respeito destas ilustrações sem as verem pessoalmente. Daí o equívoco dos que pensam que o ?nkh e a “Jóia do Adepto” sejam a mesma coisa.[35] REGARDIE, Israel. La Aurora Dorada. Trd. Luis Cárcamo. Madrid. Luis Cárcamo, libro 2, p 258.[36] OS ROSA-CRUZES. Homem Mito e Magia. São Paulo, Editora Três, 1973, Vol. 2, fascículo 16, p 315-320.[37] YATES, Frances Amelia. O Iluminismo Rosa-Crux. Trd. Syomara Cajado. São Paulo, Pensamento, 1983, p 306.[38] REGARDIE, Israel. La Aurora Dorada. Trd. Luis Cárcamo. Madrid. Luis Cárcamo, libro 2, p 256.[39] GILBERT, R. A. (org). Maçonaria e Magia: Antologia de Escritos Rosa-cruzes, Cabalísticos e Maçônicos de W. Wynn Westcott. Trd. Joaquim Paláci
os. São Paulo, Pensamento, 1996, p 23.[40] A presença de um livro atribuído a Paracelso na tumba-cofre prova que a Fama Fraternitatis não foi escrita pelo mesmo autor da Confessio Fraternitatis R. C., onde o personagem principal nasce em 1378 e morre em 1484, sendo o túmulo selado nove anos antes do nascimento de Paracelso.[41] PARACELSO. A Chave da Alquimia. Trd. Antonio Carlos Braga. São Paulo, Três, 1973, p 220-222.[42] FERRERA, Cid Vale (org). Voivode: Estudos Sobre os Vampiros. Jundiaí, Pandemoniun, 2002, p 127.[43] BERGIER, Jacques. Os Livros Malditos. Trd. Rachel de Andrade. São Paulo, Hemus, p 91-92.[44] Os Rosa-Cruzes. Homem Mito e Magia. São Paulo, Três, 1973, fascículo 16, p 320.[45] WILSON, Colin. O Oculto. Vol 2. Trd. Aldo Bocchini Netto. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1991, p 30.

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