O Morcego no Folclore Oriental (de Shirlei Massapust)

Back to Blog

O Morcego no Folclore Oriental (de Shirlei Massapust)

Que tipo de efeito placebo é produzido no corpo e na mente de pessoas que acreditam estar consumindo diabos? Certa vez Cao Zhi, um notório poeta chinês da época dos três reinos (220-280), escreveu um poema intitulado Sobre os Morcegos, onde fantasia que “o morcego nasceu dum espírito maligno, enxotado pelos [outros] mamíferos e rejeitado pelas aves”. Em época posterior foram escritos livros de medicina tradicional cujos autores afirmam que os morcegos são capazes de viver mil anos e, quando chegam nesta idade, embranquecem até ficar da cor da neve. Se um médico capturasse um morcego albino e desidratasse o animal, poderia produzir um elixir (dissolvendo morcego em pó na água) capaz de aumentar a vida dum paciente em dez mil anos!

1) Morcego bonitinho esculpido num prédio de Guangzhou, China. 2) Um fantasma (y?kai) com asas de morcego desenhado no Japão durante a Era Edo.

1) Morcego bonitinho esculpido num prédio de Guangzhou, China. 2) Um fantasma (y?kai) com asas de morcego desenhado no Japão durante a Era Edo.

Claro que ninguém jamais achou o mítico morcego mágico, mas na medicina popular chinesa também existem receitas de remédios produzidos com morcegos comuns que servem para tratar crianças da tremedeira causada pelo medo… No taoísmo Fú (?), o deus da fortuna, anda sempre junto com Lù (?), deus da prosperidade, e Shòu (?), deus da longevidade. Fú (?) não é um deus morcego, mas talvez seja uma mera questão de tempo até que ele se torne um, tamanha é a freqüência com que os orientais e entusiastas da cultura oriental substituem o ideograma Fú (?), que significa “fortuna”, por Fu (?), abreviação de bianfu (??), que significa “morcego”, ou pelo desenho de um morcego nos popularíssimos amuletos de boa sorte. Por que isso? Pode ser coincidência. Ou talvez o costume derive de implicações políticas e econômicas.

Grandes colônias de morcegos favorecem a agricultura porque todo morcego tem no intestino três bactérias que lhes permitem digerir o que come. Graças a estas bactérias o ser humano consegue usar o guano (excrementos) dos morcegos para induzir a fermentação de resíduos orgânicos que formam um adubo muito bom em apenas sete dias, sem exalar gás metano. O nitrato de potássio formado naturalmente pela decomposição do guano de milhares morcegos aglomerados nas cavernas do Laos e da China era a matéria prima usada em maior quantidade (entre 72% e 78% da mistura) na produção da pólvora usada pelos soldados chineses e samurais japoneses para carregar armas de fogo, produzir fogos de artifício, etc. Quanto mais nitrato de potássio, mais potente era a explosão. Misturada com enxofre e carbono, a pasta de guano era seca e solidificada, passando à forma de um pó [1].

O Japão dependia da importação do nitrato de potássio da China devido à falta de recursos naturais adequados para a produção nacional. (Ou seja, não tinha morcegos em quantidade suficiente). Portanto os quirópteros geravam lucro para os chineses exportadores de guano no sentido literal do termo… Se for esta a razão da associação entre o morcego e a fortuna, então o morcego chinês pode ter se tornado um totem da guerra.

Na segunda metade do século XX, no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, havia médiuns que usavam pólvora quando incorporados, para produzir fumaça em rituais e festas de Exu. (Isto é vendido em lojas de Umbanda). Por que isso? Todo mundo já viu cenas fictícias, no cinema ou na TV, onde falsos vampiros se transformam em ectoplasma cenográfico (uma grossa fumaça branca produzida pela imersão de gelo seco em água quente) e falsos ninjas desaparecem numa nuvem de fumaça artificial depois de jogar cápsulas no chão. (A pólvora do ninja falso era verdadeira). Fora de contexto o efeito era o mesmo: Alguém sumindo de vista ao ser encoberto pela fumaça.

Morcego Vampiro: Origami de Dao Cuong Quyet. (Foto © 24/09/2009, Carlos?? e Flickr)

Morcego Vampiro: Origami de Dao Cuong Quyet.
(Foto © 24/09/2009, Carlos?? e Flickr)

Atualmente quando os japoneses importam arte européia ou norte-americana citando o Grim Reaper inglês, ou outras representações do anjo da morte, os tradutores utilizam o termo shinigami (??) que é uma espécie de deus da morte nipônico. O caso do vampiro é mais complicado. O genuíno folclore oriental que gira em torno da figura dos morcegos tem pouca ou nenhuma relação com o vampiro europeu. Nas mais antigas fontes japonesas o morto redivivo se chama kyonsh? (?????), uma transliteração imperfeita do chinês jiangshi (??) que significa rigor mortis. Este morto vivo importado da China não muda de forma, não vira morcego e é extremamente parecido com o draug do folclore viking. Por outro lado, difere muito do vet?la hindu.

Por causa dos poderes do Conde Drácula e seus imitadores, os estúdios nipônicos preferem não chamar o vampiro estrangeiro de kyonsh? (?????), mas sim de kyuketsu (??) que significa sanguessuga. O novo kyuketsu  pode evoluir de morcego [2] para a forma de imperador (my?-? ??) e depois para deus (?). A garotada ocidental pensa que o personagem é um diabo ou deus maligno, mas no xintoísmo bem e mal são pontos de vista e o Drácula estilizado em certos desenhos realmente se torna um deus. O mais curioso é que um humano (ningen ??) pode vencer o anjo (tenshi ??) ou o deus (?), assim como o anjo vence o deus, mesmo que seja o Lúcifer [3] de Digimon IV ou o Raziel da saga coreana Soul Reaver. Tudo depende do lado da contenda que o religioso ou jogador de videogame defenderá durante o culto ou o jogo.

 Sobre o caráter dúbio do morcego no Japão

A coletânea Homem, Mito e Magia, compilou uma curiosa parábola: “Os chineses, preferindo uma posição mais amena em relação ao morcego, afirmam que ele voa com a cabeça baixa, por causa do pese do seu cérebro”. [4] Jean Chevalier e Alain Gheerbrant três outros livros da década de 50 sobre as crenças dos chineses e vietnamitas, produzindo um resumo mais completo:

A fortificação do cérebro, praticada pelos taoístas e representada pela hipertrofia craniana, é uma imitação do morcego: Acredita-se que ele a pratique, razão pela qual o peso de seu cérebro o obriga a ficar pendurado… Com a cabeça para baixo. Não há nada de surpreendente no fato de que constitua, ele próprio, um alimento propiciador da imortalidade. Além do mais, as fortificações às quais ele está associado e a obtenção consecutiva da longevidade estão, muitas vezes, ligadas a práticas eróticas: O morcego é usado na preparação de drogas afrodisíacas, virtude reconhecida por Plínio, embora ele a atribuísse ao sangue do animal. [5]

 Na China o morcego simboliza uma vida longa e cheia de êxitos [6]. Então “nas gravuras chinesas, encontra-se muitas vezes um cervo perto de um morcego. Ele está figurado na vestimenta do gênio da Felicidade. Cinco morcegos, dispostos em quincunce, representam as Cinco Felicidades (wou fou): Riqueza, longevidade, tranqüilidade, culto da virtude (ou saúde), boa morte”. [7]

No Taoísmo a luz e as trevas foram criadas na forma de dois morcegos pelos imortais Zhong Gui (??) e Zhang Guolao (???) [8]. Por isso Zhong Gui é guiado por um morcego quando representado na decoração dos festivais do barco do dragão e do ano novo chinês. Em mandarim hóng (?) é a cor vermelha, mas também um adjetivo para alguém estimado ou patrocinado por outrem. Lanternas vermelhas estampadas com a palavra fortuna (Fú?) também são usadas nos festivais. Assim como a fortuna (Fú?) foi relacionada com o morcego (bianfu ??), trocadilhos sobre a pronúncia da cor vermelha (hóng ?), homófona da grandeza (hóng ?), fizeram com que a lanterna de papel fosse às vezes feita na forma de um morcego vermelho.

Samurais: 1) Ilustração de Yoshitoshi. 2) Ilustração de Utagawa Kunisada pintada na coletânea Concurso de Cenas Mágicas de Toyokuni (1863).

Samurais: 1) Ilustração de Yoshitoshi. 2) Ilustração de Utagawa Kunisada pintada na coletânea Concurso de Cenas Mágicas de Toyokuni (1863).

Uma lanterna apagada [9] de um samurai feiticeiro infrator apareceu em maio de 1863, na coletânea Concurso de Cenas Mágicas de Toyokuni (???????). A cena foi pintada pelo célebre artista Utagawa Kunisada (1786-1865), autorizado pelo imperador a conjugar duas coisas que eles não gostavam: Um morcego e um ronin (samurai sem amo). O modelo Arashi Kichisaburo III posou interpretando o infrator Akatsuki Hoshigoro, filho de Nitta Yoshisada. É claramente perceptível que o tamanho da teia de aranha e das flores ao fundo é desproporcional em relação ao homem e proporcional em relação ao morcego. Logo, esta ilustração exibe um morcego de tamanho normal montado por um homem diminuto. Seja por artifício mágico ou licença poética, o homem que perdeu sua honra e dignidade encolheu a si mesmo e apagou sua própria lanterna para não ser descoberto em atividades escusas na calada da noite.

Embora o Xintoísmo tivesse problemas de interação com o Budismo e vice versa, o bom morcego sobrevoa o confuso sincretismo religioso ostentado pelos samurais (que precisavam ser ao mesmo tempo xintoístas, budistas, taoístas, etc.) porque a eficácia das armas dependia duma política de reações publicas adequada com a China. A figura do morcego e a habilidade do samurai se confundiram novamente numa ilustração cômica de Yoshitoshi (1839-1892) onde um quiróptero esgrimista foi derrotado por outro da mesma espécie, portador de guarda-chuva [10] que, aliás, lembra muito o morcego Yasu, personagem narrador do desenho Don Drácula (1982). O processo de inversão valorativa do totem chinês no Japão – trabalhado pela oposição política – era inevitável, pois ninguém gosta de pagar impostos, especialmente quando a verba auferida é gasta na importação de suprimentos militares. Os artistas já desenhavam entes mitológicos com características animalescas porque estavam acostumados com o trato dos bichos nas fazendas, pesca e caça. Portanto foi fácil dar asas de morcego ao y?kai (??) e outras criaturas relacionadas à morte, ao medo e fantasmagorias.

1) Escultura “Mulher Morcego” (???????) de Akemi Kai. (Foto e arte © 1995, Akemi Kai). 2) Fotografia de Ryo Yoshida duma escultura de Katan Amano, no livro Katan Doll (2007).

1) Escultura “Mulher Morcego” (???????) de Akemi Kai. (Foto e arte © 1995, Akemi Kai). 2) Fotografia de Ryo Yoshida duma escultura de Katan Amano, no livro Katan Doll (2007).

O totem da fortuna

Considerando os preços de vários bonecos de venda bem sucedida, parece que os morcegos e vampiros realmente trazem sorte e fortuna para certas micro-empresas da Coréia do Sul. De acordo com os registros, o grupo Soom [11] produziu uma mulher morcego, de nome Migma, por bizarros U$ 1897,00. Ela vendeu tanto que o prazo para pedidos teve de ser limitado em poucos dias! O mesmo aconteceu com Monzo, vendido por U$ 1324,00 (na cor cinza) ou polido por U$ 1344,00 (na cor branca) e com um par menor: O menino morcego chamado Grit custou U$ 689,00 e Syen, a menina da mesma espécie, era U$ 658, já polida, pintada e vestidas. A Bianca da Iple House teve o mesmo sucesso, custando de U$ 1367,00 a U$ 1404,00, dependendo da cor… A Soul Doll [12] lançou um gárgula humanóide por U$ 1060,00 cuja cabeça era escolhida entre dois modelos: Kyle ou Amon.

A propaganda representa uma variante da Carta XII do tarô de Marselha, que tradicionalmente contém o desenho dum homem enforcado pelo pé de cabeça para baixo. O artista coreano achou que a posição do humano na carta européia lembra a de um morcego pousado num galho. Então idealizou “O Enforcado” como um homem morcego. Uma gargantilha do tipo coleira no pescoço representa a forca. Quem já leu qualquer uma das versões dos Vinte e Cinco Contos do Vampiro (tibetano Baital Pachise ou hindu Vetala Panchavimshati) certamente se lembrou do jovem oleiro condenado à morte por causa da denúncia caluniosa do vilão da estória, que foi enforcado numa árvore si?sapa e se transformou em vampiro para vingar a própria morte e salvar o rei. Porém isso não explica as duas versões do enforcado. Será que Kyle ama Amon e ambos foram injustiçados pela injúria da homofobia?

Kyle (Foto oficial © 2010, Soul Doll) e Monzo (Foto oficial © 2010, Soom).

Kyle (Foto oficial © 2010, Soul Doll) e Monzo (Foto oficial © 2010, Soom).

Por mais absurdo que pareça a hipótese de haver criticas teológicas e sociais em propagandas de brinquedos de luxo, é notoriamente perceptível que quem escreveu o anúncio da Migma contém uma adaptação critica do quinto item do Alfabeto de Ben Sira [13] e não era só isso que o artesão conhecia sobre a tradição medieval. O artista coreano teve a sensibilidade de enxergar a desproporção entre culpa e castigo da Lilith mitológica. A primeira mulher apenas não quis obedecer ao homem que intentava humilhá-la em submissão. Ela se suicidou pulando no Mar Vermelho para escapar dele e foi punida por representação: Todos os seus filhos estavam sendo caçados e mortos por um deus cruel e maligno. Então ela renasceu como um fantasma vingativo.

Nos demais casos nem sempre o estudo conceitual dum personagem é tão profundo. Monzo nasceu do corpo do dragão da mitologia nórdica Fáfnir. Bianca é uma personagem nascida de mãe humana e pai demônio que veio ao mundo humano para ganhar poder fazendo um pacto Faustino. Em razão do pacto matou a madrasta Doria que vivia com Aaliyah no Castelo Bram.[14]

Círculo mágico fictício para evocação de Migma. (Arte e foto © 2011, Soom).

Círculo mágico fictício para evocação de Migma. (Arte e foto © 2011, Soom).

Propaganda do boneco Akion (3 eyes) desenvolvido em 2009 pelo Raurencio Studio para a micro-empresa UniDoll. Só a peça do mostruário tinha asas

Propaganda do boneco Akion (3 eyes) desenvolvido em 2009 pelo Raurencio Studio para a micro-empresa UniDoll. Só a peça do mostruário tinha asas

Quem mais fabrica bonecos realísticos de vampiro cinematográfico? Quando perguntei a colecionadores eles citaram primeiro as empresas que produzem os corpos mais desejados (melhor técnica) ou menos dispendiosos (menor custo) pouco importando quais cabeças levavam acima. Depois, pouco a pouco, um amplo leque de variedades foi surgindo. Cento e quarenta e oito modelos lançados e dois por lançar foram descobertos até 01/07/2013 [15]. A grande maioria dos bonecos coreanos e chineses que são vampiros não tem asas de morcego e custam menos que os alados. (Isso prova que asas de morcego valorizam uma escultura). Tudo indica que diferentes micro-empresas padronizaram a escala de tamanho entre 50 e 59 cm para vampiros alados adultos porque é costume entre os colecionadores montar famílias de bonecos. Por exemplo, quem comprou um menino morcego de pele cinzenta na Soom poderia querer um homem morcego cinzento na Soul Doll e uma mulher morcego de mesma cor na Iple House, para serem “pais” da criança.

Bianca. (Fotos © 2013, Iple House) O nome da coleção vem do filme The Addiction (1995) cuja primeira peça lançada tem o mesmo nome da atriz Aaliyah Dana Haugton (1979-2001) que morreu à época em que fazia papel de Akasha no filme Queen of the Damned (2002).

Bianca. (Fotos © 2013, Iple House) O nome da coleção vem do filme The Addiction (1995) cuja primeira peça lançada tem o mesmo nome da atriz Aaliyah Dana Haugton (1979-2001) que morreu à época em que fazia papel de Akasha no filme Queen of the Damned (2002).

Tab

A idéia divertida de uma dimensão espiritual parece sugerida nos nomes de várias micro-empresas, a exemplo da Souldoll (boneca com alma), Immortality of Soul (imortalidade da alma), Resin Soul (alma de resina), Angell Studio (ateliê dos anjos, fábrica de anjos), Long Soul (grande alma), Illusion Spirit (falso espírito), etc. Diversos artesãos fabricam olhos desprovidos de pupilas para estes bonecos (o mesmo padrão dos tradicionais santos Daruma). Isso é um desafio da indústria capitalista contra a ideologia xintoísta e todos os outros sistemas religiosos, nacionais ou estrangeiros, que proíbem a fabricação de figuras humanas ou fantasiosas. No oriente existem estórias sobre objetos que ganham vida artificial. Por exemplo, a lenda do obake (???) japonês e de seus pares chineses, coreanos, etc.

Os consumidores adoram esse tipo de propaganda e tem muita gente comprando bonecos “endemoninhados” como forma de protesto, só porque eles foram endemoninhados pela critica. Mesmo no oriente, hoje é raro encontrar quem tenha medo das antigas crenças sobre o malefício dos brinquedos ou, se crêem, acham que a carga mitológica só agrega valor ao item de estimação, assim como as antigas estórias de fantasmas incitam a curiosidade sobre certos prédios históricos. São casos parecidos com o do proprietário de uma estátua de cavalo forjada no velho oeste norte-americano que ficou feliz por encontrar nela um furo porque lá “buracos de bala sempre deixam a coisa interessante”.

Notas:

[1] CONLAN, Thomas D. Armas e Técnicas dos Guerreiros Samurais. Trd. Marcelo Effori de Mello. São Paulo, Escala, março de 2013, p 161-162.

[2] Sempre desconfio quando qualquer outro termo diferente de kyuketsu (??) é traduzido como “vampiro”. Por exemplo, os roteiros de Digimon e Vampire Princess Miyu concordam que personagens análogos ao Conde Drácula são “sábios imperadores” (?? my?-?) do reino dos mortos. Em Hellsing o protagonista Alucard é o próprio Vlad Tepe?. Em Dance in the Vampire Bund (2010) a imperatriz Mina Tepe?, herdeira de Vlad Tepe?, assume o cargo de rainha dos vampiros. Essa menina se transforma numa mulher flamejante com asas de morcego. Blood – The Last Vampire (2000) classifica os vampiros na ordem Chiroptera, como se um humano mordido pudesse sofrer metamorfose até se tornar um morcego. No seriado televisivo Koishite Akuma – Vampire Boy (?????????????????) a relação de Akuma (??) com o rótulo “o vampiro” (??????) é um caso isolado. Em Devilman e Devil May Cry, o mesmo adjetivo akuma (??) é usado para rotular diabos – expressamente associados à Divina Comédia de Dante – que possuem e causam mutação tanto nos corpos quanto no caráter dos humanos possessos.

[3] Um anjo Lúcifer também aparece como vilão em Saint Seiya: A Batalha Final (?????: ?????????), mas não existem outras mídias como os jogos baseados nos personagens de Digimon IV onde é possível tomar partido e defender Lucemon (abreviatura de Monster Lucifer). Ele e o vampiro Myotismon são ótimos perfis de batalha.

[4] OS PODERES DO MORCEGO. Em: Homem Mito e Magia. São Paulo, Três, 1973, fascículo 6, p 125.

[5] CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Trd. Vera da Costa e Silva, etc. Rio de Janeiro, José Olympio, 1999, p 620.

[6] OS PODERES DO MORCEGO. Em: Homem Mito e Magia. São Paulo, Três, 1973, fascículo 6, p 126.

[7] CHEVALIER, Jean & GHEERBRANT, Alain. Dicionário de Símbolos. Trd. Vera da Costa e Silva, etc. Rio de Janeiro, José Olympio, 1999, p 620.

[8] Persons in Chinese Mythology – Zhong Kui ??. Em: CHINAKNOWLEDGE – a universal guide for China studies. URL: http://www.chinaknowledge.de/History/Myth/personszhongkui.html (Acessado em 03/06/2013 às 13h:38).

[9] Mágicos ou não, o medo que os malfeitores tinham da luz foi bem ilustrado noutra pintura de Shunbaisai Hokuei, datada de 1832, representando uma cena do teatro kabuki onde, após assassinar a noiva do herói Dennai, o vilão Hanbei evita o foco duma lanterna acesa por Lady Osuma usando um disco como escudo. (Gravura Ref. No. E.3873-1916 do acervo do Victoria and Albert Museum). Compare isto com a “lanterna da alma” usada contra o espadachim protagonista do filme Vampire Hunter D (1985) que, por ser vampiro, perdeu a força a ponto de desmaiar.

[10] Considerando a natureza cômica da ilustração, talvez ela satirize o costume dos fidalgos europeus contemporâneos de andar com guarda-chuvas de haste sólida e ponta fina de metal. No Japão existe uma lenda sobre objetos que ganham vida e passam a pertencer a uma classe de y?kai chamada de obake (???). Após cem anos de existência o guarda chuva de papel usado nas cerimônias de casamento (???) cria uma face de ciclope cuja boca exibe uma longa língua dependurada (notório símbolo fálico) e, sendo perneta, pula sem parar (imitação dos movimentos do coito). Então passa a se chamar Kasa Obake (????), Karakasa Obake (?????) ou Karakasa Kozo (????). Noutra variante o objeto de estimação não muda, mas transmuta a haste de sua alma artificial num corpo sutil e abre as asas na forma do animal que lhe é mais semelhante: Um elegante morcego!

[11] THE SOOM EMPORIUM. URL: http://dollsoom.com/soom/ (Consultada em 02/07/2013 às 13h).

[12] SOUL DOLL. URL: http://www.souldoll.com/index.php (Consultada em 02/07/2013 às 15h).

[13] THE ALPHABET OF BEN SIRA. In: STERN, David & MIRSKY, Mark J. Rabbinic Fantasies. New Haven and London, Yale University Press, 1990, p 183-184.

[14] IPLE HOUSE. URL: http://www.iplehouse.com/ (Consultada em 02/07/2013 às 20h).

[15] Excluindo as micro-empresas que fabricam somente cabeças, em 2013 a Immortality of Soul (I.O.S.) lançou o único vampiro com 80 cm de altura. Entre 2003 e 2013 sete fabricantes diferentes produziram dezesseis bonecos articulados com dentes de vampiro, com tamanho entre 70 e 75 cm, sendo um modelo feminino e os outros masculinos. Também fizeram um vampiro com a boca fechada, sem dentes à mostra, e inseriram presas parecidas num homem serpente e num homem dragão. Entre 2003 e 2013 vinte e seis fabricantes produziram cinqüenta bonecos articulados com dentes de vampiro, com tamanho entre 60 e 69 cm, sendo dezenove modelos femininos e trinta e um masculinos. Também fizeram pelo menos mais três vampiros com a boca fechada, sem dentes à mostra, e inseriram presas parecidas num lobisomem, numa mulher leopardo, numa bruxa e numa mulher pássaro. Pertencem a esta escala, mas não se inclui nesta lista as miniaturas (minimee service) da Doll in Mind (D.I.M.) cuja venda a varejo condicionava a aquisição de seis cabeças, pois é impossível catalogar obras produzidas sob encomenda e em segredo. Entre 2008 e 2013 onze fabricantes produziram dezoito bonecos articulados com dentes de vampiro, com tamanho entre 50 e 59 cm, para o comércio varejista, sendo dezesseis modelos femininos e três masculinos. Também inseriram presas parecidas em duas mulheres leão, uma bruxa e uma mulher pássaro. Entre 2007 e 2012 doze fabricantes produziram vinte e seis bonecos articulados com dentes de vampiro, com tamanho entre 40 e 49 cm, sendo doze modelos femininos, treze masculinos e dois com ambas as opções de sexo. Também fizeram um vampiro com a boca fechada, sem dentes à mostra, e inseriram presas parecidas numa sereia. Entre 2007 e 2013 nove fabricantes produziram dezesseis bonecos articulados com dentes de vampiro, com tamanho entre 33 e 21 cm, sendo quatro modelos femininos, dois masculinos e dez com ambas as opções de sexo. Também fizeram um menino endiabrado com asas de morcego. Entre 2008 e 2012 cinco fabricantes produziram vinte e dois bonecos articulados com dentes de vampiro, com tamanho entre 10 e 19 cm, sendo doze modelos femininos e dez masculinos. Também fizeram uma mulher vampiro e três crianças com asas de morcego com a boca fechada, sem dentes à mostra, mais algumas coisinhas dentuças.

Facebook Comments

Share this post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back to Blog