O EU interior, A Ciência Noética e Cosmovisão

Todos nós, desde que estudamos em escola regular (fundamental e médio) sempre fomos meio receosos e até mesmo achávamos chato estudar filosofia, Karl Max, Aristóteles, Epicuro, Confúcio e outros filósofos e sociólogos clássicos… e realmente, para mentes que não estão preparadas para aprender questões interiores e complexas; se há professores que não preparam adequadamente as aulas desses gêneros, que abordam assuntos humanos tão delicados e que culturalmente, além de historicamente, são muitas vezes reprimidos e deixados de lado pelo elitismo social, para que as pessoas não possam exteriorizar questões místicas, filosóficas e tenham um futuro, uma mente mais aberta; um pensamento libertador e uma mente adequadamente integrada com o seu arredor.

Hoje, vou trazer para vocês uma questão que é, historicamente falando, uma das questões mais debatidas em diversas culturas e sociedades do mundo: o EU interior.

Na Grécia do século VI da antiga Era (a.c.), diversos sábios (antiga forma de serem chamados os filósofos) propuseram uma outra forma de pensar e de explicar o mundo, passando a utilizar argumentos racionais e não mais mitos ou a religião para teorizar a partir do mundo natural, olhando agora para a natureza, os cinco elementos básicos (Ar, Fogo, Terra e Água) que chamaram de physis (física) e chamaram todos esses estudos como Filosofia.
Logo após isso, um filósofo decidiu dar uma nova direção a Filosofia, indo diretamente ao oposto dos que estudavam a natureza (physis). Este, decidiu se interessar pelas questões humanas; seu nome, Sócrates que teve como principal ambição levar seus concidadãos a pensarem sobre tudo o que os rodeavam.

Segundo os escritos de Platão, Xenofonte e Aristóteles, que falam sobre os ensinamentos de Sócrates, já que este não deixou nada escrito mas que teve Platão como aprendiz, destacam que Sócrates utilizava a metodologia de questionar, responder e continuar questionando as questões da vida.

Mas para quê falar sobre tudo isso, de Sócrates e filosofia?

Os gregos eram os que mais compreendiam as questões humanas e as contavam para seus cidadãos e os povos que foram conquistados pelo imperador Alexandre, O Grande, através de mitos e lendas, como da górgona Medusa, do semideus Herácles/Hércules, Hades e Perséfone e tantos outros.

O mito da górgona Medusa, trás para o entendimento do ser humano sobre conhecer as suas capacidades, habilidades e aptidões, assim como de nossas fraquezas e incapacidades. “Conhece-te a ti mesmo”, dizia a filosofia socrática há bem mais de dois mil anos, fazendo uma referência ao autoconhecimento. Para o pensador grego, conhecer-se seria o ponto de partida para uma vida equilibrada e, por consequência, mais autêntica e feliz. A maioria das pessoas anseia por esse conhecimento, já que muitas vezes não se sentem satisfeitas consigo mesmas.

Embora não tenhamos consciência disso, também projetamos nas pessoas que admiramos e em nossos ídolos o que não somos ou o que gostarísmos de ser. Quanto mais conscientes formos de nossas projeções, mais estaremos nos aproximando do autoconhecimento. Crescer para além das projeções é uma forma de liberdade, pois à medida que nos compreendemos podemos aprender muito mais a respeito de nós mesmos.

Atualmente, existe um campo da ciência que estuda os fenômenos da mente humana como algo possível, como força que age diretamente na direção do mundo material: A Ciência Noética.

“Nós somos os mestres do nosso próprio Universo”

A Noética é um dos novos ramos da Ciência que pretende, através do método teórico-experimental, descobrir as respostas para várias destas indagações milenares; ela busca inclusive, por meio de inúmeras experiências científicas, comprovar a existência da alma e da vida depois da morte. Visando este fim, diversas práticas experimentais procuram mensurar a relação mútua entre consciência e corpo físico.

Estas pesquisas indicam que a mente não está restrita ao campo cerebral, ela transcende a matéria orgânica e se expande em outras direções. Por quais dimensões ela caminha ainda não é possível precisar. E resta a cada um identificar mente e alma ou, de alguma forma, distinguir ambas.

As expressões ‘noese’ e ‘noético’ procedem da palavra grega ‘nous’, que tem o sentido de mente, inteligência ou modalidades intuitivas do saber. A noética é fruto da interação entre diversas disciplinas, as quais investigam em conjunto as esferas da ciência, da saúde, da relação entre a mente e o corpo material, a psicologia transpessoal, integral e convencional, a arte, as terapias consideradas holísticas, que estudam o Homem em sua totalidade, as ciências sociais e a espiritualidade.

Dean Radin, do Instituto de Pesquisas Noéticas, na Califórnia, bolou um teste engenhoso: num ambiente totalmente fechado, ele disparou um feixe de laser contra uma parede que tinha dois pequenos buracos, de maneira que ele conseguia captar precisamente as ondas de luz que chegavam ao outro lado. Aí ele pediu para voluntários que se concentrassem naquela luz, com a intenção de forçá-la a passar por apenas um dos buracos. E mediu com precisão para verificar se houve algum efeito.

Os resultados foram muito sutis, mas ainda assim impressionantes. Em três artigos, ele mostrou que a maioria das pessoas não consegue mudar em nada o comportamento da luz. Mas alguns indivíduos – geralmente meditadores experientes, mas também alguns músicos e praticantes de artes marciais – geravam um efeito muito discreto, porém indiscutível. A conclusão é que pessoas com alta capacidade de concentração conseguem desviar as partículas de luz, que são feitas de matéria, usando apenas a mente.

“A consciência viva é, de certa forma, a influência que transforma a possibilidade de algo em algo real. O ingrediente mais essencial para a criação de nosso universo é a consciência que o observa”

Tudo isso converge para o que pensamos sobre o “eu” interior; a divindade dentro de cada um dos seres humanos.
É através do conhecer-se que existe a capacidade e as possibilidades de realização dos seus sonhos, porque a pessoa se descobre e entra em contato com sua natureza essencial, resgata seu propósito de vida e fortalece a sua vontade. Ao desenvolver o auto conhecimento, o homem pode atrair e conquistar o que almeja, assumindo a responsabilidade, conseqüências e usufruindo destas vantagens, pois sabe o que quer e traçar planos e metas de como realizar.

Uma das grandes dificuldades do ser humano é conhecer a si mesmo, pois para isso é necessário uma viagem interior, navegar em si mesmo é procurar dentro de si quem realmente é. É mergulhar nas profundezas do seu ser. Esta viagem às vezes pode ser angustiante, quando você começa questionar a si mesmo, fazer perguntas que nem você e ninguém possa responder, surgindo a partir daí uma série de questionamentos, podendo chegar a uma crise ontológica existencial, quando se questiona: Quem sou eu? De onde eu vim? Para onde eu vou?

Aprendemos, durante nossa vida – em especial quando participamos de uma religião cristã – que há entidades demoníacas que nos tentam para que possamos ficar longe dos ensinamentos de Deus e de seus mandamentos; que nos levam a pecar e desmerecer as outras pessoas a nossa volta.

Esta matéria negra – o lado sombrio – está dentro de cada um de nós e não é algo que temos de esquecer ou não alimentar, levando em consideração que esta matéria negra na verdade faz parte de nós e muitas vezes pode nos ajudar a olhar com olhos e mentes abertas o mundo a nossa volta e uma outra forma de amor (como diria Lord A:.).

“Uma vida que não é examinada não vale a pena ser vivida – Sócrates”

Na Cosmovisão Vampyrica, temos o sentido de Espírito Caçador, aquele que sabe reconhecer o seu EU interior e fazer dele integrante da sua vida cotidiana; sabe quando deve silenciar, caminhar, espreitar suas presas (objetivos) e estruturar dentro de si habilidades que possam lhe ser convergentes e auxiliadoras nos momentos de tomada de decisões. Temos o Coração Feral como aquilo indomável; a fera dentro de cada um de nós que não se cala ou consente com aquilo que não lhe é altero ou convergente. Nessas duas questões, temos o conhecimento pleno do que é o eu interior, o conhecimento do lado sombrio, da matéria negra que orbita todos nós.

Desde os primórdios da Humanidade, o ser humano depositou nos astros, na chuva, na Terra e em todos os aspectos naturais, uma adoração imensa. Em diversas culturas – grega, maia, romana, eslava e outras – têm divindades relacionadas com o mar, o trovão, a colheita, amor, vida e morte, pois são aspectos humanos bastante fortes em nossas vidas que eles atribuíam como sendo dádivas dos seus Deuses e Deusas. Se olharmos para as diversas revoluções e épocas que fizeram parte do nosso planeta (como a Reforma Protestante, Idade Média, Revolução Científica) ainda em séculos onde a Igreja Católica Apostólica Romana imperava, pessoas como Galileu, Santo Agostinho (que desistiu do caminho do paganismo com seu pai, para seguir o catolicismo de sua mãe), Lutero e até mesmo Gandhi, foram pessoas que lutaram pelas questões humanas e através dos seus estudos científicos, escolásticos e humanistas, desenvolveram na mente do ser humano uma racionalidade que antes era negada pela religião, com respostas que não mais agradavam a todos (como, é assim porque Deus quis assim).

Durante todo o processo evolucionário da espécie humana, nos deparamos com essas questões. “Como o mundo foi criado?”, “de onde eu vim e para onde vou?”, quando na verdade deveríamos nos questionar sobre “o que estou fazendo de benéfico para a minha vida?”, “será que caminho naquilo que expresso e professo aos outros, ou apenas sou mais um daqueles que tentam manipular os outros com palavras bonitinhas e lhes dizendo que se não acreditarem vão sofrer punições de uma deidade ou entidade maligna?”.

Antes de qualquer coisa, devemos olhar para o nosso íntimo, para o lado sombrio da nossa vida, perceber nossas virtudes, habilidades e aptidões, assim como devemos observar nossos vícios, falhas, inaptidões. O “conhece-te a ti mesmo” é uma das ferramentas que temos de desenvolver em nossas vidas para que possamos viver em plenitude com nosso EU interior, nosso Caçador, nossa Fera.

Como fez Herácles/Hércules para derrotar a górgona Medusa, olhemo-nos no reflexo de seu escudo e vejamos nosso interior; aquilo que deixamos de lado, escondemos ou negamos que está dentro de cada um de nós, para que assim, possamos dar vida à liberdade de Pégasus, para que possa voar e seguir por caminhos luminosos, travar guerras e ser livre para se aventurar pela Terra e Céus, sentindo-se completo para ser quem realmente é: viver de acordo com o “Sangue”.

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