Insuficiência e Inveja perigosos motores do cotidiano

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Insuficiência e Inveja perigosos motores do cotidiano

[dropcap ]O[/dropcap]ntem devido alguns problemas no site da Antena Zero, muitos de vocês não conseguiram escutar o programa VOX VAMPYRICA. Então oferecemos de presente o texto de ontem, para vossa apreciação, leitura e reflexão.Vamos adorar ler os comentários e insights de cada um de vocês na parte de comments ao final desta postagem.Ah sim este artigo é protegido por senha e faz parte de uma plataforma digital de práticas e estudo de Cosmovisão Vampyrica do Círculo Strigoi, por gentileza não compartilhe este artigo na íntegra – se por ventura quiser citar trechos não esqueça de mencionar o autor se quiser saber mais deixe um comment lá no final!

Filhos e filhas do selvagem jardim, nossa jornada sobre este longo arco também nos conduz a lidarmos com os abismos e físsuras da alma – cada um tem os seus e chame-os de fome ou de sede ou ainda de insuficência em alguns casos. Consigo pensar no adjetivo sufocante ou ainda petrificante, como era descrito o olhar de górgona da Medusa. Daqueles do tipo que desejamos morrer ou desaparecer. Estranhamente nos deparamos com tais abismos no trato com os outros através dos meandros labirínticos do cotidiano. A insuficiência ou pobreza mendiga os restos de tudo que há – o que invariavelmente atrai a inveja e consequentemente o ódio como um caminho para ocultar de si a sensação de esvaziamento e o de não ser auto-suficiente e completo como idealizava ser… a partir daí os fracos entregam desculpas e os habilidosos iniciam a espreita e a caçada para sobrepujar e solucionar…

Nota 1 – : Platão contava que o amor é filho da Deusa da Miséria ou insuficiência chamada Pênia e de um Deus chamado Poros, a Riqueza. Ela se uniu ao Deus quando ele estava embriagado após a festa que havia sido a chegada de Afrodite ao Olimpo. Assim nasce o amor, gerado com o despertar da beleza e seu companheiro – nem mortal, nem imortal, pois surge e desaparece – filho que é da falta e da abundância – heranças da mãe e do pai. Não deixa de lembrar a imagem romântica de alguns vampiros da cultura pop. E suscitar questões interessantes.

Comment: Outra deusa menos conhecida é Invídia dos romanos, erroneamente comparada com Nemesis. Invidia representava a inveja, julgar como seu a boa fortuna ou o trabalho de terceiros. Aristóteles dizia que ela vinha como a dor de alguém ao testemunhar a boa aventurança de outro e o início de uma perpétua infelicidade. Tanto o narcisista como alguém sem auto-estima desenvolvem este veneno na alma e convidam a miséria espiritual para si – esvaziante como os abismos da alma, onde os fracos usam do ódio para tentarem fugir mas que apenas os mais hábeis aprendem que amor pode oferecer um alento e saida.

BLOCO 2:

Nota 2 – : Como acontece a estranha mágica? A pessoas idealizam que deveriam estarem além de onde estão – e que são especiais demais para terem só aquilo que tem. Então olham onde os outros anunciam que estão e aquilo que dizem ter. Ao fazerem isso a maior parte das pessoas se acham insuficientes pois não alcançam e não estão onde aqueles que observam e consideram estão. E assim começam a bloquearem e limitarem a vastidão do seu poder criador e de realização, alimentando a insuficiência ou penuria que é querer ser outra coisa a não ser você e aquilo que carrega em vossa têmpera.

Comment: Avaliar a si pelas medidas e dimensões de terceiros é pura idealização e naturalmente presunção – afinal o universo já o colocou como o outro e você como você. E toda perda de noção da própria medida invariavelmente arrasta para a queda e o juízo da deusa chamada Nêmesis. Inclusive virar a cara para tudo aquilo que carrega em si e que por extensão cultiva e atrai em abundância cegamente em sua vida – se encaixa bem nesta desmesura. Pois afinal estará negando os presentes da dama sorte ou Fortuna; que se expressa em seu poder de atração pessoal. Um tópico que deveria ser mais estudado pelos neófitos…

Nota 3 -: Insuficiência ou miséria é aquela que desperta a pena – e que atrai a chama estelar ou ainda o “Sangue” de uma deusa chamada Pênia que rege sobre todas as misérias do selvagem jardim. Quando notamos que somos insuficientes em algum aspecto descobrimos uma cratera insondável em nosso ser; alguns se perdem hipnotizados pela derradeira melancolia sem fim e de tamanha profundeza. A falta, a físsura, a lacuna, o desalento, o vazio, a fome e a sede da ausência daquilo que almejávamos e idealizavamos que estivesse alí por alguma razão. Os mais hábeis dentre os nossos sabem como se moldarem em meio dessas lacunas.

Comment: Assim como as raízes das velhas árvores o fazem em meio ao concreto urbano. O tom desta receita é poético para se dirigir diretamente ao espírito de cada um. Quem se enamora do vazio e dos abismos, bem como da prosáica escuridão deve ter asas fortes para sustentar o vôo nestas condições. Não se trata do infâme “como fazer” para sair dessa e nem de chavões terapêuticos e de auto-ajuda como “você tem que”, “você deve” ou de algum fanático “faça em nome de algo” – o que sustenta o processo é um forte e transparente “porque” – que lhe permite resolver e não criar desculpas ou macular terceiros.

BLOCO 3

Nota 4: Os abismos ou fissuras da alma são realidades incontestáveis que em vão procuramos não olharmos diretamente – e a maior parte das pessoas fazem de conta que não estão lá até despencarem neles. Invariavelmente encontramos os tais abismos mais facilmente através dos outros; algo deles nos despertam admiração ou desejo e as vezes comparamos o que temos e não temos baseado no outro – percepção ou vergonha andam juntas neste caso. – claro que os outros são espelhos daquilo que carregamos por isso mesmo eles nos auxiliam nestas espreitas e caçadas…

Comentário: As vezes a incapacidade de lidar com a própria insuficência é tanta que leva a atacar e espoliar aquilo que desejava ter para fazer desaparecer a diferença que foi percebida. Muito barulho por nada ou melhor para tentar encobrir ou se esconder daquilo que descobriu em si e prefere crer que está no outro. Cada um é responsável por como e onde decide investir o próprio tempo e “Sangue” – assim como o custo pessoal e coletivo da ação escolhida e suas consequências. Mas constatamos que todo mi-mi-mi nada mais é do que a presença e a participação da inveja naquele momento.

Nota 5 – : Assim como a Deusa Pênia personificava a miséria e a insuficiência, Invídia era a Deusa que encarnava a inveja no velho mediterrâneo. Nos tempos de hoje tais deusas parecem conduzir nossa geração pelo que assistimos nas redes sociais. Todos idealizam que são mais especiais do que os outros, presumem altos graus de realização pessoal e profissional que no entanto são insuficientes para alcançarem – mas contam publicamente que alcançaram. E o restante do tempo vivem impotentes stalkeando uns aos outros, invejando as conquistas que outros anunciam sem também terem realizado. Presunção e auto-engano!

Comentário: Enquanto deusa Invídia alimenta com o “Sangue” e a chama estelar que leva as pessoas a esquecerem de si e dos próprios feitos e almejarem estar ou viver a vida que são dos outros – fechando as portas para uma consciência benigna de prosperidade – passando a trabalhar sua própria força de atração para atrair em abundância para si a miséria e a insuficiência de jamais se tornar quem veio para ser neste selvagem jardim. Eis o seu temido poder que afasta e isola cada um do reino da sorte ou da oportunidade infinita – e consequentemente aproxima da desmesura, da presunção, do conformismo, superficialidade e da justiça de Nemesis.

BLOCO 4

NOTA 6: No bloco anterior pontuamos como Insuficiência e Inveja, personificadas pelas deusas Pênia e Invídia aparentemente regem as vidas de muitos nas redes sociais. Podemos estender tal compreensão pensando em outros deuses e deusas já abordados neste longo arco sobre os monstros contemporâneos. Particularmente a deusa conhecida como Pheme ou Fama, atributo desejado por muitos nos dias de hoje desperta incontáveis miseráveis de espírito por toda parte – moradores dos reinos de Penia, a insuficiência; que torna insuportável as conquistas de outros e lhes arremessam diretamente para Invídia, a inveja…

Comentário: …assim começam a espoliar e atacar insanamente os outros e aquilo que desejam. De maneira descompensada atraem para si as deidades do cortejo turbulento do Deus da Guerra. Só que desprovidos de pudor, justa-medida e sabedoria tornam-se incapazes de conquistarem as bençãos da harmonia – pois ignoram quem são e aquilo que carregam, lutam sem terem os dois pés no chão e logo tombam e muda de alvo e de algoz; ainda assim temem perder o objeto ou pessoa, mas só conseguem orbitar destituindo e atacando o tal. Vivem pela metade e em constante dúvida de olharem para si, idealizando e dependendo de aprovação e condução de terceiros…mas como afim atrai afim o resultado é desastroso.




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