Dracula, segundo Wagner Veneziani Costa

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Dracula, segundo Wagner Veneziani Costa

“No meio das sombras, onde a lenda e a realidade se confundem, surgem às histórias de um ser fantástico que nunca morre aquele que dizem que não nasceu na terra, e sim nos esgotos do inferno… e que suga o sangue de virgens inocentes… ele é o Príncipe do Mal, aquele que faz tremer até o mais bravo entre os bravos!”

Nota de Lord A:. o texto a seguir vem da introdução do livro Drácula de Bram Stocker publicado pela Madras Editora lá no começo da década passada. Ele foi escrito pelo meu editor do “Mistérios Vampyricos” e até hoje considero um texto super atual e que permite uma jornada incrível sobre Drácula, vampiros e o lado feral da deídade com o qual não há negociações.Compartilho agora com todos vocês. Prósperas caçadas!

O horror de Drácula é um horror gótico baseado em um romance clássico da literatura fantástica, publicado em fins do século XIX por Bram Stoker (Drácula é de 1897). Foi um período de alterações significativas no processo de desenvolvimento do sistema capitalista, o imperialismo, que conduziria o mundo para a Primeira Guerra Mundial e para a barbárie do século XX. Vivia-se naquela época um tempo de grandes transformações sócio históricas em razão da Segunda Revolução Industrial. Cada vez mais a ciência e a tecnologia afirmavam seu poder sobre a Natureza, seja ela o tempo ou o espaço. Como diria Weber: “O mundo se desencantava de modo acelerado”.

Bram Stoker foi buscar seu material literário em lendas sobre Vlad Drácula, lendas da Europa central, que representava, de certo modo, o “retorno do reprimido”. O mal que atingia o Ocidente vinha das profundezas macabras da periferia capitalista e pertencia a um passado distante, de cunho aristocrático (Drácula era, antes de mais nada, um conde). O personagem Drácula representava a forma primordial do Mal, que seduzia e dominava suas vítimas utilizando recursos naturais, de uma natureza noturna (Drácula possuía a alcunha de Senhor das Trevas) atingida pela civilização da luz, cuja eletricidade, um dos grandes inventos da Segunda Revolução Industrial, se disseminava e transfigurava o cenário urbano-industrial. Drácula representava uma natureza insurgente no interior do próprio Ocidente tecnificado (em sua odisseia de horror, Drácula não lidava com artefatos tecnológicos para destruir), apesar de sua “exterioridade” acidental (Drácula veio da periferia do sistema capitalista), e, de sua representação gótica, o personagem de Bram Stoker possui um sentido profundamente moderno.

Tal como o capital, que Marx alcunhava de Moloch, deus fenício que exigia constantes sacrifícios humanos, Drácula se reproduz sugando sangue de homens e mulheres. Sangue é a representação simbólica do trabalho vivo. Inclusive, Marx observa que a força de trabalho é “fermento vivo”, capaz de despertar os mortos, isto é, os meios de produção, criando mais valor. Enfim, Drácula, tal como o capital, era um morto-vivo (ou fetiche?) que consumia homens e mulheres.

Deste modo, o personagem de Bram Stoker não deixa de ser a alegoria típica do fetiche capital, transfigurado em um personagem pré-moderno, antediluviano, de semblante tradicional (o que significa, de certo modo, que o capital se apropria, para sua reprodução sócio-metabólica, de elementos da tradição, do passado morto que tanto oprime os vivos, como bem destacou Comte e Marx). E o cinema se apropriou da figura de Drácula, criada por Bram Stoker, para fazer inúmeros filmes no século XX.

Vamos falar um pouco de Moloch e de Baal?

Retirei o texto a seguir da minha obra Maçonaria – Escola de Mistérios – A Antiga Tradição e Seus Símbolos, Madras Editora, 2007, edição totalmente esgotada…

Os Deuses Moloch e Baal

Os deuses cananeus Moloch e Baal exigiam o sacrifício humano. Esse sacrifício era feito comumente com crianças. Elas eram sangradas e depois queimadas no altar do sacrifício. As “primícias” eram dedicadas ao deus cruel Moloch, divindade semita mencionada na Torá (Lv 18, 21; 20, 2- 5; 1 Rs 11,7; 2 Rs 23, 10). Trata-se da divindade cananeia Milk, cultuada desde o século XXIV a.C. em Ur (de onde proveio Abraão), Mari, Assiria, Ugarit e Canaã; ele era o deus nacional dos amonitas. Exigia dos fiéis o sacrifício das “primícias”, que tanto eram os primeiros frutos, as primeiras frutas colhidas, as primeiras crias do gado, em geral, incluindo o primeiro filho de seus adoradores. A lenda do “quase sacrifício” feito por Abraão exigido por Javé nos permite entendê-la como a transição da adoração de Moloch para a adoração de outro deus único, menos violento. Já não exigia a vida, somente o prepúcio. Mas esse novo deus era ainda violento e exterminador com relação aos estrangeiros, aos gentios e aos próprios judeus, quando o desobedeciam. Era a representação externa do chefe do clã, ou seja, onipotente.

Abraão (Abraham), por se sentir um filho eleito pelo D’us, Javé, passou a acreditar na promessa (desejos seus projetados no deus que agora os devolvia em forma de promessa) e nos seus direitos, já que o aceitou como único e se submeteu às suas imposições, para então “ter direito àquelas terras”. O pacto com Javé foi uma transação na qual, em troca da fidelidade eterna e exclusiva ao deus-único, Abraão recebia a promessa de ser aceito, bem como seus herdeiros, como o “filho eleito e único”. Assim como Abraão procedeu com os outros filhos, Javé fez com os outros povos, filhos de Deus. Baniu-os.

A essa altura, cabe um parêntese: o D’us dos judeus, JAVÉ (YHWH, o tetragrama), tinha outras denominações: EL, EL-SHADAI (“O Todo-Poderoso”, como o designava Abraão), O ETERNO, ELOHIM (ou ELOÁ), JAHU, JO ou JAH e ADONAI. “Adonay” é usado quase que com exclusividade pelos Sefaradis, em sua Bíblia de Ferrara escrita no dialeto ladino. Os cristãos, em suas diversas seitas e ramificações, designam esse Deus, SENHOR DEUS, O SENHOR, O D’US DE ISRAEL, O CRIADOR, JEOVÁ, O ALTÍSSIMO, PAI CELESTIAL, ou simplesmente DEUS.

Baal

Baal

Com o nome de Baal, os povos semitas ocidentais adoraram diversos deuses, todos de características semelhantes. Originariamente, Baal constituía, com El, a principal divindade do panteão cananeu. A principal fonte de informação a respeito do Deus são as tábuas descobertas em Ras Shamra, localidade do norte da Síria situada onde existiu o antigo reino de Ugarit, que se desenvolveu em meados do segundo milênio antes da era cristã. Baal era o deus da fertilidade e, associado à tempestade e à chuva, tinha lutas periódicas com Mot, senhor da seca e da morte. Nessa mitologia, Baal representava as forças ativas da vida, enquanto El estava associado à sabedoria e à prudência da maturidade. Os fenícios adotaram o culto de Baal, que chamavam “Baal Shamem, Senhor dos céus”. Depois de chegar a Canaã, os israelitas passaram a chamar de Baal os deuses da região. No século IX Jezebel pretendeu substituir o culto de Iavé pelo de Baal, o que provocou o repúdio deste. Baal passou a representar, para os israelitas, a abominação e os falsos deuses. Essas circunstâncias, aliadas à crença de que os cartagineses sacrificavam seus primogênitos a Baal Amon, atribuíram ao deus uma imagem sanguinária que em nada corresponde a sua origem.

Os fenícios conservaram os antigos deuses tradicionais dos povos semitas: as divindades terrestres e celestes, comuns a todos os povos da Ásia antiga. Assinale-se, como fato estranho, que não deram maior importância às divindades do mar. Eram representantes do deus-Sol, marido da rainha dos céus, Baalat. Os festivais de fertilidade dos equinócios da primavera, efetuados no Templo de Baalat, envolviam prostituição ritualística, considerando-a um dever sagrado imposto a todas as mulheres férteis do reino. Elas deviam entregar-se sem inibição a qualquer estranho que passasse e as desejasse.

Cada cidade tinha seu deus, Baal (senhor), associado muitas vezes a uma entidade feminina – Baalit ou Baalat. O Baal de Sidon era Eshmun (deus da saúde). Biblos adorava Adônis (deus da vegetação), cujo se associava ao de Ashtart (a caldeia Ihstar; a grega Astreia), deusa dos bens terrestres, do amor e da primavera, da fecundidade e da alegria. Em Tiro, rendia-se culto a Melcart e Tanit;

Para aplacar a ira dos deuses, sacrificavam-se animais. E, às vezes, realizavam-se terríveis sacrifícios humanos. Queimavam-se, inclusive, os próprios filhos. Em algumas ocasiões, recém-nascidos foram lançados, ao mesmo tempo, ao fogo – enquanto as mães assistiam, impassíveis, ao sacrifício.

Antes de prosseguirmos, vale a pena fazer uma rápida revisão nos primórdios da Mitologia Judaico-Cristã. Desde Adão (Adan), há uma constante luta entre os irmãos, que, movidos pela cobiça, inveja e pelo ciúme, competem entre si na intenção de serem os prediletos, os queridos dos pais e, portanto, únicos herdeiros. Algumas culturas dão ao primogênito do sexo masculino a responsabilidade de cuidar da herança e tem sua preferência.

Vemos isso claramente quando Caim, por ciúme, ao ver seu lugar de primogênito e preferido ameaçado, mata seu irmão Abel (Gn. 5: 32), “pois a oferenda deste, e não a sua, fora aceita por Javé”. Javé estava elegendo Abel como o preferido.

Moloch era mais que um simples ídolo. Muitos estudiosos acreditam que ele era o deus cananeu do Sol e que seu nome, entre o povo judeu, estava associado ao sacrifício de crianças. Seu nome deriva da palavra malak, que significa “rei”.

Moloch

Antigas descrições do Deus Moloch mostram-no como um homem com cabeça de touro. O tema central de seu culto era a imolação ritualística de crianças no “fogo de Moloch”. A Bíblia chama esse sacrifício infantil de “abominação dos amoneus”, mas temos de aceitar que esse horrível ritual era praticado no tempo em que a Lei judaica estava sendo escrita.

Aqui também nos cabe citar as similaridades com o mito do Minotauro, aquele que, com as mesmas características de Moloch, vivia em um labirinto de Minos, na ilha de Creta. Resumindo o mito, o Minotauro era alimentado com sete meninas e sete meninos todos os anos. Minos cobrava os suprimentos de crianças como um tributo anual da cidade de Atenas.

Lembramos também do que está no capítulo 22 do Gênesis, em que Abraão começa os preparativos para o sacrifício de Isaac, seu primogênito. Foi no Monte Moriá que o pai do Judaísmo construiu uma pira de madeira para matar seu filho nas chamas de Moloch. Mas os escribas do Velho Testamento tinham de mostrar como Abraão não levou adiante o sacrifício (ao estilo Moloch) de seu primeiro filho. Eles tentam explicar que Deus o livrou da situação – mas isso somente depois que Abraão demonstrou toda a sua determinação de matar o filho em honra ao deus-Sol, El Elyon, “O Mais Alto”.

Depois desse enorme parêntese, voltemos ao clássico de Bram Stoker…

Quem foi Vlad Tsepesh aka Dracula? Vlad Dracula (pronuncia-se Drácula) ou Vlad, o Empalador, foi um príncipe vivo e real no qual Bram Stoker baseou o famoso texto. Drácula nasceu na Transilvânia, em 1431, na cidade de Sighisoara, ou Schassburg. Seu pai, Vlad Dracul (Vlad, o Demônio) foi membro da Ordem do Dragão, o que significava um pacto de luta eterna contra os turcos. O nome Dracul significa Dragão ou Demônio, e se tornou o símbolo de seu pai porque ele usava o símbolo do dragão em suas moedas. Com apenas 13 anos de idade, Drácula foi capturado pelos turcos, que o ensinaram a torturar e empalar pessoas. Mas foi sob o seu reinado em Wallachia, de 1456 a 1462, que ele realmente teve a chance de usar seus conhecimentos. Foi também nessa época que aconteceu a maioria das histórias. Por exemplo:

Certo dia, Drácula viu um homem com camisa suja e maltrapilha. Drácula perguntou se o homem tinha esposa, e o homem respondeu que sim. Drácula vê que ela é uma mulher saudável e cheia de fibra, e a chama de preguiçosa, de forma que tem ambas as mãos decepadas e seu corpo empalado. Ele procurou outra esposa para o homem e mostrou a ela o que acontecera com sua preguiçosa predecessora, como uma forma de aviso. A nova mulher definitivamente não era preguiçosa.

O outro nome de Drácula, Tsepesh (ou Tepes), significa empalador. Vlad era chamado assim por causa de sua propensão para o empalamento como uma forma de punição para seus inimigos. Empalamento era uma forma particularmente medonha de execução. A vítima era posta em um cavalo e empurrada em direção a estacas polidas e untadas em óleo, de forma a não causar morte imediata. Esposas infiéis e mulheres promíscuas foram punidas por Drácula, tendo seus órgãos sexuais cortados, a pele arrancada enquanto vivas e sendo expostas em público, com suas peles penduradas próximas aos seus corpos.

Drácula apreciava especialmente execução em massa, em que várias vítimas eram empaladas de uma vez, e as estacas içadas. Como as vítimas se mantinham suspensas do chão, o peso de seus corpos fazia com que descessem vagarosamente pela estaca, tendo sua base lisa arrombando seus órgãos internos. Para melhor apreciar o espetáculo, Drácula rotineiramente ordenava um banquete em frente às suas vítimas, e era um prazer para ele entre os lamentáveis sinais e ruídos delas morrendo.

O atual castelo de Drácula fica ao norte da Wallachiana, cidade de Tirgoviste. Vlad Tsepesh aka Drácula morreu em 1476. Algumas histórias dizem que ele morreu em uma batalha na qual se disfarçou de turco. Como a vitória estava próxima, correu para o alto de um penhasco para ver tudo, mas foi confundido com um turco e morto por seus próprios homens. A tumba de Drácula fora aberta em 1931, mas ela estaria vazia, a não ser por um deteriorado esqueleto, uma coroa de ouro, uma gargantilha parecida com uma serpente e fragmentos de um traje em seda vermelha, com um sino costurado nela. Infelizmente, todas essas coisas foram roubadas do History Museum of Bucharest (Museu Histórico de Bucareste), onde haviam sido depositadas.

Há uma lenda que diz o seguinte:

“As pessoas tornaram-se tão honestas devido ao medo das punições do Conde Drácula que ninguém se atrevia a roubar um copo de ouro deixado num poço ao largo de uma estrada. Um dia, uma mulher foi beber água e reparou que o copo tinha desaparecido. Ela gritou e começou a chorar, sabendo que o Conde Drácula morrera e a desonestidade haveria de prevalecer novamente”.

Isso nos faz pensar em outras histórias, ou lendas, que afirmam que os vampiros não são ruins ou maldosos… Se você procurar o significado da palavra vampiro no dicionário, encontrará a definição de um ser noturno, diabólico, que suga o sangue das pessoas; mas vampiro não é só isso, é uma filosofia fascinante, que se contrapõe aos conceitos racionais e está acima de todos nós…

Relatos de seres “vampíricos” já foram apresentados diversas vezes. Uma vez foi sobre Johannes Cuntius: na noite de sua morte, um gato entrou em seu quarto e arranhou seu rosto. Após o enterro, o vigia da cidade começou a relatar ruídos estranhos vindos da casa de Cuntius todas as noites. Outras histórias extraordinárias foram relatadas de outras residências. Uma empregada, por exemplo, relatou ter ouvido alguém cavalgando em volta da casa e depois para dentro do edifício, abalando-o violentamente. Em outras noites, Cuntius apareceu e teve encontros violentos com antigos conhecidos, amigos e membros da família. Entrou no quarto e exigiu dividir a cama com a mulher. Como outras aparições (pessoas que voltam após a morte ou depois de longa ausência), Cuntius tinha uma presença física e uma força extraordinária. Numa ocasião, relata-se que arrancou dois postes firmemente enterrados no solo. Todavia, em outras ocasiões, ele aparentemente operava de forma não corporal – como um fantasma – e desaparecia subitamente quando era acesa uma vela em sua presença. Dizia-se que Cuntius cheirava mal e tinha extremo mau hálito. Relata-se que uma vez transformou leite em sangue. Sugava as vacas até que ficassem sem sangue, numa tentativa de chamar a atenção, não somente de sua esposa, mas também de diversas mulheres de sua cidade. Uma pessoa à qual tocou disse que sua mão era fria como o gelo. Diversos buracos apontando para o local de seu caixão apareceram ao lado do túmulo. Os buracos foram preenchidos, mas reapareceram na noite seguinte.

Os moradores da cidade, incapazes de encontrar uma solução para essas ocorrências, resolveram finalmente verificar o cemitério e cavaram diversos túmulos. Todos os corpos estavam em adiantado estado de decomposição, menos o de Cuntius. Embora já estivesse enterrado há seis meses, seu corpo ainda estava macio e flexível. Puseram um bastão na mão do morto e ele o agarrou. Cortaram o corpo e o sangue espirrou. Foi convocada uma audiência judicial formal, sendo pronunciado um julgamento contra o cadáver. Foram dadas ordens para que o corpo fosse queimado. Como este demorou a queimar, foi cortado em pedacinhos. O executor relatou que o sangue estava fresco e puro. Após a cremação, a figura de Cuntius nunca mais foi vista.

Lilith

Lilith, uma das figuras mais famosas do folclore hebreu, originou-se de um espírito maligno tempestuoso e, mais tarde, passou a ser identificada com a noite. Fazia parte de um grupo de espíritos malignos demoníacos dos americanos que incluíam Lillu, Ardat Lili, e Irdu Lili. Apareceu no épico babilônico de Gilgamesh (aproximadamente 2000 a.C.) como uma prostituta vampira que era incapaz de procriar e cujos seios estavam secos. Foi retratada como uma linda jovem com pés de coruja (indicativos de sua vida noctívaga).

No épico de Gilgamesh, Lilith foge de casa perto do rio Eufrates e se estabelece no deserto. Nesse sentido, mereceu um lugar na Bíblia hebraica (Velho Testamento cristão). Isaías, ao descrever a vingança de Deus, durante a qual a Terra foi transformada em um deserto, proclamou isso como sinal da desolação: “Lilith repousará lá e encontrará seu local de descanso” (Isaías 34:14).

Lilith reapareceu no Talmude, no qual uma história mais interessante é contada, em que ela é a mulher do bíblico Adão. Tiveram um desentendimento sobre quem ficaria na posição dominante durante as relações sexuais. Quando Adão insistiu em ficar por cima, Lilith usou seus conhecimentos mágicos para voar até o Mar Vermelho, o lar dos espíritos malignos. Conseguiu muitos amantes e teve muitos filhos, chamados Lilin. Lá, encontrou-se com três anjos enviados por Deus – Senoy, Sansenoy e Semangelof – com os quais fez um trato. Alegou ter poderes vampíricos sobre os bebês, mas concordou ficar afastada de quaisquer bebês protegidos por um amuleto que tivesse o nome dos três anjos.

Uma vez mais atraída a Adão, Lilith retornou para assombrá-lo. Depois que ele e Eva (sua segunda mulher) foram expulsos do jardim de Éden, Lilith e suas asseclas, todas na forma íncubus/súcubus, os atacaram, fazendo assim com que Adão procriasse muitos espíritos malignos e Eva mais ainda. Dessa lenda, Lilith veio a ser considerada na tradição hebraica muito mais uma súcubus do que uma vampira.

Kali

Kali, uma das mais importantes divindades da mitologia na Índia, era conhecida, entre outras características, pela sua sede de sangue. Kali apareceu pela primeira vez nos escritos indianos por volta do século VI, em invocações pedindo ajuda nas guerras. Nesses primeiros textos, foi descrita como tendo presas, usando uma guirlanda de cadáveres e morando no local de cremações. Diversos séculos mais tarde, no Bhagavat-Purana, ela e seus seguidores, os dakinis, avançaram sobre um bando de ladrões, decapitaram-nos, embeberam-se em seu sangue e divertiram-se em um jogo de atirar as cabeças de um lado para o outro. Outros escritos registram que seus templos deveriam ser construídos longe das vilas e perto dos locais de cremação.

Kali fez sua aparição mais famosa no Devi-Mahatmya, onde se juntou à deusa Durga para lutar contra o espírito demoníaco Raktabija, que tinha a habilidade de se reproduzir com cada gota de sangue derramado; assim, ao lutar contra ele, Durga se viu sobrepujada pelos clones de Raktabija. Kali resgatou Durga ao vampirizar Raktabija e ao comer suas duplicatas. Kali foi vista por alguns como o aspecto irado de Durga. Kali também apareceu como consorte do deus Shiva. Eles se engajaram numa dança feroz. Pictoricamente, Kali geralmente era vista sobre o corpo de Shiva numa posição dominante enquanto se engajavam em relações sexuais.

Kali tinha um relacionamento ambíguo com o mundo. Por um lado, destruía espíritos malignos e estabelecia ordem; por outro, servia como representante das forças que ameaçavam a ordem social e a estabilidade por sua embriaguez de sangue.

Anne Rice (Nova Orleans, Louisiana, 4 de outubro de 1941) é uma escritora estadunidense, autora de séries de terror e fantasia. Em seus livros, ela invariavelmente apresenta seus vampiros como indivíduos com suas paixões, teorias, sentimentos, defeitos e qualidades como os seres humanos, mas com a diferença de lutarem pela sua sobrevivência por meio do sangue de suas vítimas e sua própria existência, que para alguns deles é um fardo a ser carregado através das décadas, séculos e até milênios.

Ao encerrar essa introdução, não podemos deixar de citar um dos seriados que mais fez sucesso na TV: “Buffy, A Caça Vampiros”, e sobre essa série sugerimos a leitura do livro Buffy – A Caça Vampiros e a Filosofia, coletânea de James B. South, da Madras Editora, que também publicou Vampiros – Um Guia sobre as Criaturas que Espreitam à Noite, do dr. Bob Curram, que resgata a importância da morte e mostra as diferentes crenças sobre o vampiro em culturas de todo o mundo; além de Universo dos Vampiros – O Mundo Sombrio de Seres Sobrenaturais que Assombram, Perseguem e Devoram, de Jonathan Maberry, que apresenta o vampiro em todas as suas formas e tipos, bem como as diferentes espécies de lobisomens, fantasmas vingativos, homens bestiais e outros. Dessa obra, destaco estes dois verbetes a seguir, relacionados à Drácula, e a foto ilustrativa desta introdução.

Drakul: Apesar do fato de que a pessoa real em quem Bram Stoker baseou o Drácula não era um vampiro, ainda há alguma relação com a verdadeira tradição na história – embora se tome grande liberdade em sua apresentação de poderes e defesas desses monstros. Além de basear o conde Drácula em Vlad Tepes, o infame príncipe da nação do Leste Europeu, Valáquia, muitas das características que Stoker atribuiu a seus personagens ficcionais podem ser encontradas nas lendas da criatura moldava chamada Drakul. Pode-se traduzir o nome tanto como “demônio” quanto como “dragão”, e, na verdade, ele é usado como um palavrão comum, mas bastante grosseiro. Palavras que incitam um confronto em qualquer país, mas principalmente na Moldávia.

Quando trata exclusivamente de uma criatura da noite, o termo “Drakul” se refere a um espectro que bebe sangue, com pele pálida e olhos fundos, semelhante em diversos aspectos aos vampiros de filmes populares. Parecido com o vampiro da Morávia, o Drakul é um cadáver trazido a um simulacro de vida por possessão demoníaca. O demônio habita o cadáver enquanto ele está no túmulo e, uma vez abrigado, reanima a carne morta, reativa as memórias do cadáver de quando estava em vida, e então se levanta para molestar os vivos. O demônio usa as memórias roubadas para escolher suas presas e, muitas vezes, aterroriza a família do morto.

Assim como o Drácula ficcional, o Drakul não pode se separar por muito tempo de seu caixão; caso contrário se desintegra. Mas, diferentemente do famoso conde, ele carrega o caixão sobre a cabeça.

Já que Drakul deve dormir durante o dia em seu caixão, a forma mais direta de matá-lo é desenterrá-lo, tirá-lo de lá e roubar seu leito. Depois, queimar o caixão usando tochas feitas de espinheiros. À medida que o ataúde se reduz as cinzas, também o monstro se transforma em pó.

O método parece muito mais fácil do que é na realidade, pois, ao contrário dos vampiros dos filmes, Drakul não fica em um transe indefeso enquanto dorme. Ele pode acordar, não teme a luz do Sol e luta para evitar que seu caixão seja roubado. O Drakul é cruel e muito rápido, sendo poderoso o suficiente para arrancar os braços de um homem forte. Para derrubá-lo, é melhor trazer a tradicional multidão enfurecida com tochas e forquilhas para cercá-lo, enquanto uma dúzia de homens valentes, com longas estacas e machados, entram na luta para acabar com sua existência.

Uber: Palavra em turco para “bruxa”, mas também é considerada por muitos estudiosos como sendo a raiz da palavra “vampiro”. Esse espectro se levanta do túmulo de uma pessoa que morreu durante um ato de violência, ou de um estrangeiro não muçulmano que morreu em solo turco. Esta última crença, na verdade, está ligada à lenda do verdadeiro príncipe Vlad da Valáquia, que, apesar de ser um herói cultural na Romênia, é considerado bicho-papão na Turquia. Quando os pais querem que as crianças durmam ou escovem seus dentes, eles ameaçam-nas com o cruel Uber Vlad.

No século XV, o Império Otomano invadiu os três países romenos: a Valáquia, a Transilvânia e a Moldávia. Os turcos foram amargamente expulsos pelo príncipe Vladislav III, filho de Dracul,* mais conhecido hoje como o Drácula histórico. Vlad era governante poderoso, guerreiro sedento por sangue e conhecido como um dos homens mais selvagens da época. Ele foi responsável pela morte de 40 a 100 mil turcos.

Não é surpresa que Vlad tenha sido usado como o modelo da lenda duradoura do eternamente malvado Uber.

Agora, sim, vamos ao clássico de Bram Stoker e aprender um pouco mais sobre esse universo fascinante do vampiro.

Bibliografia:

COSTA, Wagner Veneziani. Maçonaria – Escola de Mistérios – A Antiga Tradição e Seus Símbolos. São Paulo: Madras Editora, 2007.
CURRAM, Bob. Vampiros – Um Guia sobre as Criaturas que Espreitam à Noite. São Paulo: Madras Editora, 2008.
MABERRY, Jonathan. Universo dos Vampiros – O Mundo Sombrio de Seres Sobrenaturais que Assombram, Perseguem e Devoram. São Paulo: Madras Editora, 2007.
SOUTH, James B. Buffy – A Caça Vampiros e a Filosofia. São Paulo: Madras Editora, 2004.
http://www.telacritica.org/Dracula.htm
http://www.interativa.org/judaismo/Judeus3.htm
http://www.mrmalas.com/sinistro/sinistros/dracula.htm
http://www.lookweb.com.br/vampiros/topicos/historia.html
Copyright, by Wagner Veneziani Costa.
É proibida a reprodução total ou parcial desta obra, de qualquer forma ou por qualquer meio eletrônico, mecânico, inclusive por meio de processos xerográficos, incluindo ainda o uso da internet, sem a permissão expressa da Madras Editora, na pessoa de seu editor (Lei nº 9.610, de 19/02/98).

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