As festas temáticas para se inspirar

 

 

Faz pouco tempo que eu comecei a frequentar o cenário gótico e minha paixão pelo cenário do Vampiro a Máscara contribuiu muito para isso, eu confesso. A primeira vez que fui a uma festa gótica foi no início de 2015 ou final de 2014, não me lembro ao certo. Na época eu não queria ir sozinho e convenci dois amigos do fórum a irem na aventura comigo. Eu já costumeiramente me vestia com roupas escuras e por vezes extravagantes (usava chapéu, camisa social e colete), mas esse era eu em um sábado a noite bebendo com meus amigos em um bar qualquer, traduzindo, esse era meu normal, então quando eu fui para a festa eu não me sentia deslocado, ainda que eu não estivesse vestindo nenhum sobretudo com correntes ou camisa vitoriana como alguns no ambiente, eu me sentia adequado, mas esse não era um problema, eu realmente não estava preocupado com isso, só queria fazer o que eu chamo de “turismo social”. Coincidência ou não, essa festa era uma edição do Fangxtasy, promovido pelo hoje meu amigo e idealizador do blog, Lord A.

 

Eu e meus amigos ficamos cautelosos a princípio, você pode se achar uma pessoa livre de preconceitos, mas eles estão em nossa natureza (não quero me aprofundar nisso), sim eu estava receoso com o que encontrar, mas eu estava empolgado, meus amigos estavam com medo e para a nossa feliz surpresa, nós tivemos uma das noites mais legais e divertidas de nossas vidas. Sentimos o ambiente, bebemos e conversamos, curtimos um som (que por sinal é muito bom), sabe, meu gosto musical casava bem com o lugar, então era a primeira vez que eu ia até uma balada e curtia o som, simplesmente estar lá ouvindo já era legal. A experiência que a princípio poderia ter sido uma furada (tínhamos até um plano B) foi na verdade ótima e só saímos de lá quando o metrô abriu. Foi divertido.

 

Ah, mas eu não estou escrevendo o artigo para falar sobre minha experiência pura e simplesmente. Quero compartilhar e dar um relato do quão legal pode ser você simplesmente explorar um ambiente novo e especialmente as duas festas que eu costumo frequentar, o  Fangxtasy aqui em São Paulo e a Vamp no Castle of Vibe no Rio de Janeiro.

 

Fangxtasy – Esse é o ambiente gótico e aqui você pode ter uma boa inspiração para o contexto Punk Gótico do cenário que a muito vem se perdendo nas mesas. Sim, as ilustrações nos livros ajudam, as dicas de leitura, filmes e músicas (sério, todo o livro de VtM tem isso, preste atenção que você pode estar perdendo uma bela fonte de inspiração), mas aqui você pode sentir algo mais, a atmosfera realmente te puxa para algo meio Camarilla em alguns momentos e em outros meio Sabá (calma, não é violento). Visitar uma edição do Fangxtasy pode ser uma excelente maneira de quebrar a rotina e ao mesmo tempo encontrar uma inspiração para um a crônica de iniciantes. Hoje o Fang mudou de endereço e sua próxima edição será no Subterrâneo Toronto, perto do metrô Marechal Deodoro (linha 3 vermelha), com a temática de baile de máscaras.

 

Vamp (as festas temáticas de clãs) – Essa aqui é muito divertida. Para quem mora no Rio de Janeiro, a Lapa esconde muitas coisas boas, ela é o conceito festivo de inferno, quente e cheia de pecado e nesse quesito me refiro a diversão. Em alguma rua desse bairro fervente se esconde o Castle of Vibe, um lugar que serve de casa para as festas temáticas de clãs. A decoração é boa, a recepção é bacana e provavelmente o lugar com mais jogadores do mundo das trevas por metro quadrado. Aqui a música varia mais, mas não foge do rock em geral, é um ótimo lugar pra curtir um som também, mas péssimo para conversar, a não ser que você fume, pois é na área de fumantes onde a galera bate papo e isso é muito legal (se você não se importar com a fumaça). Sempre rola uma roda punk no fim da noite e nenhuma das vezes que eu fui eu voltei sem ficar pensando quando seria a próxima, porém ela vai te dar mais do mesmo em quesito inspiração.

 

Essas são as duas festas que eu frequentei (e frequento sempre que posso), hoje no meu armário há um sobretudo com correntes e uma camisa vitoriana, é engraçado, nunca achei que fosse curtir tanto uma vibe, mas foi experimentando que eu gostei, se você achar que não era bem isso que você queria é só beber uma ou duas doses de absinto e te garanto que isso vai te fazer curtir mais do que se tivesse enchido a cara de sangue de garou.

 

Deixo minhas dicas de rolê nas duas cidades. Quem sabe você não me encontra no baile de máscaras que vai rolar dia 10 de junho?

 

   

boa noite, neófito(a).

 

 

Links úteis

 

Vamp:   https://www.facebook.com/festavamp/

 

Fangxtasy:    https://www.facebook.com/Fangxtasy/

Os novos games sobre vampiros

 

 

Quem já teve um Playstation 1 deve ter jogado ou ao menos ouvido falar da série Soul Reaver. Sim, aquele jogo em que você controla um vampiro que viaja entre o plano espiritual e o material. Eu morria de medo do jogo!

 

Ele rendeu uma trilogia muito bacana e com um enredo bem rico, mas e depois? Quais outros games sobre vampiros apareceram e que realmente foram bons? Bom, para você que aguardava algo com essa temática mas que prestasse pode se animar pois agora em 2017 está previsto o lançamento do game Vampyr (da produtora de “Life is Strange”) para Xbox One, Playsatation 4 e PC.

 

Vampyr conta a história de um médico do início do século XX que acaba infectado por uma doença que o transforma em vampiro e desde então terá que lidar com a fome por sangue, o fato de ser um monstro assassino (haverão decisões sobre quem matar e reza a lenda que será possível zerar o jogo sem matar ninguém, mas que isso tornaria o jogo consideravelmente mais difícil) e os caçadores.

Vampyr é um RPG de ação com visão em terceira e uma proposta cativante, cada NPC terá uma história e qualquer pessoa que você matar terá impacto no universo, a intenção é pressionar a moralidade do jogador.

 

Nesse embalo temos um teaser anunciado pela Namco Bandai (distribuidora da franquia Souls) com a hashtag #PrepareToDine, fazendo clara alusão à Dark Souls.

Trata-se de Code Vein, um J-RPG de ação da mesma produtora de God Eater. J-RPG é mais um estilo estético de RPG em que a aparência das personagens lembra os animes e mangás. Aparentemente o jogo tem inspirações em Dark Souls em algumas partes do enredo, mas nada no visual.

 

Essa uma das screenshots que foram divulgadas nos últimos dias. O visual é bastante enérgico como de costume nos J-RPG.

No game você controla um revenant (vampiro) que vive em uma sociedade com outros revenants chamada de Vein e luta contra monstros enormes e lots (vampiros que “morreram”). Você irá sorver o sangue de seus inimigos e o usará para melhorar suas habilidades e armas (Bloodborne mandou lembranças).

 

Por hora o negócio é esperar pela E3 desse ano para ver o que vai ser falado sobre esses jogos, acredito que na própria convenção deva ser anunciada a data de lançamento do Vampyr, só nos resta aguardar mesmo.

 

   

boa noite, neófito(a)

O Live Action RPG Mundial


Quando eu comecei a jogar RPG eu não fazia ideia do quão maravilhoso era. Eu sou filho único e sempre fiquei muito sozinho em casa, se não bastasse isso eu sempre me mudei muito o que me fez morar em diversos lugares e não ter aquelas amizades de infância, tão pouco coleguinhas de prédio ou vizinhança, já que quando eu começava a criar laços de amizade eu acabava me mudando novamente, então eu ficava refém de videogames e da minha imaginação, já que eu brincava sozinho na maioria das vezes.

 

O RPG pra mim foi a oportunidade de usar a minha imaginação para me divertir com meus amigos (a internet me ajudou a cultivar laços de amizade), mas eu não parei aí. Eu tinha muita curiosidade de participar dos famosos Live Action RPG’s, esses que são um pouco diferentes dos de mesa, já que você não interpreta sentadinho e rola dados, é preciso um jogo mais imersivo e pessoas dispostas a deixar a vergonha de lado, pois o teatro reina. Sim, eu encontrei no LARP (Live Action Role Play) um hobby bem interessante, você pode ser ator e a platéia é você mesmo e os outros atores, justamente pensando na imersividade da atmosfera do jogo é que Dziobak Larp Studios lançou vários projetos.

 

Os jogos organizados por eles tem uma duração de 3 dias no qual você fica no personagem durante todo esse tempo. Eles possuem vários eventos no ano que se passam em um castelo na Polônia e esse ano, lá pelos dias 19 a 22 de outubro, vai rolar a Convenção dos Espinhos. Sim, o evento que precede o surgimento da máscara e tudo mais, talvez o momento de transição do Dark Ages para A Máscara (podemos ver dessa forma).

 

Ah, mas isso é caro? Depende, isso varia de pessoa pra pessoa, mas eu vou lançar uma luz nos valores…

A maquiagem é boa!

A participação custa de 610/670 euros, é possível alugar fantasias por mais 150 euros (por pessoa). Isso inclui toda a estadia (3 dias), alimentação, participação em workshops e etc. O ônibus do aeroporto de Berlin até o castelo custa 60 euros (ida e volta), até aqui temos um custo de aproximadamente R$2.500,00 (esse cálculo varia de acordo com a cotação do euro, atente para esse detalhe), soma-se a essa modesta quantia o valor da passagem que irá variar quanto a antecedência que se  compra a passagem e mais uma vez quanto a cotação do euro. Em valores aproximados, o jogador que quiser participar do live magnífico no castelo polonês vai desembolsar uma bagatela de R$5.000,00 aproximadamente.

 

Não tem uma alternativa mais barata e próxima? Tem sim! Existem inúmeros grupos de live action pelo Brasil, aqui em São Paulo especificamente há o pessoal do São Paulo by Night que é ligado ao One World by Night. É em um castelo? Claro que não, mas a simpatia e a atenção é bem brasileira, o que torna tudo muito tranquilo até pra quem é iniciante em RPG no geral. Vale ressaltar que os jogos da Dziobak são estritamente em inglês, você irá encontrar pessoas de várias nacionalidades mas é muito difícil que você encontre um brasileiro e possa soltar um “eae man, kkk”, já com a galera do São Paulo by Night você já pode chegar falando assim com os organizadores.

 

Um baile de máscaras da Camarilla para ilustrar

O pessoal do São Paulo by Night faz seus jogos uma vez a cada dois meses, o custo para participar é de R$10,00 e se passam (geralmente) em uma hamburgueria próxima da avenida paulista. Em maio o jogo ocorrerá no dia 27, mas pra você que ainda não conhece sobre cenário e quer informações ou só conhecer o pessoal, dia 13 de maio tem um encontro para cuidar de atualização de fichas e  da elaboração de fichas novas bem como a recepção de jogadores novos, esse encontro vai ocorrer no bar Limoeiro, de frente para o Centro Cultural São Paulo, próximo ao metrô vergueiro.

 

Ah, mas eu tenho medo! Relaxa, LARP é algo muito bom pra trabalhar a timidez e exercitar o raciocínio, os benefícios não param aí, justamente por isso vale a pena ao menos visitar e conversar com os participantes e membros da organização do São Paulo by Night (Raul Costa ou o Julio César Nicolodi) ou comigo (sou só um jogador mas adoro dar boas vindas), vai por mim, você não vai se arrepender.      
boa noite, neófito.

 

Links interessantes

https://www.facebook.com/larp.studios/  –  Dziobak larp studios

 

https://www.facebook.com/spbynight/   –  Sp by Night

Os clãs no Brasil (e América do Sul) Parte 1

 

Muitas vezes eu fiz personagens brasileiros nas crônicas, seja como NPC ou meus próprios como jogador. É difícil encontrar conteúdo oficial sobre o Brasil nos livros de VtM, mas tudo bem, o cenário é mais focado nos EUA e no antigo continente (Europa), o que explica a falta de informação sobre o Brasil. Foi pensando nisso que eu reuni algumas informações oficiais esparsas de alguns livros de clãs e meio que encontrei uma proporção de vampiros de cada clã para um cenário Brasileiro.

As informações à seguir contêm um pouco da minha interpretação, vale lembrar também que você pode dar ao cenário a cara que quiser, isso aqui é só para dar um suporte pra quem quer algo dos livros oficiais.

 

Brujah

 

Um clã descontentes ou rebeldes. Você encara como quiser, mas uma coisa é fato, eles não queriam baixar a cabeça para seus anciões e quando as grandes navegações estouraram os Ancillae do clã aproveitaram a chance para, literalmente, zarpar para o novo continente e assim construírem seus impérios e se livrarem da influência de seus senhores. Mas o Brasil? Bem, o nosso país é um dos mais antigos do continente (ainda que fosse só uma colônia ele tem os seus 500 anos como território “descoberto”). Não preciso nem mencionar que muitos Brujah eram piratas e chegaram aqui comando seus navios ou mesmo como passageiros clandestinos. Um exemplo desses Brujah piratas é o Smiling Jack (Jack Sorridente), há rumores de que ele seja o Barba Negra, mas segundo a wiki da White Wolf ele era só um marujo.

 

La sombra

 

O clã tem origem espanhola e tem entre os seus membros muitos piratas (mais do que os Brujah), inclusive a familiaridade dos La sombra com o mar é tão grande que se traduz em qualidades e defeitos específicos descritos no clãbook. Os motivos para eles são semelhantes aos dos Brujah, ou seja, expandir território para o novo mundo. Contudo o clã trouxe em suas embarcações muitos membros de outros clã que seriam filiados ao Sabá. Sim, se alguém é responsável por trazer a espada de Caim até o novo mundo, esse alguém é o clã La sombra.

Não me lembro ao certo, mas acho que li algo sobre o Holandês Voador (temido navio fantasma) ser de um La sombra, mas a informação não é tão confiável, talvez seja algo que eu ouvi por aí.

Como se trata de um clã espanhol devemos levar em consideração as expedições espanholas feitas na América do Sul. Lembrem que muito do território que hoje é do Brasil já foi da coroa espanhola, o que impede que um ou outro La sombra tenha se infiltrado no território brasileiro?

 

Seguidores de Set/Serpentes da Luz/Tlacique

 

Os setitas são um clã predominantemente egípcio e por tanto africano. Seus membros vieram para cá em larga escala com os navios negreiros, num período em que a colônia portuguesa já tinha um funcionamento mais estável.

Vale lembrar de duas linhagens. Os serpentes da Luz que são das ilhas do caribe (Cuba, Porto Rico e República Dominicana por exemplo). Diferente dos setitas, os serpentes acreditam terem vindo do deus da luz, um  loa da luz (loas são as divindades haitianas). Há também os Tlacique, vampiros aztecas que veneravam Tezcatlipoca, o deus azteca da escuridão e feitiçaria. Os tlacique possuem metamorfose ao invés de serpentis e podem desenvolver uma linha taumatúrgica própria chamada nahuallotl. Por óbvio podemos entender que os Tlacique são cainitas nativos da América Central, nada impede que um ou outro tenha migrado para os países mais ao sul do continente americano. Essa migração é perfeitamente justificada, já que os Tlacique tiveram apoio do Sabá para vencer os Seguidores de Set, para que estes últimos não os subjugasse e absorvessem em seu clã, mas o Sabá após a ajuda que deu queria que os Tlacique se unissem à causa deles, não deu certo por uma questão ideológica já que os Tlacique não gostavam da excessiva violência pregada pelo Sabá e no fim foram caçados e mortos por quem os ajudou a não serem caçados e mortos antes, irônico.

 

Nas próximas semanas eu trarei mais informações sobre outros clãs.     
boa noite, neófito.

O diário de Nero Bertoli Parte 3

27/08/2016

Nossa, acordei com uma ressaca terrível, mas minha bebedeira rendeu belos versos.
Passarei a limpo essa poesia, tomarei um banho e rumarei ao Fasano. Usarei meu melhor chapéu, um colete preto, gravata preta, camisa branca, calça social preta e sapatos igualmente pretos. Esse estilo Coco Chanel nunca me fez passar vergonha.
Questão interessante, não encontrei nada na internet sobre meu anfitrião, bem, nem todos nós somos relevantes, mas isso é um tanto estranho, mas irei mesmo assim. Na pior das hipóteses darei de cara na porta.

Minha nossa, fui até a cozinha e perto do lixo há DUAS GARRAFAS DE VINHO! Minha mãe vai me matar! Hahahaha.

Sonhei com algo estranho esta noite. Eu matava alguns garoto em uma praia deserta a noite, usei de tudo, de facas e armas de fogo até minhas próprias mãos. Eu os enterrei próximo de uma cabana que havia na mesma praia. Me lembro do sentimento forte de vergonha misturado com satisfação. Era como se eu detestasse aqueles garotos, mas eu não os conhecia. Para Freud sonhos são uma manifestação de desejos reprimidos em nosso subconsciente, entendo que o desejo de matar não é sinal de insanidade, mas confesso que o fato de não haver um motivo do qual me lembre causa um certo desconforto, principalmente pela cena ainda nítida em minha mente em que descarrego uma metralhadora na cabeça de um deles.

Droga, estou atrasado.

O diário de Nero Bertoli – parte 2

26/08/2016

Nada de muito relevante ocorreu nos últimos dias, exceto que eu notei o desaparecimento de minha flauta, pelo visto terei que apelar para a poesia. Não me julgo um grande escritor, mas alguns colegas dizem que sou bom, sendo assim eu arriscarei.

Estou a alguns dias com um bloquei literário, não consigo escrever nada que não seja triste e depressivo. Cada vez que a caneta dança na folha eu deixo minha dor fluir e consigo revivê-la em cada instante torturante, mas não em minha própria pele e sim como um espectador, um observador soturno de mim mesmo. Seria este o auto-julgamento que costumam falar?

Me sinto um tolo cada vez que observo e analiso a minha história. Tantas vezes eu me deixei abater por coisas que poderiam ser facilmente superadas com persistência, tantos tropeços devido minha imprudência, me envergonho de minha última empreitada, é claro, mas ela foi só a cereja no topo do bolo. Tenho um histórico longo de choramingos e desistências fúteis. Agora que provei do sabor amargo porém verdadeiro da vida não posso mais deixar o controle da minha vida para os outros.

Há uma moça na faculdade, uma amiga pra ser sincero. Venho fazendo dela minha musa secretamente, escrevo algumas coisas sobre ela, mas não tenho o intuito de lhe mostrar nunca, na verdade me sinto como um pai pra ela. Dou conselhos amorosos e falo sobre a vida, me sinto mais confortável desta forma, mas confesso que às vezes queria provar de seus lábios.

Chega, estou divagando e não trabalhando. Preciso de uma poesia pra amanhã!

 

 

A página parece manchada com algo vermelho.
Não há data, somente um texto solitário em caneta azul com algumas rasuras ilegíveis.

O que a dor faz?
Ela nos mata;
Nos faz sofrer;
Nos enlouquece;

Mas o que mais a dor faz?
Ela nos amadurece;
Nos ensina;
Nos lápida;

O que é a dor?
É veneno que mata o amor;
É remédio que cura a estupidez;
É droga que vicia o louco.

Mas afinal, que droga não é veneno ou remédio dependendo de sua dosagem?
Em nosso mundo nada é gratuito, pagamos com dinheiro, suor ou lágrimas;
Compramos sustento, conforto ou prazer.

A dor me transformou e hoje vendo minha alma;
Sou o menestrel da desgraça;
Me embriago de vinho e escrevo com o sangue de minhas feridas aquilo que quero esquecer.

 

 

 

 

O diário de Nero Bertoli

Este texto é de cunho meramente lúdico

 

20/08/2016

Um ano atrás eu tomei uma decisão que mudou minha vida pra sempre. Larguei tudo e fui atrás daquilo que amava, ou melhor, de quem eu amava. Fiquei sem trabalho, parei os estudos, briguei com minha família e meti o pé pra outro Estado.
Por meses fui o homem mais feliz do mundo e apesar das cicatrizes que já carregava na alma eu perseverei. Altos e baixos ocorriam mas com quem não ocorre? Aprendi a me virar e a cuidar de uma casa e o quão difícil era isso. Não demorou e comecei a me sentir pra baixo e infeliz, aparentemente sem motivo (depressão era um ótimo motivo). Busquei ajuda e me deparei com o fato de se você está doente no Brasil você está fodido.
Trabalhava e estudava, ela por sua vez ficava cada vez mais distante e percebia uma sombra a cobrindo ou seria eu que estava sendo engolido por essa sombra? O mundo se tornava cada vez mais frio e sem vida, acho que posso dizer que essa é a definição de vazio. Alguns dizem que o inferno é assim, ausente de tudo, sendo assim eu vivi meu inferno logo após ir ao paraíso, contraditório? Era como se Deus tivesse descoberto que eu havia falsificado minha lista de pecados X boas ações.
Bem, não dava pra ficar daquele jeito. Numa madrugada o que eu achei que não fosse piorar finalmente melhorou, pois chegou à uma definição e acabou. Sofrimento foi a única coisa que conheci durante alguns dias, mas eu meio que já havia me preparado psicologicamente para aquilo. Mais uma vez eu tinha que desfazer minha vida e começar tudo de novo. Sem trabalho e sem estudo, retornei ao ninho onde fui paparicado pela minha família e me recuperei, ainda que tudo isso tenha sido como queimar a língua, eu perdi o paladar para relacionamentos, a diferença é que eu não sei quando irei recuperá-lo, mas mesmo queimando a língua nunca deixei de tomar café, o mesmo vale para relacionamentos, ainda que estes não sejam tão profundos, dependendo do ponto de vista.
Levar uma vida sem sal nos últimos meses fez bem pra mim, na verdade me faz já que ela permanece assim.
Tô procurando um novo emprego e voltei a estudar, fiz alguns juramentos como todo ser humano após uma desilusão,aprendi algumas duras lições e isso tudo me modificou,se pra melhor ou pior? Não sei,afinal, o que sabemos ser bom ou ruim de verdade? Posso afirma que estou estável e controlado, cheio de esperança no meu futuro, até resolvi escrever um diário! Sinto que consigo ser uma pessoa mais controlada e centrada agora, talvez eu realmente precisasse desse impacto, talvez fosse isso que eu buscava com aquela aposta arriscada, encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris ou cair na real de vez.

Essa semana eu recebi uma carta bem estranha. Sério, se liga nos detalhes, primeira coisa que percebi foi o aroma, sim a carta era perfumada, um belo aroma eu diria, algo amadeirado e com um toque meio “natureba”. Virei a carta e pude sentir a textura ligeiramente incomum do papel porém mais incomum que isso era o selo vermelho nas costas da mesma, meu primeiro pensamento foi que eu estivesse sendo chamado pra algum encontro ocultista já que eu ando me metendo muito nesse meio ultimamente (quando você fica muito desocupado seus hobbys podem ficar cada vez mais profundos e bizarros)já que eu andei trocando informações com uma galera pela internet sobre diversos assuntos desde rituais até simbologia, mas nada muito além de teoria e história. Meus dedos correram e rasgaram o envelope com cuidado pra não danificar o conteúdo. Me deparei como uma caligrafia que talvez minha avó dominasse mas a muito não via, na verdade nunca vi nos tempos atuais que não fosse uma reprodução de máquina, eram letras clássicas feitas com cuidado à base de tinta nanquim e provavelmente uma pena (reconheci pois já havia visto um amigo utilizar a técnica pra desenhar). Era surreal, esse povo do ocultismo leva muito a sério essas coisas – eu pensei – mas o texto levou essa ideia de minha mente:

“São Paulo, 13 de Agosto de 2016 da era comum
Caro Senhor Nero Bertoli,
É com imenso prazer que te convido a participar de um petit comité, que se realizará às vinte e duas horas da noite de 27 de Agosto, sábado, no Hotel Fasano.
Teremos uma vernissage com obras dos novos expoentes da família de Lamare, além da exposição de um seleto acervo de pinturas famosas expostas no MASP e na Pinacoteca de São Paulo. Haverá também um sarau, onde todos os presentes poderão apresentar o que há de mais profundo em suas artes próprias – compartilhar, afinal, também é o que nos mantém vivos. Aproveitando deste espaço, faremos anúncios importantes para todos os que vivem, visitam ou representam essa comarca.
Apenas os convidados terão acesso ao evento, mas se necessário levar algum acompanhante, farei as vezes de anfitrião e resolveremos pontualmente. No entanto, adoraria contar com a vossa gentileza em manter este evento restrito, para que possamos aproveitar de um momento intimista e voltado para as artes.
Estou ansioso por sua resposta.
RSVP
Hagnar Faur de Lamare”

Era um convite pra um sarau, talvez fosse das vertentes góticas da cidade. Em todo o caso o evento parece promissor e eu irei conferir, estou pensando até em fazer uma apresentação de flauta doce.

O nascimento do clã Giovanni

Clã é uma forma arcaica para se referir à família, ou seja, pressupõe consanguinidade dos membros e aqueles que não compartilham do sangue são chamados agregados, sim, aquele cunhado chato que esvazia sua geladeira no fim de semana é um agregado. Destacado este conceito, podemos dizer que o mais novo dos clãs cainitas é o que ironicamente mais leva ao pé da letra este conceito.

Na idade média os vampiros que lidavam com os espíritos não eram os Giovanni, mas sim um clã de nome mais genérico chamado Capadócio. Um clã de eruditos fascinado pela vida após a morte e que entre muitas coisas coletavam qualquer conhecimento místico acerca da morte ou a vida além dela.

No século XI é chegado ao conhecimento do próprio Capadócio (Antediluviano do clã) que uma certa família de mercadores venezianos detinha um conhecimento sobre “nigrimancia” muito interessante, eles eram praticantes ávidos e tinham uma aparição assombrosamente poderosa como sua padroeira. Não preciso dizer que Capadócio ficou com olhos brilhando para trazer o influente patriarca dessa tal “famiglia” Giovanni para os seus.

Augustos era seu nome, o famigerado patriarca que enchia os olhos de Capadócio. Só o que o Antediluviano não sabia é que Augustos não era um mortal ignorante sobre o mundo cianita. É verdade que as promessas de vida, juventude e saúde eternas o cativaram, mas ele tratou de saber dos ônus que tais bônus lhe trariam, chegou até a conversar com alguns Ventrue e Toreadores germânicos justamente para lhes dar o que Capadócio queria, uma cria com o poder de um matusalém e o conhecimento mágico de sua família. Augustos sentou-se com os anciões Giovanni (que nessa época só eram pessoas maduras e não vampiros com centenas de anos) e ficou acordado então que aceitariam a oferta do vampiro. Eles sabiam que não poderiam gerar mais crianças (humanas) e que dali em diante dependeriam de sangue para viver, então tudo foi estudado e devidamente calculado, sendo Augustos a ser abraçado e consequentemente alguns outros membros, mas boa parte da “famiglia” permaneceria humana para dar continuidade à linhagem e servir de apoio. Acordo feito e com a benção do “Dis Pater” tudo seria iniciado.

 

Augustos Giovanni

Foi no templo da montanha Erciyes que o destino dos Giovanni foi selado junto à Capadócio. Constância e Japhet não concordaram com a decisão do seu senhor em abraçar o proeminente Augustos e meio ao rito de criação desviaram parte do sangue de Capadócio, que estava em uma taça que fora derramada para gerar Augustos, e realizaram um ritual que manteria um certo controle sobre Capadócio e Augustos. Há quem diga que esse ritual na realidade foi o que gerou a maldição Giovanni da dor excruciante no beijo. Diferente dos outros vampiros, quando um Giovanni se alimenta a vítima sente uma dor brutal que seria semelhante a dor que Constância, Japhet e outros tantos Capadócios sentiram quando o seu Ancião foi contra eles e abraçou Augustos.

 

Séculos se passaram desde o abraço e a famiglia expandiu seus rendimentos com as cruzadas ao mesmo tempo que ampliou sua influência sobre a igreja Católica, ainda que não pudesse ser tão profunda como a dos Ventrue e La sombra, mas conseguiram manter a parte mortal da Igreja simpática à família que se demonstrava tão devota.

Foi em 1444 que o grande golpe foi dado. Augustos diablerizou Capadócio e dividiu o clã em dois. De um lado a “famiglia” e os membros que apoiaram o levante, do outro estavam os Capadócios fiéis ao Antediluviano que ficaram atônitos demais para reagir ou mesmo perceber que a traição vinha sorrateira.

A Camarilla na época engatinhava e por mais que não concordasse com o que houve não poderia reprimir diretamente com toda a força o recém nascido clã Giovanni, já que eles tinham que cuidar do Sabá que havia nascido das revoltas anarquistas contra os anciões (e não queriam que os Giovanni engrossacem as fileiras Sabá), no fim a Camarilla fechou os olhos para o genocídio que viria.


Centenas de Giovannis caçaram outras centenas de Capadócios, seus refúgio foram invadidos e eles foram diablerizados ou encontraram a morte final nas melhores das circunstâncias.

Um acordou ficou firmado com a Camarilla. Ela não interferiria em um “assunto interno do clã” e por outro lado os Giovanni não poderiam tomar partido na Jyhad. Dito e feito. Nasceu por meio de acordos escusos e se consolidou por conta deles. Ainda existem Capadócios? Provavelmente, afinal há relatos de ninhadas inteiras que fugiram para a umbra , tal como é possível que um ou outro tenha entrado em torpor antes do genocídio ou durante, sendo muito difícil detectar, mas se eles acordarem a “famiglia” estará pronta para acabar o que começou.
boa noite, neófito.

Prelúdio em destaque #1

Está série nova de posts pretende mostrar alguns exemplos de histórias de personagens de amigos (e de pessoas que postaram na internet) para servir de inspiração tanto no tom da narrativa como nos fatos narrados.

Hoje eu trago pra vocês Gilbert Axton M., também conhecido com Sr. Gam. O jogador consegue narrar fatos notáveis do livro do clã Ravnos, mas tirem suas conclusões…

 

 

.Gangsters
24/05/1905. Trinta anos.
Estou fazendo um passaporte espanhol para Mack Sacchetti. Vou chamá-lo de Jake Davino, acho que o garoto vai gostar. De todas as línguas que aprendi, creio que espanhol é uma das mais interessantes.

O senhor Romas disse que precisa falar comigo, mas amanhã. Eu perguntei se poderia passar em sua casa durante a tarde, mas ele disse que prefere a noite. Que seja então.

25/05/1905. Dia seguinte.
Estou confuso. No que ele me transformou? Isso é magia? Ele disse que a família estava me recompensando. Disse que eu seria imortal, que a vida passaria a ser bem mais fácil e que esse seria o pagamento definitivo por todos os meus serviços, passados e futuros. Mas, se é assim, por que eu me sinto tão estranho? Estão batendo na porta, acho que é a criada.

Dio mio… O que eu fiz?

04/06/1905. Semana seguinte.
É, a vida é definitivamente mais fácil. O senhor Romas me instruiu melhor. Aparentemente, há toda uma sociedade de vampiros lá fora. Ele me explicou um pouco sobre a Camarilla e o Sabá, mas não entrou em detalhes. Nós não lidamos com eles.

Ele também me transferiu uma considerável fortuna, me disse que não me faltaria nada enquanto o servisse.
Comecei a identificar os outros Membros na família. Gente que eu jamais havia imaginado…

15/03/1906. Ano seguinte.
Hoje estivemos em uma reunião. Lil’ Johnson e Martin Villas estavam lá, aquelas cobras. Todos sabem das trairagens desses dois filhos da puta, mas ninguém faz nada. Esses muleques não tem a menor noção de respeito na família, e é justamente o respeito que mantém a pele deles intacta.

Não sei se tenho mais paciência. Uma parte de mim grita por justiça. Mais que sangue, eu quero esses dois mortos pelas minhas mãos.

16/03/1906. Dia seguinte.
Foi maravilhoso. Aliás, foi tão bom que eu quase me esqueci de sugar o sangue deles depois. Quase.

05/08/1907. Ano seguinte.
Al Shortle anda transando com a senhora Laurence Romas. Eu sei porque um passarinho me contou. Literalmente.

Não sei se devo contar ao senhor Romas, ele ficaria furioso. Digo, é claro que aquele homem já não sabe o que é o amor há muito tempo, e a coitada da mulher não via uma piroca há mais tempo ainda. Mas há uma questão de orgulho aqui. Respeito, família! Não sei se Al merece isso… Mas ele tem que assumir as consequências.

06/08/1907. Dia seguinte.
Al está morto. Houve um grito de mulher. Quando eu cheguei no quarto, o corpo dele estava espalhado por todo o chão. Havia uma grande lasca de madeira fincada no peito do senhor Romas, e a senhora Laurence estava chorando a um canto, assustada pelo que havia feito.

Tive que pensar muito rápido. Minha primeira reação foi retirar a lasca, mas eu me contive. Estava ali a chance de eu manter a dádiva da imortalidade, mas livre dos Sacchetti de uma vez por todas.

Não me dei a chance de pensar duas vezes. Tirei a madame do quarto e arranquei a cabeça do senhor Jonas com uma faca de churrasco. Não foi meu ato mais delicado, mas era o único jeito de matá-lo.

09/08/1907. Três dias depois.
O velho sem cabeça ainda assombra meus sonhos. Pro inferno com ele. A vida demanda certos sacrifícios. Ele mesmo me ensinou isso.

14/09/1907. Mês seguinte.
Passei minha fortuna para outra identidade, antes que me encontrem. É muito mais fácil falsificar documentos agora, o produto é instantâneo com um toque quimérico.

.Torre de Marfim
02/01/1910. Três anos depois. Trinta-e-cinco anos.
Senhor Romas estava certo. A Camarilla é mesmo um saco. Uma sociedade falida de gente suja. Não que eu me sinta muito mais limpo que eles… De qualquer forma, vou me livrar dessa confusão. Acho que vou pra Europa, por que não?

.Grandes Guerras
13/08/1914. Quatro anos depois. Trinta-e-nove anos.
Guerra Mundial? Ora, mas que Guerra Mundial é essa se só acontece em um continente? Esses humanos as vezes conseguem ser bastanta imbecis. Em todo o caso, ainda são perigosos. Vou me manter fora da reta.

22/12/1927. Treze anos depois. Cinquenta-e-dois anos.
Estou na Inglaterra. Hoje comprei um cachorro com papel quimerisado em dinheiro. É melhor não tornar isso um hábito. Da primeira vez será apenas um humano confuso, mas das próximas vou ter um Algoz na minha cola.

Ele é uma graça de bicho. Acho que vou chamá-lo de Maya.

15/06/1935. Oito anos depois. Sessenta anos.
Maya sumiu, aquele filho de uma quenga. Ele tinha um Laço de Sangue forte demais pra fugir, portanto acho que pegaram ele. Devem estar me investigando, é melhor dar o fora desse país.

Próxima parada, França.

10/05/1940. Cinco anos depois. Sessenta-e-cinco anos.
Os alemães invadiram o país. Agora está difícil fugir daqui, então preciso dar um jeito de me virar. Acho que vou roubar um rifle.

11/05/1940. Dia seguinte.
Essa é definitivamente a melhor invenção do homem depois da camisinha.

12/05/1940. Dia seguinte.
Haha, é muito divertido estourar a cabeça desses filhos da puta. Mas preciso sair daqui. Se ficar nesse prédio mais uma noite, é capaz que me descubram. Além disso, parece que eles estão ganhando. Não quero ficar aqui e ser o último atirando contra os nazis.

19/07/1943. Três anos depois. Sessenta-e-oito anos.
Encontrei uma família Rroma. Fazia tempo que não via uma. Acho que vou ficar com eles por um tempo.

21/07/1943. Dois dias depois.
Nos capturaram na calada da noite, filhos da puta. Estão nos levando pra uma espécie de prisão de segurança máxima.

22/07/1943. Dia seguinte.
Adoriabelle morreu. Deram um tiro na cabeça dela porque ela fazia barulho demais. As celas são amontoadas de gente, os soldados os tratam pior do que… Raios, pior do que eu trataria eles.

23/07/1943. Dia seguinte.
Ainda não arranjei um jeito de escapar. Por sorte eles não nos tiram daqui pra nada, então não tenho que me preocupar com a luz do dia.

24/07/1943. Dia seguinte.
Não tenho vitae pra pensar demais. Tive um plano maluco. É totalmente errado, tem fortes chances de virar contra mim, mas acho que é a melhor chance que tenho.

Vou Abraçar todos aqui. Todos.

27/07/1943. Três dias depois.
Estou livre, vivo e muito longe da França. Acho que vou passar um tempo na Índia.

Nota para eu mesmo: Nunca, NUNCA mais fazer Abraços em massa.

.Dinheiro
01/08/1969. Vinte-e-seis anos depois. Noventa-e-quatro anos.
Essa história de Bolsa de Valores parece interessante. Vou experimentar.

25/09/1976. Sete anos depois. Cento-e-um anos.
O dinheiro que andei investindo na Bolsa me rendeu uma fortuna. Agora que estou confortável vou passar a deixá-lo apenas em investimentos seguros.

Não quero mais me preocupar com isso.

.O Tratamento
06/05/1994. Dezoito anos depois. Cento-e-dezenove anos.
Me chamaram pra um Tratamento. Achei interessante. É claro que eu já ouvi falar, todos sabem do que se trata. Mas não me via de fato participando de um. Será daqui a duas semanas,

10/05/1994. Quatro dias depois.
Hoje passei em uma loja de armas. Comprei algumas quinquilharias e descobri que a Barrett M82, um rifle de calibre grosso de primeira, agora é comercializada para civis. Haha, o que esses humanos tem na cabeça?

Comprei a minha, será útil no Tratamento.

20/05/1994. Dez dias depois.
Hoje foi a primeira noite de Tratamento. Causamos balbúrdias dentre os pontos mais quentes de Hyderabad. Precisávamos nos ajudar se quiséssemos que o Tratamento funcionasse e, principalmente, sobreviver. Por isso me senti propenso a salvar um cara que estava cercado em meio à uma aglomeração. Um tiro no meio da testa daquele Xerife sem vergonha foi o bastante pra ele escapar.

21/05/1994. Dia seguinte.
Valeu a pena salvar aquele cara. Hoje foi a vez dele me salvar. Sempre bom ver que suas escolhas renderam lucro.

22/05/1994. Dia seguinte.
Acabou o Tratamento. Quando já estávamos escapando, com as coisas mais calmas, tive tempo de conhecer melhor meu pretenso amigo. Seu nome é Ian Baxt II, e ele é daqui mesmo. Fizemos o juramento de lealdade Ravnos, aquele da cuspida na mão e coisa e tal. Prometemos nunca mais perder contato.

Hah, até parece.

.Semana dos Pesadelos
15/08/1998. Quatro anos depois. Cento-e-vinte-e-três anos.
Sachika disse que um Matusalem de Quinta Geração acordou ao Sul daqui da Índia. Não sei de onde ele tirou essa informação e, honestamente, não sei se quero que seja verdade ou mentira. Os Cataianos estão varrendo todos nós de Bangalore até aqui, e eu não sei se é melhor ter um Matusalem psicopata do nosso lado ou ninguém.

18/08/1998. Três dias depois.
Os Cataianos chegaram. Madana e Daha não respondem mais os e-mails, acho que já pegaram eles. Vou me manter em silêncio por hoje. Talvez consiga escapar no primeiro carregamento de tempero da manhã.

19/08/1998. Dia seguinte.
Era mentira. Sachika sempre mente, eu devia saber. O Matusalem é de Quarta, não Quinta. Ele se diz Cria direta do nosso Antediluviano, e o que esse cara consegue criar a partir do nada é impressionante. Eu vi ele devorando Sachika em questão de segundos. Dizem que esses velhos já não se sustentam mais só com sangue humano… Não vou ficar por perto muito tempo. Ele está nos fazendo criar Abraços em massa (déjà vu?) e lançando dezenas de neófitos contra os Cataianos. Está funcionando, por enquanto, mas eu não quero estar aqui pra ver o que vai acontecer quando ele ficar com fome de novo.

25/08/1998. Seis dias depois.
É impressionante o que esses Cataianos são capazes de fazer. Acho que nunca vi uma cabeça voar tão longe de uma vez só. Eu acho que consegui matar um deles, mas não tenho certeza se funcionam como nós, do Ocidente.

De qualquer forma, não é mais meu problema. Escapei de Erode, agora estou em Coimbatore. Se seguir as estradas, posso dar a volta em Bangalore e escapar do grosso de Cataianos.

04/07/1999. Ano seguinte. Cento-e-vinte-e-quatro anos.
Não dormi direito hoje. Tive algum pesadelo, mas não lembro o que era. Deve ser o estresse da última batalha em Erode. Udit vive por aqui com alguns Rroma. Vou me encontrar com ele, me atualizar sobre as estradas dessa região.

05/07/1999. Dia seguinte.
Outro pesadelo. Estou no apartamento de uns primos de Udit. Ele disse que anda tendo pesadelos também. Estamos todos em tempos de guerra. É esperado, eu acho.

06/07/1999. Dia seguinte.
Não me lembro com o que eu sonhei, mas foi pior do que todos os outros. Tinha algo a ver com um rei… E, não sei, canibalismo? Em todo caso…

Udit teve um frenesi estranho hoje. A energia foi cortada, aparentemente por causa de um furacão ao Norte daqui, enquanto ele estava assistindo televisão. Ele matou três da família, tivemos que fugir. Estranho, eu nunca achei que ele fosse do tipo que se esquenta tão fácil.

07/07/1999. Dia seguinte.
Estávamos viajando no vagão de um trem de sacas de arroz. Acordei de manhã, o Sol ainda entrava por algumas frestas. Udit já estava acordado, me encarando fixamente como uma espécie de demente alucinado. Ele me atacou, e eu tive que destruí-lo. Ou eu ataquei primeiro? Não tenho certeza.

Não sei o que está acontecendo. O corte que Udit fez no meu estômago não quer fechar, não consegui dormir, e estou faminto, apesar de não me faltar vitae. Tem algo de errado comigo. Com a minha cabeça.

09/07/1999. Dois dias depois.
हम सब मर

10/07/1999. Dia seguinte.
Está passando. Eu não sei o que aconteceu, foi uma semana conturbada. Não me importo com Udit, era ele ou eu. Mas, se não posso controlar minha própria cabeça, começo a ficar preocupado.

Cheguei em Bhabta. Estou com um pressentimento estranho sobre a planície de Bangladesh. Algo muito forte dentro de mim me diz para não ir pra lá. E é por isso que eu vou. Eu quero… Não, eu preciso descobrir o que está acontecendo nesse país.

11/07/1999. Dia seguinte.
Tinha uma cratera enorme, como se tivesse caído alguma coisa gigantesca ali. As nuvens no céu estavam estranhas, e eu… Ora, que diabos. É o meu diário, eu posso escrever o que eu quiser. Quando cheguei dentro da cratera, despenquei a chorar. Não sei o que aconteceu, nem porque me bateu aquela agonia. Chorei feito uma mocinha. Chorei até perceber que não estava sozinho.

Eu não sei o que era aquela criatura. Acho que era um Garou. Eu atirei. Não sei se eu o matei também, mas depois que ele caiu eu voltei pro buggy e acelerei o máximo que pude. Não quis olhar pra trás, e já não faço tanta questão de voltar praquele lugar.

.Retorno
19/07/1999. Uma semana depois.
Não tinha mais nada para mim naquele país maldito. Juntei minhas coisas e vim pra América. Os Estados Unidos mudaram bastante desde que estive fora, confesso. Acho que não é mais seguro ser um Ravnos por essas bandas, nem em lugar nenhum do mundo. Por hora, vou me manter na minha, apenas investigando a sociedade vampírica daqui. Quando tiver alguma certeza sobre eles, começo a mover meus pauzinhos. Quem sabe não fixo residência de novo?

Agora que comecei uma vida nova, preciso traçar um objetivo… É difícil ter um concreto quando você não passa de um cadáver imoral estagnado no tempo, pra ser sincero. Antes eu estava aprendendo um pouco sobre as origens do clã na Índia, quando acabei participando pessoalmente do fim dele. Creio que meu objetivo, agora, é encontrar um novo objetivo. As coisas sempre acabam acontecendo pra mim. Não tenho certeza que eu gosto disso, mas já é o único jeito que eu sei viver. Qualquer coisa diferente seria… entediante.

Bom, não tenho pressa. Não é como se tempo fosse um problema pra mim, não é mesmo? Até lá, talvez eu cace um ou dois filhos da puta dessa cidade, por que não? Isso me manteria ocupado.

15/08/1999. Um mês depois.
Estou me atualizando sobre a documentação e burocracia do país. Creio que não terei problema em forjar documentos aqui a partir de agora.

Testando uma nova ideia, também andei treinando o timing e processo de venda das máquinas de cartões de débito/crédito.

23/10/1999. Dois meses depois.
Me encontrei com um antigo conhecido do Madana, um outro sobrevivente. Acabei descobrindo que era Ian Baxt II, quem diria? Jurava que nunca mais veria o camarada outra vez. Aparentemente o cara é espiritualizado, manja das putarias de ser um verdadeiro Ravnos. Ele disse que boa parte do nosso clã foi extinto, e que aquela foi a batalha do nosso Antediluviano. Não me impressionei muito. No fundo, eu já sabia. Só não tinha plena consciência disso, mas sabia.

Bom, acabou. Eu sobrevivi ao nosso Grande Canibal, não foi? Agora são os outros clãs que devem se preocupar com a Gehenna, não eu. Eu só tenho que me preocupar com o meu rabo.

Separamos nossos caminhos de novo. Mas dessa vez eu pretendo realmente manter contato. Sobraram poucos irmãos para “confiar” agora.

E o maldito velho disse que a vida seria mais fácil… O cu dele que seria!

 

 

OBS: Esse é o formato em diário, em uma próxima publicação eu trago a versão narrativa.

Magia Koldúnica – Como os Tzimisces descobriram?

O koldunismo é um formato de magia no cenário do mundo das trevas muito peculiar, consiste na manipulação das forças da natureza através da invocação dos espíritos que nela habitam, mas o que são esses espíritos exatamente? Como os Tzimisces descobriram essa magia?

 

Aqui Yorak é retratado de forma mais humana, mas não se engane

A história da feitiçaria koldúnica dentro do clã remonta eras imemoriais quando o Antidiluviano ainda era ativo. “O Mais Velho” como é chamado no livro do clã Tzimisce, saiu de Enoque (a segunda cidade) e caminhou pelo mundo visualizando a humanidade dispersa em tribos e abraçando uma criança em cada nova em cada ponto, Yorak foi uma dessas crianças, especificamente na região dos Cárpatos e é lá que nos interessa.

 

As cadeias de montanhas da região foram feitas milhares de anos atrás quando Caim ainda era uma criança e a humanidade restava pura. Naquela região houve um grande conflito entre lobisomens e um espírito corrompido da Wyrm chamado de Kupala. Este ser maligno sucumbiu ao poder dos xamãs lupinos que o fecharam dentro de uma prisão labiríntica dentro das montanhas, sim, toda a cadeia de montanhas da região era sua prisão. Tzimisce sentia uma forte atração pela localidade e não sabia explicar o real motivo, mas foi aquilo que o fez permanecer na região ainda que sob ataque dos lobisomens, mas estaria tudo bem se parasse aí.

 

O espírito ancestral corrupto Kupala vinha até Tzimisce em sonho e o orientava quanto ao que fazer contra esse inimigo em comum. Kupala convenceu “O Mais Velho” à lhe libertar em troca de conhecimento mágico, sim, a feitiçaria Koldun.

Os lobisomens/Garous/Lupinos no Mundo das Trevas são bem interessante. Eles existem no mundo antes mesmo dos vampiros

Foi então que o tempo passou e inúmeros expedições do clã foram feitas no interior das montanhas em busca da prisão de Kupala. Quando finalmente a encontraram os lobisomens travaram uma batalha ferrenha com Tzimisce e suas crias e hordas de carniçais, não pareciam páreo para o poder dos lobisomens, mas este foi um dia de dura queda para os lobisomens pois Kupala foi liberto ainda em meio a batalha e isso possibilitou aos “Demônios” virar o combate e enfim expulsar os lupinos da região, todavia Kupala estava enfraquecido e agora estava parcialmente ligado à região e ali se fazia o reino Tzimisce que sobreviveria posteriormente ao dilúvio.

 

Lembra que eu disse o que aconteceria com a Catedral de Carne? Pois bem, agora você lembra que quem criou a Catedral foi Yorak e que na idade média o infeliz já tinha algumas centenas ou até mais de mil anos, lembra também que a catedral é como um imenso carniçal? Na verdade milhares de carniçais humanos tecidos e fundidos para criar a estrutura com uma única mente coletiva?

 

Como sempre algo deu errado nesse meio tempo e Yorak e Kupala parecem ter se desentendido, ou Kupala talvez tenha visto neste cenário a possibilidade de ser livre. Ocorre que durante a idade das trevas a Catedral se volta contra Yorak e o ataca, garras e presas surgem das paredes e pilares segurando o ancião e sorvendo sua vitae e por fim sua alma infernal e enfim se tornando senhora dela própria. Você deve estar se perguntando “mas se a Catedral era um carniçal como ela conseguiu se rebelar contra seu senhor?”, a resposta é simples, Kupala.

 

Kupalla – o espirito corrupto que ensinou o koldun

Sim, o espírito corrupto da Wyrm influenciou e dominou a catedral e a utilizou para diablerizar o ancião Tzimisce, Yorak. Após isso a Catedral de Carne ganhou vida e hoje, onde ela deveria existir só há um imenso buraco. Lição do dia? Tome muito cuidado quando for trocar conhecimento com um espírito corrupto da natureza, as coisas podem se voltar contra você depois.

 

Existe toda uma adaptação da história e uma narrativa exata dos acontecimentos mencionados acima no suplemento que eu indiquei no artigo da Catedral de Carne, só dar uma olhada lá, na verdade é ideal que vocês o leiam também até pra entender o que é a Catedral de Carne e a importância da Yorak.  
Boa noite, neófitos.