Liisa Ladouceur e os 40 Anos da Moda Gótica

Nos eventos realizados pela REDE VAMP tais como o Fangxtasy, Carmilla, VAMPinup, REDIVIVO Lounge, Academia Fantástica, nos Saraus e até no Bazar Rede Vamp sempre há a questão do visual mais elaborado que expressa a criatividade e habilidade do nosso público (assista nosso video). O visual de cada um sempre lida com a questão do corpo como o suporte da arte – e de valores pessoais abertos a interpretação de cada um e do seu criador. Alguns gostam de criarem seus visuais e outros de apenas idealizarem e comprarem em lojas ou criadores especializados. O que mais importa é sentir-se bem e viajar ao som da boa música, boas conversas e encontros inesquecíveis dos eventos. Aqui mesmo no REDE VAMP oferecemos um amplo guia de sugestões de visuais.

Recentemente a escritora canadense Liisa Ladouceur elaborou dois vídeos (que se tornaram virais mundialmente) bem interessantes que oferecem uma vitrine e um panorama do guarda-roupa dos estilos por comodidade nomeado como gótico. Partilhamos estes videos a seguir – interessante para nos inspirarmos e também compreendermos que todos eles coexistem ainda hoje em cada festa ou casa noturna através do mundo – assim como o som das bandas aos quais estão mais ou menos associados por seus apreciadores e fãs. No Brasil os termos “Dark” ou “Gótico” são adjetivos as vezes utilizados até como sinônimos em alguns lugares. São utilizados em diversos recortes culturais ou bolhas sociais das mais variadas formas; incluindo um amplo e pragmático vespeiro contraditório de conteúdos entre cada uma delas. Inexistindo qualquer consenso, havendo apenas cartilhas de regras de inclusão ou de exclusão sociais para aquele determinado segmento baseados na popularidade de um determinado “guru” e de seus partidários na internet. Usam termos acadêmicos pomposos (subcultura, cultura, movimento, cena, trevosos e muitos outros) quando na vida como ela é apenas estão falando dos gostos deles e das pessoas mais próximas daquela mesma balada, recorte ou bolha social (quase sempre fazendo de conta que falam em nome do todo!).

Interessante ressaltar que o trabalho de Liisa Ladoceur felizmente não se preocupa com nada disso (ainda bem!)e transcende as arbitragens “sociais” oferecendo uma visão mais clara, ampla e transparente. Mais fiel a história da moda, fashionismo e afins. Vamos a eles e depois de assistir prossiga a leitura:




Liisa é dona de um humor sutil e extremamente hábil ao apresentar os conteúdos de um contexto cultural bastante subestimado e incompreendido que reside entre os totens e os tabus da cultura ocidental

 

O trabalho de Liisa foi inicialmente mais conhecido pelo grande público no contexto metal por sua participação no documentário GLOBAL METAL (2008) como narradora, pesquisadora e desenvolvedora do script. Em seguida participou de outro “doc” bastante famoso “IRON MAIDEN: Flight 666” (2009) e ainda no METAL EVOLUTION (2011). A partir de 2011 publicou as obras “Encyclopedia Gothica” pela (ECW Press) e depois “How to Kill a Vampire: Fangs in Folklore, Film and Fiction” (2013, pela ECW Press, novamente). Também publicou um livro de poesias chamado “On Tenterhooks”(2008). Seus artigos, resenhas e críticas pode ser apreciados nas colunas musicais da revista “Rue Morgue”, “Now Magazine”, “The Huffignton Post” e muitos outros. Ela também é autora, pesquisadora e produtora de vídeos no “Banger TV”. Também esteve envolvida com a história da música de Toronto em CITY SONIC e apresentou um outro doc chamado “Satan Lives” (pela Aux Tv). Além disso tudo ela ainda arranja tempo como apresentadora de eventos culturais e festivais diversos. Como todo mundo que de repente surge com um trabalho incrível aparentemente do nada, o início de Liisa se deu com a publicação de zines e de um programa televisivo nos tempos da universidade.

Conheçam mais do seu trabalho no site oficial dela.

SOBRE OS FRACOS E OS MANSOS

[Texto de Lord A:.] O texto a seguir é dedicado a diversidade, a alteridade e a todos que preferem apoteoses e insurreições de si para si, repudiam a velada caça de privilégios disfarçada de justiça social e a posse das chaves dos arsenais e prisões sempre ambicionadas pelos revolucionários servis – ávidos de as entregarem para qualquer outro dos quais sejam as baterias de seus discursos ou ainda agentes e extensões. Na Cosmovisão Vampyrica os chamados fracos e mansos – ou parasitas – NÃO consistem em nenhum tipo de classe social, financeira, política, gênero ou escolha sexual. NÃO são de nenhuma área de atuação profissional específica, autônoma, empregatícia ou desempregada. E tampouco se refere a qualquer tipo de etnia, religiosidade, espiritualidade ou afins. O fraco e o manso é um padrão, um hábito e uma postura danosa na esfera pessoal, coletiva e ao próprio ecossistema a ser evitado.

 

No mundo denotativo, materialista, histórico e dialético, cada um é sintoma e produto do meio que está inserido e uma casca vazia destinada a servir como bateria ou extensão do que angustiosamente não consegue nomear. Só lhes resta o consolo do fanatismo como sua ilusão de lugar seguro servindo como massa de manobra para seus líderes demandando privilégios de mercado e exclusividade de consumo, agredindo como puderem todos que vivem fora deste rebanho. Bradam o termo “apropriação cultural”, catalogam todo tipo de sofrimento possível e derramam toda sua vitalidade para “glamourizarem” a ignorância e fazerem todos os infiéis cobiçarem e desejarem sofrer como cada um deles sofrem. Nestes tempos de posto logo existo, não surpreende que o imediatismo de um sofro logo existo sirva como base de identidade.

(…) quanto mais se hipervaloriza o sofrimento, o vazio, ser um produto do meio e a ausência de sentido em tudo, no plano individual o lado comprovador da mente mais e mais se esforça para comprovar isso como uma realidade absoluta e simplesmente natural – MAIOR A VIOLÊNCIA QUE TODOS SÃO EXPOSTOS NA VIDA pelos fracos e mansos(…)

Enfim, quanto mais se hipervaloriza o sofrimento, o vazio, ser um produto do meio e a ausência de sentido em tudo, no plano individual o lado comprovador da mente mais e mais se esforça para comprovar isso como uma realidade absoluta e simplesmente natural. Isso abre as portas das piores barbáries promovidas pelas pessoas e exaltadas nos programas televisivos e outras mídias, adere a estética que explora e glorifica tais hábitos mecânicos e compulsivos como expressão cultural e até como inclusão ou justiça social. O que impulsiona e é manobrado em todos estes movimentos se chama recalque, melindre, rancor e dissabor como o processo seletivo de quem é incluído ou excluído desta massa de manobra política contemporânea. A intolerância e o fanatismo religioso, político e tantos outros nada mais é do que a sua face pública e a evidência final do estado de impotência que a condição humana vem sendo exaltada no Brasil e outros lugares. No plano coletivo temos infindáveis rebanhos de fanáticos explodindo, agredindo e usurpando a vitalidade de muitos mais ainda silenciosos, ávidos de converterem todos a esta vil moralidade – mascarada como religião, justiça social, subcultura isso e movimento disso ou aquilo.

 

(…)A isso tudo na Cosmovisão Vampyrica damos o nome de “Parasitagem” e a seus praticantes de parasitas ou ainda de “fracos e mansos”.(…)

A isso tudo na Cosmovisão Vampyrica damos o nome de “Parasitagem” e a seus praticantes de parasitas ou ainda de “fracos e mansos”. Tudo isso contraria a nobreza, autonomia e independência – ou soberania que por comodidade nomeamos como “Vampyrica”.  Sabemos que o termo que nomeia ao que apreciamos e vivemos é sumariamente destituído do significado original pois contraria as agendas, ideologias e dogmas de pessoas que necessitam manterem rebanhos nos cabrestos e pensando dentro de medidas e dimensões dadas por terceiros. Afetam quem foi programado para projetar, culpar e sempre deixar em terceiros aquilo que pode transformar suas vidas. Não podemos esperar muito de contingentes humanos que apenas olham para fora da janela de suas moradas acreditando que assim verão a si, aquilo que carregam e o evidente custo disso para si, para os outros e ainda para a natureza.

 

A COSMOVISÃO VAMPYRICA SE OPÕEM A TUDO ISSO

Nós ousamos ser românticos, esotéricos, conotativos e simbólicos ainda que invisíveis tal como os “mortos-vivos” pois ainda refletimos, nos inspiramos, irradiamos, mediamos e espelhamos a alteridade de uma arte sem nome, extática e pós-humana. Somos tomados como “mortos para o mundo” das aparências e de milhões e milhões de fracos e mansos, meros desauridos, escravos, baterias e extensões de quem aceitaram e endeusaram como intocáveis, inalcançáveis e aquilo que jamais poderão nomear. Acreditam serem a imagem e semelhança disso que lhes é inominável, por extensão agentes desta moralidade de uma realidade espelhada deles próprios. Expressivamente vazia a ponto de precisarem causar todo tipo de ruído, fanaticamente e compulsivamente tentarem converter a tudo e a todos, para com o barulho evadirem do próprio vazio, ausência de sentido, sintoma e produto do meio que estão inseridos. Como se isso fosse um tipo de lugar seguro ou de paz interior. Apenas mais um vício passional entre muitos outros, consiste em minar e parasitar toda vitalidade de quem lhes é altero. A vida demonstra que viciados nada mais são do que um claro reflexo da sua própria ausência ou falta de paradigma, engana-se quem postula a droga ou qualquer outro aditivo químico como a causa de alguma coisa; eles são apenas os sintomas daquilo que é causado pelos dogmas, ideologias, hábitos e padrões descritos longamente na jornada deste artigo. Como tudo o mais que impera na esfera humana só persiste pois há uma demanda estabelecida e valorizada, uma necessidade e principalmente destinadas as claras fontes de lucro sempre pensadas no curto prazo essencialmente humano.

A natureza e o ecossistema já entregam claramente as pistas das consequências e resultados destas escolhas morais e datadas – travestidas e endossadas como a vontade de deus ou melhor das lideranças humanas; que nada são perante o vigor de um tsunami ou tempestade.


A CONDIÇÃO DOS FRACOS E MANSOS E A VARIEDADE DE PARASITISMOS QUE EXPÕEM AS PESSOAS E A PRÓPRIA NATUREZA VEM SENDO CATALOGADA NA PÁGINA COSMOVISÃO VAMPYRICA, aqui destacamos as seguintes postagens:

VAMP O MÚSICAL, estréia no Rio de Janeiro

Calada noite preta…noite pretaaa…Calada noite pretaaa…noiite pretaaa… assim iniciava a novela vampiresca brasileira mais popular de todos os tempos! Contava a história da vampira e cantora Natasha (interpretada por Claudia Ohana) tentando escapar das artimanhas do vampiro Vlad (Ney LaTorraca) o que acaba levando o embate para a pacífica cidadezinha de “Armação dos Anjos”. Vamp foi a terceira novela (ou quarta, segundo alguns) que abordou o contexto dos vampiros – mas dessa vez com uma linguagem mais pop e juvenil sob o comando do diretor Jorge Fernando e o texto implacável de Antônio Calmon, auto proclamado pai dos vampiros no Brasil. Embora o Vamp já frequentasse há bem mais de 100 anos as páginas da literatura, teatro e do cinema nacional. Outro destaque era a trilha intrusmental primorosa do músico André Sperling. Vamos falar agora sobre o musical!

O espetáculo é uma adaptação da novela “Vamp”, comédia de terror da TV Globo que marcou os anos 90, estrelada pelos mesmos protagonistas do folhetim, Claudia Ohana e Ney Latorraca. Fazem parte da equipe criativa outros nomes da novela, como o autor Antonio Calmon, o diretor Jorge Fernando, e o figurinista Lessa de Lacerda. Entre os criativos também estão Alonso Barros (coreografias) e Tony Lucchesi (direção musical, arranjos e preparação vocal).

Na trilha sonora, Claudia também assume o vocal do clássico “Sympathy to the Devil”, dos Rolling Stones, como fez na novela. “Não é uma história de vampiros, é uma história de amor, com muita comédia para a família inteira poder ir ao teatro junta. É um espetáculo para todas as idades: para quem foi criança naquela época e para as crianças de hoje”, garante Jorge Fernando.

 

Ao todo, o elenco será formado por 35 atores e bailarinos: Ney Latorraca, Claudia Ohana, Lilian Valeska, Claudia Netto, Luciano Andrey, Erika Riba, Pedro Henrique Lopes, Xande Valois, Livia Dabarian, Thadeu Matos, Osvaldo Mil, Gabriella Di Grecco, Oscar Fabião, Mariana Cardoso, Duda Santa Cruz, Daniel Brasil, Rafa Mezadri, Talita Real, Mariana Gallindo, Lana Rodhes, Laura Ávila, Carol Costa, Carol Botelho, Jessica Gardolin, Renan Mattos, Lucas Nunes, Matheus Paiva, Leonardo Senna, Franco Kuster, Murilo Armacollo, Gustavo Della Serra, Marina Mota, Gabriel Querino, Andressa Tristão e Leonardo Rocha.

A temporada vai de 17 de Março a 04 de Junho no Teatro Riachuelo Rio. Clientes que se cadastraram no site oficial para a pré-venda podem garantir seus ingressos a preços especiais, através do site, até o dia 07/02! As vendas para o público em geral começam no dia seguinte. [FONTE]

O Demônio de Neon, Vampiros e Perséfone

Não sou eu que quero ser como eles. São eles que querem ser como eu!” Jess, O demônio de Neon

[Um artigo de Lord A:.] Hipnótico como uma serpente é o melhor adjetivo que encontrei para delinear algumas linhas sobre o filme “O Demônio de Neon” (The Neon Demon, 2016) do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn (Drive, Valhalla Rising). Alguns leitores e leitoras dirão que eu vejo vampiros, ainda que em tons subjetivos por toda parte, assim como nuances de mitologia também. Sim ambos elementos estão presentes na obra como destaco ao longo deste artigo. É uma história fatal sobre essência e perda de inocência, a bela e misteriosa Jess (Ellen Fanning) vem para a cidade de Los Angeles tentar a sorte no implacável mundo fashionista. O tom da película orbita algo como se fosse um encontro dos filmes “Showgirls”, “Cisne Negro e “Laranja Mecânica”. A obra também uma sutil influência surrealista de Alejando Jodorowsky e Kenneth Anger em alguns momentos. E já adianto que gostei bastante do filme.

Arrastado, moroso e repleto de cenas de rica fotografia gravadas com diálogos onde as personagens conversam através de seus reflexos nos espelhos, que evidenciam o solipsismo de cada uma delas. Só existe o foco, a necessidade (voraz) e a experiência de cada uma. Superficiais, ausentes de empatia e vorazes. Feras sanguinárias trancafiadas em quartos de hotéis baratos. Aliás isso desponta logo no começo do filme quando um “Cougar” é encontrado pela protagonista no seu quarto.

Em romances como Carmilla de Sheridan Le Fannu (uma adaptação em prosa de Christabel de Coleridge) temos a cena imortal da bela jovem, casta e virginal que deixa o castelo ou mansão descalça trajando uma longa camisola branca na calada da noite para orar na capela do lado externo e acaba atraindo para si um mal inominável que sufocará sua expressão e essência. Na releitura moderna sai o castelo do romance gótico e vem o hotel barato gerenciando por marginais, onde lindas jovens desejosas sempre com ares vulneráveis, dormem de portas abertas se imaginando seguras – mas em cada uma jaz uma fera amoral e voraz ávida por atenção, fama e eliminar quem ameace sua posição transitória e substituível. Maquiadoras, fotógrafos e agências fazem as vezes da ameaça sufocante. As personagens são ausentes de empatia, é como se cada personagem fizesse um monólogo perante o outro. E assim como uma fera tudo se resume a fome e sexo. Tudo é esteticamente belo na aparência mas vazio e faminto…

O filme se inicia focando o olhar de sua protagonista e se encerra destacando seu olho, vivemos, espreitamos, caçamos e morremos pelo que vemos nos contrastes do mundo (e as vezes nos perdemos de si neste processo) – uma sociedade de aparências e de belezas que oferecem privilégios aos que pagarem seu preço e que devora vorazmente os que se recusam ou desconhecem sua barganha. Vemos isso em tom bem explícito quando a protagonista Jess (Ellen Fanning) é abordada no banheiro da boate pelas outras 3 jovens e o papo oscila ao redor de nomes de batom que lembram comida e outros associados ao sexo. Outro ponto importante é o  olhar do esteta, a visão do criador e a eterna busca por suportes que cristalizem expressivos devaneios; no mundo fashionista este suporte é o corpo dos modelos e isso nos leva ao principal dilema do filme: a beleza natural versus a beleza construída através de cirurgias. A própria notoriedade ou glamour natural que mesmeriza atenções e tornam alguns vistos naturalmente no meio da multidão e outros por mais que se esforcem sempre fantasmas.

O ciclo Daemônico e a jornada do herói no romance dark

Enquanto vivos somos hipnotizados pelo sensorial e a matéria em todos os sentidos, a ponto de perdermos nossa justa medida, a consciência e a própria essência. Não enxergamos com os olhos e sim com aquilo que carregamos como nossa têmpera, vocação, chamado, jeitão, vivência ou ainda essência segundo alguns filósofos e espiritualistas. Mas também vivemos e existimos em uma cultura que rejeita e renega a presença da essência (têmpera, vocação, chamado, jeitão, vivência) desviando estes temas para algo subterrâneo e alternativo (desprezível e sem utilidade prática) mas que depende de sua existência: neste caso a beleza e presença de espírito da protagonista do filme. Este “dom” a torna cobiçada e declara sua própria sentença de morte – pois deverá ser furtado ou ainda devorado (sinônimos a sua própria maneira). Os dois fotógrafos tentam furtar quando contam com ela como um canal ou suporte de seu trabalho. O costureiro internacional a sua própria maneira a quer para vestir as obras que cria e se projetar no mercado, ele a hipnotiza e seduz com o glamour que virá quando ela se destacar encerrando seu desfile. Já a maquiadora e as outras duas modelos querem devorar a jovem literalmente. Todos personagens ávidos e sedentos de atenção para si, de serem vistos pelo que idealizam e de como agonizam para mostrar ao mundo através de suas criações quase neuróticas – mas vazias de beleza verdadeira para darem sentido as suas vidas no final das contas.

O mito de Narciso que passava seus dias a beira de um lago contemplando o próprio reflexo, até se apaixonar (pathos) pelo que via espelhado nas águas e morrer afogado nos é caro neste sentido, no filme O Demônio de Neon. Vemos o momento em que Jess se afoga em si na hora do tal desfile, o triangulo azulado se tornando avermelhado e ela beijando o próprio reflexo espelhado. Sinal visceral de perigo, momento decisivo e dela se apoderando do que representa, de si e que logo expressará na sentença: “Não sou eu que quero ser como eles. São eles que querem ser como eu!” Ao mesmo tempo em que ganha o poder sua própria superficialidade também a condena e o furto de si acontece – e ela virá a se afogar em si e ficar a mercê do seu destino trágico. Se ela se recusa ao sexo ela se tornará a comida ou prato principal das outras 3 feras.

Tal furto da essência sempre se dá quando nos permitimos aceitar as medidas, mensurações e dimensões dadas por terceiros e nos tornarmos baterias de seus desejos ou até mesmo suas extensões. Quando concedemos a terceiros o controle dos vouchers daquilo que nos determina, para que assim eles possam determinar sobre o que somos temos um problema sério em nossas mãos. A partir deste momento esquecemos dos nossos sentimentos e estes passam a responder as suas oitavas mais baixas e a abastecer um processo intelectual que justifique os mandos e desmandos e a necessidade mecânica e compulsiva de agradar quem controla tais vouchers. Nos tornamos regidos pelos impulsos mais basais e suas contrapartes mecânicas que se assemelham a loopings de repetição. Sobre eles a escritora brasileira LygiaFagundesTelles tem muito a dizer:

“O homem é tão necessariamente louco que não ser louco representaria uma espécie de loucura”, escreveu Pascal. […] Necessidade neurótica de agradar os outros. Necessidade neurótica de poder. Necessidade neurótica de explorar os outros. Necessidade neurótica de realização pessoal. Necessidade neurótica de despertar piedade. Necessidade neurótica de perfeição e inatacabilidade. Necessidade neurótica de um parceiro que se encarregue da sua vida. — ô Deus!… Tão difícil a vida e o seu ofício.” (A Arte do Amor)

Leitores e leitoras mais hábeis notarão que citei o mito de Perséfone no título deste artigo, ela também foi uma jovem deusa, filha do céu e da terra que herdava um vasto poder. Em algumas linhas gnósticas dos gregos ela era comparada a própria essência ou a consciência e seus eventuais dois raptos (ao menos em alguns mitos) representavam a descida da consciência ou essência na matéria, como ela ficava hipnotizada e arrebatada pelo sensorial e se esquecida de si. Nesta mesma linha o inferno ou o submundo também era o exílio na carne. As mudanças das estações tão caras ao seu mito eram a passagem do Kharma e sua breve reunião com a mãe divina os intervalos entre as reencarnações que marcavam seu retorno ao submundo. Uma releitura do mito de Sophia. Contamos sua história no evento equinocial “Sarau no Jardim de Perséfone”.

CASTLEVANIA na NETFLIX! Agora é para Valer!

CASTLEVANIA é a mais importante franquia vampírica no mundo dos games e agora pode se tornar um seriado na NETFLIX! Se você não conhece sua história comece agora mesmo neste artigo de Aika Arata e depois assista nossa entrevista com André Bronzoni da KONAMI sobre a importância desta franquia, anexa ao final deste post.

10.02.2017 (atualização) do Action Comix Netflix oficializou a produção de uma série animada baseada em Castlevania, clássico game da Konami. A atração recebeu classificação indicativa de 18 anos. Duas temporadas já foram confirmadas, com a primeira saindo já em 2017 e a seguinte em 2018. Adi Shankar, produtor do reboot de Dredd, ficará a cargo da atração, escrita pelo aclamado quadrinista Warren Ellis.
Em comunicado oficial, Shankar afirmou que planeja uma adaptação bem violenta sobre a saga da família de caça-vampiros Belmont, e ainda prometeu que a série de Castlevania vai “quebrar a maldição da adaptação de videogames”. A animação de Castlevania é descrita como “uma fantasia medieval sombria que acompanha o último membro sobrevivente do clã Belmont, que caiu em desgraça, tentando impedir a extinção da Europa Oriental, ameaçada pelo Vlad Dracula.

8.02.2017: O portal JOVEM NERD desvelou hoje as seguintes novidades: Netflix revelou nesta quarta-feira (8) que fará uma série de Castlevania, famosa franquia de videogame. A informação dada para a imprensa foi direta: “Castlevania Temporada 1, Parte 1 chegará à Netflix em 2017”.Infelizmente esta é a única informação revelada sobre o novo programa. Curiosamente em dezembro surgiu um rumor de que o estúdio de Hora da Aventura poderia produzir uma animação de Castlevania, mas pouco se sabe sobre isso também. É possível que os projetos estejam ligados.

Em entrevista ao podcast da Nickelodeon, Fred Seibert, da Frederator Studios, revelou que a empresa está produzindo uma animação baseada “em uma das maiores franquias dos games dos últimos trinta anos”. Ele não revelou mais nenhum detalhe do projeto.Contudo, em 2015, o produtor Adi Shankar revelou que estava trabalhando ao lado do estúdio na produção de uma animação “super violenta” de Castlevania. Juntando as duas peças é fácil de deduzir que esse é o “projeto secreto” da Frederator. Não bastasse isso, a franquia completou trinta anos recentemente — o que só reforça a ideia.

Pelo menos sabemos que a série estreia em 2017, o que significa que mais novidades devem ser reveladas nos próximos meses!

Orbes de Luz e Vampiros, uma força sinistra (de Lord A:.)

*Embora Lord A:. desconfie (para não dizer que duvida) da autenticidade do video acima há uma questão pouco ou quase inexplorada no contexto VAMP contemporâneo que remete a tais ocorrências de orbes e corpos astrais. O artigo a seguir explora tal questão passando longe dos lugares-comuns do “Xavierismo” brasileiro e devolvendo o tom universal desta temática xamânica a sabedoria perene e o pensar pré-moderno de onde vem.

Aparentemente uma das menos conhecidas expressões de vampiros do folclore e da espiritualidade mundial ressurgem vindas de profundas raízes xamânicas como visíveis orbes de luz. Basicamente o vampiro em questão deixava a carne em seu corpo de luz, variando desde uma esfera iluminada as formas de um pequeno cometa quando se deslocava pelos céus noturnos em busca de sangue ou energia vital. Talvez por isso que a visão de cometas nos céus, eternos peregrinos cósmicos, fosse tão mal afamada e indigesta para os antigos. Ela remetia a este sucinto pesadelo de épocas tribais que antecediam grandes impérios. O fenômeno  é tão antigo – e global – que naturalmente precede aos esforços acadêmicos e escolástico dos séculos XVI e XVII para homogeneizar antigos ritos de fertilidade da terra pautados no processo extático e nos mitos da caçada selvagem, ou ainda da ação de guildas de profissões marginais. Tudo que se enquadrasse como um espírito vingativo que retornava para furtar a vitalidade de uma comunidade, ou ainda relatos de pessoas revividas após a morte que buscavam o cônjuge ou a família foram generalizados como vampiros.

 

UBER ERA UM VAMPIRO QUE CAÇAVA COMO UM ORBE DE LUZ?

 



 

Interessante pontuarmos que termos como Ubour (Bulgária), Uber (isso lhe faz pensar no serviço de motoristas por aplicativo?) ou ainda Ouber ao norte da Turquia são variações do célebre Uppyr. Outras denominações comuns também associadas ao corpo de luz de um magista no transe semelhante a morte vem como Upior dos polácos, Opyr dos ruthenianos e Upir dos Tchecos – em geral usados para designar o que temos como Bruxa e que os mesmos termos também convergiram ou ainda derivaram no Vampyr e Wampyr que entrou em circulação no século XVIII na Inglaterra. Particularmente simpatizo com o Vamp como abreviação de Avant do francês mediano, que designava o que ia a frente – em termos de feitiçaria o que seguia o “intento” ou o corpo astral.
 


 

O historiador Carlos Ginzbourg em sua obra seminal “História Noturna” e posteriormente em “Andarilhos do Bem” apresenta relatos sobre verdadeiros embates destes orbes de luz na região da Turquia e da Ásia Menor. Registros legados por militares e pessoas da corte nos tempos da renascença e posteriormente que associavam tais ações aos embates nos céus entre vampiros vivos ou mortos; feiticeiros brancos x negros ou ainda clãs de bruxos diversos. Tais ocorrências encontram ressonâncias com as chamadas “hostes furiosas” ou ainda “exércitos dos mortos” ou o “bando de Hellequin” – mas basicamente remetem aos extratos associados a “Caçada Selvagem”. A primeira imagem deste mito remete ao deus Odin e seu cortejo caçando as almas perdidas através das 12 ou 14 noites sagradas do final do ano. Na Europa nórdica ou germânica era comum um deus liderar tal procissão, nos países de influência celta-ibero era uma deusa (as vezes triplíce) que assumia a liderança ou que ao menos acolhia o tal cortejo ao final do seu trajeto em seu domínio aquoso, celeste ou ainda subterrâneo. Muitas vezes era o próprio deus galhudo quem liderava o cortejo, mas isso variava de região para região.

 

A PROCISSÃO DOS MORTOS EM SÃO PAULO

Outra variação da “caçada selvagem” já posterior em alguns séculos foi a da procissão dos mortos que partiam de um cemitério e rumavam até uma igreja em especial ou por vezes trilhavam um caminho que contornasse sete igrejas – o que recordará alguns da maldição do lobisomem neste quesito. O mito era comum se a igreja ficasse na mesma linha reta na rua do cemitério. Ele persistiu até na São Paulo da primeira metade do século XX, moradores idosos da região do Cambucy relatavam o temor de encontrarem tal procissão ao passarem perto do cemitério da Vila Mariana na última sexta-feira de cada mês. Durante o passeio cultural São Paulo Maldita soubemos de outros relatos de procissões similares em outras partes da cidade.

OBEAH: ORBES DE LUZ E VAMPIROS DO CARIBE

Na América Central o orbe de luz do vampiro ou xamã que partia de seu corpo era conhecido nos relatos do Loopgaroo, Ligaroo ou Logaroo – presente onde houve colonização francesa nas américas – tal relato nos é interessante porque foi preservado nas práticas da chamada “Obeah” através do Caribe – infelizmente relatos históricos sobre os procedimentos de tais práticas de cunho mais apurados na Turquia ou ainda em outros países europeus são mais escassos. Esta tradição ainda vive na América Central!

No Caribe tais orbes surgem para trazer a morte seduzindo e levando os incautos a se perderem nas florestas, principalmente aqueles que perpetuavam o mal a natureza, as mulheres ou as pequenas comunidades. Podem ser o espírito do vampiro ou xamã durante um transe semelhante a morte, bem como espíritos evocados ou criados por eles para tais fins. Interessante ressaltar que o Obeah é uma espiritualidade completa e não realiza apenas feitiços nefastos mas também diversas artes de cura importantes para as comunidades ao seu redor. Para conhecer melhor tal espiritualidade o livro “Obeah: A Sorcerous Ossuary” de Nicholaj De Mattos Frisvold (Hadean Press) é uma excelente leitura; escute nossa entrevista com ele no VOX VAMPYRICA!

 

A FORÇA SINISTRA

Os relatos das orbes de luz como formas espirituais de vampiros atrás da força vital dos vivos é o tema do clássico da ficção “Life Force” de 1985. Criado para se aproveitar do hype midiático promovido pela passagem do cometa Halley. Basicamente uma nave alienígena de vampiros energéticos vagava oculta na cauda do cometa, eles criavam corpos de acordo o tipo de população do planeta que desejavam invadir e consumir. Na sua forma mais comum pareciam demônios ou morcegos gigantes. Além da nudez escultural da atriz francesa Mathilda May, que interpretou a líder destes vampiros cósmicos a trama gira ao redor de uma colheita promovida por eles na Inglaterra dos anos 80. Eles são trazidos ao planeta Terra por astronautas que exploravam o tal cometa. Logo instalam uma epidemia roubando a força vital do povo, que logo se transformam em algo semelhante a zumbis ávidos para drenarem a força de outro ser vivo. O caos é instaurado na cidade. Enquanto isso os vampiros originais se alimentam das forças roubadas pelos servos e a transmitem para o espaço para alimentarem sua civilização na macabra espaçonave que orbitava o planeta. Apesar do final feliz e do roteiro insosso é interessante notar a influência e inspiração das formas astrais dos vampiros como orbes de luz que remetem ao tema deste ensaio.

A FORÇA SINISTRA

 

Sob a fraternidade do luar (Lord A:.)

Neste Artigo Lord A:. explora uma das possíveis origens das lendas vampirescas através do norte europeu, menos conhecida e mais arquetípica oferece uma boa jornada aos mais hábeis e com sede de mais.

Uma curiosidade sempre relevante é que para os povos latinos a lua é representada por uma deidade essencialmente feminina e o sol por uma masculina. Para os povos germânicos e do norte acontece o inverso, a lua por vigiar contra ameaças, definir regras, medidas em suas fases é aceita como masculina e o sol como feminina. Isso é importante ao pontuarmos a questão do vampiro ou o lobisomen como expressão dos ritos e cultos secretos dos guerreiros legados pelos Indo Europeus.

 

Interessante pontuarmos que o luar era a deidade lunar responsável pelo nascimento na terra do cogumelo (de onde era extraído o psylocibe, enteógeno poderoso nas beberagens de tais ritos arcaicos) para os chamados povos indo europeus. O orvalho tão caro aos adeptos dos florais e práticas de pranayama também provinham dele, este se transmutava em mel quando era levado pelas abelhas.

Na Kabbalah Hermética (herdeira de uma visão italiana) a lua também é representada por um belo jovem desnudo, forte e viril entre os Kerubim sob o governo do anjo Gabriel – lá na séfira de Yesod que também tem uma ampla representação feminina. Interessante notar que o psicanalista Carl Jung nomeava tal estação de sincronicidade.

O xamã era conhecido como aquele que via no escuro lá no gélido norte europeu. Mani, o luar era um deus responsável pelos calendários, marés e fases lunares – tinha por consorte Bil uma garota que salvou, se tornou mulher e elevada como sua esposa por Ordin. Ele conciliava intuição lunar com o pensamento linear e o raciocínio lógico (qualidades solares). Na visão teutônica a lua era associada a razão e ao ato de medir, não tanto as emoções ou subconsciente, tal povo usava o calendário lunar.  Para nós o Deus Mani guarda atribuições que influenciam o arquétipo vampiresco até os dias de hoje, ainda que presentes de formas veladas e que ressurgem através dos romances e da produção cultural – ainda que inconsciente de seus autores e autoras.

Em certas lendas Mani era um deus que consolava as mulheres, inclusive as que eram maltratadas pelos maridos – vinha como um amante misterioso, invisível em noites de lua cheia. Ele também velava os ritos de oferta do sangue menstrual a terra realizada pelas mulheres ou práticas de feitiçaria, consagração de oráculos e outros processos extáticos. Não seria difícil imaginar como para um observador cristão daquele tempo este “amante misterioso” vinha pelo sangue e a luxúria com a mulher que se dava a tal prática. Para os leitores e leitoras mais “jungianos” tal “amante lunar misterioso” é interpretado como o alinhamento do animus a porção masculina da alma com a anima da mulher. Um casamento alquímico interior em outros termos.

Também são consagradas ao deus Mani as práticas de regressão de memória, os plenilúnios, projeção astral e o chamado resgate de alma. O Desconhecido era sua morada, os homens se encontravam nas chamadas fraternidades lunares que levavam o nome deste deus obviamente ligadas aos contextos já abordados na influência dos Indo Europeus sobre o que chamamos hoje de licantropia e vampirismo como os mais hábeis podem imaginar.

MAIS ARTIGOS SOBRE LOBOS E LICANTROPIA:

VARGENTIMMEN: A hora do lobo, Ingmar Bergman

Como muitos de vocês tem conhecimento sou um cinéfilo inveterado e participo de muitas comunidades dedicadas ao cinema nas redes sociais. Uma delas é simplesmente fantástica e chama-se “SÉTIMA ARTE” é capitaneada pelo meu nobre amigo Sérgio Pacca, cujo os textos muitas vezes adornam as aberturas do meu programa semanal VOX VAMPYRICA. Graças a postagem sensata e rebuscada de um dos integrantes desta comunidade o Roberto Tevo, pude descobrir uma das maiores obras primas cinematográficas de Ingmar Bergman: VARGTIMMEN (A Hora do Lobo de 1968), com vocês as palavras que me chamaram a atenção:

Johan Borg é um artista, papel de Max Von Sydow (ele mesmo, o padre Merrin de O Exorcista), que muda-se com sua esposa, Alma (Liv Ullmann) para as Ilhas Faroé a fim de um exilo durante uma temporada, para desenvolver seu trabalho como pintor e artista plástico. Não precisa dizer que sua vida se transformará a partir desta mudança e do ponto em que ele se torna insone e seus pesadelos começam a ganhar vida, principalmente quando confrontada pelos outros bizarros “habitantes” da ilha.

Alma, reprimida, é a personagem que rompe o silêncio de Johan de forma forçada, impedindo-o até certo ponto de deixar-se cair no mundo melancólico e absorto em qual vive. Cada frame em que apresenta a convivência entre ambos, parece ser possível se cortar o ar com uma navalha. Como se não bastasse a opressão que nos sufoca na dinâmica do convívio entre marido e mulher, uma verdadeira horda de pessoas estranhas começa a surgir na vida de John, que irá lhe tirar do eixo. Todas essas pessoas são narrada por Johan à sua esposa e expressas em seus rascunhos. Entre eles, uma velha que não pode tirar o chapéu, caso contrário seu rosto cai, os canibais, os homens pássaros, os homens aranhas, entre outras bizarrices. Momento chave para que as coisas comecem a degringolar é quando esses personagens começam a aparecer justamente para causar inquietação e discórdia no casal, que são convidados para um jantar desconcertante no castelo do Barão Von Merkens.

Lá, entre inúmeras conversas fúteis, risadas exageradas, personagens ácidos e caricatos, sombras e close ups perturbantes, Bergman faz com que encarnemos em Johan e nos faz sentir nada a vontade, querendo sair de nossas peles, tal como o personagem em cena. Esse desastre de reunião social, já com o casal tão pouco a vontade, culmina quando Johan, ali apenas para fazer o papel de bobo da corte, tem suas inspirações e pretensões artísticas ironizadas pelos algozes na apresentação em forma de teatro de bonecos de A Flauta Mágica.

“Hora do Lobo é o espaço entre a noite e a madrugada. A hora em que a maioria das pessoas morre, e que a maioria das pessoas nasce, e que os pesadelos são reais e que a angústia nos persegue”. Essa é a explicação de Ingmar Bergman, segundo os antigos, sobre o termo que nomeia seu filme: A Hora do Lobo. E é neste espaço de tempo contínuo permanente que o diretor irá nos jogar como espectadores de seu labirinto tétrico de pesadelos. Um filme hermético, difícil de sintonizar no surrealismo impresso pelo diretor. A Hora do Lobo é sufocante, estranho, recheado de cenas bizarras em uma lindíssima fotografia preto e branca sombria, quase expressionista de Sven Sykvist, onde Bergman desconstrói o maior horror de todos: a loucura humana. Não há nenhum monstro, nenhum perigo “tangível”. Há apenas a perturbação da mente, que essa sim, pode criar os piores monstros imagináveis para si mesmos, capaz de gerar tortura psicológica e o fim do discernimento do que é real e o que é macabra fantasia. ROBERTO TEVA

hqdefaultMuitas vezes apenas precisamos ser apresentados para aprendermos a apreciar filmes incríveis! A questão do lobo nas terras do norte são particularmente densas e atraentes para todos nós afins e do “Sangue”. Desde os “Ulfheadjars” guerreiros nórdicos que lutavam em estado extático sob o poder do totem do lobo, e usavam a pele destes animais sobre seus corpos; estranho rito Varrengue que chegou até a integrar a guarda pessoal do Imperador de Constantinopla posteriormente. Contam até que ao deixarem a cidade durante sua famosa queda levaram de volta para o norte incontáveis grimórios e sabedorias hoje perdidas. Já explorei esta questão aqui na REDE VAMP, no artigo Entre Lobos e Dragões.

O lobo também é o ancestral ou espírito totêmico de incontáveis famílias e moradores de diversas regiões por lá (ao norte da Europa) e em todo leste europeu por onde se ramificaram com suas navegações através dos grandes rios. Desde a idade da pedra a parceria entre os humanos e os lobos são notáveis, a obra White Fangs de Jack London tem um de seus trechos mais belos reconta o sonho de um cão com tempos arcaicos onde ele e seu humano enfrentavam incontáveis perigos na idade da pedra.

Mais recentemente o autor e roteirista George R.R. Martin (Mais conhecido por Game of Thornes ou Crônicas de Fogo e Gelo) no seu livro SONHO FEBRÌL (Editora Leya, logo tem video dele por aqui) abordou de forma única neste romance a questão dos mitos e lendas de vampiros e lobisomens descenderem de um único povo quase imortal e virtualmente invulnerável que enlouquecia sob o luar cheio e precisavam aplacar sua fúria e loucura com carne e sangue humano.

HourOfTheWolfO folclore e o imaginário associado  ao “lobo” e o “homem-lobo” é mais vasto do que o arsenal hollywoodiano pode abordar. Aliás a questão se estende ao continente norte-americano também e encontra ressonâncias e convergências no folclore e no mistério dos WENDIGOS, tema abordado na coluna VIA ESCARLATE. O arquétipo do homem-fera, as questões doravantes ao espírito caçador e do coração feral são encontradas através de incontáveis ressugências atávicas, muitas vezes veladas sob o tema de lenda, folclore, ficção ou ainda cultura pop. Inclusive no Brasil o Lobisomem é um personagem bem influente, conforme vemos neste outro artigo.

Deixando a fantasia e rumando para a arqueologia e a mitologia encontraremos muitas deídades que tinham o lobo como sua expressão neste selvagem jardim, Hades dos gregos vestia um capuz de lobo. Na velha Romênia os espíritos dos ancestrais vinham como névoa e então se transformavam em lobos para conversarem com seus xamãs, conforme cantam em suas Doinas e celebram em suas Strigoiacas. Até mesmo Freud se viu em maus lençóis e sua teoria psicanálitica quase foi derrubada pelo seu malfadado caso do Homem-Lobo, um pedregulho daqueles que perdura até hoje nos anais da psicanálise e da psicologia moderna. Para finalizar este prelúdio apenas acrescentaria que a “VARGENTIMMEN” ou hora do lobo equivale no Brasil ao horário temido do meio da madrugada pelos diversos cultos e tradições espirituais brasileiros. Mais uma vez a sabedoria perene espreita como uma caçadora por toda parte, muda apenas o nome daqueles temores mau-resolvidos (segundo os modernos e pós-modernos) ou daqueles demônios e fúrias sedentos (segundo os pré-modernos) que devoram a presença de espírito e por extensão a carne de todos humanos.

“A Hora do Lobo” é uma das grandes obras-primas do mestre Ingmar Bergman e seu único filme de terror. Edição Especial com vários extras, incluindo making of e entrevistas. Tudo funciona à perfeição: a direção magistral de Bergman, a fotografia expressionista de Sven Nykvist e as atuações viscerais de Max von Sydow e Liv Ullmann. Um filme difícil de se esquecer. O pintor Johan e sua esposa grávida, Alma, retiram-se para uma ilha isolada. Johan é consumido por demônios do passado e por constantes alucinações. Alma tenta ajuda-lo a manter a sanidade e controlar sua obra. Mas durante a escuridão entre a noite e o amanhecer, a chamada “hora do lobo”, os medos de Johan podem se concretizar…”

 

Thomas Karlsson, A Exclusive Interview

THOMAS KARLSSON Is a scholar in history, religion, mythology, runosophy and philosophy. He is also the author of contemporary seminal works dedicated to Kabbalah, Goetia, Qlipoths and the Runes. He holds a doctorate in history of religion and a master’s degree in history of ideas from the university of Estolcomo, Sweden. Since 1996 was the lyricist responsible for several songs of the band THERION (already interviewed by the REDE VAMP). He is the founder and leader of the ORDO DRAGON ROUGE, discreet order and magic-initiatory society that works with the Left Hand Path. He recently participated in the International Left Hand Path Consortium in the city of Atlanta in the United States and organizes lectures and conferences on the mysterious Island of Capri in Italy. And today he gives his first interview to Brazil and South America. Here in REDE VAMP! Our gratitude especially to our friend and reader Daiana (wife of Thomas) that allowed such an Internet meeting and excellent chat.

*Há uma versão em português desta entrevista, aqui.

Lord A:. Sometimes when reading his books have the impression that your approach LHP and even the Qlipoth is a kind of translation VIKING these contents. Its like the old way of the Goths to appropriate the symbols, myths and rituals feared by his opponents and interpreting and make use of in their favor in clashes. Is there something like that?Thomas Karlsson: If we seek to discover the roots of the dark magical tradition we will encounter the Goths and Gothic magic. The Goths are a people whose roots lie in the North. The mythical peoples of the North were even mentioned in the writings of the ancient Greeks. Over the course of history these myths have become interwoven with historical facts; reality and fantasy are often difficult to distinguish from one another. Dragon Rouge don’t put main not main focus on historical details, but rather on Gothic magic viewed in terms of its mythical and archetypal foundations. North is a representation of Nightside, but on the Southern Hemisphere the same goes for the South. Both the Northpole and the Southpole are gates to The Other Side (in Qabalah refered to as Sitra Ahra). I have my personal ancestral background from Gotland, an island in the Baltic Sea where we find the oldest findings of Scandinavian spirituality. So from a personal pint of view this heritage means a lot although I emphazise tat under the surface you can find the same Draconian current in all true esoteric traditions.

Lord A:. As the work of Johanes Bureus entered his life and was even responsible for one of his books that is my favorite.Is magickally useful your runes, weapons and tooling even today? If you could clarify or highlight some of your favorite spots the work of Bureus, what would be?
Thomas Karlsson: The most important contribution of Bureus is that he bridges between ancinet Viking magic and the rune wisdom of Odin and the occult world of his the, The Renaissance with its new and deepend knowledge of Magic and Qabalah (via Pico, Reuchlin, Agrippa to name a few). His system is however very pragmatic compared to for example John Dees Enochian magic. Almost everything in Bureus Adul Runa-system can be applied together with ideas and methods from the Qabalah, the Tantric tradition or ancient Greek Mystery Cults. His use of Runes is a revival of Runes as seals for the highest spiritual goals.

Lord A:. Shadowseeds was a musical project of his own that I loved, especially the album “Der Mitternacht Löwe” and the influence the Bureus’s work is remarkable alí. There plans for more Shadowseeds albuns  or new solo musical projects or new partners in progress?
Thomas Karlsson: 
There will most likely be a new Shadowseeds album some day, but no concrete plans yet. I collaborate with bands such as Therion, Serpent Noir, Kaamos, Luciferian Light Orchestra and Ofermod. Bands connected to the Draconian Current. My Brazilian wife and I working on a musical project with some inspirations from bands such as Dead Can Dance and Death in June. My cousin who is one of the first members of Dragon Rouge. and I have old plans for a Draconian Techno project, but that is not our priority at the moment since we have much to do with ordinary works, familiys etc.

Lord A:. 2016 runes are known in much of the world and there are many runólogos – or people who claim to develop such activity. As has been watching around the world this resurgence and expansion of Asatru and Heathen, Norse gods and their values?For you Bureus work was instrumental in the revival of Runas
Thomas Karlsson:
The interest in Runes have grown all around the world. When I lived in China for a while people were really intersting in the mysteries of the Runes. There has been three major epochs of Runbic revival: 1) in The Scandinavian Renaissance with Johannes Bureus as the foremost person, 2) in the early 19th Centruy in Germany and Austria with persons such as Guido von List, and 3) in the 1970s and onwards with Dr. Stephen E. Flowers as a key person for this revival. Some individuals are interested in Runes for as an expression for their romanticism in Viking age, but to me and other esoterics The Runes have their value as seals in the way we can use ancient Greek, Hebrew or Sanskrit in a simliar way.

Lord A:. By the way, how was your start in what we now call for convenience of occultism, spirituality and magic? What attracted you in the beginning and what inspires you, motivates and influences in the present?
Thomas Karlsson
I had astral experiences as a child and it would put me on the esoteric path. They were a natural part of my life and occured mostly through lucid dreams. As a young child lucid dreams and astral projections were nothing more supernatural than everything in life. It was when I was about twelve I realized that it was considered occult and even suspicious, something which fuelled my interest in the occult. I’m sure the milieu where I grow up somehow influenced my interests. Growing up in Sweden, a secularized christian society with a widespread atheism and an almost religious belief in Enlightenment, probably helped me getting involved in darker forms of occultism. The dark side and the left hand path is a way to break patterns to be able to dictate the conditions of your own life. It is a kind of spiritual existentialism, emphasizing will, choice and responsibility. In essence I am nevertheless influenced by the values of my upbringing, although I from a practical point of view have gone beyond the current paradigm and explored what today is thought of as supernatural realities.

I have been involved in the esoteric mileu for more than two decades and have a broad interest in these fields. My basic view is that reality is more complex than any system fully can define. No tradition is perfect and there are gaps in all maps of reality, and it is consequently necessary to compare different traditions too find the immanent underlying occult structurs. I have however focused upon the specific initiatory meta-tradition called the Left Hand Path, which emphazises the darker aspects of esotericism.

Early experiences of a so called occult nature made me interested in esoteric studies and I had several influences. I was inspired by the kabbalistic tradition and especially its dark sides and compared it with concept and practices in tantric systems. Runes and the nordic myth have been a natural part of my spiritual work, but also avantgarde art. Surrealists such as Dali and Breton have had an impact on me from the early days and my understanding of the occult has been influenced by their ideas.

On my path I have sworn Oaths to the utmost power and intelligence which I name The Dragon, but to other mystics could be named God. My two main focus in life are 1) Take care of my children, family and friends 2) continue my work as the head of the Draconian Current in the world in this aeon.

logesidan_gotlandstempelLord A:. Tell us about Ordo Dragon Rouge.All people are welcome in Ordo Dacron Rouge, you need something to integrate?
Thomas Karlsson:
Everywhone, no matter background is welcome to apply to become a member, but if you can’t work loyal with your sisters and brothers in an Order you can’t be a member. To be in an order such as Dragon Rouge you must leave childish ego behind you, as well as counterproctive attititudes. In Dragon Rouge we expect an open mind, open discussions, and dicipline and a strong wish to contribute and work hard for our personal and common goals.

Lord A:. It’s been over a decade since his book “Kabbala, kliffot och den goetiska magin” was published to us REDE VAMP it is a true classic of the genre – in your view what were the main contributions, influences and developments of this work in multiple contexts?
Thomas Karlsson:
The book Kabbala, kliffot och den goetiska magin” has set a new standard all over the world and is the first hand source to knowledge about our field, although I also wish to mention my book Amongst Mystics and Magicians in Stokcholm for another way to get knowledge of Draconian work from a more personal based desciptions.

Lord A:. UPPSALA is impossible not to get involved and be enchanted by the respectful tone and great experience in lending their works to this temple. Can you talk a little bit about your experience and discoveries there
Thomas Karlsson:
Uppsala is one of the oldest University towns in Scandinavia and also the place where there was the main Viking temple of Thor, Odin and Freja, mentioned by Adam av Bremen 1076. In Uppsala University the handwritings of Bureus are collected and you can also get the chance to see the Gothic Silver Bible, Codex argenteus, from early 600 century. It is a magical soil, acnicent Nordic cult place as well as one of Northen Europes most important University towns.

Lord A:.  GOTTLAND! I follow your posts and photos from there, I know there is a temple of the ODR there and the profound respect that nourish the ancestry this island.  We will know more of this mythical place in their next books?
Thomas Karlsson: 
Gotland is the womb of all ancient Nordic spiritualy. The oldest rune stones, the picture stones of Odins travels to other world, the witch goddess stone etc etc are found on Gotland. Later this tradition came to main land Scandinavia. On Gotland you walk on the soil of the Gothic Nordic mystery tradition and it is stillm alive all around you.

LatLord A:. Thomas, as you see the use of the term Gothic nowadays used to describe contemporary aesthetic lacking and even holding an adversarial tone or used without any relationship with people Goths and Visigotos or distant Gottland?
Thomas Karlsson: We must accept some trends and the Gothic subculture of today provides a lot of good thing. It can work as a seed to deeper understanding of the Gothic mysteries. To most it will be just a subcultural attitude, but to some it leads on to true understanding.

The Goths were not only viewed in positive terms. In European history, the Goths have primarily been seen as a dark, dangerous and destructive people. They were considered to be barbarians, and “the Gothic” was something dark and primitive. During the Renaissance, the Goths represented the cultural decline of the Middle Ages. The Gothic is viewed as the antipode of ancient civilisation and the classical ideals of beauty.

The conflict between the Gothic and the classical continues throughout western cultural history. The classical ideals are founded upon clarity, reason, light, laws and structures. The Gothic ideals are metaphysical and are constructed of archaic visions, dreams, darkness and shadows, inspiration and obsession. In the lyrical tradition, Classicism is characterised by a pragmatic view of poetry that emphasises rules and practical skills, while the Gothic merges with a metaphysical view of poetry in which the content is more important than the form. In architecture, the word “Gothic” became a pejorative term used to describe a tradition of medieval church building. Prime examples of this are the cathedrals of Cologne, Strasbourg and Notre Dame, with their grandiose and pointy style.

Although the style probably originated in twelfth-century France, it was pejoratively called “Gothic” or “German”. With its pointy style, the Gothic building tradition was associated with wild or untamed nature. Gothic buildings were likened to icicles, huge ancient trees, and caves with stalactites and stalagmites. According to classical aesthetics, the Gothic represented something tasteless and overgrown, threatening and terrifying. Eighteenth-century German intellectuals such as Herder and Goethe would later re-evaluate Gothic aesthetics and Gothic architecture in a much more positive way.

Nevertheless, the Gothic tradition remained connected to wild nature and the terrible. During the nineteenth century, a romanticism of ruins was gaining prevalence in certain artistic circles. The resulting depictions included elements such as graves and tombs and overgrown Gothic churches, merging with untamed nature under the full moon. Caspar David Friedrich and Arnold Böcklin were two of the main representatives of this romanticism of ruins. The Gothic became connected with the romantic idea of the sublime. The sublime referred to a grandiose impression of the mind that inspired fear but also fascination. The Gothic style also entered literature. The English Gothic romantics made reference to an “enthusiastic terror”, and the pure, clean, structured Classicist ideals of the light were avoided. Instead these artists soughts sought out the imagery of gods, demons, hell, spirits, souls, enchantments, sorcery, thunder, floods, monsters, fire, war, plague, starvation and so forth. Sublime fear was believed capable of providing man with knowledge about a greater reality that could not be trapped within the confines of reason. Edmund Burke was a leading philosopher of this current, and important literary writings included poems Edward Young’s “Night Thoughts” (1742) and Robert Blair’s “The Grave” (1743). Ruins became highly popular as an element in landscaping and a need arose to construct new and artificial ones, since the existing ones were not enough. The ruin symbolises the cycle of nature and how the forces of nature and chaos ultimately annihilate human ideals and constructions. In the Qabalah we can recognise the principles of the ruin under the name Qliphoth.

The polarisation between Classicism and the Gothic represents the polarisation between dark magic and the magic of the light. The magic of the light is based on rationalisation and an idealisation of reason. Both the Jewish Qabalah and “light” forms of freemasonry strive to establish a holy geometry from which the Temple of Jerusalem shall be rebuilt. From this perspective, the dark forces of ruin are naturally viewed as threatening. In a Qabalistic worldview, it is the dark and Qliphotic powers that are destroying the Temple of Jerusalem. The Temple of Jerusalem is a symbol of the totalitarian power of God. The side of light represents mathematical and geometrical generalisations; the dark side represents the fractals and the chaotic element of chaos mathematics.

Classicism strove to imitate a simplified and controlled nature, with the geometrically designed garden as a pattern. For this conception of reality, the irrational ideals of Gothicism seem like an expression of bad taste. When the view toward nature changes, when man becomes aware of the twisting elements of wild growth and starts to explore the uninhabited clefts and precipices of mountains, a respect for the aesthetic qualities of the Gothic tradition is regained. The castle architects then abandon the classical geometrical structures in favor of irregularity. The disciplined trees become wild, the lawn becomes a field, the pool becomes a lake and the garden path becomes a winding trail for the brooding philosopher, where he walks alone and immersed in his melancholic thoughts.

This view of nature is connected with the ideals of the Draconian current. The turning away from what is pruned and structured is an acknowledgment that chaos is reconquering the Garden of Eden and that the Dragon awakes again. While Classicism and the ideals of the light are oriented toward rules, order and the collective, the Gothic tradition is concerned with the unique: genius, deviation and originality. Since the dark side emphasises the unique, its practitioners have always risked persecution, as has occurred during the various witch crazes throughout the centuries.

Lord A:. You recently participated in the “The Left Hand International Consortium” in the United State.Please tell a little more about your lecture presented there and their view of the importance of an event like this to all and the various spiritualities within it.
Thomas Karlsson: 
First of all I will honour those who arranged this Consotrium. They have set a new good standard for collaboration in the LHP mileu. I was key note speaker and lead also a Lucifer-Lilith-Leviathan working. My lecture was about the posibility to define the LHP. My main points was LHP is:

  1. Methodological, but not necessarily essential, dualism (rather often the opposite with an inherent monism), based upon the alchemical and tantric idea of polarities generating power.
  2. .Idea of the “left”, i. e. the divergent is the esoteric. An idea often combined with elevating the feminine, the dark, inferno, the moon, the expelled etc. etc.
  3. The “low” as the latent “power station” for reaching the “high”, compare with kundalini shakti as the force of transcendence, and the ancient mystery cult motif of entering Inferno/the underworld to reach Heaven or Paradise (a motif also in Dantes Inferno etc). A concept common in alchemy where the prima materia is the prerequisite of the ultima materia, and the lead of Saturn corresponds to the gold of the Sun. In Christian mysticism it’s the meaning of Christ mocked and in Shamanism the importance of the Underworld initiation. The Stone is the spirit, the Dragon is God and so on.
  4. Apotheosis, but with the reservation that below the highest initiatory degrees we can’t really know what this means, and what the word “god” exactly denotes.
  5. The sacredness of periphery. Chaos, Tao, the Witch/Hagzissa travelling beyond the borders etc
  6. Antinomianism, in the spiritual and philosophical meaning: a) Defining the utmost realities through negations and b) going against the grain, to be aware of unconscious patterns c) building a higher moral through breaking free from simple social morality defined by the majority (a concept actualy close to ethical idealism).
  7. Elevating Sofia, and knowledge, the serpent of Eden as an ally to the adept, and basically the same as Messiah, the saviour (the Gematria 358). The Faustian and Promethean nature of the LHP.
Thomas Karlsson e Cristopher Johnson

Thomas Karlsson e Cristopher Johnson

Lord A:. Thomas, as a longtime fan of his work would not like to end this interview without praising your work as Lyricist THERION and say that some of their holdings positively shaped many moments of my life. But all those songs at this point which is the one you likes to have created? It would be possible to talk a little about it and its myths
Thomas Karlsson: 
Therion has meant a lot to me and I have enjoyed writing the lyrics. Everything I write is connected to th Draconian Tradition. It is hard for me to choose, but I am very fond of both music and lyrics in Draconian Trilogy of VOVIN (*Vovin means Dragon in Enochian):

Red dragon from the first morning of time, Red dragon of ancient depths of the mind, Rise up from the abyss of ignorance, Coil into the existence of the blind. Morning star please bear your light, Through the day to next night. Fallen one who stole the spark, Bring it into the dark. O Typhon apep lothan O drakon Typhon apep lothan Morning star please bear your light, Through the day to next night. Fallen one who stole the spark, Bring it into the dark. Dragons of tomorrow flying to their babel of yesterday, They open the seal of Sorath and release the eleventh ray”.

Lord A:. Recently you were in the Isle of Capri in Italy talking about the myths, the story of this very important place to the occult and magic as a whole. Share with us some of these stories and about the event that happened there..
Thomas Karlsson: 
Capri is known as a meeting place for the most powerful people in the world. Already Emperor Augustus moved there to rule the Roman empire. It has also been a meeting place of sinister and expelled characters in history, with rumours of Black Masses going on in secrecy in the Aristocratic Villas. The island Capri is a dreamlike liminal place where land and the ocean, night and day, myth and reality blends. The Swedish Medical Doctor Axel Munthe describes his meeting with the red-cloaked figure in the beginning of his book Story of San Michele. It is a central condition for the story. The figure is Mephistopheles and appears throughout the story. A contrast motif – A storytelling clairobscure technique: The Demon of Darkness helps Dr. Axel Munthe to build his Temple of Light. I have been to Capri reguarly in ten years and I am happy to arrange confererences in Villa San Michele, which is one of the most exclusive villas in the world. Villa San Michele is like the rest of Capri surrounded with Mephistophelean legends and rumours of Black masses.

Lord A:. We have heard rumors of a possible conference here in Brazil in 2017? You can tell a little more?
Thomas Karlsson: 
Since I am married to a Brazilaian woman I from personal lveles also nourish a deep interest in Brazils multifaceteted culture and I look for every possibility to go to Brazil and to strengthen the Scandinavian-Brazilian connection. Brazil is without soubt one of the most fascinating countries with a boilng apirituality. Her Majesty Queen Silvia of Sweden is btw from Brazil. In my mission is to work frequently between the Northern and the Southern Hemisphere, since The Dragon is everywhere. I see a growing interest and power in all of South America and I see a fantastic potential for coming Draconian manifestations in Brazil and other countires in South America.

 

 

THOMAS KARLSSON: Uma entrevista muito especial.

* ENGLISH VERSION, HERE!

Thomas Karlsson é um erudito em história, religião, mitologia, runosofia e filosofia. Também é o autor de obras contemporâneas seminais dedicadas ao Cabala, Goetia, Qlipoths e as Runas. Possui doutorado em história da religião e mestrado em história das ideias pela universidade de Estolcomo, na Suécia. Desde 1996 foi o letrista responsável por diversas canções da banda THERION (já entrevistados pela Rede Vamp). É o fundador e líder da ORDO DRAGON ROUGE, discreta ordem e sociedade mágicko-iniciática que trabalha com o Caminho da Mão Esquerda. Recentemente participou do International Left Hand Path Consortium na cidade de Atlanta nos Estados Unidos e organiza palestras e conferências na misteriosa Ilha de Capri na Itália. E hoje concede sua primeira entrevista ao Brasil e América do Sul. aqui na REDE VAMP! Nossa gratidão em especial a nossa amiga e leitora Daiana (esposa de Thomas) que permitiu tal encontro internético e excelente bate-papo.

Lord A:. Algumas vezes ao ler seus livros tenho a impressão de que vossa abordagem do LHP e até mesmo das Qlipoth seja um tipo de tradução VIKING destes conteúdos.É como o antigo jeitão dos GODOS de se apropriarem dos simbolos, mitos e ritos temidos por seus adversários e de interpretarem e fazerem uso ao seu favor nos embates. Existe algo assim?
Thomas Karlsson:
Se quisermos descobrir as raízes da tradição da magia negra nos encontraremos os Góticos (Godos) e a Magia Gótica. Os Godos são um povo que as raízes vem do norte. Os míticos povos do norte foram mencionados nos escritos dos antigos gregos. Ao longo da história estes mitos se entrelaçaram com fatos históricos; realidade e fantasia são geralmente difíceis de serem distinguidas uma da outra. A Ordem Dracon Rouge não tem como foco os detalhes históricos mas enxerga a magia gótica (dos Godos) nos termos de seus fundamentos míticos e arquetípicos. O Norte é a representação do lado noturno, o mesmo é válido também para o hemisfério sul. Ambos os polos, norte e sul, são portais para ”O Outro Lado” (na cabala chamado de de Sitra Ahra). Eu tenho minha ancestralidade pessoal vinda de Gottland, uma ilha no mar báltico onde encontramos as mais antigas descobertas da espiritualidade escandináva. Então, de um ponto de vista pessoal este legado tem muito significado, enfatizo que sob tal superfíce encontraremos a mesma corrente draconiana em todas as tradições esotéricas verdadeiras.

Lord A:. Como o trabalho de Johanes Bureus entrou na sua vida e foi inclusive responsável por um dos seus livros que é o meu favorito.É possível usar magickamente suas runas, armamento e ferramentaria ainda nos dias de hoje? Se pudesse elucidar ou destacar alguns de seus pontos favoritos na obra de Bureus, quais seriam?
Thomas Karlsson: 
As contribuições mais importantes de Bureus foram as pontes estabelecidas entre a antiga magia Viking, a sabedoria das runas de Odin e o ocultismo renascentista, com seu novo e aprofundado conhecimento de Magia e Qabalah (através de Pico DeLa Mirandolla, Reuchlin, Agrippa para nomearmos uns poucos). O sistema dele é entretanto mais pragmático se comparado por exemplo com a magia enoquiana de John Dee. Quase tudo no sistema das Adulrunes “nobres runas” de Bureus pode ser aplicado junto com as ideias e métodos da cabala, das tradições tântricas ou ainda dos antigos cultos de mistérios dos gregos. Seu uso das runas é uma ressurgência ou mesmo um reviver das runas como selos para grandes objetivos espirituais.

Lord A:. Shadowseeds foi um projeto musical de sua autoria que adorei, principalmente no álbum “Der Mitternacht Löwe” e a influência da obra de Bureus é notável alí. Há planos para mais álbuns do Shadowseeds ou ainda novos projetos musicais solo ou com novos parceiros em andamento?
Thomas Karlsson: 
Existe muito material para um novo álbum do Shadowseeds algum dia, mas não há planos concretos para isso ainda. Eu colaboro com bandas como Therion, Serpent Noir, Kaamos, Luciferian Light Orchestra e Ofermod. Bandas conectadas com a corrente draconiana. Minha esposa é brasileira e eu estou trabalhando atualmente num projeto com inspirações de Dead Can Dance e Death in June. Meu primo que é um dos primeiros membros da Dracon Rouge e eu temos planos para um projeto de techno draconiano, mas não é uma das nossas prioridades no momento, nosso tempo é tomado pela vida professional, familia e tal.

Lord A:.  2016 as runas são conhecidas em boa parte do mundo e há muitos runólogos – ou pessoas que alegam desenvolver tal atividade.Como tem sido assistir ao redor do mundo este ressurgimento e ampliação do Asatru e Heathen, Deuses Nórdicos e seus valores?
Thomas Karlsson
O interesse nas runas cresceu ao redor do mundo. Quando que vivia na China encontrei pessoas interessadas nos mistérios rúnicos. Há três grandes épocas do ressurgimento rúnico: A primeira é a Renascença Escandináva com Johantes Bureus como pessoa de maior destaque. A segunda é na Alemanha do século 19 e na Áustria com Guido Von List e outros; a terceira  são os anos setenta com o Dr. Stephen E. Flowers que vem a ser o grande foco deste ressurgimento. Algumas pessoas se interessam pelas runas como uma expressão para seu romantismo da era Viking, mas para mim e outros esotéricos, as Runas tem seu valor como selos espirituais que podemos usar assim como aqueles legados pelos antigos gregos, hebreus ou o sânscrito.

Lord A:.  Para você o trabalho de Bureus foi decisivo neste renascimento das Runas? Aliás como foi seu início no que hoje chamamos por comodidade de ocultismo, espiritualidade e magia? O que lhe atraiu no começo e o que te inspira, influencia e motiva no presente?
Thomas Karlsson
Eu tive experiências astrais quando criança e isso me direcionou para o caminho esotérico. Foi uma parte natural da minha vida e ocorreu quase sempre através de sonhos lúcidos. Na minha infância projeção astral e sonhos lúcidos não tinham nada de sobrenatural para mim, eram como qualquer outra coisa que acontecia comigo. Por volta dos doze anos percebi que aquilo que era nomeado como oculto e suspeito alimentava meu interesse neste contexto. Crescer na Suécia, uma sociedade cristã secular e com um grande número de ateus e uma crença quase religiosa na iluminação, provavelmente me ajudou  a me envolver com muitas formas sombrias do ocultismo. O lado negro e a trilha da mão esquerda quebram modelos para tornar cada um hábil para ditar as condições que almeja para sua própria vida. É quase um tipo de existencialismo espiritual, enfatizando a vontade, escolha e responsabilidade. Mesmo assim, na essência sou influenciado pelos valores da minha educação, embora de um ponto de vista prático tenha ido além do paradigma atual e explorado o que hoje é pensado como realidades sobrenaturais.

Eu estou envolvido com o meio esotérico por bem mais de duas décadas e tenho largo interesse neste campo. Minha visão básica é que a realidade é mais complexa do que qualquer sistema possa definir. Nenhuma tradição é perfeita e sempre haverão falhas em todos mapas de realidade, isso é consequentemente necessário para se comparar diversas tradições para encontrar aquilo que é imanente em suas estruturas ocultas. Eu focalizo meus esforços sobre o processo iniciatico na meta-tradição nomeada como o Caminho da Mão Esquerda, a qual enfatiza aspectos sombrios do esoterismo.

As experiências iniciais da então chamada natureza oculta me tornaram interessados nos estudos esotéricos e neles tive diversas influências. Fui inspirado pela tradição kabbalística e especialmente por seu lado negro, conceitos e práticas de sistemas tântricos. As Runas e os mitos nórdicos são uma parte natural do meu trabalho spiritual, assim como  a arte surrealista de Dali e Breton me impactaram  desde o começo e no meu entendimento do oculto, este inspirou os trabalhos e ideias deles.

Ao longo da minha trilha fiz votos e juramentos ao poder e inteligência máxima que nomeei como “O Dragão”, mas outros místicos poderiam chama-lo de “Deus”. Tenho dois focos principais na vida que são cuidar dos meus filhos, da família e dos amigos; o outro é prosseguir meu trabalho como líder da corrente draconiana neste aeon.

logesidan_gotlandstempelLord A:. Todas as pessoas são bem-vindas na Ordo Dragon Rouge? O que é preciso  para integrar tal sociedade?
Thomas Karlsson: 
Todos são bem vindos na Ordo Dragon Rouge, não importa o antecedente, mas se não trabalhar com lealdade a seus irmãos e irmãs na Ordem você jamais será um membro. Para se estar na Dragon Rouge você deverá deixar para trás o ego infantíl, bem como suas atitudes contraproducentes. Nesta sociedade mantemos nossas mentes abertas, discussões abertas, disciplina e um forte desejo de contribuir e trabalharmos duro por nossos objetivos pessoais e objetivos comuns.

Lord A:. Já faz mais de uma década que seu livro “Kabbala, kliffot och den goetiska magin” foi publicado, para a gente do REDE VAMP ele é um verdadeiro clássico do gênero – na sua visão quais foram as principais contribuições, influências e desdobramentos desta obra em múltiplos contextos?
Thomas Karlsson: 
O livro Kabbala, kliffot och den goetiska magin (Cabala, Qlifoth e Magia Goética, no Brasil publicado pela Editora Coph Nia ) estabeleceu um novo padrão para todo o mundo e oferece em primeira mão uma fonte para o conhecimento sobre nosso campo de atuação, eu gosto de mencionar o meu livro para os magos e os místicos de Estolcomo como uma maneira de conquistar e obter mais conhecimento sobre o trabalho draconiano a partir de perspectivas mais pessoais.

Lord A:. UPPSALA é impossível não se envolver e se encantar pelo tom respeitoso e de grande vivência que empresta em suas obras a este templo. Pode falar um pouco sobre sua vivência e descobertas por lá?
Thomas Karlsson: 
Uppsala é uma das mais antigas cidades universitárias da Escandinávia e também o lugar onde ficou o principal templo de Thor, Odin e Freia mencionado por Bremen em 1076. Na universidade de Upsala estão guardados os manuscritos de Bureus, todos colecionados e organizados e você pode ler eles no bélissimo codex com capa de prata e temática gótica é o Codex Argentius do Século XVI. Lá é um solo mágico e sagrado nórdico e também uma das mais importantes cidades universitárias dos países nórdicos.

Lord A:.  GOTTLAND! Acompanho seus posts e fotos de lá, sei que há um templo da ODR por lá e do profundo respeito que nutrem pela ancestralidade desta ilha.  Vamos conhecer mais deste lugar mítico em seus próximos livros?
Thomas Karlsson: 
Gotland é o berço de toda espiritualidade nórdica. As mais antigas pedras rúnicas, os retratos em pedra das viagens de Odin pelo mundo, pedras da deusa bruxa e muito mais pode ser encontrado em Gotland. Posteriormente esta tradição seguiu para as terras da Escandinávia. Lá em Gotland você caminha na terra da tradição dos mistérios góticos nórdicos. Eles ainda vivem ao seu redor.

LatLord A:.  Thomas, como você vê o uso do termo gótico nos dias de hoje usado para designar estéticas contemporâneas desprovidas e até mesmo sustentando um tom antagônico ou ainda usada sem qualquer relação alguma com os povos Godos e Visigotos ou da distante Gottland?
Thomas Karlsson: 
Devemos aceitar algumas tendências e a subcultura gótica de hoje oferece muita coisa boa. Pode funcionar como uma semente para uma compreensão mais profunda dos mistérios góticos dos nórdicos. Para a maioria será apenas uma atitude subcultural, mas para alguns leva à uma compreensão verdadeira.

Os góticos nórdicos (Godos) não eram vistos em termos positivos. Na história européia, os godos foram vistos principalmente como um povo sombrio, perigoso e destrutivo. Eles eram considerados bárbaros, e “o gótico” era algo escuro e primitivo. Durante o Renascimento, os godos representaram o declínio cultural da Idade Média. O gótico é visto como o oposto direto da civilização antiga e os ideais clássicos da beleza.

O conflito entre o gótico eo clássico continua ao longo da história cultural do ocidente. Os ideais clássicos se fundamentam na clareza, razão, luz, leis e estruturas. Os ideais góticos são metafísicos e construídos de visões arcaicas, sonhos, trevas e sombras, inspiração e obsessão. Na tradição lírica, o classicismo é caracterizado por uma visão pragmática da poesia que enfatiza regras e habilidades práticas, enquanto o gótico se funde com uma visão metafísica da poesia em que o conteúdo é mais importante do que a forma. Na arquitetura, a palavra “gótico” tornou-se um termo pejorativo usado para descrever uma tradição de construção de igreja medieval. Primeiros exemplos disso são as catedrais de Colônia, Estrasburgo e Notre Dame, com seu estilo grandioso e pontiagudo.

Embora o estilo provavelmente se originou na França do século XII, foi pejorativamente chamado de “gótico” ou “alemão”. Com seu estilo pontudo, a tradição gótica do edifício foi associada à natureza selvagem ou indomada. Edifícios góticos foram comparados a pingentes de gelo, enormes árvores antigas e cavernas com estalactites e estalagmites. De acordo com a estética clássica, o gótico representava algo insípido e invadido, ameaçador e aterrorizante. Intelectuais alemães do século XVIII, como Herder e Goethe, reavaliarão mais tarde a estética gótica e a arquitetura gótica de uma maneira muito mais positiva.

No entanto, a tradição gótica permaneceu ligada à natureza selvagem e ao terrível. Durante o século XIX, o romantismo das ruínas estava ganhando prevalência em certos círculos artísticos. As representações resultantes incluíram elementos tais como sepulturas e túmulos e igrejas góticas cobertas de plantas, fundindo com natureza insdomável sob a lua cheia. Caspar David Friedrich e Arnold Böcklin foram dois dos principais representantes deste romantismo de ruínas. O gótico se relacionava com a idéia romântica do sublime. O sublime se referia a uma impressão grandiosa da mente que inspirava medo, mas também fascínio.

O estilo gótico também entrou na literatura. Os romances góticos ingleses fizeram referencia a um “terror entusiasmado”, e os ideais classicistas puros, estruturados e estruturados da luz foram evitados. Em vez disso, esses artistas procuraram a imagem de deuses, demônios, infernos, espíritos, almas, encantamentos, bruxaria, trovões, inundações, monstros, fogo, guerra, praga, fome e assim por diante. Acreditava-se que o temor Sublime era capaz de fornecer o homem um conhecimento sobre uma realidade maior que não poderia ser preso dentro dos limites da razão. Edmund Burke era um filósofo principal desta corrente, e as escritas literárias importantes incluíram os poemas de Edward Young “Pensamentos da noite” (1742) e de Robert Blair “a sepultura” (1743). As ruínas tornaram-se altamente populares como um elemento no paisagismo e surgiu a necessidade de construer ruínas novas e artificiais, já que as existentes não eram suficientes. A ruína simboliza o ciclo da natureza e como as forças da natureza e do caos acabam aniquilando ideais e construções humanas. Na Qabalah podemos reconhecer os princípios da ruína sob o nome Qliphoth.

A polarização entre o classicismo e o gótico representa a polarização entre a magia negra ea magia da luz. A magia da luz baseia-se na racionalização e numa idealização da razão. Tanto a Qabalah judaica como as formas “leves” da maçonaria se esforçam para estabelecer uma geometria sagrada a partir da qual o Templo de Jerusalém será reconstruído. Desta perspectiva, as forças escuras da ruína são naturalmente vistas como ameaçadoras. Em uma cosmovisão cabalística, são os poderes escuros e Qlifóticos que estão destruindo o Templo de Jerusalém. O Templo de Jerusalém é um símbolo do poder totalitário de Deus. O lado da luz representa generalizações matemáticas e geométricas; O lado negro representa os fractais eo elemento caótico da matemática do caos.

O classicismo se esforça para imitar uma natureza simplificada e controlada, com o jardim geometricamente projetado como um padrão. Para essa concepção da realidade, os ideais irracionais do gótico parecem uma expressão de mau gosto. Quando a visão para a natureza muda, quando o homem se torna consciente dos elementos de torção do crescimento selvagem e começa a explorar as fendas desabitadas e precipícios das montanhas, um respeito pelas qualidades estéticas da tradição gótica é recuperado. Os arquitetos do castelo abandonam então as estruturas geométricas clássicas a favor da irregularidade. As árvores disciplinadas tornam-se selvagens, o gramado se torna um campo, a piscina torna-se um lago eo caminho do jardim se torna uma trilha sinuosa para o filósofo pensativo, onde ele caminha sozinho e imerso em seus pensamentos melancólicos.

Esta visão da natureza está ligada aos ideais da corrente draconiana. O afastamento do que é podado e estruturado é um reconhecimento de que o caos está reconquistando o Jardim do Éden e que o Dragão acorda novamente. Enquanto o classicismo e os ideais da luz são orientados para as regras, a ordem eo coletivo, a tradição gótica se preocupa com o único: gênio, desvio e originalidade. Uma vez que o lado negro enfatiza o único, seus praticantes sempre correram o risco de perseguição, como ocorreu durante as várias histerias de caça as bruxas ao longo dos séculos.

Lord A:.  Recentemente você participou do “The International Left Hand Consortium” nos Estados Unidos.Conte um pouco sobre a palestra que apresentou lá e suas visão da importância de um evento assim para todo este contexto e as diversas espiritualidades que o integram.
Thomas Karlsson: 
Em primeiro lugar vou honrar aqueles que organizaram este Consotrium. eles estabeleceram um novo padrão de qualidade para a colaboração no meio do Caminho da Mão Esquerda. Eu era um dos palestrantes principais a apresentar o context de Lúcifer- Lilith e Leviathan. Minha palestra foi a respeito sobre a possibilidade em definer o Caminho da Mão Esquerda. Apresentei os seguintes pontos:

  1. Metodológico, mas o dualismo não é necessariamente essencial, (muitas vezes o oposto, como um monismo inerente), baseado na idéia alquímica e tântrica das polaridades geradoras do poder.
  2. . Ideia da “esquerda”, i. E. O divergente é o esotérico. Uma idéia muitas vezes combinada com a elevação do feminino, o escuro, o inferno, a lua, expulsos, caídos, foragidos e etc
  3. O “baixo” como a “usina de energia” latente para alcançar o “alto”, compare com o kundalini shakti como a força da transcendência, e o motivo do culto do mistério antigo de entrar no Inferno / o submundo para chegar ao Céu ou Paraíso (motive igualmente presente no Inferno de Dantes e etc). Um conceito comum na alquimia, onde a “prima materia” é o pré-requisito da “ultima materia”, e o chumbo de Saturno corresponde ao ouro do Sol. No misticismo cristão, é o significado de Cristo escarnecido e no xamanismo a importância da iniciação do Submundo. A Pedra é o espírito, o Dragão é Deus e assim por diante.
  4. Apoteose, mas com a reserva de que abaixo dos mais altos graus iniciais não podemos realmente saber o que isso significa, e o que a palavra “deus” denota exatamente.
  5. A sacralidade da periferia (da margem, do limiar), Caos, Tao, a Bruxa / Hagzissa viajando além das fronteiras etc.
  6. Antinomianismo, no sentido espiritual e filosófico: a) Definir as realidades extremas através das negações) ir contra o grão, estar ciente dos padrões inconscientes c) construir uma moral superior, libertando-se da simples moral social definida pela maioria (Um conceito realmente próximo do idealismo ético).
  7. Elevando Sofia, o conhecimento, a serpente do Éden como um aliado para o adepto, e basicamente o mesmo que Messias, o salvador (na Gematria 358). A natureza faustiana e prometéica do Caminho da Mão Esquerda.
Thomas Karlsson e Cristopher Johnson

Thomas Karlsson e Cristopher Johnson

Lord A:.  Como fã de longa data do seu trabalho não gostaria de encerrar tal entrevista sem elogiar vosso trabalho como letrista do THERION e dizer que algumas de suas participações modelaram positivamente muitos momentos da minha vida. Mas de todas aquelas músicas neste momento qual é a que você mais curtiu ter criado?
Thomas Karlsson: 
Therion significa muito para mim também e eu gostei de escrever as letras. Tudo o que escrevo está ligado à Tradição Draconiana. É difícil para mim escolher, mas eu gosto muito desta letra e da música Draconian Trilogy do álbum VOVIN (*Dragão em Enoquiano!):

Red dragon from the first morning of time, Red dragon of ancient depths of the mind, Rise up from the abyss of ignorance, Coil into the existence of the blind. Morning star please bear your light, Through the day to next night. Fallen one who stole the spark, Bring it into the dark. O Typhon apep lothan O drakon Typhon apep lothan Morning star please bear your light, Through the day to next night. Fallen one who stole the spark, Bring it into the dark. Dragons of tomorrow flying to their babel of yesterday, They open the seal of Sorath and release the eleventh ray”.

Lord A:. Recentemente você esteve na Ilha de Capri, na Itália falando sobre os mitos, a história deste lugar muito caro ao ocultismo e a magia como um todo. Compartilhe conosco um pouco destas histórias e sobre o evento que aconteceu por lá.
Thomas Karlsson: 
Capri é um conhecido ponto de encontro para as pessoas mais poderosas do mundo. Até o Imperador Augusto se mudou para lá e assim governar o império romano. Também foi um local de encontro de personagens sinistros e foragidos na história, sob rumores de Missas Negras acontecendo em sigilo nas Villas Aristocráticas. A ilha de Capri é um lugar de sonho, um limiar onde a terra e o oceano, noite e dia, mito e realidade se misturam. O médico sueco Axel Munthe descreve seu encontro com a figura de trajada de vermelho no início de seu livro História de San Michele. É uma condição central para a história. A figura é Mefistófeles e aparece ao longo da trama. Um motivo de contraste – Uma técnica de narrativa que cativa aos poucos o leitor: O Demônio das Trevas ajuda o Dr. Axel Munthe a construir seu Templo da Luz. Estive em Capri regularmente nos últimos dez anos e estou feliz em providenciar conferências na Villa San Michele, que é um das ”villas” mais exclusivas do mundo. Villa San Michele e toda a ilha de Capri vivem cercadas de lendas sobre Mefistófoles e rumores de missas negras.

Lord A:.  Ouvimos rumores de uma possível conferência por aqui no Brasil em 2017? Pode contar um pouco mais?
Thomas Karlsson: 
Sou casado com uma brasileira, tenho um profundo interesse na cultura multifacetada do Brasil e quero muito estreitar e fortalecer a conexão Escandinava-Brasil. Seu país é fascinante e de uma fervorosa espiritualidade. Sua Majestade, Sílvia, a Rainha da Suécia também é brasileira. Minha missão é trabalhar frequentemente entre o hemisfério norte e o hemisfério sul já que o Dragão está por toda parte. Eu vejo um crescente interesse e força por toda América do Sul, noto um potencial fantástico por vir nas manifestações Draconianas no Brasil e através da América do Sul.