RPG QUEST BOARDGAME: Marcelo Del Debbio revela surpresa especial

Um novo encontro entre Lord A:. e Marcelo Del Debbio, desta vez o papo será o lançamento do RPG QUEST BOARDGAME, um jogo de tabuleiro extremamente criativo e que permite os participantes desenvolverem a criatividade e produzirem roteiros fantásticos. De quebra o jogo é ambientado no contexto da Kabbalah Hermética, do Tarô e da mitologia ou seja é um jeito extremamente divertido de se aprender e compreender um pouco mais sobre todo o universo do hermetismo. Já adiantamos que Lord A:. e Srta Xendra Sahjaza jogaram uma partida, teve até gravação de um destes gameplay que partilharemos em breve e que eles aprovaram e gostaram bastante!

RPGQUEST será lançado no sistema de crowdfund através do CARTASE e oferece prêmios fantásticos a todos participantes e você pode saber mais sobre tudo isso bem aqui!

Detalhes do tabuleiro, das cartas, dados e peças de RPG QUEST Boardgame

 

 

 

RPGQuest – A Jornada do Herói é um Boardgame (Jogo de Tabuleiro) onde você controlará um grupo de Aventureiros em busca de Fama e Fortuna nos Reinos de Arcádia. É um jogo totalmente baseado no Hermetismo, Alquimia, Kabbalah e a Jornada do Herói. A Grande Ilha de Arcádia é formada por Dez Reinos, criados à partir das Sephiroth da Kabbalah Hermética (os Jardins de Kether, o Vulcão Hochma, as Montanhas de Binah, os Bosques de Chesed, o deserto de Geburah, as planícies de Tiferet, o Rio Netzach, o platô de Hod, o Lago Yesod e as colinas de Malkuth). Estes Reinos estão divididos entre quatro Grandes Reis e Rainhas (Bastões, Taças, Espadas e Moedas) que, por sua vez, são governados pelo Imperador e pela Imperatriz.

Dama Leto e o dia da Mulher (do Apocalipse)

Dama Leto e seus gêmeos Apolo e Artémis

[Um texto de Lord A:.] Feliz Dia  das Mulheres!
Façam o dia de hoje e todos os dias melhores nem que seja apenas para você, coletivos são formados por indivíduos e o que precisa ser ajustado demanda investimento, resiliência e números. Quem irá colher um mundo melhor não será a nossa geração, somos um meio para melhorar as coisas para quem ainda virá. Logo, desejo perseverança, empatia, queixo para o alto e luz no olhar para que prossigam e invistam para que venha um mundo melhor. O que vivemos hoje é um sintoma de algo que se arrasta a dois mil anos pelo menos. Fazem muito barulho sobre os sintomas e consequências dele, mas são poucos que tocam na “causa” afinal ela é delicada e afeta cada um sem exceções. A reação comum perante isso é retirar a sacralidade, negar prontamente ou ainda “coisificar”, uma forma de retribuição e continuidade ao círculo vicioso e os ruídos que dispersam o foco da causa dos males combatidos hoje nesta data. Vamos então contextualizar o foco e a causa na igreja e seus dogmas.

“No Cristianismo o feminino só passou a carregar um sentido mais positivo e sacro depois de um milênio, quando inicialmente Sant´Ana e em seguida Nossa Senhora passaram a receber culto para afastarem a fome da Europa ” 

É bastante conhecido que os primórdios da igreja católica romana foram marcados pela delegação da mulher ao inconsistente, a ameaça e o terrível – basicamente ao que precisava vir a ser sujeitado e submisso através do elemento ou mesmo da polaridade masculina. Veremos isso no trato e na aparência essencialmente feminina dada aos elementos filosóficos água e terra nas sagradas escrituras e também as trevas ou a escuridão. É uma interpretação de inferior ou de algo a ser dominado e possuído (mais ou menos como é tratada a natureza ou o ecossistema), cada doutrina interpreta a sua imagem e semelhança. Sabemos que isso é uma herança das escrituras selecionadas pela cúria romana vindas dos hebreus que destacassem tal aspecto. E como todo poder expressa justificativas na forma de estética e filosofia para assegurar sua continuidade, um vasto universo foi estabelecido com base na imagem e semelhança destas regras – e ele é aceito como naturalidade ou algo inquestionável há muitos séculos. Se as coisas não vão bem para as mulheres hoje, cobrem pelos danos sofridos (se é que adianta) da igreja; o feminino só passou a carregar um sentido mais positivo e sacro depois de um milênio e alguns séculos de cristianismo, quando inicialmente Sant´Ana e em seguida Nossa Senhora passaram a receber culto para a Europa fugir da fome que se abateu sobre ela. O papel das santas na intermediação entre o divino e o profano foi ganhando mais espaço e se aproximando um pouco mais do que temos hoje (inegavelmente diferente do que é retratado na Bíblia). Sintetizando aquilo que pertence ao feminino foi associado ao vício, a oposição, a mortalidade, ao impróprio e o demonizado a maior parte do tempo no catolicismo e seus desdobramentos e dissidências ao longo do tempo. O feminino foi reduzido a expressão da “mater dolorosa”, ou a mãe que agoniza pelo destino do filho ou a santa que renuncia a própria vida como mulher, com raras concessões nos últimos 800 anos e um pouco mais de liberdade nas últimas quatro décadas. A culpa é da serpente que tentou Eva e ponto final.

E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz. E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas. 
Apocalipse 12:1-3

William Blake

Os textos bíblicos contêm incontáveis personagens femininas interessantes e dignas em suas próprias expressões, mas particularmente uma delas presente no Apocalipse de São João sempre me chamou a atenção desde a infância: “Uma Mulher grávida vestida do sol com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa com 12 estrelas”! Ela vem sendo perseguida por um dragão de muitas cabeças por onde quer que passe, mesmo assim ela dá a luz a um garoto predestinado a chefiar as nações que é arrebatado para o lado de Deus. Além disso a mãe ainda recebe asas de águia e lhe é oferecido um refúgio. Ainda assim o dragão vai atrás dela e depois de um combate épico é derrotado pelas hostes do seu filho agora endeusado. Eu resumi para fins didáticos. Como pagão e voraz consumidor de autores como Joseph Campbell e Robert Graves qual não foi minha surpresa quando li sobre a dama Leto, que se enamora por Zeus e como toda amante dele engravida e desperta a ira de Hera sua esposa (Deusa da Terra) que proíbe o solo de oferecer pouso para Leto dar a luz e ainda coloca atrás dela um dragão de várias cabeças pavoroso chamado Python. Ela receberá asas de águia e uma ilha é criada como refúgio para ela poder dar a luz, dela nascem os deuses Artémis (ou Diana) e Apolo. Que logo serão arrebatados pelo pai e que Apolo virá para salvar a mãe ao se apropriar plenamente de seus poderes e dar cabo do pavoroso dragão. Qual não foi minha surpresa em constatar que o São João do Apocalipse escreveu seu relato na ilha de Patmos, ao sul de Eféso, onde foi um dos maiores, mais prósperos e ativos santuários da deusa Artémis (ou Diana) naquela época (tal paradeiro é mencionado também na obra The Vampyre, de Polidori, erroneamente atribuída a Lord Byron). Existem até más línguas por aí, que insinuam que o texto do Apocalipse tenha inclusive sido desenvolvido sob influência do enteogenico Amanita Muscárya, nascidos de cogumelos próximos das raízes dos carvalhos do bosque de Dordona e um fundamento religioso comum daqueles tempos para os que buscavam a visão e a comunhão com o sagrado. Mas esta última parte fica como uma gentil especulação da minha parte.

Ilha de Patmos, onde foi escrito o Apocalipse Bíblico, pertinho do Templo de Diana (Éfeso)

Não direi que a dama Leto e a Mulher do Apocalipse são a mesma personagem, mas acho interessante e irrefutável a constelação e similaridade de ambas as histórias quando reflito sobre onde o Apocalipse de São João foi escrito. Vale notar que tal livro sagrado do cristianismo atesta a diferença do papel da mãe no politeísmo e no vindouro monoteísmo. Leto é a representação do feminino sagrado, onde Zeus representando o sagrado masculino se une a ela em igualdade para fecundar e gerarem a continuidade da linhagem e das forças que regem o alto e o baixo. Dessa união nascem gêmeos em igualdade de condições, se pensarmos Artémis nasce inclusive primeiro e auxilia a mãe durante as dores do parto. No caso da Mulher do apocalipse ela está coroada por estrelas, vestida de sol e com a lua aos seus pés, poderíamos falar longamente destes símbolos e seus significados, mas a ela é dado um tom calamitoso que ilustra o temor monoteísta a sacralidade e a igualdade feminina que contraria seu discurso e desejo de poder. Se este texto fosse lido por egípcios a tal mulher sem nome do Apocalipse teria sido vista como a própria deusa Isis grávida de Osíris e prestes a dar a luz a seu filho Horus, quando se via perseguida por Set no calor do verão, antes da cheia do rio Nilo onde em uma de suas ilhas poderia encontrar um solo acolhedor. O simbolismo da escuridão ou as trevas, remetem ao ventre versam sobre o repouso, o útero e a sustentação para a nova vida, a luz ou ainda o sol que virá – ou ainda a gruta escura e a cova que guardará o corpo depois da morte.

A lua e a escuridão (ou as trevas) são metáforas para o feminino sagrado de todos os tempos, é a mulher quem dá a forma ao potencial, em seu ventre e assim também entrega aos filhos que vem através dela o tempo e a finitude.

WitchStone em Gottland tempos Varrengues, Melusigna na França Medieval e na cultura pop atual

A lua e a escuridão (ou as trevas) são metáforas para o feminino sagrado de todos os tempos, é a mulher quem dá a forma ao potencial e assim também entrega ao que vem através dela o tempo e a finitude. Embora a morte sempre tenha sido levada como evidente desconforto em todas as épocas, era uma parte natural da jornada. Já para a noção da vida eterna católica, retorno dos mortos a vida e outras variações, isto seria um problema (transe extático, experiência de quase morte, voltar dos mortos no próprio corpo, como fantasma, corpos que não se decompõem e outras ressureições sem o voucher da igreja seriam ações do seu opositor). Até mesmo por conta disso você está lendo um artigo assim num site Vampyrico. O feminino e o masculino se complementam e formam o sagrado casamento alquímico que renova a vida no mundo. O masculino é associado ao solar e o consciente entre os povos latinos e gregos, gerado na escuridão da fêmea e a ela pertence o sagrado mistério de literalmente dar a luz a vida. No selvagem jardim equivale aos primeiros dias posteriores ao solstício de inverno, quando o sol volta a aquecer o hemisfério norte degelando e renovando a vida. (vale pontuar que entre os germânicos e os povos do norte da Europa, o Sol é uma deidade essencialmente feminina e o Lunar pertence ao masculino, falo mais disso aqui)

Estranho a ausência destas observações entre meus pares tanto no paganismo quanto no ocultismo e até mesmo em espiritualistas, terapeutas holísticos (de grandes portais da internet, comento o caso detalhadamente neste artigo) ou religiosos de cultos afro-brasileiros que ao abordarem o lunar, a escuridão, a morte (nada mais que o contraponto do nascimento) e até a descida do sangue lunar (falaremos disso em nosso novo livro) repetem os mesmos preconceitos e distorções virulentas propagados nestes últimos dois milênios pela cristandade a respeito da sacralidade feminina e todo seu contexto e simbolismo. A própria cauda de serpente (quem lembra de Melusigne, falei dela no livro Mistérios Vampyricos) associada as mulheres nas representações como feras míticas, agora demoníacas, nada mais era do um símbolo do menstruo e de operações míticas relacionadas aos Kalas e os Chakras herdados do oriente. (Inclusive uma das possíveis origens do que nomeamos como vampiros hoje, tem sua origem numa corruptela destes ritos). Mais do que nunca o vampiro continua sendo a encruzilhada, o totem, o tabu e a máscara que oferecem o espaço de convivência velado para a integração e compreensão destes conteúdos e poderes ainda tratados como proibidos.

Estranho a ausência destas observações entre meus pares tanto no paganismo quanto no ocultismo e até mesmo em espiritualistas, terapeutas holísticos ou religiosos de cultos afro-brasileiros que ao abordarem o lunar, a escuridão, a morte e até a descida do sangue lunar  repetem os mesmos preconceitos e distorções virulentas propagados nestes últimos dois milênios pela cristandade a respeito da sacralidade feminina e todo seu contexto e simbolismo.

Somos Todos Um é o Carvalho!

As contribuições dos chamados grandes sites esotéricos brasileiros ao contexto Vamp em todos os seus frontes são lastimáveis  –  supostamente deveriam oferecer um balizamento informativo sem julgamentos ou rotulações mesquinhas e discriminatórias. Deveriam também pesquisar e falar do que existe em toda sua extensão e isso demandaria novamente vencerem a preguiça e adotarem virtudes esotéricas. Mas a realidade dos conteúdos partilhados por tais meios é no mínimo lastimável. E é hora da REDE VAMP o maior e mais tradicional portal de conteúdo VAMP da América do Sul e Portugal oferecer sua crítica e contra ponto. Aliás, para quem não conhece nossa proposta, leia aqui.

Vamos clarificar uma coisinha básica sobre os chamados grandes sites “esotéricos” brasileiros e quando seus colunistas se metem a falar de “Vampiros”: Eles NÃO pesquisam coisa alguma e apenas repetem (propagando) preconceitos e uma evidente cultura de ódio a pessoas que apreciam liberdade de pensamento, gostos diferenciados e consumidores de uma produção cultural menos comum e até mesmo pouco usual da cultura de massa.

Os tais colunistas ou sites pautam seus discursos associando o VAMP as seguintes condições:

  • Pessoa com severos problemas e transtornos emocionais, sociopatas ou psicopatas; daquelas que sufocam a vitalidade, autenticidade e espontaneidade de terceiros para que se conformem ou se deformem para agradarem a eles. Aqueles livrecos picaretescos do começo do século XXI que catalogam diversos tipos destes padrões patológicos de comportamento e os homogenizam como “vampiros” são bons exemplos disso.

  • Pessoas narcisistas perversas daquelas que simbolicamente decapitam as cabeças de   outros só para aparentarem ser melhores; aquela raça insuportável de gente que vive de culpar, macular, projetar e deixar em terceiros todas mazelas e incompletude que lhes pertencem e faze-los de seus bodes expiatórios para descontarem sua frustração em diversos graus, alguns até mesmos dignos de investigação criminal.
  • O espírito obsessor herdado das décadas de 40 ou 50 do século XX geralmente catalogados e amplamente divulgados pelas publicações da FEB em território nacional.
  • Os chamados encostos dos programa religiosos televisivos das madrugadas brasileiras e seus incontáveis casos de possessões e passivos de serem expulsos com ritos de exorcismo tão vulgares e questionáveis perante qualquer ortopraxia centenária e perene.

Quais as fontes de pesquisa destas supostas autoridades formadas na arte de embrulhar, empacotar, copiar e colar do seu jeito o que lhes interessa para assegurarem seu lucro nas costas de clientes que se submetem a tudo isso? Diplomas de cursinhos de final de semana? A maior parte dos casos nem foram de alunos proeminentes e de bom desempenho neles (alguns envergonham seus mestres com suas condutas…).  A orelhada sobre um suposto caso que ouviu falar de uma suposta fonte respeitável que ilustra exatamente o que queria dizer ou do seu amigo ou da panela que faz parte.

Já vi casos destes aí  mais agressivos que esquecem da imagem pública de “galinha morta” iluminada que vendem e berram que a fonte deles é o inquestionável dicionário, como está lá é a verdade indiscutível e absoluta sobre tudo; ou ainda um trending topic no google(!)  E em outros posts choramingam sobre o injusto dicionário e os trending topics sobre sua profissão… são valentes na internet mas quando chamados para conversarem ao vivo se comportam como crianças birrentas, fazendo pirraça e dizendo que só fazem o bem e não foram entendidos. Excelente definição de bem essa que permite caluniar, difamar, distorcer e macular aquilo que não compreender… se enquadra em algo como cortar a cabeça de alguém para simplesmente aparentar ser mais alto.

Vamos deixar para outro dia enumerar como o conteúdo de um dicionário é planejado e margeado para expor e expressar o discurso datado e a moral de uma época ou regime especial. Ainda sobram alguns que tem os “m-e-n-t-o-o-o-o-r-e-s espirituais e suas revelações luminosas” que a considerar o lugar comum de suas falas, o deixar na mesma e o tom copioso de “busque sabedoriae amem a todos que forem iguais e do mesmo grupo que vocês pois os de outros são muito atrasados e sujos” quase sempre são apenas a extensão do superego do próprio “esquisotérico”. Meus leitores e leitoras mais hábeis já entenderam que critico o povo da picaretagem e jamais espiritualistas sérios.

Será que não me surpreendo mais quando concluo que as postagens destes “portais esotéricos” simplesmente remetem ao imaginário cristão de dois ou três séculos atrás, forjado para assegurar a hegemonia e o poder secular das igrejas daquele tempo, vendendo a cura de um mal inventado por eles mesmos, a constar:

– O vampiro é um espectro que vem para drenar e sabotar a vitalidade de uma comunidade;

– O vampiro é um morto-vivo que vem para beber o sangue dos parentes e pessoas próximas;


Claro que ambas as opções mascaram incontáveis tribos e ritos xamanicos pautados no processo extático e nos mitos da caçada selvagem e guildas de profissões marginais (parteiras, ferreiros, construtores e etcs) ao norte da Europa que foram homogeneizados pelos acadêmicos e eruditos cristãos como tipos de vampiros depois da renascença. Isso por si já renderia um outro “textão”.

O que temos senão um ato de reviver costumes estagnados e padrões de comportamento deveras patológicos e de histeria em massa? Úteis para quem pode vender a cura de um mal que não existe, apenas está lá para cumprir uma função social. Esta consiste em jogar e projetar nas costas de quem é diferente do bando ou rebanho numericamente superior – toda a culpa por infortúnios e insalubridades conhecido como mecânica do bode expiatório.

Bode expiatório! O que há de espiritualidade nisso? De esotérico? Da vivência de uma inspiração ou emanação transcendente ao domínio social humano? Da chamada “evolução”, “iluminação”, “aprimoramento do espírito” e outras doutrinas ou sendas presentes nas falas e visuais destes supostos profissionais do esoterismo, da cura e das terapias do bem comum? Há apenas o poder que otários e otárias entregam nas mãos deles e vassalagem social – a boa e velha política de aparências. Quem se submete a uma sensitiva televisiva que manda pessoas abandonarem gatos pretos? Quem se curva e passa a repetir compulsivamente o que uma terapeuta fala sobre pessoas que não se vestem como todas as outras e preferem um tom mais sombrio nas vestes? E o que dizer de pessoas que demandam privilégios mascarados como direitos? Podemos ampliar a tal lista de forma vasta; mas eu vou resumir tudo que falamos até agora em uma única sentença:

“Diga-me o que Tu pensa que é um Vampiro e lhe diremos quem tu És!!!!”

Peguei pesado agora né? Existe muita informação e até formação (há pelo menos 14 anos) sobre o contexto VAMP aqui no Brasil, América do Sul e Portugal; no Japão e na África do Sul também há mais ou menos este período de tempo. Já nos Estados Unidos temos pelo menos 45 anos deste contexto, na Europa em países como Alemanha, Inglaterra e França mais ou menos o mesmo tempo e ainda há muito mais em outros lugares. Não preciso dizer que não faltam livros sérios ou desprezíveis sobre o tema em todos os países citados. Existe material de sobra e isso evidencia a incapacidade, o despreparo e padrões de comportamento e de conduta da parte dos supostos “pesquisadores “esquisotéricos” dos grandes portais que continuam escrevendo e projetando seus próprios recalques e delírios sobre o contexto Vamp ao invés de importarem um ou mais livros e escreverem algo mais fiável – ou na pior de todas as hipóteses consultarem o livro “Mistérios Vampyricos” que já vendeu mais de 10.000 cópias desde 2014 e apresenta didaticamente tal contexto de forma bem ampla – e pouparia os tais de incontáveis erros.


E o que dizer do contexto VAMP brasileiro que há 15 anos tem até uma data oficial no calendário paulista de eventos e datas da cidade marcado pela campanha do DIA DOS VAMPIROS que reúne centenas de doadores de sangue para hospitais públicos e outras importantes causas como diversidade artística e campanhas contra o preconceito?

São mais de 300 pessoas por encontro no vão livre do MASP, só que para o “esquisotérico dos portais” assim como para o “jornalista portal de notícia” são apenas pessoas fantasiadas – ao longo dos últimos 15 anos temos ótimos relatos das brigas com chefes de redação para ampliarem e corrigirem suas publicações no R7, G1 e muitos outros. Para o evangélico radical quando o assunto somos “nós”, somos retratados como pessoas de sangue impuro e satânicas – tentam boicotarem campanhas assim. Para o  ” colunista esquisotérico de portal” é pior, pessoas como a gente, nossos costumes, nossas histórias e feitos NÃO existem. É uma longa e silenciosa vista grossa, similar a que fazem perante os massacres de indígenas no Brasil, “colunista esquisotérico de portal” veste cocar, bate tambor mas não ajuda um indio na rua a voltar para sua tribo ou encontrar os órgãos ou representantes públicos que auxiliariam sua causa.  E mesmo assim o “colunista esquisotérico de portal” até incorpora índio, cigano e o que quer que seja – só para mostrar sua alegada pluralidade espiritual – geralmente farsesca.


E o que os tais poderiam dizer sobre ações menores como o nosso Encontro do Tarô dos Vampiros (existente desde 2011) que oferece palestras sobre o tema com grandes nomes do segmento (professores de cursos e donos de espaços que alguns frequentam) e arrecada ração de cão e gato para abrigos e ONGs que cuidam de animais abandonados no centro da cidade? E de outras diversas iniciativas de CIDADANIA que podem ser conhecidas bem aqui? Estranho os “colunistas esquisotéricos dos portais” e os seus “grandes portais do gênero” desconhecerem tudo isso… apenas sabem falar da ameaça que encenam sobre nós, se falam é mal e de forma distorcida privilegiando casos negativos e até de criminosos. Será que para eles só podemos existir como serial killers, narcisistas perversos, obsessores e afins? Assim como era o pensamento medievalesco e radical?


Nunca vi nenhum os supostos “grandes portais esotéricos brasileiros” falarem sobre nossa história, ethos, ortopraxia e até mesmo de um código de ética e de bom senso as vezes chamado “The Black Veil” e as vezes sem qualquer outro nome que regulariza e afasta de nosso meio social pessoas com desvios de comportamentos e práticas que violam a liberdade de terceiros.

São mais de 900 artigos disponibilizados ao grande público e notamos que misteriosamente nunca são citados ou mencionados pelos ditos “esquisotéricos”” ou os “grandes portais” do gênero no Brasil. Estranhamente temos mais de 10 milhões de visitantes e uma alta taxa de visitação em nossas páginas e postagens, uma expressiva contribuição em trabalhos universitários sobre o contexto, um dos livros mais vendidos do gênero e afins para sermos considerados invisíveis ou não dignos de nota por tais “esquisotéricos dos grandes portais”! Mas na hora de venderem penduricalho de plástico com poderes especiais, os esquisotéricos não tem vergonha na cara…


Desconfiamos que a razão de tudo isso é porque simplesmente é conveniente aos “grandes portais esotéricos” e seus “colunistas” nos ter como seus “monstros” e não como “pessoas” – por uma simples razão:


Nós evidenciamos o que eles querem mascarar ou esconder; a simples existência de pessoas como a gente ilustram que a patologia, a alienação e outras parasitagens residem lá entre eles! E talvez de alguma maneira o que somos, o que curtimos e o que fazemos delineia amplamente a mentira que eles vendem. Inexiste uma cura para o que se é, inexiste qualquer coisa que possa lhe tornar aquilo que não carrega em si. As forças espirituais não estão nem aí para nossas culpas ou busca por redenções, apenas concedem em abundância o que cada um cultiva em si. Se o rebanho vir a reconhecer tal fundamento é o fim do esquisoterismo oferecido por esses charlatães.


E infelizmente é isso, os tais não pesquisam e não pensam além de suas caixinhas e guetos culturais onde vivem.
Não querem fazer a diferença verdadeiramente querem apenas agradar quem dá dinheiro para eles e não deixarem secar tal fonte. Estacionaram a si e a quem busca por seu atendimento na apatia, conformismo e superficialidade. Poderia enumerar pelo menos outros 29 vícios que denotam um caráter bem falho mas não vem ao caso agora. Poderia enumerar ainda outras 15 evidências que entregam a falta de investidura espiritual mais comuns e necessárias nos graus mais basais para a realização deste tipo de trabalho que oferecem – mas evidenciarei apenas o básico – quem glamouriza a ignorância, cultua a patologia e hipervaloriza o sintoma é apenas um “parasita” (e já catalogamos bastante estes tipos aqui). E o que podemos dizer de quem vende e oferece aquilo que não dispõem?

Qual a diferença entre os tais ““grandes portais esotéricos” do fatídico Malleus Malleficarum ou Martelo das Bruxas medievalesco e prosaico? Qual a diferença desses colunistas de grandes portais e ditosos pastores fanáticos? Ambos se fundamentam no social e isto lhes afasta comprovadamente do espiritual bastando acessar ou ler o conjunto de suas obras ao longo da última década. O ponto em comum de ambos é a sede pelo dinheiro de seus exorcizados ou terapeutizados; isso chamamos de parasitismo.

Assassin´s Creed: Espiritualidade e Liberdade de Pensamento

 

[Texto de Lord A:.] Assassins Creed finalmente cumpriu seu destino cinematográfico, algo sempre evidenciado e presente nas franquias dos games e também nos livros e nos quadrinhos.

O filme centraliza sua trama inteiramente no conflito Templários X Assassinos. O primeiro grupo almeja domar a humanidade e deixar todos sobre o cabresto de sua regra, tal empreitada é endossada pelo contexto bíblico que antecede a fatídica expulsão de Adão e Eva do paradisíaco Jardim do Éden.

Já os Assassinos representam a sabedoria (filosofia) que emerge da lida com o imprevisível, a incerteza, a dúvida, o protesto e a obra aberta, aquela jamais concluída que é a criação que existe entre meios e entre mundos – no filme rasamente explicada como livre arbítrio. Liberdade de pensamento é o contexto onde Templários e Assassinos se tornam nossos procuradores explorando suas respectivas opiniões através da inquisição espanhola e dos tempos modernos. Aliás o filme é bastante auto explicativo neste sentido desde a abertura da história ambientada nos tempos da inquisição espanhola com o juramento de lealdade feito pelo protagonista interpretado por Michael Fassbender.

“(…)Enquanto outros homens seguem cegamente a verdade: Nada é verdade!
Quando outros homens estão limitados pela moral ou a lei: Tudo está permitido!
Trabalhamos nas trevas para servir a luz,
Somos Assassinos!(…)”

A história gira em torno de Cailum Lynch (Fassbender) condenado a morte por ter executado um cafetão e outros delitos, também um descendente da mítica linhagem dos Assassinos que ainda na infância testemunhou seu pai matar sua mãe. O cumprimento de sua sentença de morte pelo departamento de justiça norte-americano é secretamente forjado pela corporação Abstergo que o leva para sua sede em Madrid, na Espanha para servir como mais um rato de laboratório de sua máquina chamada Animus. O objetivo da corporação é extrair as memórias do DNA dos descendentes das diversas linhagens de Assassinos para localizarem um artefato mítico chamado de Maçã do Éden – que traz o código de DNA que instiga a violência ou a filosofia e faz o humano desviar das normas e regras dos detentores do poder. O filme dá a entender que vem utilizando esta máquina e tal procedimento há décadas em dezenas de pessoas mantidas em suas instalações contra suas vontades. Muitos deles estão injuriados e incapacitados fisicamente e até mentalmente, pois a exposição a máquina e o processo deve ser consentida e não imposta.

(…)Assassinos vem de Hashashins, eram drogados, marginais e pilantras de rua desprezados pelos árabes; mas este era um truque deles para ocultarem sua organização, suas aspirações, planos, metas e um credo bastante singular – até o momento de colocá-lo em prática e ameaçar seus inimigos(…)

Alguns acertos evidentes do filme acontecem nas partes que se passam nos tempos da inquisição espanhola e remetem bastante a estética e o visual da franquia de games, livros e quadrinhos. Já o tom sombrio e realista tanto nessas locações quanto as que se passam no presente sufocam bastante o agradável e extravagante clima que encontramos nas outras obras da franquia. Não que evidencie algum tipo de paradoxo ou experiência desabonadora para o filme, mas frustra a audiência pela expectativa. Faz sentido no clima e abordagem da produção – é executado com maestria e ampla perícia estética – mas não entrega aquele tom que deixa de se levar a sério e torna o jogo deliciosamente absurdo e divertido. Falta alguma coisa. Assim como nos dilemas morais ou dos temas de curar a violência ou do seu uso apropriado pela liberdade expresso nos diálogos entre Lynch e seus antagonistas Templários. Mas acho que o foco era exatamente o confronto de ambos os grupos e deixar a imagem falar mais alto do que qualquer texto. Sendo assim temos um bom filme no final das contas, acredito que as possíveis sequências tendam a aprimorar e oferecer mais densidade na apresentação deste universo ficcional.

“(…)Teu sangue não pertence a você e sim ao Credo!(…)”

Apreciadores do contexto de Assassins Creed irão gostar bastante deste livro já disponível em nossa loja!

Se você não assistiu ainda, pare sua leitura aqui! Diferentemente dos games e dos livros, talvez apenas em um tom mais claro e explícito o filme lidou muito bem com a questão dinástica do “credo” e do “sangue”; na obra os Assassinos integram uma linhagem espiritual transmitida pelo “sangue” dos seus descendentes que lhes permitem acessar vivências, habilidades e experiências deles através do espírito totêmico da águia. O filme também demonstra evidências de uma comunicação através de sussurros e insights transmitidos através desta egregora. Além de uma menção muito especial ao culto dos ancestrais que vivem no coração de cada um. Que inclusive vem a clarificar que a mãe do protagonista se suicidou para não cair na mão dos Templários no começo do filme e que ainda retornam para transmitir a chama da iniciação do protagonista próximo do final da obra é marcante!  Tal contexto de espiritualidade e sabedoria perene comparável aos antigos ritos baseados em processo extático e guildas de profissões marginais, homogenizadas como tipos de vampiros vem sendo explorado há mais de uma década ao longo da minha obra.

 DANTE ALIGHERI E OS ASSASSINOS NA ALEMANHA

[Atualizado em 26.04.2018] Os templários não só adotaram uma série de preceitos e regulamentos tomados emprestados da Ordem dos Assassinos, como também fizeram suas as cores deles: o branco e o vermelho. Tão próximas foram estas relações que até Luís IX, rei da França, certa vez enviou uma missão diplomática a visitar o castelo de Jebel Nosairi, ocupado por um chefe local da Ordem dos Assassinos.

Frederico II, o Barbarossa (1122-1190), o imperador alemão que participou das cruzadas convidou vários ismaelitas para que o acompanhassem de volta à Europa, dando-lhes copa franca na sua corte.

A atração por sociedades secretas seduziu também aos poetas italianos do Dolce stil nuovo, como Guido Cavalcanti (1255-1300) e Dante Alighieri (1265-1321) que, inspirando-se num livro da mística xiita intitulado “Jardim dos Fiéis do Amor” criaram a sua própria irmandade secreta, a dos Fedeli d´Amore.

Portanto, o gosto de muitos europeus por congregarem-se ao redor de lojas esotéricas, com rígidos rituais de iniciação e um ar secretíssimo, hábito tomado na época das cruzadas, provavelmente lhes foi instilado pelos feitos da Ordem dos Assassinos.

Protegidos por uma fortaleza tida como inexpugnável, que nenhuma força local poderia tomar de assalto, foi preciso esperar a invasão dos mongóis, no século XIII, para que finalmente o ninho da águia fosse destruído pelos poderosos invasores no ano de 1260, pondo fim a ameaça que a seita dos assassinos representava em todo o Oriente Médio. A legenda que deixaram foi difundida no Ocidente pelos cavaleiros cristãos e pelos monges escribas que os acompanharam, impressionados com a história terríveis a que os devotos estavam associados, símbolos vivos do que era possível fazer com um ser humano, tornado simples objeto maligno ao serviço do fanatismo. [Atualização de Marcelo Del Debbio]


Aliás, a seguir oferecemos links para você aprofundar seus conhecimentos sobre a parte histórica e espiritual dos chamados “Assassinos” e suas reverberações na Cultura Pop!


 

Santa Clarita Diet: Canibalismo diretamente do Leste Europeu

A primeira temporada do seriado SANTA CLARITA DIET (Netflix,2016) trouxe as epidemias de mortos vivos canibais sérvios, para o subúrbio de Los Angeles. Inteligente e hilariante oferece um bom contraponto ao contexto de zumbis carniceiros da cultura pop.O tom bem- humorado dos protagonistas Sheila e Joel, interpretados por Drew Barrymore e Timothy Olyphant, retrata dois corretores de imóveis, casados e entediados com a rotina, até que a jovem se transforma de forma misteriosa em uma morta viva canibal. Resumidamente é isso. A partir daí ela e o marido, assim como a filha e seu melhor amigo nerd terão que lidar com a nova dieta da mamãe em situações hilárias de morte, destruição, companheirismo e lealdade passional.

As evidentes vantagens da nova condição de Sheila é sentir-se a cada dia mais linda, disposta e poderosa – apesar de seu corpo estar se decompondo discretamente. Isso sem falar no apetite insaciável por carne humana. Aparentemente o contágio se dá por mordida ou arranhão (mas não fica muito claro), depois o infectado vomita muito, até expelir o próprio coração. Agora como um cadáver ambulante passa a “viver” destemidamente e até selvagemente tudo que temia socialmente quando apenas “vivo”. Há um livro antigo que explora uma explora uma praga semelhante num vilarejo Sérvio do século XVI e fornece pistas do que está por vir, mas que saberemos apenas na próxima temporada. Em Santa Clarita Diet o “prato principal” não é o derramamento de sangue e a violência e sim o bom humor (negro!) com que os personagens lidam com tudo isso!

Assistimos a primeira temporada e nos divertimos aqui na Vamp Tower, nota 10 para a campanha publicitária brasileira (usando o brega e o tom açucarado com a visceralidade do seriado) que reproduzimos no início do artigo!!!

ANTROPOFAGIA, CANIBALISMO E O LESTE EUROPEU

Quando falamos do leste europeu acabamos sempre pensando no bom e velho mito do chamado “Eurocentrismo”, por mais que o interior da Hungria ou da Romênia (e outros países de lá) gozem deste verniz europeu seu imaginário ainda é essencialmente prosaico e tribal. Calma, ao pontuar isso não desejo de nenhuma maneira denegrir tal povo e tampouco países que sou profundo admirador dos costumes, ancestralidade e espiritualidade. Este artigo não pretende ser nenhum tipo de caçador de “likes” sensacionalista, vamos apenas focalizar um pouco de história, do imaginário e da cultura pop.

No passado distante a região foi o lar de povos guerreiros como os Sármatas e os Dácios, quando o império Romano deixou aquelas terras o povo latino que habitava a região fugiu para as montanhas e se misturou com eles, dando origem a incontáveis sincretismos e ritos peculiares. A própria história do Voivode Vlad da Casa Bessarabi (ou Vlad Tepes que inspirou o célebre personagem de Bram Stocker) imortalizou e ainda globalizou seu folclore e deixou nuances da sua espiritualidade que tocam o coração dos indomáveis.

Ainda hoje naquelas terras há um temor generalizado que envolve o retorno do morto (principalmente em casos de mortes violentas, súbitas e de pessoas sem batismo religioso) como um espírito vingativo, buscando sufocar o espírito da comunidade. Desde 1800 tais histerias com mortos vivos despontam nos jornais de uma forma mais ou menos homogênea, assim como as profanações de túmulos para erradicarem o tal “vampiro” ou “morto vivo” são frequentes no interior destes países. Amputações e decapitações de membros de um defunto são comuns e o uso das famigeradas estacas marteladas no seu peito também não surpreendem. Tudo isso acompanhado de incursões clandestinas e penalizadas por lei aos cemitérios dos vilarejos na calada da noite.

“Menos conhecida é a misteriosa receita utilizada por estes caçadores de mortos-vivos eslavos que envolve cozinhar e consumir partes do morto, diluídas em água (ou outras substâncias) – sendo que em alguns casos até mesmo o sangue do cadáver é preparado desta maneira adicionado a certas ervas e outras correspondências do espelho celeste para perpetuar tais fins.”

Menos conhecida é a misteriosa receita utilizada por estes caçadores de mortos-vivos eslavos que envolve cozinhar e consumir partes do morto, diluídas em água (ou outras substâncias) – sendo que em alguns casos até mesmo o sangue do cadáver é preparado desta maneira adicionado a certas ervas e outras correspondências do espelho celeste para perpetuar tais fins. Os leitores e leitoras mais hábeis prontamente verão aí casos de canibalismo ritualístico. No meu papel de historiador e pesquisador independente noto em casos assim raízes que remetem aos antigos povos pré-cristãos de lá. Devorar um coração ou outras partes do corpo para assimilar dons e poderes dos mortos não era algo verdadeiramente incomum naquelas bandas – e nem em outras partes do mundo.

Falando de antropofagia ritualizada (ingerir carne humana como parte de um rito espiritual ou religioso) temos algo sancionado e prescrito, moralmente aceito e passado de geração para geração. Temos então casos de endocanibalismo e exocanibalismo. No primeiro o consumo de carne humana vem de um parente ou membro do mesmo grupo, tribo ou sociedade de quem o consome. É uma expressão de adoração aos mortos que busca consumir e reter um dom ou aspecto esotérico dele para o grupo. Já o exocanibalismo é realizado com a função de aterrorizar o inimigo e roubar a força vital de alguém. Ambos os casos implicam em uma forma de comunhão com um poder além das normas e diretrizes do estado. Coragem, juventude, riqueza, virilidade e poder  – são as forças que estão por detrás destas práticas ao redor do mundo. Não faltam relatos de tribos e impérios que obtinham os ingredientes e fundamentos de suas fórmulas ou poções religiosas; através deste meio para assegurar a sua soberania perante outros e as bênçãos dos seus deuses. Teria surgido da necessidade e posteriormente foi adornado com um pensamento metafísico? Seria um processo para lidar com o luto de tempos antigos? Eis aí uma reflexão delicada.

E para concluirmos tal artigo será que são casos de endocanibalismo ou exocanibalismo que ocorrem com os defuntos acusados de vampirismo ainda hoje no Leste Europeu?

*Não preciso dizer que Canibalismo isso se caracteriza como um crime verdadeiramente hediondo em nosso continente. Também é desnecessário dizer que canibalismo NÃO integra o contexto Vampyrico nem em tons de Cosmovisão ou de Fashionismo.

Liisa Ladouceur e os 40 Anos da Moda Gótica

Nos eventos realizados pela REDE VAMP tais como o Fangxtasy, Carmilla, VAMPinup, REDIVIVO Lounge, Academia Fantástica, nos Saraus e até no Bazar Rede Vamp sempre há a questão do visual mais elaborado que expressa a criatividade e habilidade do nosso público (assista nosso video). O visual de cada um sempre lida com a questão do corpo como o suporte da arte – e de valores pessoais abertos a interpretação de cada um e do seu criador. Alguns gostam de criarem seus visuais e outros de apenas idealizarem e comprarem em lojas ou criadores especializados. O que mais importa é sentir-se bem e viajar ao som da boa música, boas conversas e encontros inesquecíveis dos eventos. Aqui mesmo no REDE VAMP oferecemos um amplo guia de sugestões de visuais.

Recentemente a escritora canadense Liisa Ladouceur elaborou dois vídeos (que se tornaram virais mundialmente) bem interessantes que oferecem uma vitrine e um panorama do guarda-roupa dos estilos por comodidade nomeado como gótico. Partilhamos estes videos a seguir – interessante para nos inspirarmos e também compreendermos que todos eles coexistem ainda hoje em cada festa ou casa noturna através do mundo – assim como o som das bandas aos quais estão mais ou menos associados por seus apreciadores e fãs. No Brasil os termos “Dark” ou “Gótico” são adjetivos as vezes utilizados até como sinônimos em alguns lugares. São utilizados em diversos recortes culturais ou bolhas sociais das mais variadas formas; incluindo um amplo e pragmático vespeiro contraditório de conteúdos entre cada uma delas. Inexistindo qualquer consenso, havendo apenas cartilhas de regras de inclusão ou de exclusão sociais para aquele determinado segmento baseados na popularidade de um determinado “guru” e de seus partidários na internet. Usam termos acadêmicos pomposos (subcultura, cultura, movimento, cena, trevosos e muitos outros) quando na vida como ela é apenas estão falando dos gostos deles e das pessoas mais próximas daquela mesma balada, recorte ou bolha social (quase sempre fazendo de conta que falam em nome do todo!).

Interessante ressaltar que o trabalho de Liisa Ladoceur felizmente não se preocupa com nada disso (ainda bem!)e transcende as arbitragens “sociais” oferecendo uma visão mais clara, ampla e transparente. Mais fiel a história da moda, fashionismo e afins. Vamos a eles e depois de assistir prossiga a leitura:




Liisa é dona de um humor sutil e extremamente hábil ao apresentar os conteúdos de um contexto cultural bastante subestimado e incompreendido que reside entre os totens e os tabus da cultura ocidental

 

O trabalho de Liisa foi inicialmente mais conhecido pelo grande público no contexto metal por sua participação no documentário GLOBAL METAL (2008) como narradora, pesquisadora e desenvolvedora do script. Em seguida participou de outro “doc” bastante famoso “IRON MAIDEN: Flight 666” (2009) e ainda no METAL EVOLUTION (2011). A partir de 2011 publicou as obras “Encyclopedia Gothica” pela (ECW Press) e depois “How to Kill a Vampire: Fangs in Folklore, Film and Fiction” (2013, pela ECW Press, novamente). Também publicou um livro de poesias chamado “On Tenterhooks”(2008). Seus artigos, resenhas e críticas pode ser apreciados nas colunas musicais da revista “Rue Morgue”, “Now Magazine”, “The Huffignton Post” e muitos outros. Ela também é autora, pesquisadora e produtora de vídeos no “Banger TV”. Também esteve envolvida com a história da música de Toronto em CITY SONIC e apresentou um outro doc chamado “Satan Lives” (pela Aux Tv). Além disso tudo ela ainda arranja tempo como apresentadora de eventos culturais e festivais diversos. Como todo mundo que de repente surge com um trabalho incrível aparentemente do nada, o início de Liisa se deu com a publicação de zines e de um programa televisivo nos tempos da universidade.

Conheçam mais do seu trabalho no site oficial dela.

SOBRE OS FRACOS E OS MANSOS

[Texto de Lord A:.] O texto a seguir é dedicado a diversidade, a alteridade e a todos que preferem apoteoses e insurreições de si para si, repudiam a velada caça de privilégios disfarçada de justiça social e a posse das chaves dos arsenais e prisões sempre ambicionadas pelos revolucionários servis – ávidos de as entregarem para qualquer outro dos quais sejam as baterias de seus discursos ou ainda agentes e extensões. Na Cosmovisão Vampyrica os chamados fracos e mansos – ou parasitas – NÃO consistem em nenhum tipo de classe social, financeira, política, gênero ou escolha sexual. NÃO são de nenhuma área de atuação profissional específica, autônoma, empregatícia ou desempregada. E tampouco se refere a qualquer tipo de etnia, religiosidade, espiritualidade ou afins. O fraco e o manso é um padrão, um hábito e uma postura danosa na esfera pessoal, coletiva e ao próprio ecossistema a ser evitado.

 

No mundo denotativo, materialista, histórico e dialético, cada um é sintoma e produto do meio que está inserido e uma casca vazia destinada a servir como bateria ou extensão do que angustiosamente não consegue nomear. Só lhes resta o consolo do fanatismo como sua ilusão de lugar seguro servindo como massa de manobra para seus líderes demandando privilégios de mercado e exclusividade de consumo, agredindo como puderem todos que vivem fora deste rebanho. Bradam o termo “apropriação cultural”, catalogam todo tipo de sofrimento possível e derramam toda sua vitalidade para “glamourizarem” a ignorância e fazerem todos os infiéis cobiçarem e desejarem sofrer como cada um deles sofrem. Nestes tempos de posto logo existo, não surpreende que o imediatismo de um sofro logo existo sirva como base de identidade.

(…) quanto mais se hipervaloriza o sofrimento, o vazio, ser um produto do meio e a ausência de sentido em tudo, no plano individual o lado comprovador da mente mais e mais se esforça para comprovar isso como uma realidade absoluta e simplesmente natural – MAIOR A VIOLÊNCIA QUE TODOS SÃO EXPOSTOS NA VIDA pelos fracos e mansos(…)

Enfim, quanto mais se hipervaloriza o sofrimento, o vazio, ser um produto do meio e a ausência de sentido em tudo, no plano individual o lado comprovador da mente mais e mais se esforça para comprovar isso como uma realidade absoluta e simplesmente natural. Isso abre as portas das piores barbáries promovidas pelas pessoas e exaltadas nos programas televisivos e outras mídias, adere a estética que explora e glorifica tais hábitos mecânicos e compulsivos como expressão cultural e até como inclusão ou justiça social. O que impulsiona e é manobrado em todos estes movimentos se chama recalque, melindre, rancor e dissabor como o processo seletivo de quem é incluído ou excluído desta massa de manobra política contemporânea. A intolerância e o fanatismo religioso, político e tantos outros nada mais é do que a sua face pública e a evidência final do estado de impotência que a condição humana vem sendo exaltada no Brasil e outros lugares. No plano coletivo temos infindáveis rebanhos de fanáticos explodindo, agredindo e usurpando a vitalidade de muitos mais ainda silenciosos, ávidos de converterem todos a esta vil moralidade – mascarada como religião, justiça social, subcultura isso e movimento disso ou aquilo.

 

(…)A isso tudo na Cosmovisão Vampyrica damos o nome de “Parasitagem” e a seus praticantes de parasitas ou ainda de “fracos e mansos”.(…)

A isso tudo na Cosmovisão Vampyrica damos o nome de “Parasitagem” e a seus praticantes de parasitas ou ainda de “fracos e mansos”. Tudo isso contraria a nobreza, autonomia e independência – ou soberania que por comodidade nomeamos como “Vampyrica”.  Sabemos que o termo que nomeia ao que apreciamos e vivemos é sumariamente destituído do significado original pois contraria as agendas, ideologias e dogmas de pessoas que necessitam manterem rebanhos nos cabrestos e pensando dentro de medidas e dimensões dadas por terceiros. Afetam quem foi programado para projetar, culpar e sempre deixar em terceiros aquilo que pode transformar suas vidas. Não podemos esperar muito de contingentes humanos que apenas olham para fora da janela de suas moradas acreditando que assim verão a si, aquilo que carregam e o evidente custo disso para si, para os outros e ainda para a natureza.

 

A COSMOVISÃO VAMPYRICA SE OPÕEM A TUDO ISSO

Nós ousamos ser românticos, esotéricos, conotativos e simbólicos ainda que invisíveis tal como os “mortos-vivos” pois ainda refletimos, nos inspiramos, irradiamos, mediamos e espelhamos a alteridade de uma arte sem nome, extática e pós-humana. Somos tomados como “mortos para o mundo” das aparências e de milhões e milhões de fracos e mansos, meros desauridos, escravos, baterias e extensões de quem aceitaram e endeusaram como intocáveis, inalcançáveis e aquilo que jamais poderão nomear. Acreditam serem a imagem e semelhança disso que lhes é inominável, por extensão agentes desta moralidade de uma realidade espelhada deles próprios. Expressivamente vazia a ponto de precisarem causar todo tipo de ruído, fanaticamente e compulsivamente tentarem converter a tudo e a todos, para com o barulho evadirem do próprio vazio, ausência de sentido, sintoma e produto do meio que estão inseridos. Como se isso fosse um tipo de lugar seguro ou de paz interior. Apenas mais um vício passional entre muitos outros, consiste em minar e parasitar toda vitalidade de quem lhes é altero. A vida demonstra que viciados nada mais são do que um claro reflexo da sua própria ausência ou falta de paradigma, engana-se quem postula a droga ou qualquer outro aditivo químico como a causa de alguma coisa; eles são apenas os sintomas daquilo que é causado pelos dogmas, ideologias, hábitos e padrões descritos longamente na jornada deste artigo. Como tudo o mais que impera na esfera humana só persiste pois há uma demanda estabelecida e valorizada, uma necessidade e principalmente destinadas as claras fontes de lucro sempre pensadas no curto prazo essencialmente humano.

A natureza e o ecossistema já entregam claramente as pistas das consequências e resultados destas escolhas morais e datadas – travestidas e endossadas como a vontade de deus ou melhor das lideranças humanas; que nada são perante o vigor de um tsunami ou tempestade.


A CONDIÇÃO DOS FRACOS E MANSOS E A VARIEDADE DE PARASITISMOS QUE EXPÕEM AS PESSOAS E A PRÓPRIA NATUREZA VEM SENDO CATALOGADA NA PÁGINA COSMOVISÃO VAMPYRICA, aqui destacamos as seguintes postagens:

VAMP O MÚSICAL, estréia no Rio de Janeiro

Calada noite preta…noite pretaaa…Calada noite pretaaa…noiite pretaaa… assim iniciava a novela vampiresca brasileira mais popular de todos os tempos! Contava a história da vampira e cantora Natasha (interpretada por Claudia Ohana) tentando escapar das artimanhas do vampiro Vlad (Ney LaTorraca) o que acaba levando o embate para a pacífica cidadezinha de “Armação dos Anjos”. Vamp foi a terceira novela (ou quarta, segundo alguns) que abordou o contexto dos vampiros – mas dessa vez com uma linguagem mais pop e juvenil sob o comando do diretor Jorge Fernando e o texto implacável de Antônio Calmon, auto proclamado pai dos vampiros no Brasil. Embora o Vamp já frequentasse há bem mais de 100 anos as páginas da literatura, teatro e do cinema nacional. Outro destaque era a trilha intrusmental primorosa do músico André Sperling. Vamos falar agora sobre o musical!

O espetáculo é uma adaptação da novela “Vamp”, comédia de terror da TV Globo que marcou os anos 90, estrelada pelos mesmos protagonistas do folhetim, Claudia Ohana e Ney Latorraca. Fazem parte da equipe criativa outros nomes da novela, como o autor Antonio Calmon, o diretor Jorge Fernando, e o figurinista Lessa de Lacerda. Entre os criativos também estão Alonso Barros (coreografias) e Tony Lucchesi (direção musical, arranjos e preparação vocal).

Na trilha sonora, Claudia também assume o vocal do clássico “Sympathy to the Devil”, dos Rolling Stones, como fez na novela. “Não é uma história de vampiros, é uma história de amor, com muita comédia para a família inteira poder ir ao teatro junta. É um espetáculo para todas as idades: para quem foi criança naquela época e para as crianças de hoje”, garante Jorge Fernando.

 

Ao todo, o elenco será formado por 35 atores e bailarinos: Ney Latorraca, Claudia Ohana, Lilian Valeska, Claudia Netto, Luciano Andrey, Erika Riba, Pedro Henrique Lopes, Xande Valois, Livia Dabarian, Thadeu Matos, Osvaldo Mil, Gabriella Di Grecco, Oscar Fabião, Mariana Cardoso, Duda Santa Cruz, Daniel Brasil, Rafa Mezadri, Talita Real, Mariana Gallindo, Lana Rodhes, Laura Ávila, Carol Costa, Carol Botelho, Jessica Gardolin, Renan Mattos, Lucas Nunes, Matheus Paiva, Leonardo Senna, Franco Kuster, Murilo Armacollo, Gustavo Della Serra, Marina Mota, Gabriel Querino, Andressa Tristão e Leonardo Rocha.

A temporada vai de 17 de Março a 04 de Junho no Teatro Riachuelo Rio. Clientes que se cadastraram no site oficial para a pré-venda podem garantir seus ingressos a preços especiais, através do site, até o dia 07/02! As vendas para o público em geral começam no dia seguinte. [FONTE]

O Demônio de Neon, Vampiros e Perséfone

Não sou eu que quero ser como eles. São eles que querem ser como eu!” Jess, O demônio de Neon

[Um artigo de Lord A:.] Hipnótico como uma serpente é o melhor adjetivo que encontrei para delinear algumas linhas sobre o filme “O Demônio de Neon” (The Neon Demon, 2016) do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn (Drive, Valhalla Rising). Alguns leitores e leitoras dirão que eu vejo vampiros, ainda que em tons subjetivos por toda parte, assim como nuances de mitologia também. Sim ambos elementos estão presentes na obra como destaco ao longo deste artigo. É uma história fatal sobre essência e perda de inocência, a bela e misteriosa Jess (Ellen Fanning) vem para a cidade de Los Angeles tentar a sorte no implacável mundo fashionista. O tom da película orbita algo como se fosse um encontro dos filmes “Showgirls”, “Cisne Negro e “Laranja Mecânica”. A obra também uma sutil influência surrealista de Alejando Jodorowsky e Kenneth Anger em alguns momentos. E já adianto que gostei bastante do filme.

Arrastado, moroso e repleto de cenas de rica fotografia gravadas com diálogos onde as personagens conversam através de seus reflexos nos espelhos, que evidenciam o solipsismo de cada uma delas. Só existe o foco, a necessidade (voraz) e a experiência de cada uma. Superficiais, ausentes de empatia e vorazes. Feras sanguinárias trancafiadas em quartos de hotéis baratos. Aliás isso desponta logo no começo do filme quando um “Cougar” é encontrado pela protagonista no seu quarto.

Em romances como Carmilla de Sheridan Le Fannu (uma adaptação em prosa de Christabel de Coleridge) temos a cena imortal da bela jovem, casta e virginal que deixa o castelo ou mansão descalça trajando uma longa camisola branca na calada da noite para orar na capela do lado externo e acaba atraindo para si um mal inominável que sufocará sua expressão e essência. Na releitura moderna sai o castelo do romance gótico e vem o hotel barato gerenciando por marginais, onde lindas jovens desejosas sempre com ares vulneráveis, dormem de portas abertas se imaginando seguras – mas em cada uma jaz uma fera amoral e voraz ávida por atenção, fama e eliminar quem ameace sua posição transitória e substituível. Maquiadoras, fotógrafos e agências fazem as vezes da ameaça sufocante. As personagens são ausentes de empatia, é como se cada personagem fizesse um monólogo perante o outro. E assim como uma fera tudo se resume a fome e sexo. Tudo é esteticamente belo na aparência mas vazio e faminto…

O filme se inicia focando o olhar de sua protagonista e se encerra destacando seu olho, vivemos, espreitamos, caçamos e morremos pelo que vemos nos contrastes do mundo (e as vezes nos perdemos de si neste processo) – uma sociedade de aparências e de belezas que oferecem privilégios aos que pagarem seu preço e que devora vorazmente os que se recusam ou desconhecem sua barganha. Vemos isso em tom bem explícito quando a protagonista Jess (Ellen Fanning) é abordada no banheiro da boate pelas outras 3 jovens e o papo oscila ao redor de nomes de batom que lembram comida e outros associados ao sexo. Outro ponto importante é o  olhar do esteta, a visão do criador e a eterna busca por suportes que cristalizem expressivos devaneios; no mundo fashionista este suporte é o corpo dos modelos e isso nos leva ao principal dilema do filme: a beleza natural versus a beleza construída através de cirurgias. A própria notoriedade ou glamour natural que mesmeriza atenções e tornam alguns vistos naturalmente no meio da multidão e outros por mais que se esforcem sempre fantasmas.

O ciclo Daemônico e a jornada do herói no romance dark

Enquanto vivos somos hipnotizados pelo sensorial e a matéria em todos os sentidos, a ponto de perdermos nossa justa medida, a consciência e a própria essência. Não enxergamos com os olhos e sim com aquilo que carregamos como nossa têmpera, vocação, chamado, jeitão, vivência ou ainda essência segundo alguns filósofos e espiritualistas. Mas também vivemos e existimos em uma cultura que rejeita e renega a presença da essência (têmpera, vocação, chamado, jeitão, vivência) desviando estes temas para algo subterrâneo e alternativo (desprezível e sem utilidade prática) mas que depende de sua existência: neste caso a beleza e presença de espírito da protagonista do filme. Este “dom” a torna cobiçada e declara sua própria sentença de morte – pois deverá ser furtado ou ainda devorado (sinônimos a sua própria maneira). Os dois fotógrafos tentam furtar quando contam com ela como um canal ou suporte de seu trabalho. O costureiro internacional a sua própria maneira a quer para vestir as obras que cria e se projetar no mercado, ele a hipnotiza e seduz com o glamour que virá quando ela se destacar encerrando seu desfile. Já a maquiadora e as outras duas modelos querem devorar a jovem literalmente. Todos personagens ávidos e sedentos de atenção para si, de serem vistos pelo que idealizam e de como agonizam para mostrar ao mundo através de suas criações quase neuróticas – mas vazias de beleza verdadeira para darem sentido as suas vidas no final das contas.

O mito de Narciso que passava seus dias a beira de um lago contemplando o próprio reflexo, até se apaixonar (pathos) pelo que via espelhado nas águas e morrer afogado nos é caro neste sentido, no filme O Demônio de Neon. Vemos o momento em que Jess se afoga em si na hora do tal desfile, o triangulo azulado se tornando avermelhado e ela beijando o próprio reflexo espelhado. Sinal visceral de perigo, momento decisivo e dela se apoderando do que representa, de si e que logo expressará na sentença: “Não sou eu que quero ser como eles. São eles que querem ser como eu!” Ao mesmo tempo em que ganha o poder sua própria superficialidade também a condena e o furto de si acontece – e ela virá a se afogar em si e ficar a mercê do seu destino trágico. Se ela se recusa ao sexo ela se tornará a comida ou prato principal das outras 3 feras.

Tal furto da essência sempre se dá quando nos permitimos aceitar as medidas, mensurações e dimensões dadas por terceiros e nos tornarmos baterias de seus desejos ou até mesmo suas extensões. Quando concedemos a terceiros o controle dos vouchers daquilo que nos determina, para que assim eles possam determinar sobre o que somos temos um problema sério em nossas mãos. A partir deste momento esquecemos dos nossos sentimentos e estes passam a responder as suas oitavas mais baixas e a abastecer um processo intelectual que justifique os mandos e desmandos e a necessidade mecânica e compulsiva de agradar quem controla tais vouchers. Nos tornamos regidos pelos impulsos mais basais e suas contrapartes mecânicas que se assemelham a loopings de repetição. Sobre eles a escritora brasileira LygiaFagundesTelles tem muito a dizer:

“O homem é tão necessariamente louco que não ser louco representaria uma espécie de loucura”, escreveu Pascal. […] Necessidade neurótica de agradar os outros. Necessidade neurótica de poder. Necessidade neurótica de explorar os outros. Necessidade neurótica de realização pessoal. Necessidade neurótica de despertar piedade. Necessidade neurótica de perfeição e inatacabilidade. Necessidade neurótica de um parceiro que se encarregue da sua vida. — ô Deus!… Tão difícil a vida e o seu ofício.” (A Arte do Amor)

Leitores e leitoras mais hábeis notarão que citei o mito de Perséfone no título deste artigo, ela também foi uma jovem deusa, filha do céu e da terra que herdava um vasto poder. Em algumas linhas gnósticas dos gregos ela era comparada a própria essência ou a consciência e seus eventuais dois raptos (ao menos em alguns mitos) representavam a descida da consciência ou essência na matéria, como ela ficava hipnotizada e arrebatada pelo sensorial e se esquecida de si. Nesta mesma linha o inferno ou o submundo também era o exílio na carne. As mudanças das estações tão caras ao seu mito eram a passagem do Kharma e sua breve reunião com a mãe divina os intervalos entre as reencarnações que marcavam seu retorno ao submundo. Uma releitura do mito de Sophia. Contamos sua história no evento equinocial “Sarau no Jardim de Perséfone”.

CASTLEVANIA na NETFLIX! Agora é para Valer!

CASTLEVANIA é a mais importante franquia vampírica no mundo dos games e agora pode se tornar um seriado na NETFLIX! Se você não conhece sua história comece agora mesmo neste artigo de Aika Arata e depois assista nossa entrevista com André Bronzoni da KONAMI sobre a importância desta franquia, anexa ao final deste post.

10.02.2017 (atualização) do Action Comix Netflix oficializou a produção de uma série animada baseada em Castlevania, clássico game da Konami. A atração recebeu classificação indicativa de 18 anos. Duas temporadas já foram confirmadas, com a primeira saindo já em 2017 e a seguinte em 2018. Adi Shankar, produtor do reboot de Dredd, ficará a cargo da atração, escrita pelo aclamado quadrinista Warren Ellis.
Em comunicado oficial, Shankar afirmou que planeja uma adaptação bem violenta sobre a saga da família de caça-vampiros Belmont, e ainda prometeu que a série de Castlevania vai “quebrar a maldição da adaptação de videogames”. A animação de Castlevania é descrita como “uma fantasia medieval sombria que acompanha o último membro sobrevivente do clã Belmont, que caiu em desgraça, tentando impedir a extinção da Europa Oriental, ameaçada pelo Vlad Dracula.

8.02.2017: O portal JOVEM NERD desvelou hoje as seguintes novidades: Netflix revelou nesta quarta-feira (8) que fará uma série de Castlevania, famosa franquia de videogame. A informação dada para a imprensa foi direta: “Castlevania Temporada 1, Parte 1 chegará à Netflix em 2017”.Infelizmente esta é a única informação revelada sobre o novo programa. Curiosamente em dezembro surgiu um rumor de que o estúdio de Hora da Aventura poderia produzir uma animação de Castlevania, mas pouco se sabe sobre isso também. É possível que os projetos estejam ligados.

Em entrevista ao podcast da Nickelodeon, Fred Seibert, da Frederator Studios, revelou que a empresa está produzindo uma animação baseada “em uma das maiores franquias dos games dos últimos trinta anos”. Ele não revelou mais nenhum detalhe do projeto.Contudo, em 2015, o produtor Adi Shankar revelou que estava trabalhando ao lado do estúdio na produção de uma animação “super violenta” de Castlevania. Juntando as duas peças é fácil de deduzir que esse é o “projeto secreto” da Frederator. Não bastasse isso, a franquia completou trinta anos recentemente — o que só reforça a ideia.

Pelo menos sabemos que a série estreia em 2017, o que significa que mais novidades devem ser reveladas nos próximos meses!