A Runa do Rei e a Cosmovisão Vampyrica

[UM TEXTO DE LORD A: .] Hoje vamos falar sobre Cosmovisão Vampyrica, o “Espírito Caçador e o Coração Feral” bem como das marcas e sussurros que mensuram a relação destas duas potências daqueles que carregam seu legado daemônico em sua têmpera (destino). Também vamos falar do processo de obter a clara visão, olhar adamantino e transparente daquilo que carrega em si. Na medida do possível atrelei links para textos complementares. A leitura de meu livro Mistérios Vampyricos oferece um detalhamento apropriado para o que deixo aqui de forma em passant”.Diferentemente de outros textos focalizarei aqui a questão arquetípica e não histórica. Interessante pontuarmos que

Ao falarmos do espírito caçador representado como o Vampiro contemporâneo se interpretarmos seu passado pagão e xamânico, invariavelmente lidamos com aspectos presentes no chamado cérebro  reptílico humano que lá permanece até hoje, persiste e ressurge – independente de qualquer atribuição ou arbitragem moral. Rege sobre o Apetite, proteção, reprodução e alimentação, são o que lhe impulsiona, nada de palavras, apenas imagens e símbolos que se alinham sedutoramente e apelam ao sensorial e um tom nitidamente hedonista.

Uma potência não ascética em todos os sentidos que se reconhece como parte do todo, da biosfera, da natureza ou do ecossistema e jamais da sociedade ou da tribo. Justamente por não se alinhar com o cultural e o socialmente aceito torna-se algo clandestinamente aceitável se desviado para a arte ou a filosofia.

É tomado como uma maldição pelos antigos nascer sob tal destino, principalmente se não houver uma habilidade no seu direcionamento. No passado distante tal predominância de cunho saturnino era digna de xamãs e visionários, mas havia uma outra postura e funcionalidade social para incluir, treinar e habilitar tais pessoas e sua atuação. Tal dom representa um perfeito ouroborus alquímico e símbolo “ocular” que há mais de quarenta anos inspira a dinastia Sahjaza (Extremamente necessário no passado quanto nos tempos de hoje, entenda melhor aqui) – uma consciência da finitude, extensão e emprego claro da natureza das formas (Eidos, em grego e suas temperas mensuradas sob sete parâmetros que descendem da velha teurgia)

Tocar neste assunto é falar sobre a consciência nômade, pré-agrária e de quando o aquoso e o serpentar ou a própria terra e suas florestas expressavam através do pulsar e do sussurro o próprio sagrado. A escuridão da noite de lua negra era a melhor aliada do caçador na companhia das estrelas que se tornavam ainda mais brilhantes. Tempo em que auroques ainda pastavam no continente, um eão taurino quem sabe. Alguns falam que nesta consciência jaz toda a sabedoria que alguém pode alcançar em questões de instantes como um perpétuo momento decisivo e de apoteose sem fim. Libertar ou restringir e o que fazer com o tempo desta ação era o que decidiam ou retinham para o momento do rito. Uma poderosa e vulcânica fonte de energia para o desenvolvimento pessoal e coletivo (Já discutimos como os símbolos do feminino, se tornaram o mal e a escuridão dos povos solares, aqui)

Tamanho vigor representa o próprio coração feral, assombrado por tudo que é indomável e inaceitável como um tabu na sociedade o que o desloca e o posiciona como um totem e um ancestral ou a margem da cultura da tribo; ainda assim o pária, o morto para o mundo (a tribo ou sociedade) era o xamã necessário para lidar com o inefável – e mediar sua relação com os vivos. Não admira as representações tribais o desvelarem como um orbe flamejante, um cometa ou um dragão que deixa o corpo e vaga através da escuridão noturna, enquanto seu corpo jaz como o de um morto no chão guardado por seus conterrâneos. Sedento e faminto de “Sangue” e de viver o que se mostra diante do que sonha, imagina e até mesmo é capaz de pensar. (Falamos sobre esta questão do xamã e seu corpo dracônico, aqui) se por ventura os leitores quiserem ler mais sobre viagem astral, recomendo este artigo.

A escuridão, a matéria, a forma e o tempo são símbolos femininos (falamos disso previamente aqui) não mais como antagonista e sim como a sombra bem-amada, o tremor sagrado e aquela que deseja – a musa inspiradora.

Sobre Arte: Ativado o fogo do espírito, ele se expressa no afetivo e no elemento água; na inspiração e códigos estéticos de sua representação e no domínio de sua realização e aquilo que provoca na audiência.

O calor e o fogo das profundezas ardem em seu peito, na palma de suas mãos e espelha no olhar desvelando como enxergar o outro lado através da mente e do espírito (processo marcado pelo glifo “Y”, falaremos adiante). As brasas do inferno para agonizar e ser consumido continuamente enquanto dominado pelas paixões, desejos e apegos diversos deste selvagem jardim.

Um fosso de tormentas intermináveis enquanto olhar, chamar e como escolher se aproximar e recolher mais e mais disso para si até a inevitável extinção da própria presença de espírito e da sua carne. (aprofundamos neste outro artigo estes males nos dias de hoje)

Sua alternativa a tal processo de aniquilamento é a habilidade e a conquista da maestria draconiana. Assim tornará estas visíveis chamas e luminosidade perene nas mesmas das estrelas que constelam e apontam os rumos na através da escuridão que as envolve. A escuridão, a matéria, a forma e o tempo são símbolos femininos (falamos disso previamente aqui) não mais como antagonista e sim como a sombra bem-amada, o tremor sagrado e aquela que deseja – a musa inspiradora.

Tamanho vigor representa o próprio coração feral, assombrado por tudo que é indomável e inaceitável como um tabu na sociedade o que o desloca e o posiciona como um totem e um ancestral ou a margem da cultura da tribo; ainda assim o pária, o morto para o mundo (a tribo ou sociedade) era o xamã necessário para lidar com o inefável – e mediar sua relação com os vivos. No leste europeu o mesmo termo nomeava o que era vampiros, dragões, cometas, estrelas cadentes e anjos caídos.

No contexto do oculto Cosmovisão Vampyrica a letra “Y” já foi associada a Deusa Hécate e inexiste uma verdade absoluta sobre isso.

O Círculo Strigoi tem um evidente interesse na funcionalidade arquetípica que encontram na teoria semântica norte-americana sobre as origens do termo Uppyr. Que liga a região da cidadela de Novgorod na Rússia e de seus fundadores “Varengues” vindos de Upsala e Gotland na Suécia e o passado de suas pedras rúnicas bem como de sua fusão com diversas tribos que acabaram por assumirem a liderança naquela região pouco antes do século X.

Para nós o cerne da questão da letra “y” presente em Cosmovisão Vampyrica nos remete ao passado pagão e também a renascença e os tempos pré-rosacruzes no mar Báltico (isso será discutido futuramente, como disse é uma exploração arquetípica, sabemos da história norte-americana de se usar a grafia antiga do termo para diferenciar o que eram da cultura pop, que imperou lá ).

Acredito que os mais hábeis prontamente compreenderão a equivalência simbólica e comparativa tanto do “Y” pitagórico como da Adulruna “Kyn” de Johaness Bureus, chamada de a “Runa do Rei” e equivalente ao vórtice do terceiro olho ou o chakra Ajna dos Hindus. O uso do simbolismo da clara visão, olhar transparente, olhar adamantino e olhar refulgente tão caro as nossas publicações também passam a fazer sentido. Escolher com propriedade também.

Enfim, é um conteúdo basal deste contexto. A importância do dragão no sentido que nomeia “clara visão” como utilizado pelos gregos também se torna mais óbvio, como aquele que integra e coordena a receita da tempera, sua energia, magnetismo e vitalidade dosando e regulando as suas sete forças ou substâncias formativas. Nosso apreço por forcados ou bidentes também se evidenciam. Assim como 3 misteriosos tesouros e outros 16 forças secretadas através deste processo que expressam nuances do chamado “Sangue”.

“Para nós o cerne da questão da letra “y” presente em Cosmovisão Vampyrica nos remete ao passado pagão(…) os mais hábeis prontamente compreenderão a equivalência tanto do “Y” pitagórico como a Adulruna “Kyn” de Johaness Bureus, chamada de a “Runa do Rei” e equivalente ao vórtice do terceiro olho ou o chakra Ajna dos Hindus.

A Caçada Selvagem ou Exército Furioso encontra diversas expressões no imaginário e no ocultismo. Os antigos ritos xamanicos ligados a sua prática foram homogenizados como tipos de vampiros entre os séculos XVI e XVIII

Os mitos da Caçada Selvagem essencialmente associados posteriormente aos ritos que foram nomeados como tipos de vampiros tem muitas versões no velho mundo. Podemos então dizer que Odin e seu cortejo vestem muitas máscaras; ora disputam e treinam capturar os mortos perdidos para entregar a Hel (sobre esta deusa ancestral, recomendo a leitura de seu capitulo na obra “As faces escuras da grande Mãe”, de Mirella Faur pela Ed. Alfabeto)  e outras vezes confrontam os seus antagonistas gigantes. Uma das versões menos menos conhecidas destes mitos achou lugar na figura de Arlechino ou Allichino retratada nos cantos XXI e XXIII do Inferno de Dante Aligheri, como um alívio cômico. Outras como a do temido Rei dos Elfos ou ainda Rei dos Mortos ou do Inferno foram descritas no meu livro Mistérios Vampyricos: A Arte do Vampyrismo Conteporâneo. Os mais hábeis descobrirão que a deusa hindu Kali e a nórdica Hel partilham mais segredos convergentes em suas respectivas esferas de atuação do que muitos sonham.

Descendo através do maelstrom ou do grande vórtice no oceano cósmico o espírito caçador é o aliado ou a marca do pacto ou acordo dos que carrega este legado daemônico e a habilidade para esta arte invisível e sem nome que delineamos enquanto Cosmovisão Vampyrica – com o titânico e invencível coração feral.  Ao final da caçada, se este não vier foi apenas espreita, o coração feral é tomado pelo Espírito Caçador que se apropria de mais um pouco de sua vastidão, poder e ancestralidade – até a próxima caçada e o próximo desafio, estocando o que lhe convir. Se ampliam as chamas e as infernais caldeiras onde martelos golpeiam incansavelmente o ouro e o metal do alto criando armas e ferramentas para aqueles hábeis para avançar nesta via draconiana e tortuosa (espiralada).

Tais conteúdos e suas práticas são apresentados no vindouro novo livro e no EAD do Cìrculo Strigoi disponível aqui. Informamos que é preciso estudo, tempo, preparo e certas investiduras para lidar de maneira mais saudável com tais conteúdos e práticas.

Tuberculose, Vampiros e Venenos

Compre agora seu exemplar de Mistérios Vampyricos em nossa loja!

[UM TEXTO DE LORD A:.]Durante o mês de março de 2017 o governo brasileiro iniciou uma campanha contra a tuberculose justamente por temer suas consequências para a população durante o outono e o inverno. Segundo os jornalistas britânicos temos um presidente com traços góticos.

A tuberculose tem um envolvimento com o passado romântico e maldito do século XIX e foi a responsável pela morte de muitos gênios e espíritos criativos nas Américas e no velho continente.

Por muitos anos inclusive pensei que o célebre poeta Álvares de Azevedo havia sido mais um dos que definharam por conta desta doença – mas graças as publicações e estudos da professora Luciana Fátima (que você pode ler aqui) descobri que a “causa mortis” de Alvares se deu por outro infortúnio. Aliás, não podemos esquecer que o vampiro está presente na literatura e na cultura brasileira há bem mais de um século e meio (bem antes de Drácula inclusive!), saiba mais aqui. 

Vampiros, tuberculose ou “consumição” desde os tempos de Voltaire no século XVIII andam juntos. Embora a questão da patologia definitivamente não crave uma estaca na simbologia e no arquétipo Vamp justamente por ele pertencer ao passado xamanico e pré moderno.

Vampiros, tuberculose ou “consumição” desde os tempos de Voltaire no século XVIII andam juntos. Embora a questão da patologia definitivamente não crave uma estaca na simbologia e no arquétipo Vamp justamente por ele pertencer ao passado xamanico e pré moderno. O conhecimento de higiene e de preservação de corpos dos mortos era algo desconhecido do grande povo. A própria noção de limpeza como forma de preservar a saúde também era pouco conhecida da maior parte da população europeia, só para termos um exemplo os próprios médicos levaram tempo para se ligarem que se lavassem as mãos antes de uma cirurgia ou parto aumentavam as chances de sobrevivência de quem recebia seus cuidados. Os horrores da revolução industrial também se enquadram nesta situação quando o povo deixou a vida no campo para trabalharem e morarem sobre péssimas condições de higiente e de vida nas metrópoles daquele tempo.

E ousaremos dizer que o definhar e a morte não são partes inescapáveis do ciclo da existência sob a forma e o tempo?

Observe os cadáveres e seus processos de morte, como incham os corpos, crescem unhas e cabelos – algo bastante natural e de conhecimento comum nos dias de hoje, mas desconhecido de todo mundo nos tempos arcaicos – acresça a isso a crença eslava o espírito fica próximo do corpo ao menos 40 noites; junte as dores e culpas do processo de luto, pessoas contaminadas pela tuberculose (que definhavam como a dos contos e relatos do vampiro prosaico) e os sintomas presentes nelas.

Pessoas que nasciam com deformidades físicas, distúrbios mentais e até mesmo contaminadas pela raiva eram tomadas como vampiros, bruxas e lobisomens. A libertação destes seres depois de mortos se dava através da estaca e decapitação quando seus corpos eram desenterrados vinham da perfuração torácica e liberação dos gases internos que aceleravam a decomposição do cadáver. Pessoas que morriam subitamente, por doenças ou crimes violentos eram por natureza aquelas que retornariam aos seus amantes e parentes no pós-morte como redivivos. Hoje em dia chamamos de trauma e usamos conceitos psicológicos elementares para dar nome ao que é desencadeado emocionalmente quando há uma morte na família e na comunidade. Naquele tempo havia a superstição e o folclore (ambos mitos sem ritos e ritos sem mitos de um passado onde houve uma espiritualidade xamanica mais hábil para lidar com tudo isso no velho continente, discutimos a questão do folclore aqui)

Uma história menos conhecida sobre os mortos-vivos é a do roubo de cadáveres frescos de sepulturas para serem vendidos as faculdades de medicina para aulas de fisiologia. Algo que merece atenção, afinal desde o século XVII todo país europeu que apresentou significativos avanços na medicina tinha nas suas proximidades (ou nos reinos mais próximos menos industrializados e acessíveis por suas estradas) constantes epidemias de mortos vivos.

Um sábio Aghori contemplando o rio, donos de um xamanismo grave e sombrio na Índia contemporânea

Enquanto tuberculosos definhavam e perdiam o sangue em hemorragias e suas peles assumiam os tons pálidos de um cadáver fresco, similar aos descritos pelos românticos e o folclore – o sangue era tido como furtado deles, era simbolizado como vida eterna entre os católicos ou tomado por seres espectrais de um passado pagão para ganharem poder sobre a vítima. Não surpreende que o documentário traga um relato sobre vítimas deste mal reagindo através de uma retalhação a um cadáver e tomando água misturada com suas cinzas. Iguaria ou ainda medicina (xamânica) que deveria ser infinitamente cara aos Aghoris lá da Índia – estes acreditam que é preciso envenenar o veneno ou adoecer a doença para obterem a cura de um mal. Processo não muito diferente de alguns ritos e cultos bruxos do norte da África que inoculam em suas crianças os venenos das cobras e plantas mais perigosas para lhes imunizarem e como parte de sua iniciação nesta sabedoria ancestral. Existe algo parecido entre algumas tribos indígenas da América do Norte e também nos integrantes de uma tribo peruana que tive a oportunidade de conhecer certa vez aqui no Brasil. Os exploradores mais sérios do chamado LHP alegam desenvolver um processo semelhante no território que exploram à sua maneira. A respeito da chamada LHP, seu contexto e conteúdos, recomendamos a leitura de nossa entrevista exclusiva com o pesquisador Thomas Karlsson.

Muito deste conteúdo e sua relação com a Cosmovisão Vampyrica será abordado no meu próximo livro, em breve falaremos mais dele.

O Brasileiro, o imaginário e o folclore local

[TEXTO DE LORD A:.] Escrever sobre folclore é caminhar no deserto e glorificar a dúvida visto que ele é um mito sem rito, ou seja uma anedota ou história infantil em geral com algum fundo moralizante e potencialmente sem qualquer vínculo com sua expressão perene e geralmente usada com intenção política. Quando se trata de folclore brasileiro lidamos ainda com aquela típica e velada imposição política cheia de falas comuns tais como “todo mundo valoriza o gringo, mas não dá oportunidade para o que é daqui”; “todo mundo é paga pau de folclore europeu e não sabe o que tem na própria terra” e por aí segue bem mais de cinquenta tons de cinzento politicamente corretos, problematizações, discursos de preconceito, cotas culturais e uma evidenciada postura fatiar e excluir o conteúdo folclórico daqui de seus equivalentes ao redor do mundo – sendo quase um crime ideológico por aqui apontar seus equivalentes comparativos de outras culturas – você corre o sério risco de ser taxado de euro centrista e outros mi mi mi.

Escrever sobre folclore é caminhar no deserto e glorificar a dúvida visto que ele é um mito sem rito, ou seja uma anedota ou história infantil em geral com algum fundo moralizante e potencialmente sem qualquer vínculo com sua expressão perene e geralmente usada com intenção política

O folclore também é injusto pois se apresenta como um rito sem mito, os seres fantásticos de suas prosas e relatos são deidades, espíritos de ancestrais ou guias espirituais de religiões afro-brasileiras e de outras espiritualidades da terra e de ritos xamanicos. Mas como tudo é apresentado desprovido da ligação espiritual e do seu processo de conexão as vezes religioso e outras mágicko ele é tratado como mera fantasia e entretenimento desprovido de algo maior. Muitas vezes lhe falta a densidade do tom conotativo e de seus personagens serem interpretados pelo simbolismo perene (verniz cultural muito presente na abordagem de símbolos folclóricos de outros países) e não apenas por discursos políticos de vitimização e de perseguição que sufocam o seu verdadeiro potencial. Infelizmente quando o assunto é o folclore brasileiro em geral ele acaba servindo de plataforma e hiper valorização para mendigar privilégios e condições especiais sendo soterrado sobre discursos políticos. Morre o simbolismo do personagem e se hiper evidencia o preconceito, política e coisas da moral datada e estagnada daqui sem permitir que seus personagens se afirmem como símbolo, mito, rito e função perene no imaginário e sua parte como patrimônio cultural e espiritual humano. Esta foi uma tendência que marcou negativamente o contexto por bastante tempo, mas que recentemente começou a ser rompida de maneira elegante e estilosa. Tornar literal e denotativo um simbolo é e sempre será o caminho certo do fracasso.

Quando o assunto é folclore nacional morre o simbolismo do personagem e se hiper evidencia o preconceito, política e coisas da moral datada e estagnada daqui sem permitir que seus personagens se afirmem como símbolo, mito, rito e função perene no imaginário e sua parte como patrimônio cultural e espiritual humano. Esta foi uma tendência que marcou negativamente o contexto por bastante tempo, mas que recentemente começou a ser rompida de maneira elegante e estilosa.

O negócio é que existem bons personagens no folclore brasileiro que podem render bastante na cultura pop a exemplo do que vemos em outros países. Se lá eles tem dragão nós temos Boitatá! A feiticeira Circe da Odisseia só se tornou quem é graças ao fato de ter sido descoberta por Homero. Existem bons personagens por toda parte que esperam por bons contadores de história, esta é a única maneira deles conquistarem espaço e o coração dos fãs. Uma história bem contada conquista o público e as empresas responsáveis por sua produção e veiculação. Não existe discurso político, lei, ideologia, direito, cota, privilégio ou qualquer outra coisa que possa mudar isso – porque será mais uma coisa empurrada goela abaixo e o imaginário nunca funcionou dessa maneira em nenhuma parte do mundo. O fanático e o fantástico são coisas diferentes. O imaginário compreende reis, heróis e vilões de todos os gêneros e tipos e não tem apreço para burocratas e colarinhos brancos de nenhum tipo. Só o fanático (ou o carente) precisa compulsivamente conscientizar (persuadir) os outros de seu fanatismo e posse de verdade (no dogma e ideologia defendida por ele) e apontar o dedo em riste culpando e nomeando como alienados quem não se afina com seu discurso e postura. Meu conselho as pessoas criativas:

Larguem mão da ideologia, do politiques, da busca por popularidade na respectiva minoria ou bolha social que integra, da cartilha do politicamente correto e criem boas histórias. Quem gosta de arte e de folclore assiste um filme como Star Wars ou lê uma coletânea para curtir uma boa narrativa e se inspirar – só militante e fanático precisa se ver refletido em cada obra produzida para ele e seu regime. Ignore o politicamente correto.

No início deste artigo e também agora compartilho a seguir os meus vídeos favoritos da série IMAGINÁRIO, originalmente produzida para o Youtube no ano de 2016 (se não me engano). Totalmente baseada nos personagens do folclore nacional com uma abordagem mais sinistra e deliciosamente bem executada que ressalta os personagens e seus mistérios (alguns bem aterrorizantes) o que ilustra a possibilidade de se contar boas histórias e deixar o transitório problematizar tudo que existe em nome do politicamente correto (como válvula de escape do próprio rancor e dissabor) no seu devido lugar ou seja bem longe da arte! A série é simplesmente maravilhosa e merece a audiência de todos vocês. Tenho alguns amigos que estão produzindo livros e filmes sobre personagens do folclore nacional que irei abordar por aqui nas próximas oportunidades.

 

OS PRIMEIROS VAMPIROS BRASILEIROS

Rubens Lucchetti, o grande mestre do terror e do fantástico no Brasil que assombra nosso imaginário

[Um Texto de Lord A:.] Escrever este artigo sem mencionar o trabalho e a obra do mestre Rubens Francisco Lucchetti a frente de incontáveis romances pulps e revistas de histórias de quadrinhos de terror é uma evidente heresia. Nas suas páginas Drácula, Nosferatu e muitos outros vamps se imortalizaram no imaginário brasileiro contemporâneo. Ao falarmos de cronologias vampirescas falamos de uma história de efeitos e como seus conteúdos ressoam e influenciam continuamente novos criadores e criadoras com o passar das décadas estabelecendo um diálogo único e que se desenrola continuamente. Então, se você gosta de Vamps e não conhece o trabalho do Rubens eu sugiro que corra atrás de revistas como a Calafrio e incontáveis outras publicações.


RUBENS LUCCHETTI É O GRANDE PIONEIRO DO GÊNERO VAMP, DO TERROR E DO FANTÁSTICO BRASILEIRO
SUAS CRIAÇÕES E PERSONAGENS ASSOMBRAM ATÉ HOJE O IMAGINÁRIO E A CULTURA POP


No entanto, os primeiros vampiros  brasileiros não surgiram na década de 1960 do século XX, tampouco o novelista Antônio Calmon da Rede Globo ou o humorista Chico Anísio foram os “pais” dos vampiros daqui como dizem por aí, entre os anos 80 e 90. Isso também não depõem contra suas criações que por sinal apreciamos sem restrições. Nem o simpático Zé Vampir ou a Turma do Arrepio chegaram primeiro neste contexto. Embora hoje em dia seja comum histórias vampíricas ambientadas nos tempos de Dom Pedro ou ainda de Pedro Alváres Cabral, os primeiros vampiros brasileiros apareceram por aqui ainda no século XIX ao menos em termos históricos nas artes e na literatura. Digo isso, inclusive porque as culturas pré-colombianas que estavam por aqui bem antes de Cabral, já tinha morcegos sanguinários e jaguares como deuses e xamãs – também falamos mais disso neste outro artigo. Aliás a questão do vampiro e do xamã (incluindo ritos da América Central) é tratada de forma enpassant  e ainda neste outro artigo. E algo aqui recorda o Vurdolak que devorava a lua!

VAMPIROS NA AMÉRICA PRÉ COLOMBIANA

A própria tradição oral brasileira fala sobre índios de hábitos noturnos conhecidos como “Kupe-dyeps” que saíam por aí degolando os inimigos com trajes de morcegos e machados de formas lunares no alto Tocantins. Tais índios morcegos lá na Serra do roncador e outras deidades e figuras folclóricas vampirescas ao longo da América do Sul e Central. Vale até mesmo acrescentar a polêmica de um deus morcego e de caninos alongados nomeado como “Moxica”, fato que incomodaria um monstro sagrado do nosso cinema nacional, que acredita que vampiros são europeus demais (um dia conto essa história).  Se considerarmos ainda os relatos de morcegos de estatura agigantada presentes na tribo Waipã, lá no Maranhão ou o caso de um fóssil dessa envergadura encontrado na Argentina no começo do século XXI em agosto de 2000, poderemos ao menos especular que a América do Sul tem muito mais a ver com o vampirismo do que o leste europeu, mas essa história fica para outro dia.

Como já disse os primeiros vampiros brasileiros vem do século XIX. Sim, o século 19 onde o vampiro foi um evidente fenômeno literário, teatral e operístico no velho e no novo mundo. Não poderia ser diferente e tampouco ocorrer de outra maneira. Interessante ressaltar que a maior parte destes vampiros brasileiros do século XIX foram publicados anteriormente ao célebre romance de Bram Stoker, colhendo influências e inspirações nos escritos de Teophile Gautier, Byron, Polidori, Baudelaire, Shelley e muitos outros grandes nomes do terror gótico. Falando em autores brasileiros, tenho certeza que o célebre Álvares de Azevedo, nos reserve alguma surpresa neste contexto Vamp…

 Vamos falar um pouco das obras que apareceram os
primeiros vampiros brasileiros:

1849 – OTÁVIO E BRANCA (A MALDIÇÃO MATERNA): Escrito por João Cardoso de Menezes e Souza foi o primeiro a trazer a imagem vampiresca ainda que de maneira sugestiva como uma maldição dos pais que recai sobre os filhos. A imagem do vampiro aparece praticamente no começo e no encerramento da obra de maneira sublime, na forma dos amantes que dão nome a história, ambos morrem jovens e amaldiçoados ficando propensos a vagarem entre os mundos. Ainda que ambientada no Brasil ela ressalta um inegável clima europeu.

1890- FOME: De Rodolfo Teófilo tem como cena marcante quando o protagonista adentra um quarto onde dezenas de morcegos sugam copiosamente o sangue de uma criança já morta. A imagem evocada pelas palavras impressiona até mesmo os leitores de hoje pelo requinte macabro e aceitavelmente exagerado. Tais morcegos são retratados como animais com fome se alimentando no terrível e desértico sertão. Interessante pontuarmos até hoje existem relatos de morcegos de grandes proporções e suas ossadas encontradas através da América do Sul.

1891- A MORTALHA DE AUZIRA: O autor foi Aluísio de Azevedo, também responsável pelo livro “O Cortiço” obra conhecida e recorrente dos vestibulares brasileiros. Sombria ao extremo e ambientada na França do século XVIII narra os espectrais encontros entre o padre Angelo e a cortesã Alzira, ele sedento pelo sangue de quem tentar lhe afastar da amante e ela ávida por consumir seu espírito e vitalidade. Vale pontuar que estes encontros ocorrem depois da morte dela através de sonhos, onde aos poucos o bom padre perde a noção do que é a realidade comum. Fulminado pela paixão o bom padre descobrirá como sua energia e vitalidade pode se esvair por esta ferida afetiva e lhe assegurando um destino pior do que a morte. Aliás, você já leu nosso artigo sobre os morcegos do cemitério Pére Lachaise, na França? Já assistiu nosso video exclusivo no cemitério HighGate em Londres? Ou ainda o artigo na exposição da Luciana Fátima?

1893- ACAUÃ: Desenvolvido pelo autor Inglês de Sousa foi um grande sucesso literário do seu tempo onde a vampiresca Vitória leva a jovem Aninha a definhar gradativamente. Diferentemente das outras obras presentes neste artigo aqui a ambientação tem pouco ou quase nada do gótico europeu, sendo o título uma menção a uma ave considerada agourenta no Amazonas e entre os ribeirinhos que vivem isolados de todos. O ponto alto da obra é que ela é a melhor a retratar elementos brasileiros como crenças e superstições locais na imagem vampiresca que se alimenta da vida e da vitalidade emocional dos outros. *E pensar que mais da metade da minha vida morei próximo a rua que leva o nome deste escritor, sem conhecer tal obra…

1908- ESFINGE: Publicado no começo do século XX e de autoria de Coelho Neto traz um vampiro acentuadamente andrógino chamado James Marian apaixonado por sua Miss Fanny que morreu há poucos dias de uma moléstia que consumiu pouco a pouco. Sobre o tal vampiro e sua sede espiritual afirma-se que ele foi o resultado de uma cabeça feminina implantada em um corpo masculino(!) o que nos remete a uma inspiração ou influência do clássico Frankenstein. Ambientado no Rio de Janeiro daquela época traz em suas páginas diversos tipos e elementos característicos da localidade alinhavado a simbolismo oriental, boemia e os criativos daquele tempo. A trama gira ao redor da história da vida desta quimera chamada James Marian.

O QUE ACONTECEU DEPOIS DISSO TUDO?

O terceiro capitulo do livro aborda detalhadamente os últimos 40 anos da produção cultural vampiresca no Brasil em todos os frontes!

Entre 1908 e 1960 temos um período de 52 anos que o vampiro aparentemente esteve relegado a produção literária e conteúdos espiritualistas ou ocultistas no contexto brasileiro. Isso não vem a ser uma regra, mas aparentemente o material deste período é bem escasso.

Os vampiros retornam a cultura pop brasileira e ao seu imaginário com maior ênfase durante a década de 1960 com as criações do autor Rubens Lucchetti nos quadrinhos e romances “pulp” que foram verdadeiros êxitos editoriais. Mais ou menos no final daquela mesma década teríamos o lançamento do filme nacional “Um Sonho de Vampiros”, com a participação da atriz Norma Bengell no filme italiano “Planeta dos Vampiros” e com a novela carioca “Mansão dos Vampiros” com o galã Mário Gomes e Tereza Rachel. E a partir daí também nas montagens teatrais diversas.

Daí em diante a história do que aconteceu aqui no Brasil, cerca de quatro décadas até mais ou menos 2014 é narrada detalhadamente e com exclusividade no livro MISTÉRIOS VAMPYRICOS A ARTE DO VAMPYRISMO CONTEMPORÂNEO, disponível aqui.

TWIN PEAKS: Darkside Books e seu novo livro!

Quando Jesus e a DARKSIDE BOOKS chamam para um evento especial,

ninguém diz não.

Jesus Livreiro apresenta o lançamento da festa: TWIN PEAKS Arquivos e Memórias, de Brad Dukes

Um convite ao mistério desde o elegante e discreto convite enviado através do nosso E-mail (através da Annabelle) nos convidava para uma noite de segunda-feira diferente. Atendemos o chamado e rumamos para o enigmático endereço, passamos batido pois imaginávamos que iriamos para uma casa de jogos de escape e o que estava lá era um hotel moderno. Um amigo nos viu e rapidamente correu atrás da gente e confirmou que sim era lá mesmo! Estranhamos, mas logo que entramos uma simpática jovem de cabelos verdes e olhos brilhantes nos ofereceu o lançamento daquela noite: TWIN PEAKS: Arquivos e Memórias, de Brad Dukes (e traduzido pelo grande Carlos Primati, um dos maiores especialistas do terror no Brasil)

Instantes depois nosso amigo Jesus Livreiro veio nos recepcionar! Gente, o cenário era perfeito e simulava um hotel, preenchido por muitos leitores e leitoras da Darkside Books. Mas tudo  era muito mais do que um primeiro olhar desvelava…

Laura Palmer, misteriosa e fantasmagórica indicava as pistas para solucionarmos o mistério de sua morte no Black Lodge

VISITAMOS O MISTERIOSO E ELEGANTE BLACK LODGE DE TWIN PEAKS ACOMPANHADOS PELO FANTASMA DE LAURA PALMER…

Estávamos em um dos mais modernos cenários de jogos de escape paulista com diversas salas temáticas. E como você pode imaginar haveria um desafio a nossa espera e mais do que tudo inspirado e tematizado no universo do seriado Twin Peaks. Mas aparentemente eu era o único do nosso grupinho que havia assistido a série nos tempos de sua primeira exibição tarde da noite, aos domingos logo depois do Fantástico.

Twin Peaks foi um dos maiores fenômenos de audiência do começo dos anos noventa, dirigida pelo onírico David Lynch, retratava a morte de uma rainha do baile colegial chamada Laura Palmer e a chegada de um agente do FBI chamado Dale Cooper que vinha para investigar o caso. Porém o desenrolar da trama desvelava que a cidadezinha que ficava próxima de uma queda d´agua e entre duas montanhas tinha mais mistérios do que se podia imaginar. Incluindo o chamado Black Lodge, que talvez fosse como o cineasta imaginava seu inferno particular. E o desafio que nos esperava lá no Escape Hotel – era tematizado no próprio Black Lodge Club!

Lord A:., Srta Xendra, Jesus Livreiro, Renata Py, Cauê Custódio e Fabio Mourão investigam o assassinato de Laura Palmer no Escape Hotel

Fomos conduzidos a sala temática onde fomos apresentados ao que nos esperava por uma sinistra e enigmática moça de vermelho e então nosso desafio era vencer os mistérios e armadilhas da sala para tentarmos salvar a alma da pobre Laura Palmer e apaziguar o espírito da cidade. Estávamos lá Lord A:. & Srta Xendra Sahjaza acompanhados da jornalista e webradialista Renata Py (do Rock & Py da Antena Zero), do Fabio Mourão (Blog Dito pelo Maldito) e um dos nossos primeiros desafios foi descobrir como as corujas da sala enxergavam os mortos… nosso tempo para solucionar o caso era apenas 10 minutos. Falhamos mas completamos cerca de 70% da “quest” como a atriz que interpretava Laura Palmer nos informou ao final…

E para vocês que gostaram deste artigo, saibam que até domingo 26 de Março a sala Twin Peaks estará disponível gratuitamente para todos que reservarem sua participação no site oficial da ESCAPE HOTEL

RPG QUEST BOARDGAME: Marcelo Del Debbio revela surpresa especial

Um novo encontro entre Lord A:. e Marcelo Del Debbio, desta vez o papo será o lançamento do RPG QUEST BOARDGAME, um jogo de tabuleiro extremamente criativo e que permite os participantes desenvolverem a criatividade e produzirem roteiros fantásticos. De quebra o jogo é ambientado no contexto da Kabbalah Hermética, do Tarô e da mitologia ou seja é um jeito extremamente divertido de se aprender e compreender um pouco mais sobre todo o universo do hermetismo. Já adiantamos que Lord A:. e Srta Xendra Sahjaza jogaram uma partida, teve até gravação de um destes gameplay que partilharemos em breve e que eles aprovaram e gostaram bastante!

RPGQUEST será lançado no sistema de crowdfund através do CARTASE e oferece prêmios fantásticos a todos participantes e você pode saber mais sobre tudo isso bem aqui!

Detalhes do tabuleiro, das cartas, dados e peças de RPG QUEST Boardgame

 

 

 

RPGQuest – A Jornada do Herói é um Boardgame (Jogo de Tabuleiro) onde você controlará um grupo de Aventureiros em busca de Fama e Fortuna nos Reinos de Arcádia. É um jogo totalmente baseado no Hermetismo, Alquimia, Kabbalah e a Jornada do Herói. A Grande Ilha de Arcádia é formada por Dez Reinos, criados à partir das Sephiroth da Kabbalah Hermética (os Jardins de Kether, o Vulcão Hochma, as Montanhas de Binah, os Bosques de Chesed, o deserto de Geburah, as planícies de Tiferet, o Rio Netzach, o platô de Hod, o Lago Yesod e as colinas de Malkuth). Estes Reinos estão divididos entre quatro Grandes Reis e Rainhas (Bastões, Taças, Espadas e Moedas) que, por sua vez, são governados pelo Imperador e pela Imperatriz.

Dama Leto e o dia da Mulher (do Apocalipse)

Dama Leto e seus gêmeos Apolo e Artémis

[Um texto de Lord A:.] Feliz Dia  das Mulheres!
Façam o dia de hoje e todos os dias melhores nem que seja apenas para você, coletivos são formados por indivíduos e o que precisa ser ajustado demanda investimento, resiliência e números. Quem irá colher um mundo melhor não será a nossa geração, somos um meio para melhorar as coisas para quem ainda virá. Logo, desejo perseverança, empatia, queixo para o alto e luz no olhar para que prossigam e invistam para que venha um mundo melhor. O que vivemos hoje é um sintoma de algo que se arrasta a dois mil anos pelo menos. Fazem muito barulho sobre os sintomas e consequências dele, mas são poucos que tocam na “causa” afinal ela é delicada e afeta cada um sem exceções. A reação comum perante isso é retirar a sacralidade, negar prontamente ou ainda “coisificar”, uma forma de retribuição e continuidade ao círculo vicioso e os ruídos que dispersam o foco da causa dos males combatidos hoje nesta data. Vamos então contextualizar o foco e a causa na igreja e seus dogmas.

“No Cristianismo o feminino só passou a carregar um sentido mais positivo e sacro depois de um milênio, quando inicialmente Sant´Ana e em seguida Nossa Senhora passaram a receber culto para afastarem a fome da Europa ” 

É bastante conhecido que os primórdios da igreja católica romana foram marcados pela delegação da mulher ao inconsistente, a ameaça e o terrível – basicamente ao que precisava vir a ser sujeitado e submisso através do elemento ou mesmo da polaridade masculina. Veremos isso no trato e na aparência essencialmente feminina dada aos elementos filosóficos água e terra nas sagradas escrituras e também as trevas ou a escuridão. É uma interpretação de inferior ou de algo a ser dominado e possuído (mais ou menos como é tratada a natureza ou o ecossistema), cada doutrina interpreta a sua imagem e semelhança. Sabemos que isso é uma herança das escrituras selecionadas pela cúria romana vindas dos hebreus que destacassem tal aspecto. E como todo poder expressa justificativas na forma de estética e filosofia para assegurar sua continuidade, um vasto universo foi estabelecido com base na imagem e semelhança destas regras – e ele é aceito como naturalidade ou algo inquestionável há muitos séculos. Se as coisas não vão bem para as mulheres hoje, cobrem pelos danos sofridos (se é que adianta) da igreja; o feminino só passou a carregar um sentido mais positivo e sacro depois de um milênio e alguns séculos de cristianismo, quando inicialmente Sant´Ana e em seguida Nossa Senhora passaram a receber culto para a Europa fugir da fome que se abateu sobre ela. O papel das santas na intermediação entre o divino e o profano foi ganhando mais espaço e se aproximando um pouco mais do que temos hoje (inegavelmente diferente do que é retratado na Bíblia). Sintetizando aquilo que pertence ao feminino foi associado ao vício, a oposição, a mortalidade, ao impróprio e o demonizado a maior parte do tempo no catolicismo e seus desdobramentos e dissidências ao longo do tempo. O feminino foi reduzido a expressão da “mater dolorosa”, ou a mãe que agoniza pelo destino do filho ou a santa que renuncia a própria vida como mulher, com raras concessões nos últimos 800 anos e um pouco mais de liberdade nas últimas quatro décadas. A culpa é da serpente que tentou Eva e ponto final.

E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.E estava grávida, e com dores de parto, e gritava com ânsias de dar à luz. E viu-se outro sinal no céu; e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas. 
Apocalipse 12:1-3

William Blake

Os textos bíblicos contêm incontáveis personagens femininas interessantes e dignas em suas próprias expressões, mas particularmente uma delas presente no Apocalipse de São João sempre me chamou a atenção desde a infância: “Uma Mulher grávida vestida do sol com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa com 12 estrelas”! Ela vem sendo perseguida por um dragão de muitas cabeças por onde quer que passe, mesmo assim ela dá a luz a um garoto predestinado a chefiar as nações que é arrebatado para o lado de Deus. Além disso a mãe ainda recebe asas de águia e lhe é oferecido um refúgio. Ainda assim o dragão vai atrás dela e depois de um combate épico é derrotado pelas hostes do seu filho agora endeusado. Eu resumi para fins didáticos. Como pagão e voraz consumidor de autores como Joseph Campbell e Robert Graves qual não foi minha surpresa quando li sobre a dama Leto, que se enamora por Zeus e como toda amante dele engravida e desperta a ira de Hera sua esposa (Deusa da Terra) que proíbe o solo de oferecer pouso para Leto dar a luz e ainda coloca atrás dela um dragão de várias cabeças pavoroso chamado Python. Ela receberá asas de águia e uma ilha é criada como refúgio para ela poder dar a luz, dela nascem os deuses Artémis (ou Diana) e Apolo. Que logo serão arrebatados pelo pai e que Apolo virá para salvar a mãe ao se apropriar plenamente de seus poderes e dar cabo do pavoroso dragão. Qual não foi minha surpresa em constatar que o São João do Apocalipse escreveu seu relato na ilha de Patmos, ao sul de Eféso, onde foi um dos maiores, mais prósperos e ativos santuários da deusa Artémis (ou Diana) naquela época (tal paradeiro é mencionado também na obra The Vampyre, de Polidori, erroneamente atribuída a Lord Byron). Existem até más línguas por aí, que insinuam que o texto do Apocalipse tenha inclusive sido desenvolvido sob influência do enteogenico Amanita Muscárya, nascidos de cogumelos próximos das raízes dos carvalhos do bosque de Dordona e um fundamento religioso comum daqueles tempos para os que buscavam a visão e a comunhão com o sagrado. Mas esta última parte fica como uma gentil especulação da minha parte.

Ilha de Patmos, onde foi escrito o Apocalipse Bíblico, pertinho do Templo de Diana (Éfeso)

Não direi que a dama Leto e a Mulher do Apocalipse são a mesma personagem, mas acho interessante e irrefutável a constelação e similaridade de ambas as histórias quando reflito sobre onde o Apocalipse de São João foi escrito. Vale notar que tal livro sagrado do cristianismo atesta a diferença do papel da mãe no politeísmo e no vindouro monoteísmo. Leto é a representação do feminino sagrado, onde Zeus representando o sagrado masculino se une a ela em igualdade para fecundar e gerarem a continuidade da linhagem e das forças que regem o alto e o baixo. Dessa união nascem gêmeos em igualdade de condições, se pensarmos Artémis nasce inclusive primeiro e auxilia a mãe durante as dores do parto. No caso da Mulher do apocalipse ela está coroada por estrelas, vestida de sol e com a lua aos seus pés, poderíamos falar longamente destes símbolos e seus significados, mas a ela é dado um tom calamitoso que ilustra o temor monoteísta a sacralidade e a igualdade feminina que contraria seu discurso e desejo de poder. Se este texto fosse lido por egípcios a tal mulher sem nome do Apocalipse teria sido vista como a própria deusa Isis grávida de Osíris e prestes a dar a luz a seu filho Horus, quando se via perseguida por Set no calor do verão, antes da cheia do rio Nilo onde em uma de suas ilhas poderia encontrar um solo acolhedor. O simbolismo da escuridão ou as trevas, remetem ao ventre versam sobre o repouso, o útero e a sustentação para a nova vida, a luz ou ainda o sol que virá – ou ainda a gruta escura e a cova que guardará o corpo depois da morte.

A lua e a escuridão (ou as trevas) são metáforas para o feminino sagrado de todos os tempos, é a mulher quem dá a forma ao potencial, em seu ventre e assim também entrega aos filhos que vem através dela o tempo e a finitude.

WitchStone em Gottland tempos Varrengues, Melusigna na França Medieval e na cultura pop atual

A lua e a escuridão (ou as trevas) são metáforas para o feminino sagrado de todos os tempos, é a mulher quem dá a forma ao potencial e assim também entrega ao que vem através dela o tempo e a finitude. Embora a morte sempre tenha sido levada como evidente desconforto em todas as épocas, era uma parte natural da jornada. Já para a noção da vida eterna católica, retorno dos mortos a vida e outras variações, isto seria um problema (transe extático, experiência de quase morte, voltar dos mortos no próprio corpo, como fantasma, corpos que não se decompõem e outras ressureições sem o voucher da igreja seriam ações do seu opositor). Até mesmo por conta disso você está lendo um artigo assim num site Vampyrico. O feminino e o masculino se complementam e formam o sagrado casamento alquímico que renova a vida no mundo. O masculino é associado ao solar e o consciente entre os povos latinos e gregos, gerado na escuridão da fêmea e a ela pertence o sagrado mistério de literalmente dar a luz a vida. No selvagem jardim equivale aos primeiros dias posteriores ao solstício de inverno, quando o sol volta a aquecer o hemisfério norte degelando e renovando a vida. (vale pontuar que entre os germânicos e os povos do norte da Europa, o Sol é uma deidade essencialmente feminina e o Lunar pertence ao masculino, falo mais disso aqui)

Estranho a ausência destas observações entre meus pares tanto no paganismo quanto no ocultismo e até mesmo em espiritualistas, terapeutas holísticos (de grandes portais da internet, comento o caso detalhadamente neste artigo) ou religiosos de cultos afro-brasileiros que ao abordarem o lunar, a escuridão, a morte (nada mais que o contraponto do nascimento) e até a descida do sangue lunar (falaremos disso em nosso novo livro) repetem os mesmos preconceitos e distorções virulentas propagados nestes últimos dois milênios pela cristandade a respeito da sacralidade feminina e todo seu contexto e simbolismo. A própria cauda de serpente (quem lembra de Melusigne, falei dela no livro Mistérios Vampyricos) associada as mulheres nas representações como feras míticas, agora demoníacas, nada mais era do um símbolo do menstruo e de operações míticas relacionadas aos Kalas e os Chakras herdados do oriente. (Inclusive uma das possíveis origens do que nomeamos como vampiros hoje, tem sua origem numa corruptela destes ritos). Mais do que nunca o vampiro continua sendo a encruzilhada, o totem, o tabu e a máscara que oferecem o espaço de convivência velado para a integração e compreensão destes conteúdos e poderes ainda tratados como proibidos.

Estranho a ausência destas observações entre meus pares tanto no paganismo quanto no ocultismo e até mesmo em espiritualistas, terapeutas holísticos ou religiosos de cultos afro-brasileiros que ao abordarem o lunar, a escuridão, a morte e até a descida do sangue lunar  repetem os mesmos preconceitos e distorções virulentas propagados nestes últimos dois milênios pela cristandade a respeito da sacralidade feminina e todo seu contexto e simbolismo.

Somos Todos Um é o Carvalho!

As contribuições dos chamados grandes sites esotéricos brasileiros ao contexto Vamp em todos os seus frontes são lastimáveis  –  supostamente deveriam oferecer um balizamento informativo sem julgamentos ou rotulações mesquinhas e discriminatórias. Deveriam também pesquisar e falar do que existe em toda sua extensão e isso demandaria novamente vencerem a preguiça e adotarem virtudes esotéricas. Mas a realidade dos conteúdos partilhados por tais meios é no mínimo lastimável. E é hora da REDE VAMP o maior e mais tradicional portal de conteúdo VAMP da América do Sul e Portugal oferecer sua crítica e contra ponto. Aliás, para quem não conhece nossa proposta, leia aqui.

Vamos clarificar uma coisinha básica sobre os chamados grandes sites “esotéricos” brasileiros e quando seus colunistas se metem a falar de “Vampiros”: Eles NÃO pesquisam coisa alguma e apenas repetem (propagando) preconceitos e uma evidente cultura de ódio a pessoas que apreciam liberdade de pensamento, gostos diferenciados e consumidores de uma produção cultural menos comum e até mesmo pouco usual da cultura de massa.

Os tais colunistas ou sites pautam seus discursos associando o VAMP as seguintes condições:

  • Pessoa com severos problemas e transtornos emocionais, sociopatas ou psicopatas; daquelas que sufocam a vitalidade, autenticidade e espontaneidade de terceiros para que se conformem ou se deformem para agradarem a eles. Aqueles livrecos picaretescos do começo do século XXI que catalogam diversos tipos destes padrões patológicos de comportamento e os homogenizam como “vampiros” são bons exemplos disso.

  • Pessoas narcisistas perversas daquelas que simbolicamente decapitam as cabeças de   outros só para aparentarem ser melhores; aquela raça insuportável de gente que vive de culpar, macular, projetar e deixar em terceiros todas mazelas e incompletude que lhes pertencem e faze-los de seus bodes expiatórios para descontarem sua frustração em diversos graus, alguns até mesmos dignos de investigação criminal.
  • O espírito obsessor herdado das décadas de 40 ou 50 do século XX geralmente catalogados e amplamente divulgados pelas publicações da FEB em território nacional.
  • Os chamados encostos dos programa religiosos televisivos das madrugadas brasileiras e seus incontáveis casos de possessões e passivos de serem expulsos com ritos de exorcismo tão vulgares e questionáveis perante qualquer ortopraxia centenária e perene.

Quais as fontes de pesquisa destas supostas autoridades formadas na arte de embrulhar, empacotar, copiar e colar do seu jeito o que lhes interessa para assegurarem seu lucro nas costas de clientes que se submetem a tudo isso? Diplomas de cursinhos de final de semana? A maior parte dos casos nem foram de alunos proeminentes e de bom desempenho neles (alguns envergonham seus mestres com suas condutas…).  A orelhada sobre um suposto caso que ouviu falar de uma suposta fonte respeitável que ilustra exatamente o que queria dizer ou do seu amigo ou da panela que faz parte.

Já vi casos destes aí  mais agressivos que esquecem da imagem pública de “galinha morta” iluminada que vendem e berram que a fonte deles é o inquestionável dicionário, como está lá é a verdade indiscutível e absoluta sobre tudo; ou ainda um trending topic no google(!)  E em outros posts choramingam sobre o injusto dicionário e os trending topics sobre sua profissão… são valentes na internet mas quando chamados para conversarem ao vivo se comportam como crianças birrentas, fazendo pirraça e dizendo que só fazem o bem e não foram entendidos. Excelente definição de bem essa que permite caluniar, difamar, distorcer e macular aquilo que não compreender… se enquadra em algo como cortar a cabeça de alguém para simplesmente aparentar ser mais alto.

Vamos deixar para outro dia enumerar como o conteúdo de um dicionário é planejado e margeado para expor e expressar o discurso datado e a moral de uma época ou regime especial. Ainda sobram alguns que tem os “m-e-n-t-o-o-o-o-r-e-s espirituais e suas revelações luminosas” que a considerar o lugar comum de suas falas, o deixar na mesma e o tom copioso de “busque sabedoriae amem a todos que forem iguais e do mesmo grupo que vocês pois os de outros são muito atrasados e sujos” quase sempre são apenas a extensão do superego do próprio “esquisotérico”. Meus leitores e leitoras mais hábeis já entenderam que critico o povo da picaretagem e jamais espiritualistas sérios.

Será que não me surpreendo mais quando concluo que as postagens destes “portais esotéricos” simplesmente remetem ao imaginário cristão de dois ou três séculos atrás, forjado para assegurar a hegemonia e o poder secular das igrejas daquele tempo, vendendo a cura de um mal inventado por eles mesmos, a constar:

– O vampiro é um espectro que vem para drenar e sabotar a vitalidade de uma comunidade;

– O vampiro é um morto-vivo que vem para beber o sangue dos parentes e pessoas próximas;


Claro que ambas as opções mascaram incontáveis tribos e ritos xamanicos pautados no processo extático e nos mitos da caçada selvagem e guildas de profissões marginais (parteiras, ferreiros, construtores e etcs) ao norte da Europa que foram homogeneizados pelos acadêmicos e eruditos cristãos como tipos de vampiros depois da renascença. Isso por si já renderia um outro “textão”.

O que temos senão um ato de reviver costumes estagnados e padrões de comportamento deveras patológicos e de histeria em massa? Úteis para quem pode vender a cura de um mal que não existe, apenas está lá para cumprir uma função social. Esta consiste em jogar e projetar nas costas de quem é diferente do bando ou rebanho numericamente superior – toda a culpa por infortúnios e insalubridades conhecido como mecânica do bode expiatório.

Bode expiatório! O que há de espiritualidade nisso? De esotérico? Da vivência de uma inspiração ou emanação transcendente ao domínio social humano? Da chamada “evolução”, “iluminação”, “aprimoramento do espírito” e outras doutrinas ou sendas presentes nas falas e visuais destes supostos profissionais do esoterismo, da cura e das terapias do bem comum? Há apenas o poder que otários e otárias entregam nas mãos deles e vassalagem social – a boa e velha política de aparências. Quem se submete a uma sensitiva televisiva que manda pessoas abandonarem gatos pretos? Quem se curva e passa a repetir compulsivamente o que uma terapeuta fala sobre pessoas que não se vestem como todas as outras e preferem um tom mais sombrio nas vestes? E o que dizer de pessoas que demandam privilégios mascarados como direitos? Podemos ampliar a tal lista de forma vasta; mas eu vou resumir tudo que falamos até agora em uma única sentença:

“Diga-me o que Tu pensa que é um Vampiro e lhe diremos quem tu És!!!!”

Peguei pesado agora né? Existe muita informação e até formação (há pelo menos 14 anos) sobre o contexto VAMP aqui no Brasil, América do Sul e Portugal; no Japão e na África do Sul também há mais ou menos este período de tempo. Já nos Estados Unidos temos pelo menos 45 anos deste contexto, na Europa em países como Alemanha, Inglaterra e França mais ou menos o mesmo tempo e ainda há muito mais em outros lugares. Não preciso dizer que não faltam livros sérios ou desprezíveis sobre o tema em todos os países citados. Existe material de sobra e isso evidencia a incapacidade, o despreparo e padrões de comportamento e de conduta da parte dos supostos “pesquisadores “esquisotéricos” dos grandes portais que continuam escrevendo e projetando seus próprios recalques e delírios sobre o contexto Vamp ao invés de importarem um ou mais livros e escreverem algo mais fiável – ou na pior de todas as hipóteses consultarem o livro “Mistérios Vampyricos” que já vendeu mais de 10.000 cópias desde 2014 e apresenta didaticamente tal contexto de forma bem ampla – e pouparia os tais de incontáveis erros.


E o que dizer do contexto VAMP brasileiro que há 15 anos tem até uma data oficial no calendário paulista de eventos e datas da cidade marcado pela campanha do DIA DOS VAMPIROS que reúne centenas de doadores de sangue para hospitais públicos e outras importantes causas como diversidade artística e campanhas contra o preconceito?

São mais de 300 pessoas por encontro no vão livre do MASP, só que para o “esquisotérico dos portais” assim como para o “jornalista portal de notícia” são apenas pessoas fantasiadas – ao longo dos últimos 15 anos temos ótimos relatos das brigas com chefes de redação para ampliarem e corrigirem suas publicações no R7, G1 e muitos outros. Para o evangélico radical quando o assunto somos “nós”, somos retratados como pessoas de sangue impuro e satânicas – tentam boicotarem campanhas assim. Para o  ” colunista esquisotérico de portal” é pior, pessoas como a gente, nossos costumes, nossas histórias e feitos NÃO existem. É uma longa e silenciosa vista grossa, similar a que fazem perante os massacres de indígenas no Brasil, “colunista esquisotérico de portal” veste cocar, bate tambor mas não ajuda um indio na rua a voltar para sua tribo ou encontrar os órgãos ou representantes públicos que auxiliariam sua causa.  E mesmo assim o “colunista esquisotérico de portal” até incorpora índio, cigano e o que quer que seja – só para mostrar sua alegada pluralidade espiritual – geralmente farsesca.


E o que os tais poderiam dizer sobre ações menores como o nosso Encontro do Tarô dos Vampiros (existente desde 2011) que oferece palestras sobre o tema com grandes nomes do segmento (professores de cursos e donos de espaços que alguns frequentam) e arrecada ração de cão e gato para abrigos e ONGs que cuidam de animais abandonados no centro da cidade? E de outras diversas iniciativas de CIDADANIA que podem ser conhecidas bem aqui? Estranho os “colunistas esquisotéricos dos portais” e os seus “grandes portais do gênero” desconhecerem tudo isso… apenas sabem falar da ameaça que encenam sobre nós, se falam é mal e de forma distorcida privilegiando casos negativos e até de criminosos. Será que para eles só podemos existir como serial killers, narcisistas perversos, obsessores e afins? Assim como era o pensamento medievalesco e radical?


Nunca vi nenhum os supostos “grandes portais esotéricos brasileiros” falarem sobre nossa história, ethos, ortopraxia e até mesmo de um código de ética e de bom senso as vezes chamado “The Black Veil” e as vezes sem qualquer outro nome que regulariza e afasta de nosso meio social pessoas com desvios de comportamentos e práticas que violam a liberdade de terceiros.

São mais de 900 artigos disponibilizados ao grande público e notamos que misteriosamente nunca são citados ou mencionados pelos ditos “esquisotéricos”” ou os “grandes portais” do gênero no Brasil. Estranhamente temos mais de 10 milhões de visitantes e uma alta taxa de visitação em nossas páginas e postagens, uma expressiva contribuição em trabalhos universitários sobre o contexto, um dos livros mais vendidos do gênero e afins para sermos considerados invisíveis ou não dignos de nota por tais “esquisotéricos dos grandes portais”! Mas na hora de venderem penduricalho de plástico com poderes especiais, os esquisotéricos não tem vergonha na cara…


Desconfiamos que a razão de tudo isso é porque simplesmente é conveniente aos “grandes portais esotéricos” e seus “colunistas” nos ter como seus “monstros” e não como “pessoas” – por uma simples razão:


Nós evidenciamos o que eles querem mascarar ou esconder; a simples existência de pessoas como a gente ilustram que a patologia, a alienação e outras parasitagens residem lá entre eles! E talvez de alguma maneira o que somos, o que curtimos e o que fazemos delineia amplamente a mentira que eles vendem. Inexiste uma cura para o que se é, inexiste qualquer coisa que possa lhe tornar aquilo que não carrega em si. As forças espirituais não estão nem aí para nossas culpas ou busca por redenções, apenas concedem em abundância o que cada um cultiva em si. Se o rebanho vir a reconhecer tal fundamento é o fim do esquisoterismo oferecido por esses charlatães.


E infelizmente é isso, os tais não pesquisam e não pensam além de suas caixinhas e guetos culturais onde vivem.
Não querem fazer a diferença verdadeiramente querem apenas agradar quem dá dinheiro para eles e não deixarem secar tal fonte. Estacionaram a si e a quem busca por seu atendimento na apatia, conformismo e superficialidade. Poderia enumerar pelo menos outros 29 vícios que denotam um caráter bem falho mas não vem ao caso agora. Poderia enumerar ainda outras 15 evidências que entregam a falta de investidura espiritual mais comuns e necessárias nos graus mais basais para a realização deste tipo de trabalho que oferecem – mas evidenciarei apenas o básico – quem glamouriza a ignorância, cultua a patologia e hipervaloriza o sintoma é apenas um “parasita” (e já catalogamos bastante estes tipos aqui). E o que podemos dizer de quem vende e oferece aquilo que não dispõem?

Qual a diferença entre os tais ““grandes portais esotéricos” do fatídico Malleus Malleficarum ou Martelo das Bruxas medievalesco e prosaico? Qual a diferença desses colunistas de grandes portais e ditosos pastores fanáticos? Ambos se fundamentam no social e isto lhes afasta comprovadamente do espiritual bastando acessar ou ler o conjunto de suas obras ao longo da última década. O ponto em comum de ambos é a sede pelo dinheiro de seus exorcizados ou terapeutizados; isso chamamos de parasitismo.

Assassin´s Creed: Espiritualidade e Liberdade de Pensamento

 

[Texto de Lord A:.] Assassins Creed finalmente cumpriu seu destino cinematográfico, algo sempre evidenciado e presente nas franquias dos games e também nos livros e nos quadrinhos.

O filme centraliza sua trama inteiramente no conflito Templários X Assassinos. O primeiro grupo almeja domar a humanidade e deixar todos sobre o cabresto de sua regra, tal empreitada é endossada pelo contexto bíblico que antecede a fatídica expulsão de Adão e Eva do paradisíaco Jardim do Éden.

Já os Assassinos representam a sabedoria (filosofia) que emerge da lida com o imprevisível, a incerteza, a dúvida, o protesto e a obra aberta, aquela jamais concluída que é a criação que existe entre meios e entre mundos – no filme rasamente explicada como livre arbítrio. Liberdade de pensamento é o contexto onde Templários e Assassinos se tornam nossos procuradores explorando suas respectivas opiniões através da inquisição espanhola e dos tempos modernos. Aliás o filme é bastante auto explicativo neste sentido desde a abertura da história ambientada nos tempos da inquisição espanhola com o juramento de lealdade feito pelo protagonista interpretado por Michael Fassbender.

“(…)Enquanto outros homens seguem cegamente a verdade: Nada é verdade!
Quando outros homens estão limitados pela moral ou a lei: Tudo está permitido!
Trabalhamos nas trevas para servir a luz,
Somos Assassinos!(…)”

A história gira em torno de Cailum Lynch (Fassbender) condenado a morte por ter executado um cafetão e outros delitos, também um descendente da mítica linhagem dos Assassinos que ainda na infância testemunhou seu pai matar sua mãe. O cumprimento de sua sentença de morte pelo departamento de justiça norte-americano é secretamente forjado pela corporação Abstergo que o leva para sua sede em Madrid, na Espanha para servir como mais um rato de laboratório de sua máquina chamada Animus. O objetivo da corporação é extrair as memórias do DNA dos descendentes das diversas linhagens de Assassinos para localizarem um artefato mítico chamado de Maçã do Éden – que traz o código de DNA que instiga a violência ou a filosofia e faz o humano desviar das normas e regras dos detentores do poder. O filme dá a entender que vem utilizando esta máquina e tal procedimento há décadas em dezenas de pessoas mantidas em suas instalações contra suas vontades. Muitos deles estão injuriados e incapacitados fisicamente e até mentalmente, pois a exposição a máquina e o processo deve ser consentida e não imposta.

(…)Assassinos vem de Hashashins, eram drogados, marginais e pilantras de rua desprezados pelos árabes; mas este era um truque deles para ocultarem sua organização, suas aspirações, planos, metas e um credo bastante singular – até o momento de colocá-lo em prática e ameaçar seus inimigos(…)

Alguns acertos evidentes do filme acontecem nas partes que se passam nos tempos da inquisição espanhola e remetem bastante a estética e o visual da franquia de games, livros e quadrinhos. Já o tom sombrio e realista tanto nessas locações quanto as que se passam no presente sufocam bastante o agradável e extravagante clima que encontramos nas outras obras da franquia. Não que evidencie algum tipo de paradoxo ou experiência desabonadora para o filme, mas frustra a audiência pela expectativa. Faz sentido no clima e abordagem da produção – é executado com maestria e ampla perícia estética – mas não entrega aquele tom que deixa de se levar a sério e torna o jogo deliciosamente absurdo e divertido. Falta alguma coisa. Assim como nos dilemas morais ou dos temas de curar a violência ou do seu uso apropriado pela liberdade expresso nos diálogos entre Lynch e seus antagonistas Templários. Mas acho que o foco era exatamente o confronto de ambos os grupos e deixar a imagem falar mais alto do que qualquer texto. Sendo assim temos um bom filme no final das contas, acredito que as possíveis sequências tendam a aprimorar e oferecer mais densidade na apresentação deste universo ficcional.

“(…)Teu sangue não pertence a você e sim ao Credo!(…)”

Apreciadores do contexto de Assassins Creed irão gostar bastante deste livro já disponível em nossa loja!

Se você não assistiu ainda, pare sua leitura aqui! Diferentemente dos games e dos livros, talvez apenas em um tom mais claro e explícito o filme lidou muito bem com a questão dinástica do “credo” e do “sangue”; na obra os Assassinos integram uma linhagem espiritual transmitida pelo “sangue” dos seus descendentes que lhes permitem acessar vivências, habilidades e experiências deles através do espírito totêmico da águia. O filme também demonstra evidências de uma comunicação através de sussurros e insights transmitidos através desta egregora. Além de uma menção muito especial ao culto dos ancestrais que vivem no coração de cada um. Que inclusive vem a clarificar que a mãe do protagonista se suicidou para não cair na mão dos Templários no começo do filme e que ainda retornam para transmitir a chama da iniciação do protagonista próximo do final da obra é marcante!  Tal contexto de espiritualidade e sabedoria perene comparável aos antigos ritos baseados em processo extático e guildas de profissões marginais, homogenizadas como tipos de vampiros vem sendo explorado há mais de uma década ao longo da minha obra.

 DANTE ALIGHERI E OS ASSASSINOS NA ALEMANHA

[Atualizado em 26.04.2018] Os templários não só adotaram uma série de preceitos e regulamentos tomados emprestados da Ordem dos Assassinos, como também fizeram suas as cores deles: o branco e o vermelho. Tão próximas foram estas relações que até Luís IX, rei da França, certa vez enviou uma missão diplomática a visitar o castelo de Jebel Nosairi, ocupado por um chefe local da Ordem dos Assassinos.

Frederico II, o Barbarossa (1122-1190), o imperador alemão que participou das cruzadas convidou vários ismaelitas para que o acompanhassem de volta à Europa, dando-lhes copa franca na sua corte.

A atração por sociedades secretas seduziu também aos poetas italianos do Dolce stil nuovo, como Guido Cavalcanti (1255-1300) e Dante Alighieri (1265-1321) que, inspirando-se num livro da mística xiita intitulado “Jardim dos Fiéis do Amor” criaram a sua própria irmandade secreta, a dos Fedeli d´Amore.

Portanto, o gosto de muitos europeus por congregarem-se ao redor de lojas esotéricas, com rígidos rituais de iniciação e um ar secretíssimo, hábito tomado na época das cruzadas, provavelmente lhes foi instilado pelos feitos da Ordem dos Assassinos.

Protegidos por uma fortaleza tida como inexpugnável, que nenhuma força local poderia tomar de assalto, foi preciso esperar a invasão dos mongóis, no século XIII, para que finalmente o ninho da águia fosse destruído pelos poderosos invasores no ano de 1260, pondo fim a ameaça que a seita dos assassinos representava em todo o Oriente Médio. A legenda que deixaram foi difundida no Ocidente pelos cavaleiros cristãos e pelos monges escribas que os acompanharam, impressionados com a história terríveis a que os devotos estavam associados, símbolos vivos do que era possível fazer com um ser humano, tornado simples objeto maligno ao serviço do fanatismo. [Atualização de Marcelo Del Debbio]


Aliás, a seguir oferecemos links para você aprofundar seus conhecimentos sobre a parte histórica e espiritual dos chamados “Assassinos” e suas reverberações na Cultura Pop!


 

Santa Clarita Diet: Canibalismo diretamente do Leste Europeu

A primeira temporada do seriado SANTA CLARITA DIET (Netflix,2016) trouxe as epidemias de mortos vivos canibais sérvios, para o subúrbio de Los Angeles. Inteligente e hilariante oferece um bom contraponto ao contexto de zumbis carniceiros da cultura pop.O tom bem- humorado dos protagonistas Sheila e Joel, interpretados por Drew Barrymore e Timothy Olyphant, retrata dois corretores de imóveis, casados e entediados com a rotina, até que a jovem se transforma de forma misteriosa em uma morta viva canibal. Resumidamente é isso. A partir daí ela e o marido, assim como a filha e seu melhor amigo nerd terão que lidar com a nova dieta da mamãe em situações hilárias de morte, destruição, companheirismo e lealdade passional.

As evidentes vantagens da nova condição de Sheila é sentir-se a cada dia mais linda, disposta e poderosa – apesar de seu corpo estar se decompondo discretamente. Isso sem falar no apetite insaciável por carne humana. Aparentemente o contágio se dá por mordida ou arranhão (mas não fica muito claro), depois o infectado vomita muito, até expelir o próprio coração. Agora como um cadáver ambulante passa a “viver” destemidamente e até selvagemente tudo que temia socialmente quando apenas “vivo”. Há um livro antigo que explora uma explora uma praga semelhante num vilarejo Sérvio do século XVI e fornece pistas do que está por vir, mas que saberemos apenas na próxima temporada. Em Santa Clarita Diet o “prato principal” não é o derramamento de sangue e a violência e sim o bom humor (negro!) com que os personagens lidam com tudo isso!

Assistimos a primeira temporada e nos divertimos aqui na Vamp Tower, nota 10 para a campanha publicitária brasileira (usando o brega e o tom açucarado com a visceralidade do seriado) que reproduzimos no início do artigo!!!

ANTROPOFAGIA, CANIBALISMO E O LESTE EUROPEU

Quando falamos do leste europeu acabamos sempre pensando no bom e velho mito do chamado “Eurocentrismo”, por mais que o interior da Hungria ou da Romênia (e outros países de lá) gozem deste verniz europeu seu imaginário ainda é essencialmente prosaico e tribal. Calma, ao pontuar isso não desejo de nenhuma maneira denegrir tal povo e tampouco países que sou profundo admirador dos costumes, ancestralidade e espiritualidade. Este artigo não pretende ser nenhum tipo de caçador de “likes” sensacionalista, vamos apenas focalizar um pouco de história, do imaginário e da cultura pop.

No passado distante a região foi o lar de povos guerreiros como os Sármatas e os Dácios, quando o império Romano deixou aquelas terras o povo latino que habitava a região fugiu para as montanhas e se misturou com eles, dando origem a incontáveis sincretismos e ritos peculiares. A própria história do Voivode Vlad da Casa Bessarabi (ou Vlad Tepes que inspirou o célebre personagem de Bram Stocker) imortalizou e ainda globalizou seu folclore e deixou nuances da sua espiritualidade que tocam o coração dos indomáveis.

Ainda hoje naquelas terras há um temor generalizado que envolve o retorno do morto (principalmente em casos de mortes violentas, súbitas e de pessoas sem batismo religioso) como um espírito vingativo, buscando sufocar o espírito da comunidade. Desde 1800 tais histerias com mortos vivos despontam nos jornais de uma forma mais ou menos homogênea, assim como as profanações de túmulos para erradicarem o tal “vampiro” ou “morto vivo” são frequentes no interior destes países. Amputações e decapitações de membros de um defunto são comuns e o uso das famigeradas estacas marteladas no seu peito também não surpreendem. Tudo isso acompanhado de incursões clandestinas e penalizadas por lei aos cemitérios dos vilarejos na calada da noite.

“Menos conhecida é a misteriosa receita utilizada por estes caçadores de mortos-vivos eslavos que envolve cozinhar e consumir partes do morto, diluídas em água (ou outras substâncias) – sendo que em alguns casos até mesmo o sangue do cadáver é preparado desta maneira adicionado a certas ervas e outras correspondências do espelho celeste para perpetuar tais fins.”

Menos conhecida é a misteriosa receita utilizada por estes caçadores de mortos-vivos eslavos que envolve cozinhar e consumir partes do morto, diluídas em água (ou outras substâncias) – sendo que em alguns casos até mesmo o sangue do cadáver é preparado desta maneira adicionado a certas ervas e outras correspondências do espelho celeste para perpetuar tais fins. Os leitores e leitoras mais hábeis prontamente verão aí casos de canibalismo ritualístico. No meu papel de historiador e pesquisador independente noto em casos assim raízes que remetem aos antigos povos pré-cristãos de lá. Devorar um coração ou outras partes do corpo para assimilar dons e poderes dos mortos não era algo verdadeiramente incomum naquelas bandas – e nem em outras partes do mundo.

Falando de antropofagia ritualizada (ingerir carne humana como parte de um rito espiritual ou religioso) temos algo sancionado e prescrito, moralmente aceito e passado de geração para geração. Temos então casos de endocanibalismo e exocanibalismo. No primeiro o consumo de carne humana vem de um parente ou membro do mesmo grupo, tribo ou sociedade de quem o consome. É uma expressão de adoração aos mortos que busca consumir e reter um dom ou aspecto esotérico dele para o grupo. Já o exocanibalismo é realizado com a função de aterrorizar o inimigo e roubar a força vital de alguém. Ambos os casos implicam em uma forma de comunhão com um poder além das normas e diretrizes do estado. Coragem, juventude, riqueza, virilidade e poder  – são as forças que estão por detrás destas práticas ao redor do mundo. Não faltam relatos de tribos e impérios que obtinham os ingredientes e fundamentos de suas fórmulas ou poções religiosas; através deste meio para assegurar a sua soberania perante outros e as bênçãos dos seus deuses. Teria surgido da necessidade e posteriormente foi adornado com um pensamento metafísico? Seria um processo para lidar com o luto de tempos antigos? Eis aí uma reflexão delicada.

E para concluirmos tal artigo será que são casos de endocanibalismo ou exocanibalismo que ocorrem com os defuntos acusados de vampirismo ainda hoje no Leste Europeu?

*Não preciso dizer que Canibalismo isso se caracteriza como um crime verdadeiramente hediondo em nosso continente. Também é desnecessário dizer que canibalismo NÃO integra o contexto Vampyrico nem em tons de Cosmovisão ou de Fashionismo.