Uthark que papo é esse aí?

Vamos começar pelo básico e o mais simples. Tudo geralmente se inicia como algo caótico, vasto, incontrolável, indomável, feral, potente, não modelado e grotesco como tudo aquilo que é novo diante da gente. Até ganharmos sabedoria ou vivência para lidarmos com aquilo e principalmente tirarmos lições dali vai tempo e trabalho na maior parte dos casos. Em outras palavras, pegamos algo bruto, modelamos e refinamos até chegar ao seu melhor e se tornar uma benção ou recompensa na vida da gente ou do coletivo ao nosso redor. Se projetarmos isso no passado até você domar o Auroque ou Yate (ambos tem algo do simbolismo da esfinge mediterrânea) e o tornar um rebanho próspero e lucrativo no seu pasto, uma benção ou recompensa vai tempo e trabalho. Como dizemos no Cìrculo Strigoi pisar as brasas do inferno até se tornarem chamas estelares…

O trabalho gráfico e a diagramação da obra pela Isabella Giordano ficou fantástico!!

Se você entendeu isso, você já pegou o ponto básico da teoria do professor Sigurd Agrell, que é apresentada na obra UTHARK Lado Noturno das Runas do Phd Thomas Karlsson, da Universidade de Estocolmo e fundador da Ordo Dragon Rouge (leia nossa entrevista exclusiva com ele!), lançada recentemente pela Penumbra Livros. Claro que falar sobre Uthark é algo muito mais delicado e complexo. Mas vale afirmar que este livro é uma obra seminal e necessária que também compreende expressões e maneiras de se ver e entender a cosmovisão dos povos nórdicos, sem os excessos fantasiosos, purismo histórico forçado ou viés demasiadamente jungiano que preenchem o contexto editorial brasileiro quando o assunto são as runas.

Uma obra clara, concisa, atual e direta na sua proposta. Outro destaque para lá de especial é o trabalho gráfico de muitissimo bom gosto na diagramação da obra e também da escolha de capa que ficou a cargo da artista Isabella Giordano. Ela captou o tom do autor de busca espiritual como algo celestes, mas que envolve uma dimensão sombria singular. Nas palavras de Isabella: “(…) Dessa forma, a textura do texto original, que era homogênea e corrida, é cortada com pesos de negrito e espaçamentos largos; e as páginas limpas, com espaços em branco generosos, contrastam com cortinas completamente negras. Como um eclipse, o novo formato é dinâmico, cheio de fluxos e refluxos. Esse texto, assim como o de Mágicka Visual, pretende mostrar o quanto as escolhas dessa publicação partiram de motivos que vão para além de um gosto subjetivo, mas consistiram em um estudo sistemático da melhor forma de evocar um livro.(…)” não deixem de ler este artigo completo lá no site da Penumbra.
que

 

Outro ponto importante é que o livro só estará a venda na loja da Penumbra, compre o seu aqui! 

 

Nas palavras de Thomas Karlsson o livro Uthark – Lado Escuro das Runasé um manual prático para magia rúnica. É baseado numa teoria controversa advogada por Sigurd Agrell, um professor sueco nos anos 30. Ele dizia que a série de runas era uma cifra e que através dela entenderemos seu real significado. Basta você colocar a primeira runa (Fehu) por último. Assim o  chamado”futhark”se torna uma “uthark”. Ao redor dessa teoria reside um sistema fascinante de numerologia antiga e mitologia. As runas são ferramentas muito poderosas para experiências mágicas e ocultas. A iniciação para a magia rúnica é descrita nos velhos mitos nórdicos quando Odin entra no reino da Escuridão e dos Mortos através do auto sacrifício para se tornar iluminado pelo segredo das runas. Inclusive não deixe de ler nossa entrevista com ele!

 

Ei Lord A:. me explica esta tal de sequência Uthark!

Interpretação de Lord A:. e Círculo Strigoi

Sabe quando você leu no livro #Mistérios Vampyricos  a respeito dos antigos ritos de fertilidade da terra, guildas de profissões marginais e celebrações realizadas nos 12 ou 14 dias ligados ao Solstício de Inverno ao norte da Europa? Ou algo a respeito do mito da Caçada Selvagem lá daquelas terras?

Na obra Uthark O Lado Noturno das Runas, encontraremos material proveitoso e bem estruturado neste sentido. Basicamente os deuses Odin (que assume um tom mais sombrio, como senhor da forca e da foice, imprevísivel como o senhor dos mortos rodeado de corvos e lobos, algo que recorda bastante a visão de Johaness Bureus que é uma influência notória de Sigurd Agrell) e a deusa Hel (como a contraparte ou consorte de Odin e a Senhora do Submundo e parte importante da iniciação Odínica). Ela é a Sagrada, a oculta e ainda seu nome é interpretado como o “Todo” ou o “Abismo” (livre adaptação pessoal) e isso a torna senhora dos túneis e fendas do inframundo; ela é a mãe negra e é de seu útero que nascem ou renascem os deuses nesta visão. A dupla porta do nascimento e da morte estão sob sua alçada (leitores de #CODEX STRIGOI volume 4 irão entender). A vida vem da morte mais do que se pensa e é dela a regência desse entremeios ou entremundos onde vida e  morte se envolvem e se misturam – tudo acontece no seu reino. Uthark é uma passagem ao inferno em outras palavras uma HELWEGR. A via por onde se vai buscar a vida, o calor e a luz que partiu para este renascer após o tal do Ragnarok – conforme falamos no início deste parágrafo, caros leitores e leitoras. Entenda melhor o sentido de Ragnarok do contexto Uthark no livro.

Outros dois personagens mitológicos importantes desta narrativa são Balder (Deus da Luz) e Hermod (Deus Cego), o primeiro é morto por conta de uma flecha envenenada por visco disparada por seu irmão, sob influência de Loki (Deus das trapaças e da engenhosidade flamígera queria provar que nada era indestrutível e a tal planta era a única coisa viva que podia ferir o deus da luz).  Sobrou para Hermod emprestar de seu pai o corcel chamado Slepinir (de 8 patas, uma para cada data sagrada, dizem por aí – e aqui também ou ainda as 8 direções xamânicas para jornadas espirituais) e realizar uma jornada de 9 dias através da Helwgr em busca do irmão para traze-lo de volta a vida (vale notar que 9 dias foi o tempo que Odin ficou dependurado em uma lança na Yggdrasil para obter o saber das runas e que o nome da tal árvore também significa Cavalo de Odin). Integrantes do Círculo Strigoi obviamente unirão os pontos e podem concluir que falamos do Axis Mundi e nas suas inúmeras relações simbólicas a nossa coluna vertebral é a sua correspondência mais óbvia. Na mitologia e iconografia xamânica integrando os ínferos, o reino do meio e o altíssimo trazendo para termos atuais o inconsciente (não-modelado), o consciente e o supra-consciente (aliás, leia isso também).

No livro, Thomas Karlson ainda aponta a tradição das 4 pessoas (8 pernas) carregando as alças do caixão lá no velho norte, cada um dos 3 Aett rúnicos usados no Uthark são compostos por 8 runas. Inclusive ele também relaciona a chamada runosofia e seus atributos numéricos como o da jornada de 9 dias através da Helwegr (3×3, refletir 3 vezes sobre cada um dos 3 aett rúnico, afinal aqui cada runa tem um polo positivo ou luminar, neutro e negativo noturno), as oito patas de Slepinir formando uma curiosa multiplicação de 9X8 rendendo 72 um número cabalístico e faustiano interessantíssimo que equivale ao mítico hebráico Shemraphorash ou ou setenta e dois nomes de Deus – tão caros a tradição ocidental do ocultismo. Tal estudo e prática comparativa é frequente na Ordo Dragon Rouge. E creio que isso tudo dá um retrato bem claro desta prática e o hermetismo continental europeu (Um diálogo inclusive bem rico para temas de Goetia, Angeologia, Tarô e Daemonologia)

Cada Runa na sequência Uthark marca a descida xamânica ou mergulho alquímico as profundezas do cosmo no ventre do reinado de Hel e seu retorno transmutado a vida, o que deixa marcas indeléveis em cada participante. Já adianto que ele é bem detalhado nesta narrativa sobre o significado e sentido de cada uma delas nesta jornada. É a jornada do iniciado para criar a si e então se transmutar em divindade (Sol Niger, eu diria). Há incontáveis outras metáforas que remetem ao ciclo arturiano ou do Graal sobre adentrar o canto mais escuro da floresta, tão brilhantemente evocado por Joseph Campbell e sua jornada do herói. Resumindo, Uthark Lado Noturno das Runas é uma obra indispensável para se pensar e vivenciar as runas fora do policiamento cultural que rodeiam o contexto no Brasil.

*Lá no distante ano de 2012 publiquei 2 artigos basais sobre este livro no meu finado blog pessoal!

 

 

 

Mestre das Poções, Vampiros Reais e uma entrevista descontraída

Boa cerveja combina com papo descontraído, amigos, amigas e aquele charme muito especial. Logo depois de Carmilla Noite de Gala Sombria, o mestre cervejeiro artesanal André Balparda, da Mestre das Poções, nos visitou na Vamp Tower para saber um pouco mais da Comunidade Vamp do Brasil que havia conhecido naquela noite especial de festejos. Lá ele conversou e interagiu com Vamps, simpatizantes e pessoas afins fantásticas – muitas perguntas passaram a lhe assombrar a mente no bom sentido e ao longo dessa entrevista Lord A esclarece mais sobre a história, costumes, o rito histórico e inédito celebrado naquela noite.

É sempre interessante apresentar aquilo que fazemos e curtimos para pessoas afins de diferentes formações e cenários culturais ou espirituais… pois sempre aprendemos ou reconhecemos princípios que também vivemos sob diferentes expressões e posicionamentos. Este é o charme dessa agradável entrevista que lhes oferecemos hoje.

Nos primeiros anos do século 21 as pessoas eram muito exageradas na internet e abrasileiravam termos ingleses e isso resultava em expressões singulares – os caras pegavam uma sentença traduziam e desconheciam todo o sentido implícito. Não é muito diferente do que fã de darkwave ou gothic rock que vive de pregar a “verdade…verdade mesmo” segundo ele próprio e sua evidente personalidade limítrofe – que desconhece o posicionamento da maior parte das letras das bandas que curte, veste nas camisetas e carrega nos patches.  Uma das mais utilizadas era o “vampiro real” ou “vampirismo real” geralmente empregada com um tom de “truezismo” para lá de caricato e exagerado por pessoas que no máximo hoje seriam nomeadas como parasitas por tanto “fait la moral” e atitudes como “beteé de las idées”. Para quem vivia o contexto e sabia das coisas o que eles se referenciavam era outra coisa. Era mais divertido ser espirituoso com tais pessoas do que ensinar ou dar aula de moral, afinal apenas se aprende algo quando disposto a escutar. E as vezes o silêncio é a melhor resposta a ignorância de muitos.

Quem me acompanha há muito tempo sabe que sempre brinquei com a expressão “Vampiro Real” como se esta fosse ligada a uma realeza ou monarquia oculta e reservada há poucos – eu já sabia disso há tempos pois se trata de uma investidura dada em uma determinada sociedade e para finalidades que incluem a lida com a própria espiritualidade, a instrução e transmissão de conteúdos desta espiritualidade para terceiros naquela sociedade e o exercício da força ou do poder hierárquico também naquela sociedade e nos tratos sociais com outras fraternidades e agremiações. Isso é conquistado através de ordálias, entrega e escolha em diversas camadas. Todas envolvem responsabilidade pelas consequências que virão das suas escolhas e do seu próprio horizonte.

Enfim, realeza é serviço, investidura espiritual e título hierárquico que você pode conquistar como uma posição de liderança e feitos notáveis de grande entrega e abnegação a vida pessoal. Não é e tampouco está disponível para todos, principalmente se for em uma dinastia bem fundamentada e com quase cinquenta anos de história vivida. Neste ponto temos algo muito mais relevante que alguma pessoa que escolha se nomear com um título ou inventar um conselho de um, reunir uns camaradas e tal. Aliás qualquer um também pode se nomear papa e há até formulários para isso em outras vias mágickas. Mas quem trilha um caminho pré-moderno e perene sabe que apenas se nomear algo não adianta e dificilmente concede o devido lastro.

Tradição enquanto algo perene é coisa séria e não difere do sacerdócio em espiritualidades e demais religiões organizadas e tradicionais. Não escolhi e tampouco me nomeei como REI, fui investido e nomeado pela grande matriarca da Dinastia Sahjaza e toda sua egrégora por meu trabalho, afinidade e entrega ao desenvolvimento das pessoas e da nossa comunidade local – e também a internacional – em todos os sentidos. O sucesso das minhas obras, a prosperidade da minha corte, do meu povo e da minha gente são fato.

*O tema das monarquias vampyricas serão desenvolvidos apropriadamente em novas publicações, pois agora há um sentido verdadeiro para transmitirmos estes conteúdos.

Uma Entrevista de Lua Valentia com Lord A e Xendra Sahjaza

Lua Valentia, é uma das mais versáteis e criativas autoras e criadora de conteúdos do ocultismo brasileiro da atualidade. Um olhar inquisitivo e uma sensibilidade muito especial marcam o trajeto desta bruxa carismática filha espiritual de Perséfone e Hypnos. Ela é a autora do portal SPECULA e arregimenta um amplo hall de leitores e leitoras que acompanham sua criativa e contínua produção transmidia. Além de escritora dos livros Tecnomago, Oteluma, Vero, Nua entre outros; ela também é vocalista da banda Caótes,  jornalista e social media.

Em uma tarde enevoada de domingo ela nos visitou aqui na VAMP TOWER para um animado bate-papo, cheia de boas ideias e uma incrível sinergia para novos projetos também gravou uma entrevista muito bacana com “Lord A” ou Rei Axikerzus e a Rainha Xendra da dinastia Sahjaza (na verdade esta foi a última entrevista antes deles receberem tais investiduras e titularidade mundial). A parte mais divertida de se estar em um portal com quinze anos de história é que do nada você descobre que pessoas queridas já participaram de outras faces dele, como nos tempos do finado NING.

Nesta entrevista eles conversam sobre: CARMILLA NOITE DE GALA SOMBRIA e alguns lançamentos que ainda virão; Cosmovisão Vampyrica; Os livros de Lord A:.  O que é o que não é um Vamp Contemporâneo; A importância do simbólico e metafórico que nada disso é denotativo ou ao pé da letra (assim como a bruxaria, druidismo, otherkins, theriantropos e etcs) e entre risadas e boas ideias partilhamos este momento especial (e mordidas) com nossa audiência!

Filosofando com Lestat e Gabrielle (Ou Daquilo que aprendi lendo Anne Rice)

Vampiro Lestat é um personagem de Anne Rice que segundo a autora é uma espécie de “muso” e uma “vox poesis” dela que lhe permite ver e enxergar o mundo de maneira singular. Já contamos boa parte de sua trajetória neste velho artigo  e nem vou esconder que muito de sua personalidade vem sendo uma boa companhia de trajeto nesta jornada chamada vida. E tiro várias lições de vida quando releio as páginas de seus livros. Tive inclusive o privilégio de o interpretar ainda mais novo e há alguns anos ao lado de minha amada Xendra Sahjaza (até houve um registro deste momento divertido), no dia seguinte a apresentação a sincronicidade nos presenteou com o anúncio do lançamento de uma nova história dele quase uma década e meia depois de sua última publicação. O texto a seguir é uma crônica pessoal:

 

Uma das minhas passagens favoritas do livro Vampiro Lestat de Anne Rice (e que me motiva há 20 anos ou mais) é quando o protagonista e Gabrielle visitam as catacumbas de Paris e o culto de mortos-vivos miseráveis chefiados pelo Vampiro Armand e uma vampira louca. Toda aquela legião de olhos famintos, decrépitos, impotentes, insuficientes, rancorosos, melíndrados e atormentados mantidos assim e amarrados a narrativas políticas, dogmas, ideologias e dítames que apenas vivendo daquela maneira seriam verdadeiros e reais filhos e filhas da noite… imersos em se comportarem como mortos e se comiserando pesarosamente nos passados idealizados que reviviam compulsivamente inaptos para lidar com o presente.

A incompreensão deles diante de como Lestat e Gabrielle podiam ser vampiros assim como todos os outros naquelas catacumbas mas viverem do bom e do melhor que pudessem conquistar em mansões, palácios, castelos, cavalgarem os mais belos corséis e andarem em requintados trajes de seda, couro e veludo… até mesmo se refugiarem na bélissma Catedral de Páris… como tudo isso era cobiçado e ao mesmo tempo odioso diante daquela turba que neles reconheciam algo mais liberto, superior e melhor. E aparentemente acessível, pois aos poucos começa a mudar o paradigma do covíl e seus líderes sentem este crescendo de terror… Como a dupla bem vestida e perfumada era intolerável e tão insuportável quanto o tormento que eles acreditavam que lhes seriam causados por suas crenças em narrativas tão pífias de que eram condenados ao pior do pior.

Tal contraste oferecido por Lestat e Gabrielle desafiava o parvo senso comum daquela cova, simplesmente desvinculados daquele dogma e narrativa ambos eram a maior de todas ameaças pois não podiam ser controlados ou explicados, Sua mera presença no mundo insistia que tudo na criação tinha seu lugar e relação, isto jamais se enquadraria em dogmas de opostos ou teorias de contrários irreconciliáveis impostas a ferro e fogo pelos líderes do culto como suposta pureza (máscara do rancor e ressentimento dali). Lestat e Gabrielle em seus trajes de gala eram como selvagens e incivilizados para a turba, que insistia que a condição degradante que estavam inseridos era a verdade absoulta e única possível. Lestat e sua companheira transcendiam a capacidade daquele lugar, estavam além do bem e do mal. Eram uma escolha e isso é e sempre será a ameaça final, diabo e destino se dão as mãos aqui. E logo eles seriam como um espelho para quem os buscassem. Para os líderes do culto eram tudo de abominável e culposo, pois o que viam ali era a porta de saída, uma encruzilhada e o fim de seu mando secular sobre aquela legião.

O tom expresso pela autora na descrição de como Lestat e a outra vampira retratavam e emolduravam a própria impotência e insuficiência daquela legião de condenados a catacumbas lamacentas, mofadas e cheias de ratos… e ao mesmo tempo como alguns daqueles condenados começavam a se darem conta de que podiam mudar a maneira como olhavam para sua imortalidade… e deixarem tudo aquilo de lado é gritante. Um desafio primevo a precária ordem das coisas que imperava lá.

Como Lestat e Gabrielle eram incapazes de serem feridos por cruzes, relicários, imagens de santos e água benta… como o juízo final não recaía sobre o mundo por conta da extravagância e requinte daqueles dois? E a forma como a Grand Dame de New Orleans começa a descrever a mudança de perspectiva na legião de condenados e o terror dos pastores daquele culto subterrâneo e o final trágico de um deles nas chamas… por não dar conta de que todos estavam na miséria só por conta do que como lideres impuseram ali – e que tinham prazer em manterem todos daquela maneira… naquele cabresto…

Para mim a maneira como Lestat, mesmo em uma situação de risco se apieda de cada um daqueles condenados e o tom como descreve cada um deles e os imagina se estivessem cuidados, limpos e livres de toda aquela besteira dogmática que os faziam servirem como autômatos a aquele ditador subterrâneo, ainda hoje é inesquecível. Um amante e representante de um arcano da filosofia e sabedoria perene a desafiar mandantes vulgares e seculares. E um tipo de lição de vida… importante que aplico em cada ato, criação e nova conquista profissional. Minha vida e minha obra é um desafio aberto, claro e irrestrito a prepotência do radicalismo estúpido e boçal do materialismo histórico e dialético em todas suas expressões.

E sim nestes 20 anos quando releio este trecho do livro, me recordo de ser piedoso, brando e generoso com pessoas que só aprendem coisas ouvindo de orelhada de sindicalistas ruidosos e pequenos ditadores que confundem ressentimento e rancor com “identidade”, “inteligência”, “verdade… verdade mesmo…” similares as que mantinham todos aqueles imortais em condições impotentes, insuficientes e miseráveis em todos aspectos. Tudo isso é tão vulgar (ou até mais) quanto aferir narrativa política ao que é comprovadamente avesso e exterior as pautas vulgares do mundo; submeter tais assuntos a aferições de julgamento de popularidade ou ao sensacionalismo e o patológico, expresso em posturas de ódio per se. Tão ou mais vulgar que demandar que sonhos sejam apenas interpretados de maneira tercerizada e coisas assim. E situar este tipo de conteúdo como “alienado” em relação a doutrinas e narrativas políticas que convenientemente requerem a eliminação do privativo, particular, do ímpeto e da individualidade em prol de qualquer coletivo, rebanho ou cardume – negando que o humano é um animal com olhos voltados para a frente como qualquer outro caçador ou predador do ecossistema.

Diferentemente da ficção, enquanto VAMPS, nossa força é sinônimo de habilidade para realizarmos o que é necessário, sem excusas e se bancando diante das consequências; se insentando de qualquer tipo de parasitismo. E isso é muito mais amplo, vasto e enriquecido do que qualquer ideologia, dogma, narrativa política e outras besteiras usadas como desculpas por fracos e mansos, que vivem de sabotarem terceiros, justamente por serem incapazes de cristalizarem seus sonhos neste selvagem jardim – e dessa forma assegurarem que ninguém mais consiga.

Day of Vampires: Blooddrive on Toronto, Canada Vampire Court

Madame Webb

Madame Webb, long time vamp elder in Toronto, creator of the new Vampire Court of Toronto. The Court runs as an open gathering and platform for all vamps and kin, meeting monthly for a variety of events. This August 11 2018 in honour of the Brazil Family and Lord A’s vampire day and blood drive the Toronto Court will also be participating in our own blood drive at the Canadian Blood Services clinic at 2 Bloor St. East in the Hudson’s Bay building. We are excited to join in participating in this worth while cause and hope to see the blood drive become an international charitable cause. I am excited to see a new ressurgance in the North American/Canadian Vampyre community.

I am a firm believer that we need more opportunities to gather to learn more about our nature. In the past I was the head of the Ontario Bloodlines Chapter, and co-chair of the Toronto Meetup group. I am the sole creator of Toronto’s only Noir Haven called Black Trillium. Now with Courts being created internationally I have started the Vampire Court of Toronto. An open gathering for all Vampires and Kin. I have appeared in various books and films such as Laurent Courau’s Vampyres. I am always in awe of the changes our community goes through and I embrace it and I look forward to what the future holds. – Madame Webb”

 

2018 DAY OF VAMPIRES BLOODDRIVE CAMPAIGN REACHES VAMPIRE COURT OF TORONTO

Our August monthly event will be one in support of our fellow community in Brazil. For 15years they have run a successful blooddrive call Vamp Day – in honour of them and to celebrate their success, and give back to our own community, we will also have an event to donate blood on Saturday August 11 meet at 1:45pm, booked to start at 2:10pmcanadian blood clinic at:
Toronto (Yonge & Bloor)
2 Bloor Street East,
Hudson’s Bay Centre
Toronto, Ontario
We are registered under: Lisa – VCT group | Tel: 1 888 2 DONATE | Please check out the Canadian Blood Services website to see if you can donate! Please reply or PM me and let me know if you are attending. The clinic has made a group booking but we will need number count for them.

 

 

 

ASTROLOGIA E O RPG VAMPIRO A MÁSCARA

Nota do Autor: Desenvolvi este artigo como entretenimento. É um ponto  interessante para criar um diálogo entre cultura pop (no caso a franquia World of Darkness) e a astrologia. Para um estudo mais sério a respeito de Astrologia e Cosmovisão Vampyrica, leia este outro artigo.

No distante ano de 2001 a White Wolf publicou o Clanbook dos Seguidores de Set, linhagem vampírica egípcia do seu universo ficcional de Vampiro a Máscara. Lá eles apresentaram os demais clãs da Camarilla, Sabbat e Independentes sob um viés astrológico segundo os Setitas. Vamos deixar de lado que estes personagens descendentes do Deus Set se considerem regidos pela constelação de Ophiucco (o MDD explica porque não existe o décimo terceiro signo, melhor aqui).

Como muitos dos leitores de nossa Vampyrica Comunidade Brasileira, Sul Americana e Lusitana não conhece ou tenha jogado tal RPG (aliás conheça a história e a importância cultural deste universo ficcional neste video), linkei cada um dos “Clãs” com as suas respectivas histórias e descrições oferecidas por nosso especialista Dylan Pegoretti aqui da Rede Vamp.

Segundo o Clanbook dos Setitas, considerados os melhores astrólogos do universo ficcional da franquia “World of Darkness” a lista ficaria assim:

  1. Aries – Lasombra  
  2. Touro – Nosferatu
  3. Gêmeos – Tremere/Salubri
  4. Cancer – Malkavian
  5. Leão – Gangrel
  6. Virgem – Cappadocian/Giovanni
  7. Libra – Brujah
  8. Escorpião – Tzimisce
  9. Sagitário – Assamite
  10. Capricórnio – Ventrue 
  11. Aquarius – Ravnos
  12. Pisces – Toreador

*A listagem acima é de autoria da própria White Wolf.

Uma possível alternativa ao tal esquema que apresentamos hoje seria atribuir cada um dos 12 signos as personalidades dos chamados Vampiros Antidiluvianos que fundaram cada clã, mas essa é uma tarefa hérculea ou cainita para apreciadores e leitores da franquia World of Darkness; até mesmo porque é dito que o clã Toreador (leonino como só eles podem ser) foi criado supostamente por gêmeos… enfim, não deixa de ser divertido poder ler e refletir sobre astrologia e sua relação com a cultura pop.

UM PAPO MAIS SÉRIO SOBRE ASTROLOGIA E COSMOVISÃO VAMPYRICA

Enquanto no grego termo Dragão fala de Clara Visão o termo Eidos fala da matéria sucetível a tal visão. Nossa vitalidade e presença pode se perder nos signos fixos

Agora saindo da ficção e do entretenimento a Cosmovisão Vampyrica estuda a Astrologia e oferece alguns insights primorosos sobre o tema. A propósito você é nascido sob algum signo fixo? Por onde anda o planeta Netuno no seu mapa astral? Tudo isso tem bastante a ver com a figura vampiresca retratada na Cultura Pop – e naquilo que nossos leitores nomeiam como Realidade Espelho. Você pode até ser cético em relação a horóscopos de jornais, nós também somos e desacreditamos neles. Mas certamente você se insere sob certos tons e qualidades de alguns arquétipos mais do que outros. E neste ponto falamos de uma dimensão mítica e interior que não tem correlação com algo além do planeta onde vivemos. E a luz das estrelas nada mais é do que um mapa para a escuridão em seu interior – seu acesso a uma dimensão mítica; uma maneira de trabalhar e lapidar mais e mais aquilo que carrega em si.

WORLD OF DARKNESS X COMUNIDADE VAMPYRICA: ESTRANHEZAS DE NOVA IORQUE

Na cidade de Nova Iorque a loja de Fangsmith (o que é isso?) chamada Sabretooth produziu LARPS e Live Actions por anos a fio (entenda melhor, em inglês) e até mesmo existiu um grupo de frequentadores que passou a se nomear como “Ventrues” na comunidade Vamp de lá, inspirados pelos seus personagens de VtM e houve relações de grupos menores e transitórios que assumiram alcunhas do universo ficcional da White Wolf também na comunidade Vamp, mas estes são casos isolados e datados do finalzinho da década de noventa e comecinho do século 21. Naturalmente isso gerou evidente confusão interna e mesmo externa ao contexto tanto para a comunidade VAMP quanto para o RPG. Mais ou menos similares quando no Brasil pessoas realizavam Live Actions em baladas góticas na mesma época e quem estava na festa e não era  informado (e sequer sabia de que se tratava de um jogo de encenação de papéis) achava que aquele povo era só um bando de louco. No Brasil ainda tivemos alguns agravantes (como o crime de Mariana/MG) que depuseram bastante contra a imagem do RPG por aqui e comprometeram bastante o desenvolvimento brasileiro deste cenário.

O mais a importante  que deve ficar é que a Comunidade Vamp (Rede, Contexto, Coletivo, Cena ou até Subcultura) vem desde os anos setenta apreciando e desenvolvendo o arquétipo VAMP (entenda melhor neste video) em diversas expressões e sempre acolhendo o melhor da produção cultural ligadas a tudo isso para alguns como fashionismo ou produção cultural e já para outros como uma rica cosmovisão e espiritualidade beirando cinco décadas de história e identidade própria em diversas expressões. O universo ficcional de Vampiro A Máscara/Masquerade ou Requiem (leia mais deles aqui) é o que o próprio nome já anuncia um contexto ficcional muito bem articulado e desenvolvido pelo autor e analista político Marc Rein-Hagen e uma editora que foi uma grande febre midiática durante a década de noventa e hoje em dia ainda resiste para seus fãs e apreciadores em número bastante reduzido do que já foi no passado.

Aqui no Brasil um dos principais representantes de Masquerade é o grupo paulista São Paulo By Night que mantêm suas atividades e encontros regulares onde jogam Live Actions bem organizados e tem amplo domínio deste cenário ficcional.

 

 

O papel do mediador

O Codex Strigoi Volume 4 (já a venda neste link) leva nossos leitores ao imaginário e o patrimônio mítico do Império da Suécia nos tempos de Johaness Bureus e suas Adulrunas. Mas não é apenas isso, vamos discutir e aprofundar a prática e a ritualística com os alfabetos sencientes enquanto mediadores e intermediários que estabelecem através do “mundus imaginallis” (o imaginário para uma visão pré-moderna ou perene) o diálogo entre a realidade densa e a arquetípica sob diversas camadas.

O sonho lúcido (ou Arte D´Voar, projeção astral e ainda Dreamwalk) ganha uma dimensão ainda mais poderosa e bastante praticável levando os mais aptos e hábeis poderem deixar suas peles e mapas de realidade mundanos dependurado nos galhos mais elevados da grande árvore e realizarem suas jornadas através da vastidão do longo e aveludado manto negro D´Ela. Aliás, temos algumas palavras bem relevantes sobre tal arte neste outro artigo.

Existe um sabor perene e hermético nesta obra a ilustrar que talvez uma fronteira entre o indo-europeu e o semítico seja apenas uma fantasia moderna. Aliás é interessantíssimo o diálogo entre a sabedoria Sufi e o imaginário que orbitam as chamadas Adulrunas, quando o sonho é a leitura do analfabeto e a leitura o próprio sonho do letrado. Apresentamos de maneira mais detalhada os Sufis neste outro artigo.

Em certo momento do livro falaremos sobre Paracelso (considerado um Hermes Germânico) e de sua influência nos trabalhos do bibliotecário e sábio Johaness Bureus da Suécia e suas Adulrunas. Aliás, para quem está lendo ou tem vontade de entender melhor o papel do mediador, intermediário ou do próprio Hermes, compartilho o texto que segue.

 

As verdades eternas, conhecidas unanimemente e expressadas por sábios de todos os tempos e lugares, plasmaram-se no Ocidente no pensamento de culturas estreitamente inter-relacionadas, que em distintos momentos floresceram em regiões localizadas entre o Oriente Médio e a Europa, durante esta quarta e última parte do ciclo, à qual se chamou Kali Yuga ou Idade do Ferro, e que sempre se vinculou com o Oeste.

Antiqüíssimos conhecimentos, patrimônio da Tradição Unânime, foram revelados aos sábios egípcios, persas e caldeus. Eles se valeram da mitologia e do rito, do estudo da harmonia musical, dos astros, da matemática e geometria sagradas, e de diversos veículos iniciáticos que permitem acessar os Mistérios para recriar a Filosofia Perene, desenhando e construindo um corpus de idéias, que foi o gérmen do pensamento metafísico do Ocidente, conhecido com o nome de Tradição Hermética, ramo ocidental da Tradição Primordial. Hermes Trismegisto, o Três Vezes Grande, dá nome a esta tradição. Na verdade, Hermes é o nome grego de um ser arquetípico invisível que todos os povos conheceram e que foi nomeado de distintas maneiras. Trata-se de um espírito intermediário entre os deuses e os homens, de uma deidade instrutora e educadora, de um curandeiro divino que revela suas mensagens a todo verdadeiro iniciado: o que passou pela morte e a venceu.

Os egípcios chamaram Thot a esta entidade iniciadora, que transmitiu os ensinos eternos a seus hierofantes, alquimistas, matemáticos e construtores que, com o auxílio de complexos rituais cosmogônicos, empreenderam a aventura de atravessar as águas que conduzem à pátria dos imortais.

Autores Herméticos relacionaram Hermes com Enoch e Elias, que seriam, para os hebreus, a encarnação humana desta entidade supra-humana que identificam com Rafael, o arcanjo, também guia, sanador e revelador. Esta tradição judaica, que se considerou sempre como integrante da Tradição Hermética, conviveu com a egípcia antes e durante a cativeiro (Moisés é fruto desta convivência) e em tempos dos reis David e Salomão durante a construção do Templo de Jerusalém; faz ao redor de três mil anos, estes pensamentos se consolidaram numa arquitetura revelada que permitiu, uma vez mais, a criação de um espaço vazio ou arca interior capaz de albergar em seu seio a divindade.

No século VI antes de Cristo, que é o mesmo século da destruição do Templo de Jerusalém, e contemporânea de Lao Tsé na China, de Buddha Gautama na Índia e do profeta Daniel na Babilônia, nasce a escola de Pitágoras que, também herdeira dos antigos mistérios revelados por Hermes, alumiará posteriormente à cultura grega, tanto aos pré-socráticos como a Sócrates e Platão. Este pensamento hermético exerceu sua influência notavelmente na cultura romana, nos primeiros cristãos e gnósticos alexandrinos, nos cavaleiros, construtores e alquimistas da Europa medieval e nos filósofos e artistas renascentistas, nutrindo-se ao mesmo tempo dos conhecimentos cabalísticos e do esoterismo islâmico.

Logo florescem estas idéias hermético-iniciáticas no movimento rosa-cruz, que se desenvolve na Alemanha e na Inglaterra da época Elisabetana, tendo sido depositados estes antigos ensinos, posteriormente, na Franco-Maçonaria. Esta Ordem, que em sua aparência exotérica não pôde escapar à degradação e dissolução promovidas pela humanidade atual, conserva, no entanto, em seus ritos e símbolos esse gérmen revelado e revelador, ativo no seio de umas poucas lojas que conseguiram se subtrair às modas inovadoras que ameaçam a Ocidente com sucumbir, e mantêm esse vínculo regenerador com o eixo invisível da Tradição que se dirige sempre para o verdadeiro Norte, origem e destino da humanidade, do qual esta tradição nunca se separou.

Hermes e a Tradição Hermética vivem atualmente. Sua presença é eterna.

Originalmente publicado em Teoria da Conspiração por Marcelo Del Debbio.

A Arte Negra e Sábia: Morcego e Sufismo

Nas páginas do CODEX STRIGOI Volume 4 esbarramos no contexto dos Sufís e da Imanência. Como o Romantismo carrega uma tremenda influência (ainda que marginal e não devidamente reconhecida deles) convêm oferecer algum material para meus leitores e leitoras expandirem o domínio sobre o tema e o contexto. Quem lembra do mitógrafo Robert Graves? Nome indispensável nestes assuntos, ele colaborou com a obra “Os Sufis” de Idries Shah e é o autor do texto a seguir. Vale apenas ressaltar que morcegos não são cegos tem apenas olhos adaptados para a escuridão e um dos melhores sonares do mundo:

Os sufis são uma antiga maçonaria espiritual cujas origens nunca foram traçadas nem datadas; nem eles mesmos se interessam muito por esse tipo de pesquisa, contentando-se em mostrar a ocorrência da sua maneira de pensar em diferentes regiões e períodos. Conquanto sejam, de ordinário, erroneamente tomados por uma seita muçulmana, os sufis sentem-se à vontade em todas as religiões: exatamente como os “pedreiros-livres e aceitos”, abrem diante de si, em sua loja, qualquer livro sagrado – seja a Bíblia, seja o Corão, seja a Torá – aceito pelo Estado temporal. Se chamam ao islamismo a “casca” do sufismo, é porque o sufismo, para eles, constitui o ensino secreto dentro de todas as religiões. Não obstante, segundo Ali el-Hujwiri, escritor sufista primitivo e autorizado, o próprio profeta Maomé disse: “Aquele que ouve a voz do povo sufista e não diz aamin (amém) é lembrado na presença de Deus como um dos insensatos”. Numerosas outras tradições o associam aos sufis, e foi em estilo sufista que ele ordenou a seus seguidores que respeitassem todos os “Povos do Livro”, referindo-se dessa maneira aos povos que respeitavam as próprias escrituras sagradas – expressão usada mais tarde para incluir os zoroastrianos.

Tampouco são os sufis uma seita, visto que não acatam nenhum dogma religioso, por mais insignificante que seja, nem se utilizam de nenhum local regular de culto. Não têm nenhuma cidade sagrada, nenhuma organização monástica, nenhum instrumento religioso. Não gostam sequer que lhes atribuam alguma designação genérica que possa constrangê-los à conformidade doutrinária. “Sufi” não passa de um apelido, como “quacre“, que eles aceitam com bom humor. Referem-se a si mesmos como “nós amigos” ou “gente como nós“, e reconhecem-se uns aos outros por certos talentos, hábitos ou qualidades de pensamento naturais. As escolas sufistas reuniram-se, com efeito, à volta de professores particulares, mas não há graduação, e elas existem apenas para a conveniência dos que trabalham com a intenção de aprimorar os estudos pela estreita associação com outros sufis. A assinatura sufista característica encontra-se numa literatura amplamente dispersa desde, pelo menos, o segundo milênio antes de Cristo, e se bem o impacto óbvio dos sufis sobre a civilização tenha ocorrido entre o oitavo e o décimo oitavo séculos, eles continuam ativos como sempre. O seu número chega a uns cinqüenta milhões. O que os torna um objeto tão difícil de discussão é que o seu reconhecimento mútuo não pode ser explicado em termos morais ou psicológicos comuns – quem quer que o compreenda é um sufi. Posto que se possa aguçar a percepção dessa qualidade secreta ou desse instinto pelo íntimo contato com sufis experientes, não existem graus hierárquicos entre eles, mas apenas o reconhecimento geral, tácito, da maior ou menor capacidade de um colega.

O sufismo adquiriu um sabor oriental por ter sido por tanto tempo protegido pelo islamismo, mas o sufi natural pode ser tão comum no Ocidente como no Oriente, e apresentar-se vestido de general, camponês, comerciante, advogado, mestre-escola, dona-de-casa, ou qualquer outra coisa. “Estar no mundo mas não ser dele“, livre da ambição, da cobiça, do orgulho intelectual, da cega obediência ao costume ou do respeitoso temor às pessoas de posição mais elevada – tal é o ideal do sufi.

Os sufis respeitam os rituais da religião na medida em que estes concorrem para a harmonia social, mas ampliam a base doutrinária da religião onde quer que seja possível e definem-lhe os mitos num sentido mais elevado – por exemplo, explicando os anjos como representações das faculdades superiores do homem. Oferecem ao devoto um “jardim secreto” para o cultivo da sua compreensão, mas nunca exigem dele que se torne monge, monja ou eremita, como acontece com os místicos mais convencionais; e mais tarde, afirmam-se iluminados pela experiência real – “quem prova, sabe” – e não pela discussão filosófica. A mais antiga teoria de evolução consciente que se conhece é de origem sufista, mas embora muito citada por darwinianos na grande controvérsia do século XIX, aplica-se mais ao indivíduo do que à raça. O lento progresso da criança até alcançar a virilidade ou a feminilidade figura apenas como fase do desenvolvimento de poderes mais espetaculares, cuja força dinâmica é o amor, e não o ascetismo nem o intelecto.

A iluminação chega com o amor – o amor no sentido poético da perfeita devoção a uma musa que, sejam quais forem as crueldades aparentes que possa cometer, ou por mais aparentemente irracional que seja o seu comportamento, sabe o que está fazendo. Raramente recompensa o poeta com sinais expressos do seu favor, mas confirma-lhe a devoção pelo seu efeito revivificante sobre ele. Assim, Ibn El-Arabi (1165-1240), um árabe espanhol de Múrcia, que os sufis denominam o seu poeta maior, escreveu no Tarju-man el-Ashwaq (o intérprete dos desejos):

“Se me inclino diante dela como é do meu dever E se ela nunca retribui a minha saudação Terei, acaso, um justo motivo de queixa? A mulher formosa a nada é obrigada”

Esse tema de amor foi, posteriormente, usado num culto extático da Virgem Maria, a qual, até o tempo das Cruzadas, ocupara uma posição sem importância na religião cristã. A maior veneração que ela recebe hoje vem precisamente das regiões da Europa que caíram de maneira mais acentuada sob a influência sufista.

Diz de si mesmo, Ibn El-Arabi:

“Sigo a religião do Amor.
Ora, às vezes, me chamam
Pastor de gazelas [divina sabedoria]
Ora monge cristão,
Ora sábio persa.
Minha amada são três –
Três, e no entanto, apenas uma;
Muitas coisas, que parecem três,
Não são mais do que uma.
Não lhe dêem nome algum,
Como se tentassem limitar alguém
A cuja vista
Toda limitação se confunde”

Os poetas foram os principais divulgadores do pensamento sufista, ganharam a mesma reverência concedida aos ollamhs, ou poetas maiores, da primitiva Irlanda medieval, e usavam uma linguagem secreta semelhante, metafórica, constituída de criptogramas verbais. Escreve Nizami, o sufi persa: “Sob a linguagem do poeta jaz a chave do tesouro“. Essa linguagem era ao mesmo tempo uma proteção contra a vulgarização ou a institucionalização de um hábito de pensar apropriado apenas aos que o compreendiam, e contra acusações de heresia ou desobediência civil. Ibn El-Arabi, chamado às barras de um tribunal islâmico de inquisição em Alepo, para defender-se da acusação de não-conformismo, alegou que os seus poemas eram metafóricos, e sua mensagem básica consistia no aprimoramento do homem através do amor a Deus. Como precedente, indicava a incorporação, nas Escrituras judaicas, do Cântico erótico de Salomão, oficialmente interpretado pelos sábios fariseus como metáfora do amor de Deus a Israel, e pelas autoridades católicas como metáfora do amor de Deus à Igreja.

Em sua forma mais avançada, a linguagem secreta emprega raízes consonantais semíticas para ocultar e revelar certos significados; e os estudiosos ocidentais parecem não ter se dado conta de que até o conteúdo do popular “As mil e uma noites” é sufista, e que o seu título árabe, Alf layla wa layla, é uma frase codificada que lhe indica o conteúdo e a intenção principais: “Mãe de Lembranças“. Todavia, o que parece, à primeira vista, o ocultismo oriental é um antigo e familiar hábito de pensamento ocidental. A maioria dos escolares ingleses e franceses começam as lições de história com uma ilustração de seus antepassados druídicos arrancando o visco de um carvalho sagrado. Embora César tenha creditado aos druidas mistérios ancestrais e uma linguagem secreta – o arrancamento do visco parece uma cerimônia tão simples, já que o visco é também usado nas decorações de Natal -, que poucos leitores se detêm para pensar no que significa tudo aquilo. O ponto de vista atual, de que os druidas estavam, virtualmente, emasculando o carvalho, não tem sentido.

Ora, todas as outras árvores, plantas e ervas sagradas têm propriedades peculiares. A madeira do amieiro é impermeável à água, e suas folhas fornecem um corante vermelho; a bétula é o hospedeiro de cogumelos alucinógenos; o carvalho e o freixo atraem o relâmpago para um fogo sagrado; a raiz da mandrágora é antiespasmódica. A dedaleira fornece digitalina, que acelera os batimentos cardíacos; as papoulas são opiatos; a hera tem folhas tóxicas, e suas flores fornecem às abelhas o derradeiro mel do ano. Mas os frutos do visco, amplamente conhecidos pela sabedoria popular como “panacéia“, não têm propriedades medicinais, conquanto sejam vorazmente comidos pelos pombos selvagens e outros pássaros não-migrantes no inverno. As folhas são igualmente destituídas de valor; e a madeira, se bem que resistente, é pouco utilizada. Por que, então, o visco foi escolhido como a mais sagrada e curativa das plantas? A única resposta talvez seja a de que os druidas o usavam como emblema do seu modo peculiar de pensamento. Essa árvore não é uma árvore, mas se agarra igualmente a um carvalho, a uma macieira, a uma faia e até a um pinheiro, enverdece, alimenta-se dos ramos mais altos quando o resto da floresta parece adormecido, e a seu fruto se atribui o poder de curar todos os males espirituais. Amarrados à verga de uma porta, os ramos do visco são um convite a beijos súbitos e surpreendentes. O simbolismo será exato se pudermos equiparar o pensamento druídico ao pensamento sufista, que não é plantado como árvore, como se plantam as religiões, mas se auto-enxerta numa árvore já existente; permanece verde, embora a própria árvore esteja adormecida, tal como as religiões são mortas pelo formalismo; e a principal força motora do seu crescimento é o amor, não a paixão animal comum nem a afeição doméstica, mas um súbito e surpreendente reconhecimento do amor, tão raro e tão alto que do coração parecem brotar asas. Por estranho que pareça, a Sarça Ardente em que Deus apareceu a Moisés no deserto, supõem agora os estudiosos da Bíblia, era uma acácia glorificada pelas folhas vermelhas de um locanthus, o equivalente oriental do visco.

Talvez seja mais importante o fato de que toda a arte e a arquitetura islâmicas mais nobres são sufistas, e que a cura, sobretudo dos distúrbios psicossomáticos, é diariamente praticada pelos sufis hoje em dia como um dever natural de amor, conquanto só o façam depois de haverem estudado, pelo menos, doze anos. Os ollamhs, também curadores, estudavam doze anos em suas escolas das florestas. O médico sufista não pode aceitar nenhum pagamento mais valioso do que um punhado de cevada, nem impor sua própria vontade ao paciente, como faz a maioria dos psiquiatras modernos; mas, tendo-o submetido a uma hipnose profunda, ele o induz a diagnosticar o próprio mal e prescrever o tratamento. Em seguida, recomenda o que se há de fazer para impedir uma recorrência dos sintomas, visto que o pedido de cura há de provir diretamente do paciente e não da família nem dos que lhe querem bem.

Depois de conquistadas pelos sarracenos, a partir do século VIII d.C, a Espanha e a Sicília tornaram-se centros de civilização muçulmana renomados pela austeridade religiosa. Os letrados do norte, que acudiram a eles com a intenção de comprar obras árabes a fim de traduzi-las para o latim, não se interessavam, contudo, pela doutrina islâmica ortodoxa, mas apenas pela literatura sufista e por tratados científicos ocasionais. A origem dos cantos dos trovadores – a palavra não se relaciona com trobar, (encontrar), mas representa a raiz árabe TRB, que significa “tocador de alaúde” – é agora autorizadamente considerada sarracena. Apesar disso, o professor Guillaume assinala em “O legado do Islã” que a poesia, os romances, a música e a dança, todos especialidades sufistas, não eram mais bem recebidas pelas autoridades ortodoxas do Islã do que pelos bispos cristãos. Árabes, na verdade, embora fossem um veículo não só da religião muçulmana mas também do pensamento sufista, permaneceram independentes de ambos.

Em 1229 a ilha de Maiorca foi capturada pelo rei Jaime de Aragão aos sarracenos, que a haviam dominado por cinco séculos. Depois disso, ele escolheu por emblema um morcego, que ainda encima as armas de Palma, a nossa capital. Esse morcego emblemático me deixou perplexo por muito tempo, e a tradição local de que representa “vigilância” não me pareceu uma explicação suficiente, porque o morcego, no uso cristão, é uma criatura aziaga, associada à bruxaria. Lembrei-me, porém, de que Jaime I tomou Palma de assalto com a ajuda dos Templários e de dois ou três nobres mouros dissidentes, que viviam alhures na ilha; de que os Templários haviam educado Jaime em le bon saber, ou sabedoria; e de que, durante as Cruzadas, os Templários foram acusados de colaboração com os sufis sarracenos. Ocorreu-me, portanto, que “morcego” poderia ter outro significado em árabe, e ser um lembrete para os aliados mouros locais de Jaime, presumivelmente sufis, de que o rei lhes estudara as doutrinas.

Escrevi para Idries Shah Sayed, que me respondeu:

“A palavra árabe que designa o morcego é KHuFFaasH, proveniente da raiz KH-F-SH. Uma segunda acepção dessa raiz é derrubararruinarcalcar aos pés, provavelmente porque os morcegos freqüentam prédios em ruínas. O emblema de Jaime, desse modo, era um simples rébus que o proclamava “o Conquistador“, pois ele, na Espanha, era conhecido como “El rey Jaime, Rei Conquistador“. Mas essa não é a história toda. Na literatura sufista, sobretudo na poesia de amor de Ibn El-Arabi, de Múrcia, disseminada por toda a Espanha, “ruína” significa a mente arruinada pelo pensamento impenitente, que aguarda reedificação.
O outro único significado dessa raiz é “olhos fracos, que só enxergam à noite“. Isso pode significar muito mais do que ser cego como um morcego. Os sufis referem-se aos impenitentes dizendo-os cegos à verdadeira realidade; mas também a si mesmos dizendo-se cegos às coisas importantes para os impenitentes. Como o morcego, o sufi está cego para as “coisas do dia” – a luta familiar pela vida, que o homem comum considera importantíssima – e vela enquanto os outros dormem. Em outras palavras, ele mantém desperta a atenção espiritual, adormecida em outros. Que “a humanidade dorme num pesadelo de não-realização” é um lugar-comum da literatura sufista. Por conseguinte, a sua tradição de vigilância, corrente em Palma, como significado de morcego, não deve ser desprezada.”

A absorção no tema do amor conduz ao êxtase, sabem-no todos os sufis. Mas enquanto os místicos cristãos consideram o êxtase como a união com Deus e, portanto, o ponto culminante da consecução religiosa, os sufis, só lhe admitem o valor se ao devoto for facultado, depois do êxtase, voltar ao mundo e viver de forma que se harmonize com sua experiência.

Os sufis insistiram sempre na praticabilidade do seu ponto de vista. A metafísica, para eles, é inútil sem as ilustrações práticas do comportamento humano prudente, fornecidas pelas lendas e fábulas populares. Os cristãos se contentame em usar Jesus como o exemplar perfeito e final do comportamento humano. Os sufis, contudo, ao mesmo tempo que o reconhecem como profeta divinamente inspirado, citam o texto do quarto Evangelho: “Eu disse: Não está escrito na vossa Lei que sois deuses?” – o que significa que juizes e profetas estão autorizados a interpretar a lei de Deus – e sustenta que essa quase divindade deveria bastar a qualquer homem ou mulher, pois não há deus senão Deus. Da mesma forma, eles recusaram o lamaísmo do Tibete e as teorias indianas da divina encarnação; e posto que acusados pelos muçulmanos ortodoxos de terem sofrido a influência do cristianismo, aceitam o Natal apenas como parábola dos poderes latentes no homem, capazes de apartá-lo dos seus irmãos não-iluminados. De idêntica maneira, consideram metafóricas as tradições sobrenaturais do Corão, nas quais só acreditam literalmente os não-iluminados. O Paraíso, por exemplo, não foi, dizem eles, experimentado por nenhum homem vivo; suas huris (criaturas de luz) não oferecem analogia com nenhum ser humano e não se deviam imputar-lhes atributos físicos, como acontece na fábula vulgar.

Abundam exemplos, em toda a literatura européia, da dívida para com os sufis. A lenda de Guilherme Tell já se encontrava em “A conferência dos pássaros“, de Attar (séc. XII), muito antes do seu aparecimento na Suíça. E, embora dom Quixote pareça o mais espanhol de todos os espanhóis, o próprio Cervantes reconhece sua dívida para com uma fonte árabe. Essa imputação foi posta de lado, como quixotesca, por eruditos; mas as histórias de Cervantes seguem, não raro, as de Sidi Kishar, lendário mestre sufista às vezes equiparado a Nasrudin, incluindo o famoso incidente dos moinhos (aliás de água, e não de vento) tomados equivocadamente por gigantes. A palavra espanhola Quijada (verdadeiro nome do Quixote, de acordo com Cervantes) deriva da mesma raiz árabe KSHR de Kishar, e conserva o sentido de “caretas ameaçadoras“.

Os sufis muçulmanos tiveram a sorte de proteger-se das acusações de heresia graças aos esforços de El-Ghazali (1051-1111), conhecido na Europa por Algazel, que se tornou a mais alta autoridade doutrinária do islamismo e conciliou o mito religioso corânico com a filosofia racionalista, o que lhe valeu o título de “Prova do Islamismo”. Entretanto, eram freqüentemente vítimas de movimentos populares violentos em regiões menos esclarecidas, e viram-se obrigados a adotar senhas e apertos de mão secretos, além de outros artifícios para se defenderem.

Embora o frade franciscano Roger Bacon tenha sido encarado com respeitoso temor e suspeita por haver estudado as “artes negras”, a palavra “negra” não significa “má”. Trata-se de um jogo de duas raízes árabes, FHM e FHHM, que se pronunciam fecham e facham, uma das quais significa “negro” e a outra “sábio“. O mesmo jogo ocorre nas armas de Hugues de Payns (dos pagãos), nascido em 1070 ,que fundou a Ordem dos Cavaleiros Templários: a saber, três cabeças pretas, blasonadas como se tivessem sido cortadas em combate, mas que, na realidade, denotam cabeças de sabedoria.

Os sufis são uma antiga maçonaria espiritual…” De fato, a própria maçonaria começou como sociedade sufista. Chegou à Inglaterra durante o reinado do rei Aethelstan (924-939) e foi introduzida na Escócia disfarçada como sendo um grupo de artesãos no princípio do século XIV, sem dúvida pelos Templários. A sua reformação, na Londres do início do século XVIII, por um grupo de sábios protestantes, que tomaram os termos sarracenos por hebraicos, obscureceu-lhes muitas tradições primitivas. Richard Burton, tradutor das “Mil e uma noites“, ao mesmo tempo maçom e sufi, foi o primeiro a indicar a estreita relação entre as duas sociedades, mas não era tão versado que compreendesse que a maçonaria começara como um grupo sufista. Idries Shah Sayed mostra-nos agora que foi uma metáfora para a “reedificação”, ou reconstrução, do homem espiritual a partir do seu estado de decadência; e que os três instrumentos de trabalho exibidos nas lojas maçônicas modernas representam três posturas de oração. “Buizz” ou “Boaz” e “Salomão, filho de Davi”, reverenciados pelos maçons como construtores do Templo de Salomão em Jerusalém, não eram súditos israelitas de Salomão nem aliados fenícios, como se supôs, senão arquitetos sufistas de Abdel-Malik, que construíram o Domo da Rocha sobre as ruínas do Templo de Salomão, e seus sucessores. Seus verdadeiros nomes incluíam Thuban abdel Faiz “Izz”, e seu “bisneto”, Maaruf, filho (discípulo) de Davi de Tay, cujo nome sufista em código era Salomão, por ser o “filho de Davi”. As medidas arquitetônicas escolhidas para esse templo, como também para o edifício da Caaba em Meca, eram equivalentes numéricos de certas raízes árabes transmissoras de mensagens sagradas, sendo que cada parte do edifício está relacionada com todas as outras, em proporções definidas.

De acordo com o princípio acadêmico inglês, o peixe não é o melhor professor de ictiologia, nem o anjo o melhor professor de angelologia. Daí que a maioria dos livros modernos e artigos mais apreciados a respeito do sufismo sejam escritos por professores de universidades européias e americanas com pendores para a história, que nunca mergulharam nas profundezas sufistas, nunca se entregaram às extáticas alturas sufistas e nem sequer compreendem o jogo poético de palavras pérseo-arábicas. Pedi a Idries Shah Sayed que remediasse a falta de informações públicas exatas, ainda que fosse apenas para tranqüilizar os sufis naturais do Ocidente, mostrando-lhes que não estão sós em seus hábitos peculiares de pensamento, e que as suas intuições podem ser depuradas pela experiência alheia. Ele consentiu, embora consciente de que teria pela frente uma tarefa muito difícil. Acontece que Idries Shah Sayed, descendente, pela linha masculina, do profeta Maomé, herdou os mistérios secretos dos califas, seus antecessores. É, de fato, um Grande Xeque da Tariqa (regra) sufista, mas como todos os sufis são iguais, por definição, e somente responsáveis perante si mesmos por suas consecuções espirituais, o título de “xeque” é enganoso. Não significa “chefe”, como também não significa o “chefe de fila”, velho termo do exército para indicar o soldado postado diante da companhia durante uma parada, como exemplo de exercitante militar.

A dificuldade que ele previu é que se deve presumir que os leitores deste livro tenham percepções fora do comum, imaginação poética, um vigoroso sentido de honra, e já ter tropeçado no segredo principal, o que é esperar muito. Tampouco deseja ele que o imaginem um missionário. Os mestres sufistas fazem o que podem para desencorajar os discípulos e não aceitam nenhum que chegue “de mãos vazias”, isto é, que careça do senso inato do mistério central. O discípulo aprende menos com o professor seguindo a tradição literária ou terapêutica do que vendo-o lidar com os problemas da vida cotidiana, e não deve aborrecê-lo com perguntas, mas aceitar, confiante, muita falta de lógica e muitos disparates aparentes que, no fim, acabarão por ter sentido. Boa parte dos principais paradoxos sufistas está em curso em forma de histórias cômicas, especialmente as que têm por objeto o Kboja (mestre-escola) Nasrudin, e ocorrem também nas fábulas de Esopo, que os sufis aceitam como um dos seus antepassados.

O bobo da corte dos reis espanhóis, com sua bengala de bexiga, suas roupas multicoloridas, sua crista de galo, seus guizos tilintantes, sua sabedoria singela e seu desrespeito total pela autoridade, é uma figura sufista. Seus gracejos eram aceitos pelos soberanos como se encerrassem uma sabedoria mais profunda do que os pareceres solenes dos conselheiros mais idosos. Quando Filipe II da Espanha estava intensificando sua perseguição aos judeus, decidiu que todo espanhol que tivesse sangue judeu deveria usar um chapéu de certo formato. Prevendo complicações, o bobo apareceu na mesma noite com três chapéus. “Para quem são eles, bobo?”, perguntou Filipe. “Um é para mim, tio, outro para ti e outro para o inquisidor-mor”. E como fosse verdade que numerosos fidalgos medievais espanhóis haviam contraído matrimônio com ricas herdeiras judias, Filipe, diante disso, desistiu do plano. De maneira muito semelhante, o bobo da corte de Carlos I, Charlie Armstrong (outrora ladrão de carneiros escocês), que o rei herdara do pai, tentou opor-se à política da Igreja arminiana do arcebispo Laud, que parecia destinada a redundar num choque armado com os puritanos. Desdenhoso, Carlos pedia a Charlie seu parecer sobre política religiosa, ao que o bobo lhe respondeu: “Entoe grandes louvores a Deus, tio, e pequenas laudes ao Diabo”. Laud, muito sensível à pequenez do seu tamanho, conseguiu que expulsassem Charlie Armstrong da corte (o que não trouxe sorte alguma ao amo).

*Para uma visão atual, experimente este artigo.
** Originalmente publicado no Saindo da Matrix

O Arquétipo Vamp: Uma Reflexão sobre Cosmovisão Vampyrica

Uma das qualidades mais louváveis do contexto Vamp é a presença de um olhar empírico, da consciência da própria Sede de Espírito e Fome de Alma que muitas vezes arruína a ilusão de se achar perfeito, bom e inteligente demais. Sabe que terá de se alimentar e balancear com aquilo que lhe substancia verdadeiramente. Isso é similar a filosofar através das chamas como propõe Heráclito. Claro, se você tiver aquele calor infernal no seu “Sangue”, algum fundamento e base espiritual mais sólida e enraizada ou que ainda ressoe mais próxima deste arquétipo imanente. Já deu para entender que este “calor” não é algo que se toma ou rouba de terceiros, ninguém pode lhe oferecer ou suprir neste sentido. E se você ainda não sabia disso enquanto Vamp não importa há quanto tempo perambule através do longo e aveludado manto negro D´Ela só posso concluir que ainda é um neófito. Talvez por isso se encontre sempre no mesmo ciclo repetitivo.

De qualquer forma, seja bem vindo ou bem vinda! Não é fácil e não é para todos ser um Vamp, o significado mais romântico do termo é beijo flamígero, você contará nos dedos de uma mão quantas pessoas capazes de um beijo desses você encontrou na sua vida. Entendeu o calor infernal? Outro significado que vem do francês medieval é Avant ou postura de vanguarda. Ambos demandam a virtude da coragem e um conhecimento básico de origens da tragédia grega, pois o que os cristãos revestiram ao nosso redor não faz justiça a potência e vigor do que carregamos. Não somos contrários a nenhuma religião mas o academismo e o secularismo do que foi mixado como vampírico do século XV ao XX e as pessoas que interpretam tudo isso ao pé da letra, aceitando cegamente, refutando fanaticamente ou ainda tentando reproduzir tudo isso nos parecem um tanto quanto perturbadas. Temos mais afinidade e naturalidade com pessoas que entendam o Vamp como um símbolo e seu potencial na arte e no ofício.

Outra coisa bacana é que o arquétipo Vamp também priva qualquer um da síndrome de escolhido ou ainda eleito e autoproclamado salvador do mundo –o u daquele besteirol vergonhoso de nascido índigo, quartzo ou alien – que só esconde mais e mais ressentimento e ainda desculpas para atitudes parasíticas. O Vamp também lhe impedirá de ter um ego muito inflado e de fazer do sagrado e do não-ordinário uma extensão pessoal dos seus recalques, rancores e ressentimentos para punir e colocar sob júri popular como um espetáculo quem não reconhece em você a pomba branca da paz (e sim o chiuaua rabioso que se expressa através de você pessoalmente e nas redes sociais). O “bonzinho” e o legal, é perigoso, neurótico e autômato. Não acumula vitalidade apenas poses e frases de efeito para evadir de sua condição. Já o VAMP ganha mais vitalidade e presença de espírito quando assume suas insuficiências, vícios e compulsões – ou pecados – fica mais humanizado e com maior capacidade para determinar sobre o que lhe determina. Fica mais perto do Eixo Vertical do Ankh que carrega no peito.

Provavelmente se chegou aqui você já estava cansado e cheio dos bonzinhos, inteligentinhos e legaizinhos na cultura solar. Você acha todos eles meio falsos, né? Aliás, visto que segundo a etimologia o próprio termo Vamp foi associado por mais de 1000 anos a pagãos, não merecedores da graça ou salvação segundo o poder secular da cultura solar. Sendo assim este lado feral e selvagem (ou morto para o mundo cotidiano como dizem os ortodoxos russos) felizmente nos impede de nos tornarmos criadores do mundo melhor segundo a gente mesmo – e também da narrativa partidária, dogmática e ideológica. Também nos salva de repetirmos os erros que já rolaram em associações Vamps do exterior (em inglês). Existe algo no atributo Vamp que mantêm uma atitude crítica e relevante aos excessos do progressismo do estilo castelo de areia a beira do mar ou palácio de cartas que o vento tomba tão barulhento e ruidosos como carroças vazias – pois o VAMP sabe e paga o preço da liberdade para manter seus direitos de construir o próprio universo de forma saudável.

Independentemente de qualquer viés cristão o pecador sabe dos seus limites, da sua insuficiência e incompletude e justamente por isso está mais próximo do eixo vertical e do caminho rumo a deidade, uma sacralidade ou teomorphosis. Isto pode lhe parecer estranho, então assista este e vídeo e leia este link. Sabe que caminha no abismo, na escuridão e que seu ego não é nem de perto a totalidade do ser. Segundo a filosofia há um tom moralista no Vamp enquanto questionador e sabedor dos próprios vícios que carrega em si e como muitas vezes sua vontade é humilhada por estas compulsões, hábitos ou rotinas; mas ele ainda faz algo a respeito erigindo a coragem (algo preparado e não meramente impulsivo e reativo) e outras virtudes perenes e silentes. O Vamp sabe que o mundo é um dragão caçando o que lhe substacia e lhe é afim na através da vastidão escura do cosmo, pois descansa e tem parte com tal ser fantástico. O Vamp tem parte com o Abismo e o Vazio pois sabe na prática que deve se esquecer de si para se alimentar e substanciar do que lhe provêm firmeza, vitalidade e atração. É preciso haver correspondência e reflexo espiritual ou essencial. Pois do contrário será apenas mais um espirito faminto tentando lhe tomar sua presença e o que é seu. Não há tempo ou espaço para idealizações e abstracionismos coletivos. Para um autêntico VAMP é muito mais prático estudar a análise de ressentimento proposta por filósofos como Nietzche (e se resguardar de efeitos nocivos da parasitagem) do que sua teoria sobre Ubbermensch (Super Homem) que iludiu e desviou do caminho tantos outros irmãos e irmãs da noite por evidente falta de fundamentação deles. Alguns princípios e virtudes são fundamentais e indispensáveis para se lidar com o que há na floresta negra.

Qualquer sinalizador de virtude, partidário de teoria de gabinete ou ressoador de narrativa partidária, geralmente é alguém que mascara seu ressentimento e rancor com teorias políticas, universistárias e afins só pelo prazer de ouvir a própria voz e ocupar um cargo para outro que pense diferente ou lhe seja altero não o faça. Neste ponto temos o comportamento “passivo-agressivo”, a “criança-flor” ou ainda o parasita psíquico, muito deste conteúdo foi distorcido como vampirismo psíquico por uma ampla gama de autores picaretas e de uma enxurrada de obras literárias questionáveis entre o final da década de noventa e começo da década anterior.

Muito dessa patifaria do “parasita psíquico” foi acrescida numa avalanche de sites vampirescos questionáveis e reescrito na forma de verdades secretas e reveladas de Houses e Ordos que afloraram no começo do século 21. O que já indica uma baita falta de fundamento, de eixo e de sabedoria ou vivência no contexto Vamp de quem agiu dessa maneira. E não adianta bater o pé e ir questionar escondido privando este autor do debate, vocês estão expostos não enquanto pessoas e sim pelo padrão de comportamento que evidencia o óbvio: Vocês não são Caçadores ou Predadores são apenas parasitas de si e entre si. E isso se enquadra no contexto de ressentidos. Na vida como ela é, tal prática também se chama ser o “Dono ou Dona da Verdade” isso leva a ideologia, dogma e metafísica barata – pois não há base ou fundamento vertical apenas socialidade e papo furado. E claro terrítorialismo e belicosidade nos seus atos e você servindo como bateria ou extensão daquilo que invariavelmente levará a presunção e tombos homéricos que já experimentou diversas vezes na vida e parece que sempre se repetem… independente da maldição ou da invocação poderosa que alega realizar contra seus oponentes.

Inexistindo correlação/correspondência espiritual temos mais uma “enrolação” ou ainda um censor psíquico sendo reforçado. Isso não leva a se provar nenhuma imanência ou transcendência apenas a incorporar o próprio ego e se alimentar (ou substanciar a si) de restos alheios. Parasitismo e parasitagem se evidenciam através dos excessos de narcisismo, carência de atenção, escapismo da própria vida e tal, muitas vezes rola uma neurose ou uma esquizofrenia nestes casos e isso seria digno de atenção psicológica ou psiquiátrica. Lembra que eu falei que era melhor prestar mais atenção em análise de ressentimento do que ser um super-homem? Tudo isso pode atrair a atenção de pessoas mais novas e com doses maiores de ressentimento, adolescentes que insistem terem alma de ancião, gente com alma colorida e são mais e melhores do que terceiros, principalmente gente que vê conspiração do mundo contra si o tempo todo. Tudo isso são evidências de ressentimento e isso vai consumir e preencher você impedindo a vinda de algo mais produtivo e pleno, tornando tudo mais maquinal e modorrento.

Ressentimento é parasitismo, intoxica a pessoa e a mantem exatamente na mesma, não importa o traje ou o template que vista, teremos mais um auto-sabotado ou nihilista preguiçoso que só fala que nada dará certo para segurar outros ouvindo suas comiserações. Sorry, assim não há nem espaço para se alcançar um eixo horizontal de postura. Um eixo vertical é ilusão. Só resta a boa e velha enganação. A consequência natural de se instituir uma mecânica dessas é que a “socialidade”, o “clubbing” e a necessidade de converter outros a tal crença acaba por criar uma nova seita. A falta de fundamento é grande aí. Nem guru estrangeiro salva. E o passo seguinte é o comportamento “passivo-agressivo” se expressando e se proclamando vítima de todos que não aceitam sua conduta parasítica e de “criança-flor” – geralmente vem em tons panfletários exageradamente conscientes, nomeando o contexto como “tolos”, “atrasados”, “lunáticos” mas aí quando vemos a produção contextual dos tais, constatamos que não há muita coisa ou relevância para se dar crédito. Eles também sabem isso, justamente por isso que só mordem pelas bordas e ficam histriônicos ou pesarosos em seus celulares ou em casa mesmo choramingando que não existe “cena” nenhuma para eles ao seu redor. Eu digo que não existe palco ou casa noturna porque a atuação dos mesmos é bem tosca. E muita cena e corte com potencial para ir ainda mais longe, desaba com pessoas assim ao redor. Então, meus irmãos e irmãs sejam fortes com as bases e fundamentos do arquétipo vamp, espreitem e cacem junto da imanência e prosperem. Que este calor infernal que lateja em vocês se tornem as chamas de uma estrela em meio a escuridão e cada um assim possa perceber até onde alcança as nuances e os degradês entre a luz e a escuridão cósmica.

Vampyres in Brazil: History and Perspectives from last 15 Years

Expositores e artistas do Bazar Rede Vamp Haloween

There is the literal and those who believe or reject foolishly. But there is a third stage that recognizes the symbolic and the artistic as a means of achieving strange but interrestingly healthier and fuller realities for all of us. I’m inspired by it! I think that our Vamp is inside this third party. This is what inspired me and led me to influence and perform evident prodigies by the Vampyric Comunity in Brazil. It took time, allies, and discovering true love as well as adamantine seeing what was clear on my path to cross the abyss, to leave the ego and to learn to forget oneself in the name of my people and what was necessary for all we. Today 15 years later (almost half of my life add some years) I am grateful to all these people who accompany me on so many fronts. Make the party or the event that you always wanted to go, write what you always wanted to read – have a foundation, fidelity, correct what has been wrong, keep your vows, covenants and promises – that the universe corresponds sending more and more people eager to live , attend and support all of this. Symbols connect, transforms, estabilish bridges and cristalyze dreams. Sucess is our proof as said the hermetics. I know and say all this because im a Vampyre. What you read in this article is a listing of what we have already done or produced today. If it works it is because we have foundation and foundation to raise columns, arches, walls, stained glass, domes and a pinnacle of our magna opera – and lot of gardens before the rainy and dark forest-  accessible to our people and supporters. Visit the links on this article, use google translator and check by yourself.

SOME WORDS ABOUT THIS LIST

In the role of historian and independent academic I watch the rise and decline of people, brands, fantastic universes, societies and groupings linked to the context VAMP since 1993 and to be honest with you dear reader hardly saw anything similar to everything that has been developed in Brazil since 2003. I have already had the pleasure of reading a few mentions and praises of brothers and sisters and their realization that in the United States, London, Paris or Berlin a Vamp society has never gone so far and delimited its symbolic borders with popular culture or government local. This article is intended to only register and display what we have in Halo Antares and Halo Amantkir for historical and informative purposes developed directly under REDE VAMP auspices and associates. We are partners from other creative spirits and in next article we will show this awesome night peoples and his works too.

São Paulo also know as Halo Antares has a long 15 years of story developed and started alone by me. As time passed, others came together (Artists, Djs, Occultists, Dancers, Ballerinas, Ilusionist, Performers, Musicians, Djs, Writers, Cineasts, Phds, Doctors and much more) and this enriched even more what was to come. Came the members of Circulo Strigoi, of Rede Vamp gradually emerged an identity, a spirit and a flavor of its own, vampyrics naturally but with “gãna” and “firmness” typical of a people that welcomes the best of the European, Indian, Latin, Asian and African – as all good spirituality and spirituality who was born in this land of Vera Cruz today called Brazil. After them came the Sahjaza Brazil family under the auspices and inspiration from the Mother of All Rosemary Sahjaza. We have something true and original here on Brazil that descends from the clearest and oldest sources associated with the vampiric archetype be it in spirituality and cosmovision or even in folklore and pop culture.

I think that is important, its important register and tell this history and true facts around our people from our land. 15 Years of History, most of 450 events realized. A periodic printed magazine called REDE VAMP on third edition with more of 2000 editions solded. We have Vampyric Mysteries Art of Contemporary Vampyrism one of the most complete books ever published that studies in history, etymology and comparative mythology the trajectory of the Vampire and that includes in a very broad and researched way everything that formed our social and alternative context in the last 50 years – and with over 12,000 copies already sold in South America and Portugal and now being translated into English.And we have a webradioshow on air since 2006 called VOX VAMPYRICA with lotmore of 350 editions broadcasted on a important local webradio called Antena Zero.If you wanna know a little more aroun recent vampyre comunity history, please check this article

Dear readers, it is enough of bravado and poetry! Here follows a very detailed facts and achievements of the 15 years of the Brazilian Vampyric Community.

 

 

    • Our members offered the first translations to portuguese from articles and texts of Sanguinarium and another Houses or north american and european groups since ends of 2003; remember sites like The MaoZoleuM, Tribos de Gaia e o célebre Vampyrismo.Org and diverses blogs;

 

 

    • We have representants from our Court and Rede Vamp to deal with the City council of São Paulo the most important and biggest city on South America and also with Brazilan federal govern.We have already held several events in the City Hall with the participation of city councilors, important politicians and the local media to discuss issues related to the right of free thought and expression as we live times of persecution by religious fanatics in Brazil; we also discuss issues related to incentive and protection laws for people working with alternative therapies and oraculists in the face of these threats. We also talked about the vast market for fantastic literature and alternative production. Just as on several occasions we have raised issues related to esoteric societies and alternative cultures such as Vampyres and Witches – breaking taboos and showing the side of the professional, home provider and citizen who deserves to have their rights and freedoms guaranteed without prejudice and discrimination. (You can read and watch about this here and here); We also assist the Brazilian direction of World Pagan Pride Day to be held in the City Hall and offer visibility and space for various religious movements and their members including Wiccans, Heathens, Asatrus, Shamans, Druids, Traditional Witchcraft and Afrocaribean Cults. (Article Coming)

 

    • Our state government has already recognized and publicly honored  our alternative cultural, spiritual and artistic work to our Vamp Comunity since 2003, being recognized and awarded by the government of our state in 2017, And the most important by the most of 300 Vamps who lives in our city area and more than 15.000 around Brazil and South America who became part of all this trough our work along these years. (You can read about on my FB page, article coming soon);

 

    • In Our City, Halo or even “Court” called ANTARES since 2004 (inspired on the idea of Royal Court from Goddess Rosemary events organized on other decades) transcending the Vamp boundaries we have representants to legal situations to deal with our city authorities also professional relationship with local media, partneship and representats togheter pagan groups and associations related to occult and discreet societys as FreeMasons, Teosophic Lodges, Thelemic Lodges and much others. Yes we are Halo Antares founded by Lord A on 2004 and this halo appeared and was quoted around O.S.V publishings, Sanguinarium and Sabretooth until 2010 (i tell this history, here);

    • THE STRIGOI ANKH (SAHJAZA ANKH): Since 2006 originally called The Dark Moon Ankh was inspired and influenced by Master D´Drenam original Vampyre Comunity Ankhs from New York. But developed with our fundaments and basis under my visions and dreams and the awesome detailed handmand work from Master Alchemist, my journey´s brother on silver pieces. At end of 2017 The Black Moon Ankh was re-batized as Sahjaza Ankh to international market. Read the complete history here! 
    • We also have a cultural tour called “SÃO PAULO MALDITA – DESVENDANDO HALO ANTARES” that is the result of a field research carried out for almost a decade that presents guests with reports of popular saints, haunts, mysterious crimes, supposed witches’ fires of the ancient inquisition, legends of the Indians and slaves who have survived to this day. The tour is free and the price has always been the donation of dog or cat food that we redirected to organizations that care for abandoned animals. This was inspired by the legendary Temple of Cats created by Goddess Rosemary in NY during the 1990s.
    • Meeting of the Tarot of the Vampires: Made monthly as a free event dedicated to bringing the Tarot art and history as a tool of self-knowledge and its use as spirituality and also in the magical scope to the target audience. Between 2011 and 2015 brought important names of the Brazilian tarot for lectures whose entry was 1kg of dog or cat feed donated to various groups that care for abandoned animals. Initially it was a themed picnic in the big parks of the city and later had as its second-floor seat of the Gothic and Victorian Fake No More Clothing Store, in the so-called Rock Gallery in downtown. The studies were presented based on the beautiful The Vampyre Tarot from Lo Scarabeo Publishing House, designed by David Corsi and created by Barbara Moore (international author and world reference on tarot) who participated in an edition through video conference. Read More at Oficial Site

 

    • Our town and surrounding regions have a rich history of festivals, parties, vampire masked balls and events intended for the Vampyre Community initiated and maintained by Lord A :. are well over 450 events already held in our entire existence! Formally since 2004 (it starts in his Vampire Theater 2004-2008, inspired by Anne Rice’s writes and Tony Sokol’s musical theater in New York, check your Vampyre Almanac 2004 or 2005 edition! (Theres a interview there with me, not a good one… its a bit distorted but…) before that since 1998-1999 there have been some minor events linked to the vamp context more subjectively in homes like Thorns and in the legendary Madame Satan. Actually our principal event and night party is FANGXTASY THE AUTHENTIC VAMPYRIC AND GOTHIC NIGHT  the event occurs every 45 or 60 days and twice a year presents a sensational Venetian and Vampyric Mask Ball. In addition we keep the CARMILLA: A Galla Noctem that had editions in a house that was an abandoned church in São Paulo. There is also the BAZAR REDE VAMP that gathers and joins artisans, artists, importers, creators of period costumes, cosmakers and other creative spirits in an afternoon full of shows, themed presentations. Focused specifically on art and culture, as well as the vast market of young writers and professionals in fantastic literature we keep the soirées Mysteries of Midnight, Fantastic Academy made in the main MegaBookStores of the shopping malls of the city with the support of the great national publishers of the sector and the mythical Garden of Persephone realized on the mist ruins of legendary English Village from old São Paulo Railway.

 

    • CIRCULO STRIGOI: We have a stronghold of spirituality and cosmovision dedicated to Vamps with its own headquarters on VAMP TOWER at São Paulo and SOLO SAGRADO STRIGOI in the mountains of the Mantiqueira mountain range (Halo Amantkir, started in 2012). Under a strong inheritance from SAHJAZA mixed with contents of our own journey Circulo Strigoi founded at 2006 which thrives tirelessly through the celebration of its seasonal rites, rites dedicated to the older members, and also of instruction and support to neophytes, trackers and apprentices. Annually performs a ritual open to the Vampyric Comunity and its supporters dedicated to the ARETE and the virtues of Love, Honor, Character and Star Fire in the Village of the English during the festivities of the Meeting of Witches of Paranapiacaba. The leadership of this discrete society constantly participates in debates and meetings with philosophical circles, discrete societies and great names of esoteric literature, pagan movements and associations linked to religions and alternative spiritualities and Afro-Brazilian religions. Since 2017 we are translanting and offering our books to non portuguese readers (its a 7 bookseries actually releasing his 4th volume). We are proud that our members have conquered their degrees and titles with work and effort in the Strigoi Circle and also in the Brazilian line of the Sahjaza Dynasty and in the international one.

Understand that Vampyre Comunity is a serious subject in São Paulo and in the groups that we have inspired and influenced over the past 15 years in fashionism or spirituality and cosmovision. We do not have time for dramas, egos and people thirsting for titles, medals, ankhs and recognition. We do not waste time with this because we have history, achievements, works and a prosperous symbolic heritage that we are generous to share given their abundance. It’s not something you wear over the weekend to impress or get attention, It is not about posting produced photo, phrases of effect and being the terror of the TINDER or equivalent. It is not a matter of inventing names for existing functions or spiritual symbols, or of customizing in their own way content that has been studied for centuries in hermeticism, occultism, and the liberal arts. It would make someone as empty or shallow as a walnut shell. It is something that you live in daily life in your time, in your measure and personal dimension. Together during this time we have built and developed a culture, fashionist and spiritual context respectful of the identity and praxis of our people and that resonates deeply with a nomadic, hunting, exotic, nocturnal and beautiful tradition.

When you visit our country come to know our Halo, our Court and our meetings and events – surely it will be like a home or a refuge for you, even if very far away.