DOCUMENTO VERDADE: VAMPS na Rede TV

Outubro mês das bruxas e de haloweens sempre atrai o olhar da midia para o nosso trabalho. Neste ano (2017) fomos convidados do programa DOCUMENTO VERDADE da Rede TV e obtivemos um espaço interessante de 10 minutos para falarmos do contexto VAMP, dos eventos,  modo de vida e especificidades que podem ser comentadas na televisão aberta. Ao nosso ver somos artistas e artesãos das mais diferentes expressões, focalizados e dedicados a oferecermos o melhor do que fazemos para os afins e do “Sangue” – que coexistem e compartilham do nosso circuito de eventos e publicações transmidiaticas. Fazemos aquilo que amamos ou apreciamos, que gostariamos de encontrar, frequentar e participar – nem mais e tampouco menos. Somos muitos e isso que oferecer vitalidade e continuídade ao longo destes 15 anos de REDE VAMP e dos quase 20 anos de nosso editor Lord A:. (aliás a história e a trajetória de obras dele está neste outro video.

Sempre vai faltar alguma coisa ou aquele viés ou algo que dissemos mas não entrou no corte final da edição no DOCUMENTO VERDADE, mas no geral o resultado ficou bacana e documentou um pouco destes 15 anos da REDE VAMP e do nosso evento FANGXTASY e isso vale a pena, não exatamente em 2017 mas em 2027 e para os tempos que virão.  Aliás se você acabou vindo parar aqui por conta disso, não deixe de assistir nossos outros videos na VAMPTV e escute os podcasts do VOX VAMPYRICA!

 

Existem sete níveis… Uau!

Nos anos 60, quando os Beatles visitaram os EUA, eles fizeram questão de conhecer seu ídolo Bob Dylan. E, num quarto de hotel, eles se reuniram pra tocar, filosofar e partilhar suas experiências. Além disso, foi com Dylan que eles conheceram, pela primeira vez, a maconha. Seria a primeira vez, seguida de milhares de outras, em que John, Paul, George e Ringo ficariam chapados.

Todo mundo ficou muito doido, e foi nesta noite que Paul McCartney descobriu “o sentido da vida”.

No meio da “viagem”, Paul pede a um roadie pra anotar num pedaço de papel sua descoberta. E aí ele ditou a sua “mensagem para o Universo”. “Guarde-a”, ele diz num sussurro, como se confiasse a alguém um tesouro.

Na manhã seguinte, o roadie dá a Paul a anotação, da qual ele provavelmente já nem lembrava mais. Ela continha uma única frase: “Existem sete níveis“. Uau.

Paul não estava longe da Verdade. Algum véu se rompeu em sua mente e ele pôde acessar (mas não compreender) um dos mistérios que rondam o número sete.

Sete é o número que mais aparece em citações de todas as obras místicas, na magia, no ocultismo em geral, na Bíblia e em todos os livros sagrados. Tudo o que enxergamos ou percebemos como um imenso degradê geralmente acaba subdividido em sete pra facilitar. Sete notas musicais, sete cores do arco-íris, sete dias da semana… Se alguém nos perguntar: “Diga um número de 1 a 10”, o sete será o número preferido. Assim, não é difícil imaginar que o sete apareça sempre que tentamos expandir nossa consciência para além do véu da Maya. Particularmente, acredito que o sete seja um subproduto do 1, da Unidade, assim com o 3. Um, digamos, firewall da Matrix contra curiosos e hackers, pra preservar seu núcleo/essência. Talvez esteja adentrando o terreno cabalístico ou hermético, portanto não vou me alongar no que não entendo de fato. Mas é interessante notar que uma das propriedades interessantes que tem o número sete é ser o resultado da divisão de qualquer inteiro não múltiplo de 7, por 7.

A mitologia Hindu define quatorze mundos (não confundir com planetas) divididos em um par de 7: Sete mundos superiores (céus) e sete inferiores (infernos). A terra é considerada o mais baixo dos sete mundos superiores. Todos esses mundos, a exceção da Terra, são usados como lugares temporários de permanência: se a pessoa morre na Terra, o deus de morte (oficialmente chamado ‘Yama Dharma Raajaa, ou Yama, o senhor de justiça) avalia as ações boas/más (assim como Anubis, deus egípcio) da pessoa em vida e decide se aquela alma vai para o céu e/ou inferno, por quanto tempo, e em que capacidade. A alma adquire um corpo apropriado para o mundo no qual ela vai habitar, e ao término do tempo da alma nesse mundo, volta à Terra (é renascido como uma forma de vida na Terra). Os hindus acreditam que só na Terra, na condição humana, a alma alcance a salvação suprema, livre do ciclo de nascimento e morte, para além dos quatorze mundos.

Fico pensando que talvez resida aí a importância e curiosidade que os alienígenas têm por nós. Será que nós, em nossa condição humana, somos “especiais” por estarmos participando de um grande “provão cósmico”? Será que eles vêm nos monitorar exatamente porque HÁ ESPÍRITOS DE SEUS ANTEPASSADOS entre nós?

Na Teosofia, os Sete princípios do Homem são os veículos que ele possui para manifestar-se nos diversos planos. Em seu conjunto formam a constituição setenária do Homem. Juntando essa teoria da Teosofia, junto com a dos mundos da mitologia hindu (que não são planetas, e sim planos de existência) e com os universos paralelos dos físicos teóricos, e teremos um modelo onde as individualidades como a conhecemos simplesmente não existem. Cada pessoa na terra seria um aspecto de um ser multi-dimensional (multi-universal seria mais correto), cuja consciência vai estar fragmentada entre esses mundos todos (sete? quatorze? não importa). Você já se sonhou levando uma vida extremamente normal em outro mundo? Eu já. Nunca achei uma explicação boa pro fato de eu não estranhar a outra realidade (afinal, se eu, acostumado aqui com a terra, me projetasse pra outro plano/planeta eu ficaria embasbacado o tempo todo, e no entanto eu tomava um trem futurista (com cara de ter sido bastante usado) e acompanhava entediado a paisagem de uma cidade que (ainda) não existe.

Especulo que haja uma comunicação constante (e velada) entre nossos “eus” espalhados por aí, que podem não ser 7, nem 14, e sim infinitos “eus”, que podem abranger a totalidade de toda a vida no universo (e nos outros universos). Como um jogo de espelhos, onde não conseguimos divisar a fonte emissora, apenas o resultado fragmentário. Ou de forma inversa, como a internet P2P, onde os dados provém das mais diversas pessoas, de forma fragmentária, e são reunidos no destino final de quem solicitou a informação completa. Não somos pessoas. Creio que não somos pessoas, e sim “veículos de idéias”. Idéias que se materializaram e acham que são indivíduos.
É a “queda dos anjos”. É o pecado original.

Texto do Acid, do Blog Saindo da Matrix!  Mas que eu acabei lendo no Teoria da Conspiração 😀

 

O QUE VOCÊ NÃO SABE SOBRE A COSMOVISÃO VAMPYRICA (VIDEO)

Afinal não é algo que você desliga ou deixa de ser, como toda arte invisível e ofício sem nome.

Sobre Cosmovisão Vampyrica ela não reconhece ou sequer enxerga o mundo das ideologias, dogmas e pautas morais das massas. Ela funciona sobre aqueles que atrai e principalmente nos que precisam negar o que esta realiza.

Se não existe porque precisa ser negada, nomeada e explicada que inexiste?

Ela é movida por paixões, o que a torna perigosa. Não é democrática nem para todos, tais fetiches públicos não ressoam com sua feitiçaria. Não é a praça de alimentação de um shopping multicultural.

Não é a área de recreação ou parque temático humanista dos civilizados. Diante disso qualquer demanda de representatividade é apenas puro narcisismo. Sua feitiçaria age quando se briga por algo que importe e custe uma ou mais vidas.

Chamar a constituição, a realidade, os clichês furados dogmáticos ou ideológicos, a ciência ou a razão das coisas exatamente como são apenas encobre tal feitiçaria, deixando operar ainda mais livremente fazendo o que é preciso não o esperado e tampouco o que se reza para não acontecer ou aparecer.. É o sono que vem com o sonho, dependendo de como você encara o sonho pode ser uma sentença de vida – a cumprir exatamente o que é preciso.”

O trecho é do próximo #CODEXSTRIGOI o esperado Volume 3 que sai no começo de Dezembro e a imagem da Sweet Nightmare Art – Fotografia! Aliás garanta já o seu exemplar:

Vampiros e Extraterrestres, eles estão por aí

Outro dia durante uma entrevista para a televisão no programa da minha amiga Lucimara Parisi, ela me perguntou sobre uma possível relação entre extraterrestres e vampiros. Achei a pergunta no mínimo mínimo desafiante, pois é um assunto que nunca dei muita atenção ao longo destas duas décadas dedicadas ao contexto VAMP, tanto no fashionismo quanto na espiritualidade. Me vi refletindo sobre isso no dia seguinte e este artigo desenha e delineia um pouco do que penso sobre tal relação “Extraterrestres e Vampiros” no plano simbólico, na cultura pop e toca em algumas fontes associadas a espiritualidade e o ocultismo dispersas na internet brasileira.

VAMOS AO BÁSICO

Veja bem, acredito em vida fora da Terra e em objetos voadores não identificados, mas tenho dificuldades sérias para com a tal da Ufologia e teorias do tipo “Eram Deuses Astronautas”. Neste ponto falo por mim e respeito quem dedica sua vida a buscar contato com tais seres e acredita em tudo isso. Se isso os ajuda de alguma maneira a serem felizes e pessoas melhores é algo muito bom, prefiro pessoas que vivam algo fantástico do que aquelas que partem para o fanatismo ou o radicalismo político ou religioso que contaminam o Brasil. Carl Sagan já postulava que seria um desperdício a vida só existir aqui na Terra e cada vez mais até a própria ciência dá mais e mais crédito a este contexto. Quanto a vida inteligente tenho dúvidas sobre a proliferação em abundância por todo o cosmo ao tomar a maior parte dos terráqueos como exemplo.

Por outro lado, não concebo civilizações extraterrestres que vem de outros mundos até a Europa desenharem “mandalas” complexas nas plantações de trigo e de milho – e quando descem no sul do Brasil produzem “mandalas” com formas tão toscas por lá. Também não entendo porque extraterrestres são acusados de raptarem vacas e humanos para experiências bem estranhas e que em geral remetem a relatos semelhantes aos de abusadores sexuais que não mostram a cara para suas vítimas. Para mim coisas assim são humanos apelando para uma mitologia mais moderna, no caso dos extraterrestres, para obterem sentido ou forças para lidarem com o desconhecido e o descaso do ecossistema e das coisas da vida.

Outro ponto que sempre me vem a mente sobre extraterrestres que viajam pelo espaço vindos de tão longe é quanto a natureza destas viagens. Todas as grandes jornadas e explorações humanas foram desenvolvidas em nome do comércio e obtenção de riquezas. Se projeto isso na possibilidade de habitantes de outros mundos descerem a Terra – duvido que venham até aqui só para promulgarem a vida universal ou trazerem esperança. É natural que haja algum tipo de compensação para fazer a viagem valer a pena. Apesar dos pesares acho as ideias presentes no filme “Destino de Júpiter” perigosamente atraente neste quesito (falo sobre ele, bem aqui).

Mas note não é porque não acredito nessas coisas que vou negar a existência de tudo isso. Penso que seria hipócrita e desleal da minha parte dizer que acredito nisso tudo também.

ONDE COMEÇAMOS? QUAL A MELHOR POSSIBILIDADE PARA EXTRATERRESTRES E VAMPIROS?

A única possibilidade que antevejo nestes casos é que ambos (Vampiros e Extraterrestres – e outros seres fantásticos) representam símbolos de acesso ao limiar ou ainda do que chamamos de o “Outro Lado”. Particularmente artistas e pessoas sensíveis são as antenas da espécie humana e os mais aptos para sintonizarem estas delicadas frequências e transmutarem em resultados a natureza destes encontros incomuns. Lembrem que ao longo da minha obra pensar pré moderno e romantismo são temas bem sérios e que passam longe do senso comum, o imaginário expresso nos sonhos ou em nossos pensamentos é uma força poderosa sobre a realidade que compartilhamos.

Nestes casos enquanto símbolos (Extraterrestres, vampiros e outros seres fantásticos) nos conectam e nos permitem falar (ou atuar) sobre alteridade, o outro e oferecermos vislumbres de paradigmas e perspectivas dos cantos mais distantes de nosso imaginário. O que é algo muito bom, na Kabbalah Hermética há até uma Sefiróte chamada Hochmah (falamos dela no Codex Strigoi, Volume 3) para representar este limiar distante. Ali temos os mundos de ficção, o céu, a ilha dos eleitos, a montanha sagrada, o paraíso, utopias e distopias que concebemos em momentos criativos, o tal do como gostaríamos de ser quando crescermos e aquele pequeno recanto de entulho de tudo que é nosso mas insistimos que sempre está nos outros. Acredito que até aqui conseguimos manter um ponto no mínimo razoável e acessível para todos na melhor das hipóteses.

Enquanto Vamp e alguém que trilha esta via há 2 décadas estas são as minhas melhores apostas sobre a idílica associação entre o vampiro, a bruxa, as fadas e os extraterrestres. Símbolos do limiar ou ainda do “Outro Lado” que traduzem nossas aspirações e soluções para os dilemas mais remotos e distantes. Acho muito simplório e pouco sofisticado colocarmos a construção de pirâmides e obras ciclópicas da antiguidade na conta de extraterrestes e seus veículos fantásticos. Acredito que dentre seus parcos recursos nossos ancestrais humanos tinham sim condições práticas e recursos ainda que rudimentares para tais elaborações. Também havia muito tempo disponível e os registros da passagem do tempo ainda hoje são duvidosos. E tudo que eles desenvolveram acaba sendo a base e o alicerce do que temos hoje. Então é algo importante e indispensável em todos os sentidos, independentemente de como foi alcançado.

Agora se você me perguntar sobre influências e inspirações vindas de inteligências não-humanas para tais obras se passando por deidades clássicas humanas, aí eu acho muito mais interessante. Até mesmo ocultistas de renome como Aleister Crowley e Kenneth Grant tiveram experiências neste sentido, muito bem descritas nas obras Renascer da Magia e O Deus Oculto, disponíveis em nossa loja eletrônica. Basicamente toda a história da magia e da espiritualidade humana toca neste contexto – na forma de anjos, deuses e muitos outros aliados e inimigos. Mas dizer que são todos extraterrestres em naves reluzentes que foram interpretados dessa maneira pelos humanos mais primitivos é jogo duro. Quando ainda se apela para confederações interplanetárias e coisas assim como Ashtar Sheridan, novamente penso que isto é delegar o assunto para uma grande simplificação ou generalização. Eu prefiro ficar com minha ideia inicial deste artigo – símbolos que nos oferecem um acesso aos nossos aspectos pessoais mais transcendentes. Acho mais belo, bom e justo ficar por aqui. Se quiser se aventurar adiante disso não sou eu quem vou lhe deter ou censurar, mas o faça com seus próprios recursos.

NA CULTURA POP

O campo mais profícuo para vampiros e alienígenas como equivalentes acaba sendo a ficção e a cultura pop. Filmes como “Invasores de Corpos” (originalmente traduzido como Vampiros de Almas nos anos oitenta) ou ainda “Força Sinistra” (que utiliza os corpos de luz dos antagonistas como referências clássicas ao xamanismo afro caribenho, decorremos sobre isso aqui também) são verdadeiros clássicos do contexto. Já ví gente que compara os destroieres espaciais de Star Wars a caixões e os caça Tie Fighters a pequenos morcegos devido a participação dos atores Peter Cushing e Cristopher Lee. Há vampiros alienígenas até no seriado Buck Rogers no século 25, outra pérola oitentista. Nos quadrinhos da Marvel até o próprio Drácula já foi para o espaço duelar com o Surfista Prateado. Acho extremamente válidas e divertidas estas jornadas ficcionais que estabelecem encontros tão improváveis.

Na ficção temos a história “The Flowering of the Strange Orchid” do célebre H.G. Wells onde um alienígena se apossa de um ser humano para viver de sua energia vital. Outro exemplo é o alien do conto “Asylum” publicado na década de 40 por A.E. Vogt. Outras obras expressivas foram “Vampiros do Espaço” de Colin Wilson, “Eu Sou a Lenda” de Richard Matheson. Filmes como “The Blood Stone” de Tanith Lee, “Dracula Unbound” de Brian Aldiss e “McLennon´s Syndrome de Robert Frezza traduzem encontros imaginários entre vampiros e aliens na cultura pop. A obra mais recente acabou sendo “The Freaks of Nature” um grande pastiche sanguinolento de vampiros, zumbís e humanos contra uma invasão extraterrestre.

ENQUANTO ISSO NA VIDA COMO ELA É

Na vida como ela é tivemos o famoso caso do “Chupacabras” na América do Sul que foi comparado a um extraterrestre vampiresco e tocou o terror na população de Varginha em Minas Gerais. Rapidamente o apetite sanguinário atribuído ao tal ser o associou a um vampiro, para a turma do vampiro tem que existir de forma denotativa e exatamente ao pé da letra foi um prato cheio para afirmarem que era idêntico aos casos dos farsescos vampirólogos católicos de outros séculos. Teve até ocultista brasileiro que aproveitou a deixa para incluir isso em livro e vender mais exemplares de sua obra. Sem críticas a isso. Na internet a versão moderna da cultura de almanaque tivemos casos similares. A reação da turma do não existe nada disso e é tudo loucura de gente mal informada foi igualmente dantesca e o caso ficou para os ressentidos de sempre culparem as pessoas por sua descrença.

Há ainda uma raça alienígena que segundo os ufólogos foram os causadores das histerias vampirescas do século XVII na Áustria e seus arredores seu nome é Hav-Hannuae-Kondras e os tais foram os inspiradores das lendas de vampiros nos Balcãs. Há pouco tempo apareceu na internet um livro russo (tudo vem sempre de lá) que em suas páginas nos fala de uma raça alienígena consumidora de sangue e que teria sido a origem do folclore vampiresco com foco na Romênia por volta do ano 941 D.C e que sua última aparição se deu na Escócia em meados de 2006. Os tais vem dos Sextans, uma galáxia anã que só foi descoberta nos anos 90 por Mike Irwin, M.T. Bridgeland, P.S. Bunclark e R.G. McMahon sendo a oitava galáxia satélite da Via Láctea, e é chamada assim dignamente, pois está localizada na constelação de Sextans. Note que o tal livro secreto russo que apareceu há uns 2 ou 3 anos na internet alegadamente tem mais de cinquenta anos (farejo um tom farsesco no ar? Os russos já sabiam até de Galáxias que nem tinham sido descobertas ou nomeadas quando o tal foi publicado?)

Segundo o tal livro russo visitaram a Terra pela primeira vez no ano de 934 aC na região que agora pertence à Roménia. Muitas vezes eles raptam e matam seres humanos, para beberem o sangue humano e animal. Eles são responsáveis pelo mito dos vampiros segundo o livro dos russos e vários governos estão conscientes de suas ações, e alguns apoiá-los. Outra peculiaridade deles é não devolverem os corpos das vítimas. Fico imaginando suas asas murciélagas e o terror que teriam causado naqueles tempos. Tudo isso me parece bastante desafiante em diversos sentidos, bons exemplos de criatividade humana contemporânea projetadas no passado. Para não dizermos um agradável exercício de terrorismo poético para fazer as pessoas saírem da sua zona de conforto e por instantes crerem em um realismo mágico.

No campo da espiritualidade e do ocultismo dos anos 70 tivemos o charlatanesco Jean Paul Bourre (se mapearmos todo sensacionalismo e as grotescas falhas históricas de suas obras sobre o gênero vampiresco teríamos um artigo bem extenso a parte, não admira a Vampirologia ser uma piada de mau gosto por aqui, assista o video). Redator chefe da revista francesa “L´Autre Monde” publicou em 3 dos seus livros (no Brasil só foram traduzidos “O Culto do Vampiro” e também “O Vampiro”) seu encontro com uma seita vampiresca vindo do espaço (considerando casos como o de Jim Jones e outros fanáticos daquele tempo, não surpreende o lugar comum dos relatos de Jean). Sus cultistas os chamam de “Megamicres” tais aliens se parecem com a gente mas são carecas, hipnóticos e sedutores, os dentões para morder a vítima só aparece quando abrem a boca e emitem um silvo pavoroso, capaz de fazer seu alvo sangrar copiosamente. A esposa de um dos cultistas foi vítima e assim sangrou pela boca, orelhas e nariz em uma tigela para alimentar o faminto alienígena. Em seguida este retribuía oferecendo um leitinho energético e alucinógeno que vinha do seu mamilo as vítimas. Além disso as obras ainda falam de uma Ordem dedicada a combater tais seres e o uso da pedra de Helíotropo como aparente forma de medicina preventiva a tudo isso. Deixando de lado todo o tom excessivamente falacioso, sensacionalista o único grau de acerto do autor é que o segredo da imortalidade e dos vampiros é o combate a fadiga, o esgotamento e o coma que representa a morte. Mas até aí as fontes para tal conclusão já nos anos setenta estavam em domínio público e facilmente acessíveis.

Para uma visão mais geral dos anos setenta e o vampirismo eu sugiro uma olhadela na seção correspondente do meu livro MISTÉRIOS VAMPYRICOS A ARTE DO VAMPYRISMO CONTEMPORÂNEO (Madras Editora, 2014) disponível para venda em nossa loja.

Na minha vida espiritual já tive pelo menos duas situações na década anterior bastante delicadas que ufólogos iriam adorar situar ou contextualizar como algum tipo de contato com inteligências não-humanas ou ainda extraterrestres. Mas dentro do meu escopo e do que ficou das tais situações elas eram similares ao que encontrei em exercícios de invocação e diálogos com planos sublimes. Talvez se eu fosse um ufólogo eu interpretaria o quadro através do paradigma deles, mas a minha formação no ocultismo e no paganismo me oferece outra perspectiva e paradigma. Também me permitiu sair impune nos dois casos pois era detentor das investiduras necessárias para lidar com habilidade diante daqueles quadros. Como não perdi a consciência ou tive sequelas mentais ou alguma patologia de ambos os encontros, fico mais tranquilo e confiante no que desenvolvo. Mas falar disso é um tema mais reservado para certas palestras e audiências mais seletas e restritas.

VOX VAMPYRICA#308 SOB OS ARCOS GÓTICOS

Vox Vampyrica #308 “Arcos Góticos: A História que não querem que você saiba!” apresentação Lord A:. & Xendra Sahjaza com DJset de Flavio Fernandes, Dj residente do extinto Armagedon só na www.antenazero.com edições inéditas toda segunda-feira a meia noite!

Há mais de uma década no ar e com 300 edições já realizadas a Vox Vampyrica é o seu programa de webradio dedicado ao contexto Vamp, Darkwave, DarkElectro, PostPunk e vertentes no Brasil, América do Sul e Portugal. Iniciado como um podcast caseiro em 2006 por Lord A : . acabou se tornando um programa semanal em 2010.Desde 2014 Srta Xendra Sahjaza se tornou apresentadora do programa e em 2016 acolhemos em nossa equipe o jornalista Sérgio Pacca e nossa amiga Leylane Frauches como criadores dos textos de abertura e o DJ residente Flávio Chiclé responsável por diversos djsets desde então!

VOX VAMPYRICA #307 Arcos Góticos A história que não querem que você saiba (Parte1)

Vox Vampyrica #307 “Arcos Góticos: A História que não querem que você saiba!” apresentação Lord A:. & Xendra Sahjaza com DJset de Flavio Fernandes, Dj residente do extinto Armagedon só na www.antenazero.com edições inéditas toda segunda-feira a meia noite!

Há mais de uma década no ar e com 300 edições já realizadas a Vox Vampyrica é o seu programa de webradio dedicado ao contexto Vamp, Darkwave, DarkElectro, PostPunk e vertentes no Brasil, América do Sul e Portugal. Iniciado como um podcast caseiro em 2006 por Lord A : . acabou se tornando um programa semanal em 2010.Desde 2014 Srta Xendra Sahjaza se tornou apresentadora do programa e em 2016 acolhemos em nossa equipe o jornalista Sérgio Pacca e nossa amiga Leylane Frauches como criadores dos textos de abertura e o DJ residente Flávio Chiclé responsável por diversos djsets desde então!

VOX VAMPYRICA #306 Abáris e Zalmoxys

Vox Vampyrica #306 “Arcos Góticos: Abaris e Zalmoxys” apresentação Lord A:. & Xendra Sahjaza com DJset de Flavio Fernandes, Dj residente do extinto Armagedon só na www.antenazero.com edições inéditas toda segunda-feira a meia noite!

Há mais de uma década no ar e com 300 edições já realizadas a Vox Vampyrica é o seu programa de webradio dedicado ao contexto Vamp, Darkwave, DarkElectro, PostPunk e vertentes no Brasil, América do Sul e Portugal. Iniciado como um podcast caseiro em 2006 por Lord A : . acabou se tornando um programa semanal em 2010.Desde 2014 Srta Xendra Sahjaza se tornou apresentadora do programa e em 2016 acolhemos em nossa equipe o jornalista Sérgio Pacca e nossa amiga Leylane Frauches como criadores dos textos de abertura e o DJ residente Flávio Chiclé responsável por diversos djsets desde então!

Precisamos falar sobre Vamps

Existem aqueles que acreditam em vampiros ao pé da letra e aqueles que negam sua existência denotativa. Pessoas que passam suas vidas provando e outras renegando pois reduzirem todo o assunto em termos de verdadeiro e de falso. Acham que apenas exista aquilo que for denotativo e exatamente ao pé da letra, tais exemplos beiram o patológico pois restringem o contexto a exibições públicas de evidente estupidez. Tanto no lado da turma que acredita existir a qualquer custo quanto no lado da turma que defende não existir nada disso.

Ambos os casos são exemplares de óbvia cegueira mental e seus embates apenas mantem o contexto dividido e se confrontando a troco de nada. Uns juram que só existe de verdade o que viram no cinema, nos livros, nos games e na produção cultural. E outros renegam e repudiam tudo isso.

Nenhum destes dois casos está correto.

O vampiro existe em uma terceira via que é a “Arte”, o simbólico e o metafórico. Pode ser abordado sob diversos olhares e expressões. Acaba sendo uma afirmação de que é o totem e o tabu do mundo ocidental. Nem morto, nem vivo e um paradoxo por onde passa.

Sim existem pessoas que apresentam como Vamps em suas vidas, de alguma maneira o símbolo é o que melhor traduz ou lhes permitem interpretar algo em suas naturezas e o transformar em uma força produtiva, útil e prática no seu cotidiano. Para alguns é uma escolha filosófica ou fashionista e para outros uma complexa espiritualidade ou cosmovisão.

Este contexto Vamp se desenvolve pontualmente ao redor do mundo há quase 50 anos e encontra paralelos e convergências com diversos movimentos pagãos, contraculturas, subculturas e outras coisas. No livro MISTÉRIOS VAMPYRICOS, Lord A apresenta uma elaborada linha do tempo sobre o desenvolvimento deste contexto.

Os Vampyros Contemporâneos podem apreciar trajes de época, roupas escuras, de couro ou ainda vinil; bem como longas capas acetinadas ou aveludadas e ainda jóias em prata e presas alongadas como seus pares no imaginário e na produção cultural. Podem curtir e apreciarem uma estética musical mais sombria – porém nem sempre andam dessa maneira no cotidiano e você só poderá descobrir um deles quando for tarde demais…

Segundo estes Vamps é o charme, a densidade emocional, a reflexão, a sensualidade e um olhar mais grave e espiritualizado da realidade ao seu redor. O Romantismo como desafio e oposição ao racionalismo e uma vida industrial, mecânica e de relações superficiais. Uma sede de viver e de se expressar com seus próprios recursos e viver juntos de pessoas afins e de sonhos convergentes harmonizam com os Vamps de hoje e acabam sendo os pontos de agregamento do contexto. Seres de uma moral peculiar, espírito igneo e apreciadores de uma simbologia distinta.

Esta terceira via expressa algo bem mais amplo e vasto do que prega a turma que acredita cegamente na existência de vampiros como viram no cinema e seriados ou ainda da turma que repudia tudo isso como algo que só existe na ficção ou ainda no folclore.

O Livro de São Cipriano e Lord A:.

Publiquei este artigo originalmente no meu blog pessoal e ele foi um dos mais lidos por lá em 2013. Inspirou uma pauta no programa “Enigmas” da Katia D Gaia e da Cris DPaschoal e me aproximou de muitas pessoas incríveis. Uma delas é o ocultista e autor brasileiro Humberto Maggi, sua obra Thesaurus Magicus II (disponivel aqui) reúne os três textos do século IV que deram origem à tradição mágica associada ao nome de São Cipriano (Conversão, Confissão e Martírio), os quatro mais importantes grimórios ibéricos do século XIX (os portugueses que deram origem às versões brasileiras e os espanhóis contendo as instruções de magia cerimonial) e vários outros textos mágicos associados com o Santo Feiticeiro. A introdução histórica tem uma descrição ampla e detalhada das origens e do desenvolvimento da tradição do século IV ao XIX. A edição é enriquecida com um Prefácio de Nicholaj De Mattos Frisvold (já entrevistado no VOX VAMPYRICA e também autor do livro “A Arte dos Indomados” disponível em nossa loja) e a Apresentação de Felix Castro Vicente.Então deixo aqui como leitura sugerida e recomendada!

É apenas um livro. Podemos dizer se ele é bem ou mau escrito, podemos fazer atribuições sobre o direcionamento de seu conteúdo encontrar ressonância mais com um tipo de público do que com outro; ainda assim continua sendo apenas um livro. Será que descansa uma maldição ou um “tabu” apavorante em suas páginas? Dizem há muito tempo que a sua posse é perigosa, que ele deveria ser queimado depois de lído (e até que o .PDF deveria ser deletado neste caso). Dizem que suas orações, esconjuros e ensinamentos de cartomancia provocam transformações antes inacessíveis aos seus leitores. Mas enfim, ele é apenas um livro quem decide ou escolhe o que fazer através dele – bem como a quem ele poderia escolher chegar de alguma forma – que é o responsável pelo que escolher deixar acontecer.

Este aqui é um dos modelos do Necronomicon usado no filme do Sam Raimi, vulgo Evil Dead 😉

Depois de escrever um parágrafo desses, tenho certeza que leitores e leitoras com mais de trinta anos já estavam se recordando da célebre abertura do filme “Evil Dead 2:Dead by Dawn” (aqui no Brasil ficou A Morte do Demônio ou Uma Noite Alucinante) de Sam Raimi – cujo um infame remake chegou recentemente aos cinemas (e que sem o ator Bruce Campbell perdeu metade da graça e os possuídos que parecem figurantes saídos do filme Residente Evil contribuíram para a desgraça).Mas a idéia ou a busca de um livro ou grimório de grande poder que permita o acesso e o contato com aqueles que não-respiram ou o outro lado é algo que permanece em muitas pessoas. Há diversos motivos e razões para pessoas buscarem um artefato que lhes conceda algum poder sobre suas vidas e de terceiros.

Como o tal do “Necronomicon” do filme Evil Dead é um tanto quanto inacessível e por razões óbvias. Poderíamos pensar então em um outro livro de poder assim como aquele outro livro do Doutor John Dee em linguagem Enochiana (que ocultistas modernos dizem que o Necronomicon foi inspirado nele), porém ainda assim serial algo distante e de rara compreensão. Simplificando, poderíamos recorrer ao Necronomicon do ocultista Donald Tyson publicado no Brasil pela Madras (mas tal obra é apenas uma extensão imaginativa ricamente criada sobre o universo ficcional de H.P.Lovecraft).Poderíamos tentar então achar alguma inspiração nas ricas ilustrações do artista plástico suíço que desenhou um livro de artes homônimo “Necronomicon”.Só que o tal do “Necronomicon” no final das contas foi uma criação do contista de almanaques ficcionais norte-americano Howard Philips Lovecraft.Claro que o ocultista e magista britânico Kenneth Grant apresenta boas evidências e convergências entre os encontros oníricos de Lovecraft com seus seres inefáveis e ctônicos – que seriam as mesmas deidades encontradas pelo magista Aleister Crowley.A diferença é que o primeiro julgava seus encontros aterradores sonhos e os analisava sobre um filtro moral – já o segundo…

Existem muitos grimórios e livros que detêm grande poder em seus conteúdos informativos. Entre eles temos alguns como o Le Dracon Rouge, o Legemeton, aquele do Papa Honório e muitos outros. Em geral foram traduzidos do latim para o inglês ou mesmo o francês e foram inacessíveis as pessoas que não dominassem tais idiomas por muito tempo. Sem mencionarmos os preços elevados que sempre envolveram a importação de livros estrangeiros no passado. Graças aos arquivos .PDF a apreciação de tais obras tornou-se mais acessível aos estudantes diligentes. Alguns destes grimórios citados e muitos outros tiveram boas traduções para o português realizadas pelo casal Francisco e Giselle Marengo da E.I.E Camimhos da Tradição.

Aqui no Brasil, Portugal e países da América Latina o mais conhecido dos grimórios é o “Livro de São Cipriano” – o poder atribuído pelas pessoas ao tal livro é realmente impressionante e algo duradouro que as vezes atravessa gerações de muitas famílias. Algumas de suas edições passam das mãos de avós para netos, bisnetos e afins dentro de uma família – e de algumas comunidades religiosas variadas. Sendo algo bastante tradicional e com o toque delicado de relíquia familiar, páginas dobradas, ervas e flores secas no meio, anotações a lápis dos mais antigos e dos proprietários posteriores. E assim há uma beleza e um poder único em tais artefatos. Nos dias de hoje existem algumas milhares de versões desta obra que em geral tem um núcleo de conteúdo mais ou menos fixo e muitos outros que são anexados com graus variantes de pertencimento e afinidade de acordo cada capa ou versão. Em geral sempre acabamos vendo nestas publicações a presença da oração da cabra preta, oração do anjo Custódio, oração para enfermos na hora da morte; o Magnificat; a cruz de São Bento; pacto com o demônio; demandas para desmanchar relacionamentos e afins. Só que geralmente existem versões e versões destes e tantos outros conteúdos em cada edição. Nos tempos de hoje existem até versões politicamente corretas que suprimem partes dos feitiços para não chocarem os paladares mais delicados dos leitores e leitoras – observação aliás realizada por minha amiga Shirlei Massapust. Todas as edições lançadas no Brasil afirmam ser o verdadeiro livro de São Cipriano. Mas e aí? Qual delas que será?

A resposta é tão subjetiva e misteriosa como o perfume de flores a meia-noite no jardim. Se houvesse um livro verdadeiro – e os relatos afirmam que existiu – o próprio autor, o São Cipriano de Cartago queimou a maior parte do livro pouco antes de se converter ao cristianismo. E se algum conteúdo chegou aos dias de hoje, dizem que foi por conta de que alguém o traduziu o que sobrou do hebraico. Mesmo assim, quem conta um conto aumenta alguns pontos e com o passar do tempo e do surgimento de versões muitos relatos, situações e personagens anteriores e posteriores a época que viveu Cipriano foram reunidos a narrativa – sem um direcionamento ou propósito que possa ser percebido pelo senso-comum. Mesmo o tom das versões expressam diferenças perceptíveis, algumas edições são mais brandas e outras mais severas.

A tônica dominante permanece como a vitória do Bem sobre o Mal; de que os artifícios e os sortilégios diabólicos, não exercem poder sobre os fiéis servos de Cristo. E tais publicações do livro de São Cipriano acabam se tornando um almanaque ocultista de cultura e de sabedoria popular – o que não depõem contra a integridade de seu conteúdo e no fornecimento de informação, inspiração e resposta para aqueles que buscam por seu conteúdo. Quem procura os conteúdos do livro com intenções de praticar a crueldade sobre outras pessoas – já era cruel antes e usaria até mesmo a Bíblia ou qualquer outro livro sagrado para atingir seus intentos. Quem procura o livro para cura, inspiração e respostas também será agraciado por suas páginas. Não podemos nos esquecer que a crença brasileira na “Urucubaca” e sua evolução a “Urucubaca braba”, bem como no olho-gordo, mau-olhado e afins integra nosso folclore regional e que o Livro de São Cipriano é o almanaque popular (cristão) mais acessível para tecer imagens de como em cada época as pessoas encontraram soluções e registraram seus costumes na lída com tantos artifícios da condição humana. Ele é uma ferramenta ou arma, quem o empunha direciona e paga pelas consequências.

Como mencionei há evidentes falhas históricas nas edições do Livro de São Cipriano. Havendo personagens e situações que existiram muito tempo antes ou ainda muito tempo depois da vida e da autoria da obra. E mesmo quando temos alguém com um nome famoso, podemos ver as vidas e obras de pessoas com o mesmo nome serem assimiladas e atribuídas a pessoa mais famosa ou reconhecida – algumas vezes isso acontece acidentalmente e outras propositalmente (como para fugir de uma perseguição religiosa ou da própria inquisição). A respeito desta possibilidade a pesquisadora Shirlei Massapust (após a publicação deste artigo) apontou que houve um Cipriano de Valera (que viveu entre 1532 e 1602) um religioso e humanista, que conviveu e foi discípulo de João Calvino ou seja esteve ligado ao protestantismo – o que era algo turbulento, pois a inquisição estava bem ativa naquele momento e não apreciava protestantes. Outra coisa que a inquisição não suportava além de críticas, eram heresias ou praticantes de magia. E quando queriam condenar alguém, não hesitavam em interpretarem as obras e os atos do acusado sob seu olhar intolerante.E Cipriano de Valera teve que encarar a perseguição inquisitorial, embora tenha conseguido escapar. Agora, fica a questão se ele era ou não um magista e se uma de suas obras chamada “Tratado para confirmar los pobres cautivos de Berbería en la católica y antigua fe y religión cristiana, y para consolar, con la palabra de Dios, en las aflicciones que padecen por el Evangelio de Jesucristo” era ou não a base ou núcleo original do Livro de São Cipriano que temos nos dias de hoje.Tal pesquisa se encontra em andamento e quando Shirlei a tiver disponibilizado, ofereceremos o link para nossos leitores e leitoras aqui!

Haverá leitores e leitoras que argumentarão negativamente sobre o fato da obra conter instruções para pactos demoníacos, orações e rezas não tão edificantes quanto se espera e ritos nefastos a sua sensibilidade. Só que existem tantas pessoas que afirmam rezar para o bem e a saúde e são as primeiras a se esquecem ou deixam de lado a medicina e a responsabilidade por cuidarem de sí. Temos os casos das pessoas que passam a ignorar e refutarem laudos médicos porque seus pastores ou líderes espirituais os proíbem, dizendo que apenas sua oração pode curar cada um deles.E quando alguém reza e acende vela para ter um emprego novo ou melhores chances em uma entrevista, o que vem a colocar os outros candidatos em desvantagem espiritual. Roteiristas de quadrinhos e de filmes costumam dizer que os melhores vilões – desconhecem que são vilões. E o livro de São Cipriano goza de uma reputação fídeligna em muitas obras de terror – bem como nos “causos” contados por nossos avós e também nas colunas policiais quando tem crimes associados a magia negra e ocultismo. Por ser algo tão próximo e tradicional do popular e do imaginário cristão a obra é reverenciada e encontra grande ressonância – temida e adorada. Eu mesmo tive a oportunidade de constatar a potência de sua mítica há alguns anos atrás:

“(…) estava indo de trem para apresentar uma palestra sobre mitologia comparativa na região do Grande ABC junto a alguns colegas conferencistas e integrantes do meu curso. O vagão estava lotado e todas as pessoas se exprimiam. Um colega brincou comigo e disse para eu fazer algum feitiço ou usar meus dons para mudar a situação.Com minha peculiar espirituosídade, coloquei a mão na mochila e peguei uma agenda de capa dura preta e falei em tom alto: Olha o livro de São Cipriano, o bruxo que virou santo…baratinho…leve o seu agora mesmo…talvez por conta de meus trajes e da inusitada performance (naqueles trens é muito comum a presença de vendedores) as pessoas entraram em pânico e mais da metade do vagão desceu na estação seguinte – quem ficou, ficou amedrontado e ressabiado…e eu e meus colegas fizemos o restante da viagem tranquilamente.(…)”

Posso dizer que meu interesse em escrever um artigo sobre o Livro de São Cipriano se iniciou formalmente naquele momento. Percebí que a menção ao livro era um tabu, algo de poder insondável no imaginário daquelas pessoas – sua ligação com o senso comunitário, cultural, potência para atender expectativas e ansiedades e oferecer uma via das pessoas participarem do grande drama cósmico – era uma evidência irrefutável. Realizar as proezas alí descritas ou mesmo ser vítima ou alvo delas, evidenciava uma ameaça real e imediata – era para cada um deles como estar junto aos guias e toda a mítica da cultura popular cristã. A ameaça da presença de tal livro era como tocar ou vislumbrar um tabu. Fosse pelos anos e a cultura de sugestionamento maligno atribuído a elas sobre o livro – que continuava apenas sendo um livro. Os mesmos surtos a respeito desta obra podem ser observados em fóruns e Yahoo Answers da internet. A palavra preconceito e o ato do livro ser tomado de forma depreciativa e alvo de críticas pesadas por integrantes de denominações evangélica mais radicais e outros agrupamentos crísticos radicais – é uma evidência relevante também. Fica difícil para mim não observar como o tal do “pensamento mágico” de Bergiers ainda se mostra claramente presente nos dias de hoje, bem como as pessoas sempre precisam de agentes externos (demônios) ao invés de assumirem seus fados e o próprio Destino – sustentando como vem a serem…

Mas afinal quem foi São Cipriano de Cartago? Sabemos historicamente que depois de se converter ao cristianismo foi um grande doutor da moral cristã, um Bispo responsável que organizou a igreja na África, criou o latim cristão e foi um expressivo orador daqueles tempos. Morreu torturado e flagelado junto a uma moça chamada Justina, sob ordens do imperador romano Diocleciano. Mas antes de tudo isso ele foi um homem que viajou por incontáveis terras do mundo antigo e profundo conhecedor dos antigos deuses e sua magia e feitiçaria, gozava de grande reputação e até diziam que aprendeu magia negra com a legendária Bruxa de Évora. Durante suas buscas e viagens escreveu um poderoso grimório e um dia teve seus serviços contratados por um rapaz que se apaixonou por uma moça chamada Justine. Ela havia se convertido ao cristianismo e consagrado sua virgindade e pureza a Deus – o rapaz queria casar com ela, os pais haviam concordado mas ela não queria o rapaz e queria honrar seus votos. Já que Cipriano era um grande feiticeiro, ele poderia tombar a vontade dela e fazê-la se entregar ao tal rapaz através da magia. Só que cada pó mágico, feitiço, invocação, assédio demoníaco que Cipriano tentou sobre ela veio a falhar miseravelmente. Desconcertado e descrente de seus patronos, contam que ele incinerou a maior parte do seu grimório e se livrou do tal e depois ele escolheu se aliar ao deus que mostrava-se mais poderoso. Ele morreu como mártir e foi canonizado como um santo – alguém mais próximo do bom-deus cristão.O que merece respeito e a devida solenidade. Até hoje pessoas rezam por sua guia, buscam por seu patronato espiritual em cultos católicos e também nas religiões afro-caribenhas que fazem uso de algo grau de sincretismo. E sob um olhar “não-ordinário” tais afirmações tem grande valor para cada um que encontra na jornada dele pertencimento, proteção e sentido.

Como já disse antes a lenda conta que alguém achou o que sobrou do grimório, traduziu, acrescentou e publicou. Não é difícil de se cogitar que tal história e tal livro fosse uma estratégia cristã de desmoralizar antigas religiões e seus cultos. Enfim, o livro resiste, se adapta e permanece até os dias de hoje. Recentemente soube através da amiga Cathia Gaia e de algumas pesquisas junto com colegas que trabalham na área de marketing de editoras esotéricas – que o livro de São Cipriano é uma das obras mais vendidas do gênero de todos os tempos, sempre sendo revisado, editado e re-editado. Durante todos estes anos ví muitos exemplares nacionais e estrangeiros deste livro – e aprendí a admirar e respeitar sua importância e relevância na crença e espiritualidade de tantas gerações – bem como de seu papel no imaginário e nas artes. Neste ponto ficaria difícil não mencionar a influência e as idéias surgidas com a leitura da obra “Exu Quimbanda of Night and Fire” da Scarlet Imprint e diálogos com seu autor Nicholaj deMattos Frisvold e sua esposa Katy deMattos Frisvold – uma obra que em breve apresentarei uma resenha por aqui.

Solenemente me escuso aqui por eu ter sído tão imaturo por conta da minha experiência pessoal que relatei aqui sobre o ocorrido naquele trem – mencinando o livro de São Cipriano. Não pratico os conteúdos do livro de São Cipriano apenas por uma questão de gosto e de trilha pessoal, da minha parte quando o assunto são grimórios eu prefiro escritos de Ficcino, o famoso Le Dracon Rouge e tantos outros aqui mencionados. Ainda assim espero ter oferecido um artigo que apresente o Livro de São Cipriano com dignidade e que instigue curiosidade e explorações através de um olhar mais maduro e distante do senso-comum de cada leitor ou leitor sobre seus conteúdos! Até a Próxima!