O Livro de São Cipriano e Lord A:.

Publiquei este artigo originalmente no meu blog pessoal e ele foi um dos mais lidos por lá em 2013. Inspirou uma pauta no programa “Enigmas” da Katia D Gaia e da Cris DPaschoal e me aproximou de muitas pessoas incríveis. Uma delas é o ocultista e autor brasileiro Humberto Maggi, sua obra Thesaurus Magicus II (disponivel aqui) reúne os três textos do século IV que deram origem à tradição mágica associada ao nome de São Cipriano (Conversão, Confissão e Martírio), os quatro mais importantes grimórios ibéricos do século XIX (os portugueses que deram origem às versões brasileiras e os espanhóis contendo as instruções de magia cerimonial) e vários outros textos mágicos associados com o Santo Feiticeiro. A introdução histórica tem uma descrição ampla e detalhada das origens e do desenvolvimento da tradição do século IV ao XIX. A edição é enriquecida com um Prefácio de Nicholaj De Mattos Frisvold (já entrevistado no VOX VAMPYRICA e também autor do livro “A Arte dos Indomados” disponível em nossa loja) e a Apresentação de Felix Castro Vicente.Então deixo aqui como leitura sugerida e recomendada!

É apenas um livro. Podemos dizer se ele é bem ou mau escrito, podemos fazer atribuições sobre o direcionamento de seu conteúdo encontrar ressonância mais com um tipo de público do que com outro; ainda assim continua sendo apenas um livro. Será que descansa uma maldição ou um “tabu” apavorante em suas páginas? Dizem há muito tempo que a sua posse é perigosa, que ele deveria ser queimado depois de lído (e até que o .PDF deveria ser deletado neste caso). Dizem que suas orações, esconjuros e ensinamentos de cartomancia provocam transformações antes inacessíveis aos seus leitores. Mas enfim, ele é apenas um livro quem decide ou escolhe o que fazer através dele – bem como a quem ele poderia escolher chegar de alguma forma – que é o responsável pelo que escolher deixar acontecer.

Este aqui é um dos modelos do Necronomicon usado no filme do Sam Raimi, vulgo Evil Dead 😉

Depois de escrever um parágrafo desses, tenho certeza que leitores e leitoras com mais de trinta anos já estavam se recordando da célebre abertura do filme “Evil Dead 2:Dead by Dawn” (aqui no Brasil ficou A Morte do Demônio ou Uma Noite Alucinante) de Sam Raimi – cujo um infame remake chegou recentemente aos cinemas (e que sem o ator Bruce Campbell perdeu metade da graça e os possuídos que parecem figurantes saídos do filme Residente Evil contribuíram para a desgraça).Mas a idéia ou a busca de um livro ou grimório de grande poder que permita o acesso e o contato com aqueles que não-respiram ou o outro lado é algo que permanece em muitas pessoas. Há diversos motivos e razões para pessoas buscarem um artefato que lhes conceda algum poder sobre suas vidas e de terceiros.

Como o tal do “Necronomicon” do filme Evil Dead é um tanto quanto inacessível e por razões óbvias. Poderíamos pensar então em um outro livro de poder assim como aquele outro livro do Doutor John Dee em linguagem Enochiana (que ocultistas modernos dizem que o Necronomicon foi inspirado nele), porém ainda assim serial algo distante e de rara compreensão. Simplificando, poderíamos recorrer ao Necronomicon do ocultista Donald Tyson publicado no Brasil pela Madras (mas tal obra é apenas uma extensão imaginativa ricamente criada sobre o universo ficcional de H.P.Lovecraft).Poderíamos tentar então achar alguma inspiração nas ricas ilustrações do artista plástico suíço que desenhou um livro de artes homônimo “Necronomicon”.Só que o tal do “Necronomicon” no final das contas foi uma criação do contista de almanaques ficcionais norte-americano Howard Philips Lovecraft.Claro que o ocultista e magista britânico Kenneth Grant apresenta boas evidências e convergências entre os encontros oníricos de Lovecraft com seus seres inefáveis e ctônicos – que seriam as mesmas deidades encontradas pelo magista Aleister Crowley.A diferença é que o primeiro julgava seus encontros aterradores sonhos e os analisava sobre um filtro moral – já o segundo…

Existem muitos grimórios e livros que detêm grande poder em seus conteúdos informativos. Entre eles temos alguns como o Le Dracon Rouge, o Legemeton, aquele do Papa Honório e muitos outros. Em geral foram traduzidos do latim para o inglês ou mesmo o francês e foram inacessíveis as pessoas que não dominassem tais idiomas por muito tempo. Sem mencionarmos os preços elevados que sempre envolveram a importação de livros estrangeiros no passado. Graças aos arquivos .PDF a apreciação de tais obras tornou-se mais acessível aos estudantes diligentes. Alguns destes grimórios citados e muitos outros tiveram boas traduções para o português realizadas pelo casal Francisco e Giselle Marengo da E.I.E Camimhos da Tradição.

Aqui no Brasil, Portugal e países da América Latina o mais conhecido dos grimórios é o “Livro de São Cipriano” – o poder atribuído pelas pessoas ao tal livro é realmente impressionante e algo duradouro que as vezes atravessa gerações de muitas famílias. Algumas de suas edições passam das mãos de avós para netos, bisnetos e afins dentro de uma família – e de algumas comunidades religiosas variadas. Sendo algo bastante tradicional e com o toque delicado de relíquia familiar, páginas dobradas, ervas e flores secas no meio, anotações a lápis dos mais antigos e dos proprietários posteriores. E assim há uma beleza e um poder único em tais artefatos. Nos dias de hoje existem algumas milhares de versões desta obra que em geral tem um núcleo de conteúdo mais ou menos fixo e muitos outros que são anexados com graus variantes de pertencimento e afinidade de acordo cada capa ou versão. Em geral sempre acabamos vendo nestas publicações a presença da oração da cabra preta, oração do anjo Custódio, oração para enfermos na hora da morte; o Magnificat; a cruz de São Bento; pacto com o demônio; demandas para desmanchar relacionamentos e afins. Só que geralmente existem versões e versões destes e tantos outros conteúdos em cada edição. Nos tempos de hoje existem até versões politicamente corretas que suprimem partes dos feitiços para não chocarem os paladares mais delicados dos leitores e leitoras – observação aliás realizada por minha amiga Shirlei Massapust. Todas as edições lançadas no Brasil afirmam ser o verdadeiro livro de São Cipriano. Mas e aí? Qual delas que será?

A resposta é tão subjetiva e misteriosa como o perfume de flores a meia-noite no jardim. Se houvesse um livro verdadeiro – e os relatos afirmam que existiu – o próprio autor, o São Cipriano de Cartago queimou a maior parte do livro pouco antes de se converter ao cristianismo. E se algum conteúdo chegou aos dias de hoje, dizem que foi por conta de que alguém o traduziu o que sobrou do hebraico. Mesmo assim, quem conta um conto aumenta alguns pontos e com o passar do tempo e do surgimento de versões muitos relatos, situações e personagens anteriores e posteriores a época que viveu Cipriano foram reunidos a narrativa – sem um direcionamento ou propósito que possa ser percebido pelo senso-comum. Mesmo o tom das versões expressam diferenças perceptíveis, algumas edições são mais brandas e outras mais severas.

A tônica dominante permanece como a vitória do Bem sobre o Mal; de que os artifícios e os sortilégios diabólicos, não exercem poder sobre os fiéis servos de Cristo. E tais publicações do livro de São Cipriano acabam se tornando um almanaque ocultista de cultura e de sabedoria popular – o que não depõem contra a integridade de seu conteúdo e no fornecimento de informação, inspiração e resposta para aqueles que buscam por seu conteúdo. Quem procura os conteúdos do livro com intenções de praticar a crueldade sobre outras pessoas – já era cruel antes e usaria até mesmo a Bíblia ou qualquer outro livro sagrado para atingir seus intentos. Quem procura o livro para cura, inspiração e respostas também será agraciado por suas páginas. Não podemos nos esquecer que a crença brasileira na “Urucubaca” e sua evolução a “Urucubaca braba”, bem como no olho-gordo, mau-olhado e afins integra nosso folclore regional e que o Livro de São Cipriano é o almanaque popular (cristão) mais acessível para tecer imagens de como em cada época as pessoas encontraram soluções e registraram seus costumes na lída com tantos artifícios da condição humana. Ele é uma ferramenta ou arma, quem o empunha direciona e paga pelas consequências.

Como mencionei há evidentes falhas históricas nas edições do Livro de São Cipriano. Havendo personagens e situações que existiram muito tempo antes ou ainda muito tempo depois da vida e da autoria da obra. E mesmo quando temos alguém com um nome famoso, podemos ver as vidas e obras de pessoas com o mesmo nome serem assimiladas e atribuídas a pessoa mais famosa ou reconhecida – algumas vezes isso acontece acidentalmente e outras propositalmente (como para fugir de uma perseguição religiosa ou da própria inquisição). A respeito desta possibilidade a pesquisadora Shirlei Massapust (após a publicação deste artigo) apontou que houve um Cipriano de Valera (que viveu entre 1532 e 1602) um religioso e humanista, que conviveu e foi discípulo de João Calvino ou seja esteve ligado ao protestantismo – o que era algo turbulento, pois a inquisição estava bem ativa naquele momento e não apreciava protestantes. Outra coisa que a inquisição não suportava além de críticas, eram heresias ou praticantes de magia. E quando queriam condenar alguém, não hesitavam em interpretarem as obras e os atos do acusado sob seu olhar intolerante.E Cipriano de Valera teve que encarar a perseguição inquisitorial, embora tenha conseguido escapar. Agora, fica a questão se ele era ou não um magista e se uma de suas obras chamada “Tratado para confirmar los pobres cautivos de Berbería en la católica y antigua fe y religión cristiana, y para consolar, con la palabra de Dios, en las aflicciones que padecen por el Evangelio de Jesucristo” era ou não a base ou núcleo original do Livro de São Cipriano que temos nos dias de hoje.Tal pesquisa se encontra em andamento e quando Shirlei a tiver disponibilizado, ofereceremos o link para nossos leitores e leitoras aqui!

Haverá leitores e leitoras que argumentarão negativamente sobre o fato da obra conter instruções para pactos demoníacos, orações e rezas não tão edificantes quanto se espera e ritos nefastos a sua sensibilidade. Só que existem tantas pessoas que afirmam rezar para o bem e a saúde e são as primeiras a se esquecem ou deixam de lado a medicina e a responsabilidade por cuidarem de sí. Temos os casos das pessoas que passam a ignorar e refutarem laudos médicos porque seus pastores ou líderes espirituais os proíbem, dizendo que apenas sua oração pode curar cada um deles.E quando alguém reza e acende vela para ter um emprego novo ou melhores chances em uma entrevista, o que vem a colocar os outros candidatos em desvantagem espiritual. Roteiristas de quadrinhos e de filmes costumam dizer que os melhores vilões – desconhecem que são vilões. E o livro de São Cipriano goza de uma reputação fídeligna em muitas obras de terror – bem como nos “causos” contados por nossos avós e também nas colunas policiais quando tem crimes associados a magia negra e ocultismo. Por ser algo tão próximo e tradicional do popular e do imaginário cristão a obra é reverenciada e encontra grande ressonância – temida e adorada. Eu mesmo tive a oportunidade de constatar a potência de sua mítica há alguns anos atrás:

“(…) estava indo de trem para apresentar uma palestra sobre mitologia comparativa na região do Grande ABC junto a alguns colegas conferencistas e integrantes do meu curso. O vagão estava lotado e todas as pessoas se exprimiam. Um colega brincou comigo e disse para eu fazer algum feitiço ou usar meus dons para mudar a situação.Com minha peculiar espirituosídade, coloquei a mão na mochila e peguei uma agenda de capa dura preta e falei em tom alto: Olha o livro de São Cipriano, o bruxo que virou santo…baratinho…leve o seu agora mesmo…talvez por conta de meus trajes e da inusitada performance (naqueles trens é muito comum a presença de vendedores) as pessoas entraram em pânico e mais da metade do vagão desceu na estação seguinte – quem ficou, ficou amedrontado e ressabiado…e eu e meus colegas fizemos o restante da viagem tranquilamente.(…)”

Posso dizer que meu interesse em escrever um artigo sobre o Livro de São Cipriano se iniciou formalmente naquele momento. Percebí que a menção ao livro era um tabu, algo de poder insondável no imaginário daquelas pessoas – sua ligação com o senso comunitário, cultural, potência para atender expectativas e ansiedades e oferecer uma via das pessoas participarem do grande drama cósmico – era uma evidência irrefutável. Realizar as proezas alí descritas ou mesmo ser vítima ou alvo delas, evidenciava uma ameaça real e imediata – era para cada um deles como estar junto aos guias e toda a mítica da cultura popular cristã. A ameaça da presença de tal livro era como tocar ou vislumbrar um tabu. Fosse pelos anos e a cultura de sugestionamento maligno atribuído a elas sobre o livro – que continuava apenas sendo um livro. Os mesmos surtos a respeito desta obra podem ser observados em fóruns e Yahoo Answers da internet. A palavra preconceito e o ato do livro ser tomado de forma depreciativa e alvo de críticas pesadas por integrantes de denominações evangélica mais radicais e outros agrupamentos crísticos radicais – é uma evidência relevante também. Fica difícil para mim não observar como o tal do “pensamento mágico” de Bergiers ainda se mostra claramente presente nos dias de hoje, bem como as pessoas sempre precisam de agentes externos (demônios) ao invés de assumirem seus fados e o próprio Destino – sustentando como vem a serem…

Mas afinal quem foi São Cipriano de Cartago? Sabemos historicamente que depois de se converter ao cristianismo foi um grande doutor da moral cristã, um Bispo responsável que organizou a igreja na África, criou o latim cristão e foi um expressivo orador daqueles tempos. Morreu torturado e flagelado junto a uma moça chamada Justina, sob ordens do imperador romano Diocleciano. Mas antes de tudo isso ele foi um homem que viajou por incontáveis terras do mundo antigo e profundo conhecedor dos antigos deuses e sua magia e feitiçaria, gozava de grande reputação e até diziam que aprendeu magia negra com a legendária Bruxa de Évora. Durante suas buscas e viagens escreveu um poderoso grimório e um dia teve seus serviços contratados por um rapaz que se apaixonou por uma moça chamada Justine. Ela havia se convertido ao cristianismo e consagrado sua virgindade e pureza a Deus – o rapaz queria casar com ela, os pais haviam concordado mas ela não queria o rapaz e queria honrar seus votos. Já que Cipriano era um grande feiticeiro, ele poderia tombar a vontade dela e fazê-la se entregar ao tal rapaz através da magia. Só que cada pó mágico, feitiço, invocação, assédio demoníaco que Cipriano tentou sobre ela veio a falhar miseravelmente. Desconcertado e descrente de seus patronos, contam que ele incinerou a maior parte do seu grimório e se livrou do tal e depois ele escolheu se aliar ao deus que mostrava-se mais poderoso. Ele morreu como mártir e foi canonizado como um santo – alguém mais próximo do bom-deus cristão.O que merece respeito e a devida solenidade. Até hoje pessoas rezam por sua guia, buscam por seu patronato espiritual em cultos católicos e também nas religiões afro-caribenhas que fazem uso de algo grau de sincretismo. E sob um olhar “não-ordinário” tais afirmações tem grande valor para cada um que encontra na jornada dele pertencimento, proteção e sentido.

Como já disse antes a lenda conta que alguém achou o que sobrou do grimório, traduziu, acrescentou e publicou. Não é difícil de se cogitar que tal história e tal livro fosse uma estratégia cristã de desmoralizar antigas religiões e seus cultos. Enfim, o livro resiste, se adapta e permanece até os dias de hoje. Recentemente soube através da amiga Cathia Gaia e de algumas pesquisas junto com colegas que trabalham na área de marketing de editoras esotéricas – que o livro de São Cipriano é uma das obras mais vendidas do gênero de todos os tempos, sempre sendo revisado, editado e re-editado. Durante todos estes anos ví muitos exemplares nacionais e estrangeiros deste livro – e aprendí a admirar e respeitar sua importância e relevância na crença e espiritualidade de tantas gerações – bem como de seu papel no imaginário e nas artes. Neste ponto ficaria difícil não mencionar a influência e as idéias surgidas com a leitura da obra “Exu Quimbanda of Night and Fire” da Scarlet Imprint e diálogos com seu autor Nicholaj deMattos Frisvold e sua esposa Katy deMattos Frisvold – uma obra que em breve apresentarei uma resenha por aqui.

Solenemente me escuso aqui por eu ter sído tão imaturo por conta da minha experiência pessoal que relatei aqui sobre o ocorrido naquele trem – mencinando o livro de São Cipriano. Não pratico os conteúdos do livro de São Cipriano apenas por uma questão de gosto e de trilha pessoal, da minha parte quando o assunto são grimórios eu prefiro escritos de Ficcino, o famoso Le Dracon Rouge e tantos outros aqui mencionados. Ainda assim espero ter oferecido um artigo que apresente o Livro de São Cipriano com dignidade e que instigue curiosidade e explorações através de um olhar mais maduro e distante do senso-comum de cada leitor ou leitor sobre seus conteúdos! Até a Próxima!

 

Me Transforma em Vampiro? Como faço para virar Vampira?

Já são 15 anos da REDE VAMP (que se completam em 2018, conheça nossa história) e ainda hoje recebemos em nossos E-mails e contatos as perguntas de sempre:

Pode me transformar em vampiro?

Como faço para me tornar ou virar um vampiro?

Acreditamos que estas sejam as perguntas erradas para serem feitas pois não irão lhe ajudar em nada na vida como ela é.

Vamos responder estas 2 perguntas, ok!

Só que no final do texto lhe apresentaremos a pergunta certa.

No começo ainda respondíamos tais mensagens sobre como virar ou ser transformado (lá em 2005-2007), depois oferecemos artigos bem sólidos explicando que não dá para se tornar o que se vê nos filmes, quadrinhos, games ou na produção cultural. O texto “Primeira Visita” ou o irônico “Pactos e Rituais para virar Vampiro” são bem diretos neste quesito.

Mais tarde passamos apenas a explicar este lance de virar e ser transformado em entrevistas e para meios externos ao da nossa comunidade através de entrevistas televisivas ou para canais do You Tube. Em termos de Vampiros em nosso País temos uma história de mais de 170 anos da presença deles em nossa produção cultural…  Mas de tempos em tempos um outro assunto vem a tona – não sendo uma insalubridade de se manter todo este trabalho, mas é preciso oferecer uma resposta para tantos buscadores que tropeçam no mesmo ponto: Não se torna aquilo que não se banca! E tudo isso não existe ao pé da letra ou de forma denotativa como viu por ai, não é acreditando cegamente ou recusando acreditar que chegará a algum lugar ou irá se tornar um dos nossos…

Então vamos responder as duas perguntas mais comuns.

PARA VOCÊ SER TRANSFORMADO EM VAMPIRO:

Esqueça! Se você NÃO tem poder ou força para viver com liberdade e do seu próprio jeito, bancando e se responsabilizando pelos seus gostos e escolhas de vida – você nunca será transformado em vampiro. Não é sua capacidade para o drama e chamar atenção para si. Não é sua capacidade de ser invejado ou de invejar alguém que o tornará um vampiro. Não é sua disposição de ser lúgubre, macabro e ver só a vida da forma mais rude, negativa, cortador(a) de barato(a) e cobradora possível. Tampouco seu esforço para tornar sua vida e a de todo mundo ao seu redor uma droga que convencerá alguém a lhe transformar em vampiro. Nem tuas expressões de ansiedade ou depressão. Menos ainda o barulho que é capaz de fazer quando não tem argumento algum.

Aliás o grande problema é o fato de você querer ser transformado. Esqueça se você não é, você não é! Nada que se relacione ao contexto Vamp é democrático de nenhuma maneira ou algo para todos.  Menos ainda algo que obrigue alguém a realizar algo só porque você quer. Você pode até conseguir acesso a tudo isso, mas se não for logo se afastará. E outra coisa tem muito picareta que tentará alimentar essa sua sede de ser transformado ou virar isso e você cairá como um tolo. E isso pode lhe colocar em situações complicadas e não casuais oferecendo problemas para você e seus familiares e amigos.

COMO FAÇO PARA ME TORNAR OU VIRAR UM VAMPIRO:

Como já lhe disse não dá para se tornar ou virar aquilo que não está em você, que não carrega na sua têmpera ou destino (sina). No Brasil quando a gente fala destino o povo entende “sina” um rumo inevitável ou inescapável da sua vida. Ao se dizer têmpera ou essência o tema fica ainda mais confuso. Para fins práticos apenas entenda tudo isso como o seu “jeito” ou ainda a maneira como escolher e realiza as coisas da sua vida. Isso fica mais próximo do que os antigos gregos nomeavam como “Destino”.

Mesmo que você pudesse se transformar em vampiro ou algo assim, não adianta nada se você não tiver sua própria moradia, seus próprios recursos financeiros e for capaz de se bancar diante de terceiros. E mesmo que consiga algo você não se tornará nada parecido com o que te fascina nos filmes ou ainda na produção cultural pop. Se nem a bruxa voa de vassoura… 

QUE TAL NOS FAZEREM A PERGUNTA CERTA?

Nos dois casos penso que vocês estão errando na pergunta. Ela poderia ser apenas:

Gosto deste lance de vampiro, me identifico quero encontrar e ir em lugares e fazer coisas que vocês fazem! Como é? Como faço para participar?

Neste caso a resposta é mais simples, direta e você não fica com fama de otário ou otária neste contexto. Se você gosta de tudo isso vem conhecer nossos encontros, nossos eventos, leia os artigos publicados gratuitamente no portal, compre nossos livros e curta nosso canal no Youtube ou ainda o programa semanal Vox Vampyrica. Respeite as pessoas que vir a conhecer nestes encontros, faça amizades e curta nosso contexto e o que fazemos. Asseguro que se tudo isso lhe for algo natural e que a convivência lhe faz bem e transmita a sensação de viver rodeado de pessoas fantásticas e de gostos e ideias convergentes – certamente você se tornará um Vamp pois conhecerá e provará o poder desta Arte. E tudo isso deve ao menos servir para você construir uma vida melhor, mais próspera e boa para você e com quem partilhar sua realidade.

Viu, não é difícil? Se este é seu primeiro contato com a REDE VAMP receba nossas boas vindas. Há muito mais para lhe contar se você tiver interesse e estiver disposto a se arriscar mais nesta jornada.

Vamos eliminar suas certezas, lugares comuns, relativismos toscos e sua zona de conforto, talvez você se perca na floresta escura e esta lhe pareça um labirinto. Você será consumido por incontáveis dúvidas, incertezas e temores… talvez por alguns mortos-vivos também, mas lhe asseguramos que descobrirá uma realidade mais interessante.

O terror no Brasil (muito além dos vampiros)

Na edição #2 da REVISTA REDE VAMP que celebrou o primeiro ano de atividade desta publicação oferecemos muitas páginas que narram pontualmente os quase 172 anos de produção cultural vampírica no Brasil e também os primeiros clássicos do gênero que foram esquecidos. Oferecemos a versão anterior e menos atualizada deste artigo aqui e uma breve relação das primeiras obras vamps brasileiras bem aqui. Iniciativas assim contestam historicamente algumas pretensões veladas de certos autores da última década ou ainda dos anos noventa. Há bem mais de um século já havia uma produção cultural vampírica em terras brasileiras densamente influenciada pelos românticos e malditos europeus e os grandes clássicos que antecederam o Drácula de Bram Stoker.

Aliás o próprio universo ficcional do romance Drácula já conta com uma Prequel e a sequência oficial dentro do canone estabelecido do personagem desenvolvidas por Dacre Stoker e Ian Holt, falamos mais deles aqui) e comentamos algumas sequências bem imaginativas sobre o personagem aqui. Aliás o proprio Dacre é sobrinho bisneto do criador de Drácula e o criador da celebração mundial chamada de World Dracula Day, aqui no Brasil é realizada desde 2014 pela REDE VAMP, conheça aquiAparentemente a maior parte do segmento do terror brasileiro ainda precisa vencer o próprio auto-ódio e o gueto cultural que se deixam rodear e que permitem cercar boa parte do contexto que apreciam. Há ainda o tom de “pavão” e de auto-sabotagem nas próprias iniciativas principalmente no mercado literário. Assim como outros contextos o terror no Brasil ainda padece sobre “gênios criadores” que supostamente surgem do nada e de um público que desconhece a própria história de sua produção cultural. Há também a questão do preconceito (de terceiros, externos a cena) que insistem que tudo isso é mito importado, mas se ouvida da rica fauna fantástica local não catalogada como se deveria em livros do MEC. Em algum momento isso deve se desfazer, pois já está muito melhor do que foi um dia.

No meu livro Mistérios Vampyricos (Madras Editora, 2014) hoje praticamente esgotado depois de mais de 10.000 exemplares vendidos reconstituímos com maior detalhamento as últimas 4 décadas da produção cultural Vamp no Brasil de maneira fidelígna, bem documentada e influente – algo que infelizmente foi ausente até o momento no gênero local mais preocupado na maior parte dos casos em aparecer nos blogues alheios do que gerar conteúdo real e crível. Hoje neste artigo emprestaremos alguns trechos publicados no site da Revista Galileu que permitem vislumbrar grandes autores brasileiros e sua ligação com o gênero do terror e do horror, desenvolvido por um ficcionista chamado Oscar Nestarez, o artigo apresenta boas indicações. Indispensáveis eu pontuaria.

Álvares de Azevedo, o obrigatório

Sem dúvida, o santo padroeiro da literatura nacional de horror. Reconhecido como o maior expoente do movimento gótico e do ultrarromantismo em Terra Brasilis, o paulista Álvares de Azevedo conseguiu uma façanha, ainda que póstuma: sua coletânea Noite na taverna, publicada em 1855, inaugurou (e, para muitos, encerrou) a nossa tradição literária de horror.

Hoje, pelo teor noturno, violento e sobrenatural dos sete contos que compõem a obra, Álvares de Azevedo é figura obrigatória em qualquer lista do gênero. E a nossa não teria valor algum se não o tivesse por carro-chefe. *Além de sua vida ser contada em um dos trajetos do passeio cultural São Paulo Maldita, temos uma coluna inteiramente dedicada a sua vida aqui no Rede Vamp.

Aluísio Azevedo, o demoníaco

Não é muita gente que conhece a face negra deste nosso expoente dos chamados realismo e naturalismo literários. Mas o maranhense Aluísio Tancredo Belo Gonçalves de Azevedo, autor do clássico O Cortiço, escreveu também uma aterradora novela intitulada Demônios (1893).

Pelo enredo, você vai perceber que o emprego de “aterradora” não é impensado: a história começa com o despertar de um escritor em um dia incomum. As horas se passam e ele percebe que o dia não nasce. Há apenas a noite interminável. Sendo assim, ele parte para uma jornada que se torna mais e mais assustadora. Às cegas, sem qualquer luz, vai buscar sua amada Laura.

A procura resulta em um reencontro inesperado, que os transformará medonhamente. E mais não falaremos, para não estragarmos o prazer da leitura dessa história na qual Azevedo demonstrou enorme talento para criar suspense e provocar medo. Há trechos que não devem nada à pior das bad trips — verdadeiros pesadelos alucinógenos. Em uma palavra: imperdível.

Machado de Assis, o sádico

Diferentemente de Aluísio Azevedo, o lado noturno de “Machadão” é mais conhecido. Leitor ávido de Edgar Allan Poe (é famosa sua tradução para o poema O Corvo), em mais de um conto Machado demonstrou imensa capacidade de nos deixar assustados e aflitos.

É o caso de A causa secreta, relato publicado um pouco antes de Demônios, em 1885. Quem conhece a obra de Poe vai identificar algumas influências nessa história com memoráveis passagens de crueldade; mas há também aquela irresistível magia do Bruxo do Cosme Velho, que fazia parecer com que um apenas texto valesse por muitos.

Trata-se, em poucas linhas de aperitivo, da relação de um estudante de medicina com um excêntrico sujeito, chamado Fortunato (mesmo nome de um dos personagens de O barril de amontillado, de Poe). Os dois tornam-se amigos e até sócios, até que Fortunato revela sua natureza contraditória numa passagem que promete queimar suas retinas — com direito a tortura animal e tudo mais.

Graciliano Ramos, o repulsivo

Um moribundo num quarto de hospital descreve, com insuportável lucidez, o apodrecimento de seu corpo; a sanidade mental do narrador é colocada em questão, e ora deslizamos para o absurdo, ora para a consciência da carne que se degenera.

Assim é Paulo, conto do alagoano Graciliano Ramos publicado na coletânea Insônia, de 1947. No texto, o autor de Vidas secas demonstra assustadora familiaridade com os subterrâneos da mente de seu narrador, que delira, sofre, agoniza.

O relato muitas vezes foi interpretado de forma metafórica: no lugar da morte física, coloca-se a “morte” de valores morais e sociais, e a decrepitude da lucidez. No entanto, há uma certeza: é uma experiência de leitura inquietante, em que nada é o que parece.

Bernardo Guimarães, o assombrado

Sim, você leu certo: é o autor de Escrava Isaura, romance que depois virou uma das novelas televisivas mais bem-sucedidas da história. Mas, nos intervalos da redação desse famoso melodrama, o mineiro Bernardo Guimarães aproveitava para espreitar as trevas. E lá situou o conto A dança dos ossos.

Na verdade, ele o situou nos ermos entre Minas Gerais e Goiás. É num cenário rural e isolado que Guimarães coloca, ao redor de uma fogueira, homens rústicos que contam histórias uns para os outros. E uma dessas histórias, sobre o assassinato de um homem por algo que espreita na escuridão, é nada menos do que assombrada — e assombrosa. Por isso, merece a leitura.

Lygia Fagundes Telles, a mórbida

Curto e traiçoeiro: assim é Venha ver o por do sol, da escritora paulistana Lygia Fagundes Telles. A história foi publicada pela primeira vez em 1988 (na antologia “Venha ver o por do sol e outros contos”) e é tida por muitos como uma das mais poderosas da nossa literatura fantástica, e mesmo de horror. O curioso é que a trama se estende-se por apenas nove páginas; mas são nove páginas em que a tensão e a morbidez vão se intensificando com deliciosa sutileza.

Na história, uma moça chamada Raquel topa encontrar Ricardo, um ex-namorado. Ele a convida para ver o por do sol e a leva para um cemitério, onde se dará um desenlace arrepiante.
E, ao longo do trajeto, desfrutamos de todo o talento da autora: descrições breves mas muito precisas, prosa elegante e vários recursos retóricos que dão verossimilhança à história. Pois é, verossimilhança: a história torna-se ainda mais terrível quando constatamos o quão verdadeira ela nos parece. Leitura obrigatória!

R. F. Lucchetti, o incansável

O espaço aqui é curto; na intenção de traçar um panorama restrito mas abrangente, tivemos que deixar de fora outros grandes nomes que também resvalaram no horror — como Monteiro Lobato (com o conto Bugio Moqueado), Rubem Fonseca (com o relato grotesco Feliz Ano Novo), Humberto de Campos (com o conto Os Olhos que Comiam Carne), e tantos outros.

No entanto, a lista ficaria incompleta sem um dos mais prolíficos de nossos autores de horror: o paulista Rubens Francisco Lucchetti. Ainda ativo do alto de seus 87 anos, RF Lucchetti é autor de mais de mil e quinhentos livros. Sim, você leu certo: mil e quinhentos, além de 300 HQs e 25 roteiros de cinema.

Trata-se de uma verdadeira usina de produção ficcional — sendo que a imensa maioria dessa obra é de horror. Com títulos como Os Vampiros não fazem sexo, O abominável Dr. Zola, O museu dos horrores, As máscaras do pavor, e tantos e tantos outros, Lucchetti permanece como um dos poucos — pouquíssimos — autores que dedicaram toda a sua vida à produção literária do horror. E do entretenimento, também: com temas clássicos da literatura gótica e de horror, suas histórias divertem, acima de tudo. Ler um livro de RF Lucchetti é como voltar ao trem fantasma daquele parque a que íamos quando crianças.

DRACUL: Paramount adquire os direitos da obra de Dacre Stoker!

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EXCLUSIVO: A Paramount Pictures adquiriu direitos de tela para Dracul, a primeira prequel autorizada pelos detentores da propriedade intelectual de Bram Stoker. O filme está em desenvolvimento e tem grande potencial de ser dirigido por Andy Muschietti e contará com os produtores Barbara Muschietti e Roy Lee.

Escrito por Dacre Stoker e J.D. Barker, o conto é definido em 1868, onde Bram Stoker, com 21 anos de idade, encontra um mal ímpio que ele aprisiona em uma antiga torre enquanto escrevia os eventos que o levavam lá. Tem aquela pegada especial de “o livro é verdadeiro” e de “a história que inspirou ou estava detrás dos bastidores do romance Drácula“.

O conto de origem do monstro chega ao Mark Tavani de Putnam em um leilão de cinco casas negociado por Kristin Nelson da Nelson Literary Agency. Os direitos do Reino Unido para Dracul foram comprados por Simon Taylor de Transworld e por Michel Lafon para a França.

O acordo do filme foi negociado por Angela Cheng Caplan da Cheng Caplan Company Inc. e a advogada Wayne Alexander. A executiva da Paramount, Vanessa Joyce, trouxe o projeto e supervisionará o desenvolvimento com Miri Yoon da Vertigo Entertainment.

Os fãs de terror reconhecem o nome de Andy Muschietti por conta do recém-lançado IT A Coisa que é um remake do clássico de Stephen King. O possível diretor tem um jeito especial de criar imagens de monstros particularmente apavorantes e bons sustos. Quanto a Dacre Stoker vocês já o conhecem por conta do WORLD DRACULA DAY e da brilhante sequência de Drácula escrita juntamente com Ian Holt em 2009 que apresentamos neste outro artigo.

 

CODEX STRIGOI VOLUME 2 AVALIABLE!

The CODEX STRIGOI SECOND book (2 OF 7) leads the neophytes of the Circulo Strigoi to follow through the invisible labyrinth, the constructs that allow us to see what seems natural and at the same time mechanical like the habits and patterns in our way that form Destiny and not the sine as the old would say The work offers ways so that we can direct our eternal thirst for life and the hunger of the soul and make it a drive that brings us closer to a clear and transparent vision of who we are and make us more skilled to create and live a reality more through what we lurk and hunt on the Other Side.

The CODEX STRIGOI series offers foundations for the neophyte to understand and practice various exercises to seize his own strength, deal with the thirst nature of soul hunger and fatigue.Explore the various resorts and seasons of the “Blood” as the force of indestructible life. It addresses the context of the energy and sacredness of one’s own body, body memory and how to effectively and practically work each of its parts – offering a way of integrating and expanding one’s strength. As well as the cleansing and cleansing of old traumas and blemishes derived from self-image. It touches on the themes of body postures and regularization of breathing. It also offers a practical herbal study with smokes, herbal baths and herbal teas that can be used by each searcher to boost and broaden their attractiveness and live with greater prosperity.

The CODEX STRIGOI series of 7 books is written by Lord A :. (Prince Andreas Axikerzus Sahjaza) and compiles 11 years of unpublished content developed and worked on orthopraxy and ritualistic in the discrete society known as Circulo Strigoi dedicated to the development of the Vampyric Cosmovision and spirituality in Brazil. In addition to basal issues the book develops the issue of the use of weapons and magickal tooling, astral journey or lucid dreaming. It presents the use of tarot as a tool of meditation and stimulus to clear vision or draconian gaze. It presents a roadmap of power dates and how to make use of their specifics in their rites. When buying your book do not forget to respond to the email we will send you requesting some information to create your breviary and know you and your interest in our Circulo Strigoi.

CODEX STRIGOI: BOOK2+POSTAGE USD$115 AT PAYPAL


This package includes your book CODEX STRIGOI VOL 2 + APOSTILA +  and the respective postage value.





Much more than just a series of books

  • 01 Copy of the book CODEX STRIGOI (Book 2 of 7, 56 pages, special paper and hard cover, bringing unpublished and exclusive contents developed in these 11 years);
  • Access to the next 7 protocols and forms of this degree containing extra rites, exercises, and content – as well as the respective form evaluations for your advancement to further grades.
  • You will also receive invitations to VIDEO CONFERECES trough skype reserved for members of Strigoi Circle that we will announce exclusively by email.

Completing the studies in this  station and its tasks you will advance to the next station and you should acquire the second content kit (be assured that the value is the same). The full day in this program includes another 5 Kits, one for each season. Each will contain one of the upcoming CODEX STRIGOI books (hardcover, special paper, 56 pages), PDF files with protocols, forms, and the possibility of attending a responsible mentor or mentor designated by the CÍRCULO STRIGOI.

The amount invested in the CÍRCULO STRIGOI ensures the preservation and development of new content (books, videos and transmissions), projects and events for members and also for the maintenance of other initiatives developed under the name of VAMP NETWORK.

CODEX STRIGOI VOLUME 1 STILL AVALIABLE TOO IN OUR STORE

CODEX STRIGOI VOLUME 1 STILL AVALIABLE RIGHT NOW

“It is always worth pointing out that the Strigoi Circle and the Vampyrica Cosmovision DO NOT consist of any type of religion (or anti-religion). All deities are masks of the perennial wisdom of all realms and times, those who spoil all this is the human who tries to make the sacred and nonordinary reality its extension and crutch of ego. So we welcome people of great age, good thoughts and a just heart – no matter where they come from.”

If you wish you can also purchase your DarkMoon Ankh separately on your official page

11 Anos do Ankh do Luar Negro

Foto de Anayal Sahjaza – Estados Unidos

A entrada do sol no signo de leão, o despontar da estrela Regulus, marcou um momento muito especial para todos nós do Círculo Strigoi, agora o Ankh do Luar Negro foi nomeado e sancionado como o Ankh oficial da Dinastia Sahjaza por sua grande matriarca e fundadora Goddess Rosemary nos Estados Unidos. Se por mais de uma década ele simboliza o trabalho que desenvolvemos na América do Sul, agora ele comprova sua natureza transregional e que fronteiras são uma ilusão e eterno ciclo vicioso de primatas belicosos e territorialistas.

Quando acontece a nomeação de uma arte tão cara a todos nós transcendendo os limiares do nosso país só podemos comemorar uma história de realizações grandiosas partilhada por todos nós que carregamos tal símbolo – somos partes indeléveis de algo muito muito mais amplo.

Toda arte é um pouco de quem a aprecia e um pouco também do seu criador. Sonhos, inspirações e a arte comprovadamente vencem o tempo – assim como o vampiro que apreciamos.

Enquanto Vampyro, artista e a outra metade responsável pela criação do The DarkMoon Ankh, acredito que minhas ideias e inspirações importem e merecem um espacinho no coração de quem aprecia esta linda criação minha e do mestre alquimista aqui da América do Sul. Você gosta do Ankh? Tem sua vivência com ele e uma história que é apenas sua. Há sociedades grupos que se formam e se desenvolvem ao seu redor dos mais variados tipos e isso é fantástico. Nunca irei tomar isso de ninguém. Mas gostaria de ver nossa criação e seu contexto e o que ilustra ser lembrado e mencionado quando for o assunto de um debate.

Mas de verdade quero contar hoje um pouquinho da minha visão.

O símbolo do vampiro é apresentado na maior parte do tempo como um verdadeiro paradoxo, uma deidade menor nem viva e tampouco morta em busca de vitalidade para continuar através da eternidade. O que não é a arte e o trabalho inspirado de um artista destruindo para dar origem ao novo? Da fogueira consumindo a lenha? Granizo ou chamas trazidas por uma tempestade. A contemplação da arte intoxica e expele o tempo oferecendo a alguém uma noção das musas e do sublime que levou alguém a criar algo mesmo séculos e séculos depois. Influenciando, importando e desviando de certezas, idealizações e dogmas. Nem vivo tampouco morto e tomando um pouco de seu tempo e vitalidade. Um arrebatamento pagão eu diria.

Ankh do Luar Negro um artefato indispensável para todo peregrino da Cosmovisão Vampyrica

Os Gregos, os egípcios e os herméticos (bem como muitos outros povos) falavam sobre a separação do céu e da terra realizada pelo tempo, um eixo vertical e hierárquico cruzado por um eixo horizontal, espelhado e de ressonâncias que se anulavam mutualmente. Acima deles haveria a totalidade para os mais hábeis em lidarem com a vida e a transformarem em algo que lhes concedesse imortalidade através do legado que deixassem. Poderia ser uma letra “Tau” com uma serpente enroscada, poderia ser um Oroborus alquímico e até um símbolo astrológico invertido de Vênus como o da medievalesca Ordem do Dragão de Sigismund, Barbara Von Celj, do mago que compilou e utilizou o grimórium de Abramelin ou ainda do Voivoda Vlad II da Casa Bessarabi. Um círculo divididos em 4 setores que podem ser estendidos até 16 sudivisórias e falarem verdadeiramente muito sobre a totalidade da psiquê humana. Mas respeitando uma tradição que vem desde os anos noventa nos Estados Unidos e simbolismos menos convencionais do ocultismo escolhemos que fosse um Ankh mesmo. Desta tradição e outros simbolismos falarei em outro vindouro artigo. Se gostou do que leu até aqui…

Ao invés de um círculo no topo da cruz ou do ponto de encontro do eixo vertical e horizontal preferi um arco ogival, marcando uma passagem para o “Outro Lado” – que sempre será de natureza esotérica e de quem vive sob o luar. Para o que vem de lá como sonho se cristalizar em “Sangue” e realidade aqui; e o que encontrarmos disso se transmutar em algo mais sutil e volátil podendo retornar. Nos tornando mais íntegros e transparentes diante do que carregamos. É ogival pois isso remete a algo muito sacro e caro para mim a beleza, o áltero e a diversidade das fractais que formam e espelham o todo, da assimetria imprevisível da floresta e do esplendor das ruinas de outros tempos tomadas pela natureza – contrastando o geométrico, idealizado e linear de quem vive sob a lei solar. Representando a vitória da natureza sobre toda e qualquer ideologia e dogma. A própria árvore da vida da Kabbalah Hermética pode ser resumida no símbolo de Vênus ou de um Ankh. Outro dia falarei dos outros símbolos e do nosso desenho singular.

Todavia os regentes deste portal somos cada um de nós e nossa compreensão para determinarmos sobre o que nos determina com maior presença e nobreza de espírito. É pontiagudo como uma espada para cravar, marcar e estabelecer raízes e se ramificar como toda arte venusiana e vosso consorte marciano sempre almejam – mas além todo pânico e medo trazido pelo novo, inevitavelmente grotesco ao primeiro olhar – vem a harmonia! Eu acrescento que também vem a Vitória tal como uma “Imperatrix”!

Eu caminho nisto que lhes digo. Sempre em insurreições!Jamais revoluções de nenhum tipo estas apenas servem para trocar a posse das chaves do arsenal, da prisão e do manicômio das gangue de primatas que precisam disputar território e provarem sua belicosidade – tal como Hamsters na roda de Samsara. Prefiro as passagens e portas que oferecem acesso ao desconhecido e o que encontro destas caçadas. E vou adorar conhecer suas visões e suas ideias. Se você quiser adquirir o seu e fazer parte de nossa história, clique aqui!

São 11 anos desta incrível criação da gente e estou muito feliz com o reconhecimento obtido de cada um de vocês que adquiriram este lindo pingente e assim nos auxiliam a desenvolver todo nosso trabalho por mais de uma década na REDE VAMP.

THE DARK MOON ANKH

Ankh do Luar Negro um artefato indispensável para todo peregrino da Cosmovisão Vampyrica

Long ago the tradition of vampires associated with the Ankh of the Egyptians took a breath with the movie “The Hunger” still in the 80’s where David Bowie and Cahterine DeNevue stalked their prey. The Ankh symbolizes control and personal royalty as well as the Great Going and the entirety of the world tree represented by Venus for the  hermetics.

According to several books and diverse sources in the 1990s there was a very special Vamp called Lord D’Drenam of New York who formalized the Ankhs style sworded and pointy and its aesthetic influenced countless goldsmiths (GoldSmithers) around the world.

In the year 2006 such inspiration touched our imagination and so Lord A :. And his partner Master Alchemist for 3 days and nights channeled and created the design of our Dark Moon Ankh. In this year of 2016 when we celebrate its tenth anniversary of creation our DarkMoon Ankh becomes the official Sahjaza Ankh, this declarations cames from Goddess Rosemary, Matriarch and Founder of this most of 40 years dinasty, We proudly follow honoring a long tradition of many  many wonderful artifacts, pieces and pingents.

THE DARKMOON ANKH
(SILVERBATHED USD$84 include postage)


In the line of many wonderful pieces the newest Official Sahjaza Ankh offering is the “Black Moon Ankh” from Brazil created by Prince Lord A:. and the Master Alchemist since at 2006. Our ankhs are forged individually as a handcrafted work with silver ritualistically enshrined for more than a decade. It takes on average between 20 to 30 days to reach your hands after ordering via Paypal. This value is based on shipping to the United States. If you live in other countries please contact us by email [email protected]




THE DARKMOON ANKH
(FULL SILVER WITH AMETHYST STONE USD$164 include postage)

In the line of many wonderful pieces the newest Official Sahjaza Ankh offering is the “Black Moon Ankh” from Brazil created by Prince Lord A:. and the Master Alchemist since at 2006. On the version full silver its carved with a beauty amethyst stone on his center.Our ankhs are forged individually as a handcrafted work with silver ritualistically enshrined for more than a decade. It takes on average between 20 to 30 days to reach your hands after ordering via Paypal. This value is based on shipping to the United States. If you live in other countries please contact us by email [email protected]




 

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Retrato falado: Dracula do livro de Bram Stoker

Como vocês sabem o ano de 2017 marcou os 120 anos do célebre romance Drácula do autor irlandês Bram Stoker. Apesar das festividades não terem sido tão grandiosas ao redor do mundo o aparente “hype” inspirou e influenciou diversos artistas em diversos países. Aqui no Brasil, mais especificamente São Paulo celebramos o World Dracula Day no belo evento realizado pela ESCAPE HOTEL. Inclusive o Escape Hotel tem uma sala temática do Drácula e nós da Rede Vamp jogamos e nosso colunista Dylan Pegoretti, registrou uma crônica sobre este jogo de fuga.

Sabemos que existem 3 versões formais de Drácula: da Cultura Pop (do cinema, teatro, games e etcs) da história (o tal do Voivoda Romeno Vlad Tepes) e o personagem icônico criado por Bram Stoker. Que no geral, é bem diferente dos outros dois modelos e suas variações artísticas. Até porque ele tinha bigode, era mais velho e definitivamente não parecia um home fatal byroniano. Inclusive o historiador Arturo Branco fala um pouco sobre isso neste podcast do Vox Vampyrica. Embalado nestes espírito o cineasta Brian J.Davis, do tumblr e pocast “TheComposites”, especializado no uso de softwares para geração de retratos falados seguindo especificações textuais  desenhou e renderizou como seria um retrato fiel do Drácula segundo as especificações do texto de Stoker. Compartilhamos a imagem a seguir:

A esquerda o retrato falado de Brian, fiel ao texto de Stoker e a direita o ator brasileiro Rubens De Falco que no final dos anos 70 interpretou o célebre conde Drácula em novela da Rede Tupí e da Tv Bandeirantes

Ao contemplar a arte do norte-americano ficou impossível não recordar do ator brasileiro Rubens De Falco que interpretou Drácula em uma novela homônima da rede Tupi e posteriormente na Rede Bandeirantes quando a trama foi rebatizada como “Um Homem muito especial”. Duvidamos que o cineasta norte-americano responsável pelo retrato soubesse disso. Mas não deixa de ser divertido pensar como de repente os brasileiros tiveram (ao menos na aparência) um dos Dráculas mais fidelígnos ao texto de Stoker da história. Para uma visão mais ampla do personagem e sua mítica, leiam este artigo.


Segundo Rubens Luchetti, o grande mestre do terror e do fantástico Brasileiro:  

A primeira vez que li o romance Drácula foi por volta de 1944, quando a revista Detetive, da Empresa Gráfica “O Cruzeiro”, o publicou em capítulos. Mas não o li inteiro, porque, na época, não tinha todos os números em que ele tinha sido publicado. Ainda nos anos 1940, a mesma Empresa Gráfica “O Cruzeiro” o lançou em livro, numa tradução do Lúcio Cardoso. Infelizmente, nunca tive em mãos nem li essa edição. Foi somente em 1961, que pude ler Drácula na íntegra, quando o romance foi publicado, com o título de O Vampiro da Noite, pela Editora Vecchi. Desde então, considero Drácula um dos cem maiores romances já escritos.

Conheça um pouco mais da obra de Rubens neste artigo  e não deixe de ler sua nova obra “A Filha de Drácula” que resenhamos aqui na REDE VAMP


MUITO MAIS SOBRE DRÁCULA

Sobre Arquitetura Gótica

O que gostamos é sublime, ainda assim tem garras, morde e estarrece ao primeiro olhar…

“Enquanto o classicismo e os ideais da luz são orientados para as regras, a ordem e o coletivo, a tradição gótica se preocupa com o único: gênio, desvio e originalidade. Uma vez que o lado negro enfatiza o único, seus praticantes sempre correram o risco de perseguição, como ocorreu durante as várias histerias de caça as bruxas ao longo dos séculos.” Dr. Thomas Karlsson

Esta “post” surgiu de algumas observações bastante singulares daquilo que se fala nas redes sociais de alguns eventos que vemos por aí na capital paulista que usam o “gótico” como um adjetivo para oferecerem algo completamente avesso ao mesmo.

Calma! Não é um post chato sobre se a banda ou o músico tal é gótico mesmo – e nem daqueles sobre besteiras identitárias (sem qualquer funcionalidade)que há 9 anos só levaram o contexto gótico brasileiro a elegerem culpados e bodes expiatórios; diferentemente de seus primos chilenos e argentinos ou ainda dos europeus que ao invés disso organizam grandes festivais para celebrarem a tudo isso.

Mas vamos falar de um padrão de comportamento onde se estabelece um recorte do contexto, interpretado por um viés antagônico, onde se afirma um recorte como a totalidade daquele meio e para sua manutenção se investe em didáticas de projeção de culpa e pequenas violências como calúnia, difamação e afins as pessoas do próprio contexto que não compartilham daquele segmento ou recorte. Em relação a isso já escrevi anteriormente que:

“No Brasil aparentemente há uma evidente e tocante politização e doutrinamento desnecessário no que diz respeito ao gótico em diversos sentidos. A cada ano que passa mais e mais se remove seu tom adjetivo, simbólico e conotativo em nome de algumas regras e modelos antagônicos a sua natureza vindos do MHD (Materialismo Histórico Dialético) e de patifarias populistas da chamada Escola de Frankfurt (tão ou mais insanas quanto a cientologia) da chamada esquerda festiva nacional. Ao invés do mistério, esplendor, estética de desvio e genialidade artística (comprovada nas bandas, nas artes e nas letras) preferem afirmar como identidade  algo meio birrento, superficial e cheio de dissabor, melindre e rancor – sai a arte e fica a transitória popularidade a qualquer custo. Territorialidade e belicosidade repleta de “petardos” que só evidenciam o despreparo e oportunismo. Um evidente esvaziamento de sentido do gótico para se relocar e ocupar com atributos dispensáveis e sem qualquer relação ao seu contexto.” Lord A:., Autor Internacional, Conferencista, Dj e produtor de eventos.

O tal do Gótico não foi inventado ou criado aqui no Brasil (é algo transregional e atemporal) mas aparentemente tem proprietários e donos demais, agindo como bedéis escolares ou colegiais melindrados que só falam com uns desde que estes não falem com aqueles outros, pois não são “verdadeiros” no final das contas.

Felizmente sabemos que tais excessos  são um padrão de comportamento que pertence só a alguns “comerciantes” e “prestadores de serviço” para garantirem o seu . A maior parte do público e da audiência não dá a mínima para nada disso – existindo muitas cenas e contextos sem nenhuma uniformidade, homogenidade ou generalização que passam distantes do stalinismo cultural que tentam imporem por aqui. Já tentaram manifesto, cartilha, justificarem a “verdade” com tempo de cena e outras tantas. O que frustra bastante os tais bedéis em questão e suas doutrinas que pouco ou nada tem a verem com a expressão observada na estética, nas letras de músicas, nas posturas e produção cultural apreciada por todos que curtem o amplo contexto gótico.

Existem dois temas que são alvo de confrontos épicos quando o assunto é o “gótico”: A “Arquitetura” e o que chamaremos de “Fashionismo”.  

A maior parte do barulho e do ruído em torno de ambos os temas orbitam em torno do “ver quem manda e de quem é o maior” no seu grupinho. Arquitetura e Fashionismo transcendem o manifesto e o alcance dos “mandões” de tais grupinhos. Eles dizem Tal arquitetura não é gótica porque sabemos da “verdade” e mesmo que algo vago como uma “cultura dominante” nomeie de gótico, nós sabemos que não é porque somos mais “puros” e temos a “verdade” é o que dizem. Um tal de apóstolo Paulo fez algo muito parecido com seu evangelho repleto de dissabor há muito tempo atrás.  Toda a  arbitrariedade, a ideologia, o dogma e a intolerância dos bedéis e donos da verdade ilustram a própria impotência deles e dos recortes que fazem e tentam impor a uma pequena roda de amigos como “verdade absoluta da verdadeira…verdadeira cena mesmo!” Entendeu como opera tal padrão?

Tudo isso não passa de belicosidade para manter uma territorialidade, primatas e seus “flatulentos petardos” se importando em mostrar quem manda mais apelando para a transitória e líquida “popularidade” e o tal do “manter as aparências”. Castelos de areia na beira do mar ou ainda de cartas. Suas fachadas encenam que são vítimas e crianças flores para a seguir justificarem a violência que irão cometer em “nome de algo” ou em “nome de quem” para salvar ou preservarem o “gótico”- mas que no fundo nada mais é do que sua própria impotência em não poder fazer do seu objeto de afeto a sua imagem e semelhança. Como são donos da culpa tentam a colocar sempre nos outros. Qualquer evidência ou menção a algo mais artístico, criativo ou ligado a fantasia, personagens ou máscaras mexe com o brio e atiça doses maciças de recalque e negação compulsiva deles – não aguentam o tranco de reconhecerem o que também são, vestem e exercem nada mais é do que uma fractal do contexto. O que há de errado em ser parte ou fractal e do contexto não ser feito a sua imagem, semelhança e regras?Aliás ele é bem vasto desde o medieval ao “cholo gothic” e o cyber ou futurista distópico – sem regras!

Inclusive a questão do “fashionismo”, vestimentas e afins do gótico contemporâneo tem suas origens e principais influências no trabalho de Fred H.Berg da celebrada revista PROPAGANDA (leia esta outra entrevista) ainda neste contexto das 4 décadas do fashionismo gótico, sugerimos que assistam o video e o artigo com a criativa Lisa Ladouceur. Estes conteúdos a seguir lhe oferecem uma visão mais ampla e formativa deste outro lado – que aparentemente não querem que vocês conheçam.


Dr. Thomas Karlsson é PhD na Universidade de Estocolmo na Suécia, pesquisador e autor de diversos livros publicados por lá e também é letrista da banda Therion

Arquitetura Gótica é um tema interessantíssimo! Para tocar apropriadamente no assunto lhes ofereço um trecho de minha entrevista com o Doutor e PHD Thomas Karlsson, da Universidade de Estolcomo (vocês podem ler a entrevista na íntegra aqui)

Lord A:.  Thomas, como você vê o uso do termo gótico nos dias de hoje usado para designar estéticas contemporâneas desprovidas e até mesmo sustentando um tom antagônico ou ainda usada sem qualquer relação alguma com os povos Godos e Visigotos ou da distante Gottland?

Thomas Karlsson: Devemos aceitar algumas tendências e a subcultura gótica de hoje oferece muita coisa boa. Pode funcionar como uma semente para uma compreensão mais profunda dos mistérios góticos dos nórdicos. Para a maioria será apenas uma atitude subcultural, mas para alguns leva à uma compreensão verdadeira.

Os góticos nórdicos (Godos) não eram vistos em termos positivos. Na história européia, os godos foram vistos principalmente como um povo sombrio, perigoso e destrutivo. Eles eram considerados bárbaros, e “o gótico” era algo escuro e primitivo. Durante o Renascimento, os godos representaram o declínio cultural da Idade Média. O gótico é visto como o oposto direto da civilização antiga e os ideais clássicos da beleza.

O conflito entre o gótico e o clássico continua ao longo da história cultural do ocidente. Os ideais clássicos se fundamentam na clareza, razão, luz, leis e estruturas. Os ideais góticos são metafísicos e construídos de visões arcaicas, sonhos, trevas e sombras, inspiração e obsessão. Na tradição lírica, o classicismo é caracterizado por uma visão pragmática da poesia que enfatiza regras e habilidades práticas, enquanto o gótico se funde com uma visão metafísica da poesia em que o conteúdo é mais importante do que a forma. Na arquitetura, a palavra “gótico” tornou-se um termo pejorativo usado para descrever uma tradição de construção de igreja medieval. Primeiros exemplos disso são as catedrais de Colônia, Estrasburgo e Notre Dame, com seu estilo grandioso e pontiagudo.

O conflito entre o gótico e o clássico continua ao longo da história cultural do ocidente. Os ideais clássicos se fundamentam na clareza, razão, luz, leis e estruturas. Os ideais góticos são metafísicos e construídos de visões arcaicas, sonhos, trevas e sombras, inspiração e obsessão.

Embora o estilo provavelmente se originou na França do século XII, foi pejorativamente chamado de “gótico” ou “alemão”. Com seu estilo pontudo, a tradição gótica do edifício foi associada à natureza selvagem ou indomada. Edifícios góticos foram comparados a pingentes de gelo, enormes árvores antigas e cavernas com estalactites e estalagmites. De acordo com a estética clássica, o gótico representava algo insípido e invadido, ameaçador e aterrorizante. Intelectuais alemães do século XVIII, como Herder e Goethe, reavaliarão mais tarde a estética gótica e a arquitetura gótica de uma maneira muito mais positiva.

No entanto, a tradição gótica permaneceu ligada à natureza selvagem e ao terrível. Durante o século XIX, o romantismo das ruínas estava ganhando prevalência em certos círculos artísticos. As representações resultantes incluíram elementos tais como sepulturas e túmulos e igrejas góticas cobertas de plantas, fundindo com natureza indomável sob a lua cheia. Caspar David Friedrich e Arnold Böcklin foram dois dos principais representantes deste romantismo de ruínas. O gótico se relacionava com a ideia romântica do sublime. O sublime se referia a uma impressão grandiosa da mente que inspirava medo, mas também fascínio.

O sublime se referia a uma impressão grandiosa da mente que
inspirava medo, mas também fascínio

O estilo gótico também entrou na literatura. Os romances góticos ingleses fizeram referencia a um “terror entusiasmado”, e os ideais classicistas puros, estruturados e estruturados da luz foram evitados. Em vez disso, esses artistas procuraram a imagem de deuses, demônios, infernos, espíritos, almas, encantamentos, bruxaria, trovões, inundações, monstros, fogo, guerra, praga, fome e assim por diante. Acreditava-se que o temor Sublime era capaz de fornecer o homem um conhecimento sobre uma realidade maior que não poderia ser preso dentro dos limites da razão.

Edmund Burke era um filósofo principal desta corrente, e as escritas literárias importantes incluíram os poemas de Edward Young “Pensamentos da noite” (1742) e de Robert Blair “a sepultura” (1743). As ruínas tornaram-se altamente populares como um elemento no paisagismo e surgiu a necessidade de construir ruínas novas e artificiais, já que as existentes não eram suficientes. A ruína simboliza o ciclo da natureza e como as forças da natureza e do caos acabam aniquilando ideais e construções humanas. Na Qabalah podemos reconhecer os princípios da ruína sob o nome Qliphoth.

A polarização entre o classicismo e o gótico representa a polarização entre a magia negra e a magia da luz. A magia da luz baseia-se na racionalização e numa idealização da razão. Tanto a Qabalah judaica como as formas “leves” da maçonaria se esforçam para estabelecer uma geometria sagrada a partir da qual o Templo de Jerusalém será reconstruído. Desta perspectiva, as forças escuras da ruína são naturalmente vistas como ameaçadoras. Em uma cosmovisão cabalística, são os poderes escuros e Qlifóticos que estão destruindo o Templo de Jerusalém. O Templo de Jerusalém é um símbolo do poder totalitário de Deus. O lado da luz representa generalizações matemáticas e geométricas; O lado negro representa os fractais eo elemento caótico da matemática do caos.

O classicismo se esforça para imitar uma natureza simplificada e controlada, com o jardim geometricamente projetado como um padrão. Para essa concepção da realidade, os ideais irracionais do gótico parecem uma expressão de mau gosto. Quando a visão para a natureza muda, quando o homem se torna consciente dos elementos de torção do crescimento selvagem e começa a explorar as fendas desabitadas e precipícios das montanhas, um respeito pelas qualidades estéticas da tradição gótica é recuperado. Os arquitetos do castelo abandonam então as estruturas geométricas clássicas a favor da irregularidade. As árvores disciplinadas tornam-se selvagens, o gramado se torna um campo, a piscina torna-se um lago eo caminho do jardim se torna uma trilha sinuosa para o filósofo pensativo, onde ele caminha sozinho e imerso em seus pensamentos melancólicos.

Quando a visão para a natureza muda, quando o homem se torna consciente dos elementos de torção do crescimento selvagem e começa a explorar as fendas desabitadas e precipícios das montanhas, um respeito pelas qualidades estéticas da tradição gótica é recuperado.

Esta visão da natureza está ligada aos ideais da corrente draconiana. O afastamento do que é podado e estruturado é um reconhecimento de que o caos está reconquistando o Jardim do Éden e que o Dragão acorda novamente. Enquanto o classicismo e os ideais da luz são orientados para as regras, a ordem e o coletivo, a tradição gótica se preocupa com o único: gênio, desvio e originalidade. Uma vez que o lado negro enfatiza o único, seus praticantes sempre correram o risco de perseguição, como ocorreu durante as várias histerias de caça as bruxas ao longo dos séculos.

Enquanto o classicismo e os ideais da luz são orientados para as regras, a ordem e o coletivo, a tradição gótica se preocupa com o único: gênio, desvio e originalidade. Uma vez que o lado negro enfatiza o único, seus praticantes sempre correram o risco de perseguição, como ocorreu durante as várias histerias de caça as bruxas ao longo dos séculos.

(Trecho da entrevista com Dr. Thomas Karlssonvocês podem ler a entrevista na íntegra aqui)


Este trecho da entrevista motivou algumas edições do nosso programa semanal VOX VAMPYRICA que ficaram conhecidas como “ARCO GÓTICO: A história que não querem que você saiba” onde através das obras do próprio Thomas e outros ilustres autores como Edred Thorsson, Dr. Stephen Flowers, Susan Ackërman e muitos outros oferecemos outros olhares sobre este adjetivo gótico e suas influências estéticas e criativas bastante vastas e que dialogam desde com a origem da ficção científica a outros gêneros limiares do imaginário e da estética ocidental. Mais amplo, mais relevante e mais vasto e funcional do que o que fazem dele em nome de territorialidade e belicosidade no brasil. Depois deste artigo podemos até brincar: “Diga-me o que lhe é gótico, que te direi quem tu és!” 😀


 

VOX VAMPYRICA#305: O MITO POLAR E OS SÁBIOS

Vox Vampyrica #305 “O Mito Polar e outros sábios” apresentação Lord A:. & Xendra Sahjaza com DJset de Flavio Fernandes, Dj residente do extinto Armagedon só na www.antenazero.com edições inéditas toda segunda-feira a meia noite! O Mito Polar expressa e organiza lendas, mitos e ritos que se reúnem por afinidade ao longo de uma estrutura ou de uma representação geralmente vertical que abarca nossa existência. Nesta edição abordamos curiosos e singulares sábios que influenciaram o norte e o leste europeu ligados aos filósofos mais célebres do mediterrâneo.

Há mais de uma década no ar e com 300 edições já realizadas a Vox Vampyrica é o seu programa de webradio dedicado ao contexto Vamp, Darkwave, DarkElectro, PostPunk e vertentes no Brasil, América do Sul e Portugal. Iniciado como um podcast caseiro em 2006 por Lord A : . acabou se tornando um programa semanal em 2010.Desde 2014 Srta Xendra Sahjaza se tornou apresentadora do programa e em 2016 acolhemos em nossa equipe o jornalista Sérgio Pacca e nossa amiga Leylane Frauches como criadores dos textos de abertura e o DJ residente Flávio Chiclé responsável por diversos djsets desde então!