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A Runa do Rei e a Cosmovisão Vampyrica

[UM TEXTO DE LORD A: .] Hoje vamos falar sobre Cosmovisão Vampyrica, o “Espírito Caçador e o Coração Feral” bem como das marcas e sussurros que mensuram a relação destas duas potências daqueles que carregam seu legado daemônico em sua têmpera (destino). Também vamos falar do processo de obter a clara visão, olhar adamantino e transparente daquilo que carrega em si. Na medida do possível atrelei links para textos complementares. A leitura de meu livro Mistérios Vampyricos oferece um detalhamento apropriado para o que deixo aqui de forma em passant”.Diferentemente de outros textos focalizarei aqui a questão arquetípica e não histórica. Interessante pontuarmos que

Ao falarmos do espírito caçador representado como o Vampiro contemporâneo se interpretarmos seu passado pagão e xamânico, invariavelmente lidamos com aspectos presentes no chamado cérebro  reptílico humano que lá permanece até hoje, persiste e ressurge – independente de qualquer atribuição ou arbitragem moral. Rege sobre o Apetite, proteção, reprodução e alimentação, são o que lhe impulsiona, nada de palavras, apenas imagens e símbolos que se alinham sedutoramente e apelam ao sensorial e um tom nitidamente hedonista.

Uma potência não ascética em todos os sentidos que se reconhece como parte do todo, da biosfera, da natureza ou do ecossistema e jamais da sociedade ou da tribo. Justamente por não se alinhar com o cultural e o socialmente aceito torna-se algo clandestinamente aceitável se desviado para a arte ou a filosofia.

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É tomado como uma maldição pelos antigos nascer sob tal destino, principalmente se não houver uma habilidade no seu direcionamento. No passado distante tal predominância de cunho saturnino era digna de xamãs e visionários, mas havia uma outra postura e funcionalidade social para incluir, treinar e habilitar tais pessoas e sua atuação. Tal dom representa um perfeito ouroborus alquímico e símbolo “ocular” que há mais de quarenta anos inspira a dinastia Sahjaza (Extremamente necessário no passado quanto nos tempos de hoje, entenda melhor aqui) – uma consciência da finitude, extensão e emprego claro da natureza das formas (Eidos, em grego e suas temperas mensuradas sob sete parâmetros que descendem da velha teurgia)

Tocar neste assunto é falar sobre a consciência nômade, pré-agrária e de quando o aquoso e o serpentar ou a própria terra e suas florestas expressavam através do pulsar e do sussurro o próprio sagrado. A escuridão da noite de lua negra era a melhor aliada do caçador na companhia das estrelas que se tornavam ainda mais brilhantes. Tempo em que auroques ainda pastavam no continente, um eão taurino quem sabe. Alguns falam que nesta consciência jaz toda a sabedoria que alguém pode alcançar em questões de instantes como um perpétuo momento decisivo e de apoteose sem fim. Libertar ou restringir e o que fazer com o tempo desta ação era o que decidiam ou retinham para o momento do rito. Uma poderosa e vulcânica fonte de energia para o desenvolvimento pessoal e coletivo (Já discutimos como os símbolos do feminino, se tornaram o mal e a escuridão dos povos solares, aqui)

Tamanho vigor representa o próprio coração feral, assombrado por tudo que é indomável e inaceitável como um tabu na sociedade o que o desloca e o posiciona como um totem e um ancestral ou a margem da cultura da tribo; ainda assim o pária, o morto para o mundo (a tribo ou sociedade) era o xamã necessário para lidar com o inefável – e mediar sua relação com os vivos. Não admira as representações tribais o desvelarem como um orbe flamejante, um cometa ou um dragão que deixa o corpo e vaga através da escuridão noturna, enquanto seu corpo jaz como o de um morto no chão guardado por seus conterrâneos. Sedento e faminto de “Sangue” e de viver o que se mostra diante do que sonha, imagina e até mesmo é capaz de pensar. (Falamos sobre esta questão do xamã e seu corpo dracônico, aqui) se por ventura os leitores quiserem ler mais sobre viagem astral, recomendo este artigo.

A escuridão, a matéria, a forma e o tempo são símbolos femininos (falamos disso previamente aqui) não mais como antagonista e sim como a sombra bem-amada, o tremor sagrado e aquela que deseja – a musa inspiradora.

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Sobre Arte: Ativado o fogo do espírito, ele se expressa no afetivo e no elemento água; na inspiração e códigos estéticos de sua representação e no domínio de sua realização e aquilo que provoca na audiência.

O calor e o fogo das profundezas ardem em seu peito, na palma de suas mãos e espelha no olhar desvelando como enxergar o outro lado através da mente e do espírito (processo marcado pelo glifo “Y”, falaremos adiante). As brasas do inferno para agonizar e ser consumido continuamente enquanto dominado pelas paixões, desejos e apegos diversos deste selvagem jardim.

Um fosso de tormentas intermináveis enquanto olhar, chamar e como escolher se aproximar e recolher mais e mais disso para si até a inevitável extinção da própria presença de espírito e da sua carne. (aprofundamos neste outro artigo estes males nos dias de hoje)

Sua alternativa a tal processo de aniquilamento é a habilidade e a conquista da maestria draconiana. Assim tornará estas visíveis chamas e luminosidade perene nas mesmas das estrelas que constelam e apontam os rumos na através da escuridão que as envolve. A escuridão, a matéria, a forma e o tempo são símbolos femininos (falamos disso previamente aqui) não mais como antagonista e sim como a sombra bem-amada, o tremor sagrado e aquela que deseja – a musa inspiradora.

Tamanho vigor representa o próprio coração feral, assombrado por tudo que é indomável e inaceitável como um tabu na sociedade o que o desloca e o posiciona como um totem e um ancestral ou a margem da cultura da tribo; ainda assim o pária, o morto para o mundo (a tribo ou sociedade) era o xamã necessário para lidar com o inefável – e mediar sua relação com os vivos. No leste europeu o mesmo termo nomeava o que era vampiros, dragões, cometas, estrelas cadentes e anjos caídos.

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No contexto do oculto Cosmovisão Vampyrica a letra “Y” já foi associada a Deusa Hécate e inexiste uma verdade absoluta sobre isso.

O Círculo Strigoi tem um evidente interesse na funcionalidade arquetípica que encontram na teoria semântica norte-americana sobre as origens do termo Uppyr. Que liga a região da cidadela de Novgorod na Rússia e de seus fundadores “Varengues” vindos de Upsala e Gotland na Suécia e o passado de suas pedras rúnicas bem como de sua fusão com diversas tribos que acabaram por assumirem a liderança naquela região pouco antes do século X.

Para nós o cerne da questão da letra “y” presente em Cosmovisão Vampyrica nos remete ao passado pagão e também a renascença e os tempos pré-rosacruzes no mar Báltico (isso será discutido futuramente, como disse é uma exploração arquetípica, sabemos da história norte-americana de se usar a grafia antiga do termo para diferenciar o que eram da cultura pop, que imperou lá ).

Acredito que os mais hábeis prontamente compreenderão a equivalência simbólica e comparativa tanto do “Y” pitagórico como da Adulruna “Kyn” de Johaness Bureus, chamada de a “Runa do Rei” e equivalente ao vórtice do terceiro olho ou o chakra Ajna dos Hindus. O uso do simbolismo da clara visão, olhar transparente, olhar adamantino e olhar refulgente tão caro as nossas publicações também passam a fazer sentido. Escolher com propriedade também.

Enfim, é um conteúdo basal deste contexto. A importância do dragão no sentido que nomeia “clara visão” como utilizado pelos gregos também se torna mais óbvio, como aquele que integra e coordena a receita da tempera, sua energia, magnetismo e vitalidade dosando e regulando as suas sete forças ou substâncias formativas. Nosso apreço por forcados ou bidentes também se evidenciam. Assim como 3 misteriosos tesouros e outros 16 forças secretadas através deste processo que expressam nuances do chamado “Sangue”.

“Para nós o cerne da questão da letra “y” presente em Cosmovisão Vampyrica nos remete ao passado pagão(…) os mais hábeis prontamente compreenderão a equivalência tanto do “Y” pitagórico como a Adulruna “Kyn” de Johaness Bureus, chamada de a “Runa do Rei” e equivalente ao vórtice do terceiro olho ou o chakra Ajna dos Hindus.

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A Caçada Selvagem ou Exército Furioso encontra diversas expressões no imaginário e no ocultismo. Os antigos ritos xamanicos ligados a sua prática foram homogenizados como tipos de vampiros entre os séculos XVI e XVIII

Os mitos da Caçada Selvagem essencialmente associados posteriormente aos ritos que foram nomeados como tipos de vampiros tem muitas versões no velho mundo. Podemos então dizer que Odin e seu cortejo vestem muitas máscaras; ora disputam e treinam capturar os mortos perdidos para entregar a Hel (sobre esta deusa ancestral, recomendo a leitura de seu capitulo na obra “As faces escuras da grande Mãe”, de Mirella Faur pela Ed. Alfabeto)  e outras vezes confrontam os seus antagonistas gigantes. Uma das versões menos menos conhecidas destes mitos achou lugar na figura de Arlechino ou Allichino retratada nos cantos XXI e XXIII do Inferno de Dante Aligheri, como um alívio cômico. Outras como a do temido Rei dos Elfos ou ainda Rei dos Mortos ou do Inferno foram descritas no meu livro Mistérios Vampyricos: A Arte do Vampyrismo Conteporâneo. Os mais hábeis descobrirão que a deusa hindu Kali e a nórdica Hel partilham mais segredos convergentes em suas respectivas esferas de atuação do que muitos sonham.

Descendo através do maelstrom ou do grande vórtice no oceano cósmico o espírito caçador é o aliado ou a marca do pacto ou acordo dos que carrega este legado daemônico e a habilidade para esta arte invisível e sem nome que delineamos enquanto Cosmovisão Vampyrica – com o titânico e invencível coração feral.  Ao final da caçada, se este não vier foi apenas espreita, o coração feral é tomado pelo Espírito Caçador que se apropria de mais um pouco de sua vastidão, poder e ancestralidade – até a próxima caçada e o próximo desafio, estocando o que lhe convir. Se ampliam as chamas e as infernais caldeiras onde martelos golpeiam incansavelmente o ouro e o metal do alto criando armas e ferramentas para aqueles hábeis para avançar nesta via draconiana e tortuosa (espiralada).

Tais conteúdos e suas práticas são apresentados no vindouro novo livro e no EAD do Cìrculo Strigoi disponível aqui. Informamos que é preciso estudo, tempo, preparo e certas investiduras para lidar de maneira mais saudável com tais conteúdos e práticas.

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